
A inteligência artificial não é uma técnica computacional objetiva, universal ou neutra, capaz de fazer determinações sem interferência de seres humanos. Seus sistemas estão inseridos em mundos sociais, políticos, culturais e econômicos, são moldados por pessoas, instituições e imperativos que determinam o que as IAs fazem e como o fazem. Elas são projetadas para discriminar, amplificar hierarquias e codificar classificações bastante limitadas. Quando aplicadas a contextos sociais como o policiamento, o sistema de justiça, a saúde pública e a educação, elas podem reproduzir, otimizar e amplificar desigualdades sociais existentes. Isso não acontece por acidente: os sistemas de IA são criados para ver e intervir no mundo de forma a beneficiar primariamente os Estados, as instituições e as corporações a serviço de quem estão. Nesse sentido, eles são expressões de poder que emergem de forças econômicas e políticas mais amplas, sendo criados para aumentar os lucros e centralizar o controle daqueles que os empreguem. Mas não é essa história da inteligência artificial que costuma ser contada.
Kate Crawford, em Atlas da IA: poder, política e os custos planetários da inteligência artificial, 2025, p. 247
A seção Pensar faz bem! traz reflexões vinculadas à cultura e ao cotidiano. Uma parte significativa dos textos da Pensar faz bem! é fruto das leituras que fazemos para construção dos artigos, crônicas e resenhas aqui publicados. O pensamento da quinzena é de Kate Crawford, pensadora que pesquisa as implicações da inteligência artificial na vida cotidiana.
Boas reflexões!
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- Cultura algorítmica, trabalho e educaçãoO post EPraxe desta semana é sobre a forma como delegamos a tecnologias a realização de atividades que nós também temos condições de realizar. O texto é provocativo e imperdível. Boa leitura!
- O raciocínio lógico de cada diaO texto EPraxe desta semana é sobre o livro A lógica, de Pierre Wagner. Boa leitura!
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