Lives – um modelo de negócio

Live – um modelo de negócios – Direitos EPraxe

Com o advento da pandemia, muita gente foi apanhada de surpresa quanto a uma crise que chegava sem dar sinais de quando vai terminar. Mas os gerenciadores da área de entretenimento souberam reagir e, no campo da música, surgiu uma profusão de shows transmitidos ao vivo.

As lives surgiram, como tudo que é lançado pela internet, como se fosse um sistema de negócios acessível a todos intervenientes da música, mas não é bem isto que ocorre, porque os pequenos coletivos de artistas não conseguem se lançar com a mesma amplitude que os grandes empresários do entretenimento.

A transmissão ao vivo para multidões demanda recursos técnicos que vão além daqueles oferecidos pelos computadores de mesa caseiros e câmeras de celulares medianos. 

Para transmissões de maior alcance é necessário utilizar o recurso de transmissão por codificador, que permitirá o compartilhamento do evento utilizando recursos sofisticados de áudio e de vídeo, facilitando o gerenciamento de vários equipamentos ao mesmo tempo como câmeras, microfones, jogos de luzes etc.  

Já se percebe que as produções caseiras para transmissão ao vivo ficam distantes de alcançar o grande público, pois em transmissões de alto nível é possível aferir on-line a qualidade do vídeo e do áudio em transmissão, verificar o nível de trânsito de dados na rede, bem como atenuar problemas concernentes a ruídos ou interferências que porventura venham a acontecer.

Cabe ressaltar que as grandes plataformas de transmissão de vídeo criam cada vez mais restrições para usos de lives. Por exemplo, para uma transmissão ao vivo no YouTube, é necessário ter, pelo menos, mil inscritos no canal da TV WEB da plataforma, além de ser necessário ter, pelo menos, 4 mil horas de conteúdo visualizado nos últimos 12 meses de existência do canal.

É aqui que entram os grandes empresários do entretenimento que aproximam os artistas das grandes empresas de marketing digital e dos grandes patrocinadores, para construir uma rede de comunicação que envolve merchandising e publicidade direta, o que favorece mais a visibilidade do artista pelo grande público.

Ao acompanhar algumas transmissões ao vivo, observamos que há uma informação publicitária que se apresenta sobre a tela de apresentação do show, ocupando em torno de 30% do monitor. Vide a figura abaixo com uma demarcação feita em uma dessas apresentações. No caso, as áreas demarcadas com tarjas pretas correspondem aos pontos de exibição de anúncios comerciais.

Área utilizada pelos anúncios publicitários

Na TV tradicional, por exemplo, boa parte dos anúncios é apresentada durante o intervalo. Nas lives os anúncios se perpetuam durante todo o show, deixando a área de visualização de apresentação diminuta devido ao número de anunciantes. 

Além das áreas ocupadas por anúncios na tela de apresentação, ainda há diferentes objetos espalhados no cenário, com indicadores dos produtos que deverão ser consumidos pelo espectador.

Quando a transmissão detém um número significativo de espectadores, a organização da live é remunerada pelo número de pessoas assistindo. Por causa desta possibilidade de ganhar dinheiro com o número de pessoas assistindo em uma quantidade mínima de horas, as lives passaram a ser transmitidas em períodos acima de quatro horas, sendo que algumas chegam a ter quase 12 horas de transmissão.

A live é um modelo de negócio que tem regras próprias de produção, exposição e consumo, exigindo de quem vai atuar competências específicas para gerir o processo do negócio, o que distancia mais aqueles artistas que têm uma ideia na cabeça de transmissão, mas não têm os recursos técnicos e financeiros necessários para realizar o intento.

Percebam que não aludimos aqui às iniciativas de contribuições feitas para ajudar pessoas necessitadas, que foram diretamente afetadas pela pandemia. Este seria assunto para uma outra postagem.

Apesar de o processo de transmissão ao vivo pela internet não ser novo, ainda temos muito o que aprender com as lives que se multiplicam durante a crise do coronavírus. Aprender porque somos cidadãos e consumidores ao mesmo tempo e precisamos melhor entender quais são as consequências desse novo estado de relações comerciais para a nossa vida cotidiana.

Diversão importa. Informação, também.

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Publicado por Cleonilton Souza

Educador nas áreas de educação, tecnologias e linguagens.