Pensar faz bem – Carl Jung

Pensar faz bem com Carl  Jung
Pensar faz bem com Carl Jung

A psicologia do indivíduo corresponde à psicologia das nações. As nações fazem exatamente o que cada um faz individualmente; e do modo como o indivíduo age, a nação também agirá. Somente com a transformação da atitude do indivíduo é que começará a transformar-se a psicologia da nação. Até hoje, os grandes problemas da humanidade nunca foram resolvidos por decretos coletivos, mas somente pela renovação da atitude do indivíduo. Em tempo algum, meditar sobre si mesmo foi uma necessidade tão imperiosa e a única coisa certa, como nesta catastrófica época contemporânea. Mas quem se questiona a si mesmo depara invariavelmente com as barreiras do inconsciente, que contém justamente aquilo que mais importa conhecer.

Carl Gustav Jung, em Psicologia do inconsciente, p. 10

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As múltiplas faces de As mortas

A série As mortas bem que poderia ser considerada uma história de terror, mas não é; seria também uma história de humor, mas outros sentimentos além da alegria são cultuados na série. 

Muito menos As mortas seriam uma história somente policial, pois a controvérsia de investigação que conduz a história não é um único pano de fundo para a construção da narrativa. 

As mortas englobam tudo isto e ainda mais um pouco; a história vai nos levando em um redemoinho de sentimentos ao abordar nuances variadas da natureza humana. 

Na história navegam juntas situações de ciúme doentio, exploração sexual, escravização, corrupção, religiosidade sob a forma da prática do pecado e da expiação. Da cumplicidade à lealdade, tudo é concebido na história a partir de múltiplos pontos de vista que se alternam na contação da história.

Em cada capítulo uma visão diferente vai compondo um mosaico para a formação de uma história maior. O mosaico é construído pelo espectador ao se identificar ou antipatizar com a forma como o narrador da micro-história contribui para formar a colcha de retalhos de uma narrativa que aborda o itinerário econômico gerenciado por duas irmãs na ambição de construir fortuna por meio da exploração do trabalho alheio.

E como chegamos às mortas? Ah, agora cabe ao leitor conferir e fazer o próprio julgamento sobre o que ver, ouvir e sentir.

Até a próxima!

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O pensamento faz bem Jean-Gabriel Ganascia

Pensar faz bem com Jean-Gabriel Ganascia
Pensar faz bem com Jean-Gabriel Ganascia

Para compreender as questões que surgem, é preciso colocar no seu contexto: existe hoje uma grande variedade de máquinas, de linguagens de programação e de usuários. O que se torna um problema daqui por diante, não é tanto a capacidade de cálculo ou de memorização dessas máquinas, mas nossa própria capacidade de fornecer-lhes instruções coerentes e pertinentes e, em seguida, interpretar o resultado que elas nos dão. Em termos mais atuais, trata-se de comunicação; de comunicação entre o homem e a máquina e entre a máquina e o homem; são problemas de programação e de engenharia de software; de comunicação entre máquinas: são os problemas de “portabilidade” e de compatibilidade de programas; enfim, de comunicação entre os homens intermediada por máquina: abordam-se aí problemas cruciais ligados o impacto das tecnologias da informação

Jean-Gabriel Ganascia, em Inteligência Artificial, p. 75-76

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Um período de releituras para 2026

Releituras em 2026
Releituras 2026

Ao encerrar um ano, as pessoas criam, geralmente, expectativas na busca de novidades para o ano vindouro, esperando construir uma jornada diferente em relação aos anos anteriores.

Pensando nisso separei umas leituras para 2026, só que não será uma leitura convencional, na verdade serão releituras, pois neste processo de buscar o novo a gente termina por acumular muitas leituras e se esquece de cultivar a leitura profunda em relação aos textos que porventura tivemos oportunidade de ler.
Entre as releituras está o livro do psicólogo Carl Jung, Psicologia do inconsciente, pois na época em que o li, percebi mudanças significativas no modo como eu lidava com a minha existência.
Um outro livro que se incorporou a minha expectativa é Análise do discurso digital, de Marie-Anne Paveau, por tratar de um tema que me é caro e que venho fazendo nos últimos anos quando participamos cotidianamente de comunicações mediadas por muitas tecnologias, o que resultou em uma forma própria de usar a linguagem humana.
Por falar em discurso, Vilém Flusser abalou minha forma de observar a maneira como o humano se comunica quando escreveu A escrita: há futuro para a escrita?, se tornando assim uma releitura fundamental.
Toda vez que releio textos de Paulo Freire fico muito incomodado sobre as coisas que estou refletindo e o que estou fazendo com as respectivas reflexões. Disto resultou a vontade de rever a obra Por uma pedagogia da pergunta, do filósofo da educação.
Ainda pensando em educação, peguei na estante para releitura o livro A estrutura do discurso pedagógico, de Basílio Bernstein. Bernstein, no texto, mergulha nas profundezas dos discursos que se apropriam de outros discursos para produzir aprendizagem, uma reflexão rara sobre Educação e Linguagem.
Não vou encher este texto com referências: há outras leituras mais para revisitação e quem sabe eu não venha a compartilhar outras revisitações durante o próximo ano.
E que venha 2026 e que seja realmente um ano de releituras.
Até daqui a pouco, pois 2026 está chegando…

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O pensamento faz bem com Kate Crawford

Pensar faz bem com Kate Crawford
Pensar faz bem com Kate Crawford

A inteligência artificial não é uma técnica computacional objetiva, universal ou neutra, capaz de fazer determinações sem interferência de seres humanos. Seus sistemas estão inseridos em mundos sociais, políticos, culturais e econômicos, são moldados por pessoas, instituições e imperativos que determinam o que as IAs fazem e como o fazem. Elas são projetadas para discriminar, amplificar hierarquias e codificar classificações bastante limitadas. Quando aplicadas a contextos sociais como o policiamento, o sistema de justiça, a saúde pública e a educação, elas podem reproduzir, otimizar e amplificar desigualdades sociais existentes. Isso não acontece por acidente: os sistemas de IA são criados para ver e intervir no mundo de forma a beneficiar primariamente os Estados, as instituições e as corporações a serviço de quem estão. Nesse sentido, eles são expressões de poder que emergem de forças econômicas e políticas mais amplas, sendo criados para aumentar os lucros e centralizar o controle daqueles que os empreguem. Mas não é essa história da inteligência artificial que costuma ser contada.

Kate Crawford, em Atlas da IA: poder, política e os custos planetários da inteligência artificial, 2025, p. 247

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Desafios da educação no século XXI

Os avanços do capitalismo
Os avanços do capitalismo

A revista Perspectiva lançou o dossiê Tecnologias digitais e Educação: entre perturbações e desafios no início de dezembro de 2025. No dossiê há o artigo Os avanços do capitalismo (digital) no século XXI e a educação, de minha autoria e do professor Nelson Pretto. O artigo discute questões relacionadas à educação no contexto do início do século XXI, em que as relações sociotécnicas estão subordinadas a processos sustentados por códigos, dados e sensores. 

O texto é um convite para discutir um assunto de relevância para a época em que estamos vivendo, e o leitor poderá participar deste debate indo direto ao artigo e formulando as próprias reflexões.

Abaixo o resumo do artigo como um “aperitivo” para você, leitor, entrar na roda de conversa.

Resumo

Três   vertentes   epistêmico-metodológicas   de   construção   e   usos   de tecnologias (hardware e software) fundamentam as teorias e práticas sociais no início do século XXI. A primeira vertente se caracteriza pelo processo de  codificação  dos  diversos  objetos  técnicos  mediante  a  elaboração  de notações, via algoritmos, metadados, diagramas e modelos computacionais; a  segunda,  pela  rotulação  dos  entes,  e  dos  movimentos  destes  entes, animados    e    inanimados,    para    que    estes    sejam    mais    facilmente identificáveis;  a  terceira,  pela  produção  de  grandes  quantidades  de  dados sobre tudo o que acontece na Terra, transformando os referidos dados em insumos para produção de capital. A partir deste contexto, este trabalho se insere como atividade de cunho teórico, com base em fontes bibliográficas, de  construção  de  um  panorama  das  inter-relações  entre  educação  e sociedade,   quanto   aos   usos   sociais   das   tecnologias,   discutindo   as racionalidades técnicas sustentadas pelas ideias de construção de códigos, para  realizar  as  diversas  atividades  que  também  são  elaboradas  pelos humanos;   da   organização   de   memórias   artificiais,   dando   origem   à apropriação   de   enormes   quantidade   de   dados   por   grandes   empresas transnacionais;  da  catalogação  de  todos  os  entes  existentes  na  Terra, resultando em novas formas de sociabilidade e, em consequência, de novas formas  de  se  pensar  e  fazer  educação.  Os  resultados da  análise  teórica indicam  a  necessidade  de  realização  de  estudos  e  práticas  em  educação vinculados    ao    entendimento    dos    modos    de    existência    (ações    e significações)  produzidos  pela  racionalidade  técnica  que  afeta  a  forma como os humanos realizam sociabilidades no início do século XXI.

Até a próxima!

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