Para melhor conhecer Inteligência artificial

Inteligência Artificial - abordagem não técnica
Inteligência Artificial – abordagem não técnica

Inteligência artificial se transformou em uma das pautas mais discutidas atualmente quando se pensa ,os rumos da sociedade do século XXI em diante, o que se torna recomendável buscar informações sobre esse assunto que penetrou nas pautas discursivas da vida cotidiana.

Com a quantidade de informações sobre o tema, profissionais em geral convivem com o dilema do usar ou não usar essas tecnologias em meio a olhares de assombro, de dúvida e de medo, misturados a um fascínio que incita nas pessoas aquela vontade de começar consumir  o máximo que esse tipo de tecnologia oferece.

Nesse emaranhado de informações sobre IA, está o livro Introdução à inteligência artificial: uma abordagem não técnica, de Tom Taulli, que tem como proposta discutir questões essenciais sobre IA, por meio de uma linguagem acessível às pessoas que não são profissionais das áreas ligadas às tecnologias.

O livro Introdução à inteligência artificial: uma abordagem não técnica não foi escrito somente em uma linguagem compreensível para os leitores não técnicos; na verdade trata-se de uma abordagem multidisciplinar sobre o assunto, que não rejeita a face técnica da inteligência artificial e insere o assunto como central para compreensão do contexto de convivência em um mundo mediado por tecnologias computacionais.

Taulli navega com o leitor discutindo,  inicialmente, os fundamentos e a história da IA, avança pelo tema dos dados, até mergulhar em assuntos mais densos como machine learning, deep learning, processamento de linguagem natural e robótica, temas estes de interesse de estudiosos de áreas ligadas à ciência da computação.

Na obra o autor traz um conjunto de exemplos sobre implantação de IA nas instituições, demonstrando como seria possível haver novas iniciativas de utilização das referidas tecnologias em diversos contextos de interação socioeconômica.

No capítulo Futuro da IA, Taulli aborda assuntos relacionados às possibilidades de construção de objetos, sistemas e ambientes de IA, buscando apresentar os prós e os contra de cada exemplo apresentado.

Há um apêndice denominado Recursos de IA, que traz referências sobre o assunto em fontes como publicações de blogs especializados, endereços eletrônicos de pesquisadores da área, exemplos de iniciativas em código aberto e em educação voltados para o mundo da IA. No último capítulo do livro é apresentado um glossário com termos sobre IA e áreas correlatas ao tema.

O texto de Taulli foi originalmente escrito (em inglês) em 2019, o que demonstra que a discussão sobre inteligência artificial não é tão recente assim, e o que para muita gente ainda é novidade, já fazia parte da realidade mundial no período pré-Covid-19.

A abordagem de Taulli é compatível com o que estamos vivendo nesta terceira década do século XXI, e o destaque do livro é ter sido construído em uma linguagem não técnica, sem perder o rigor conceitual necessário à compreensão dos meios técnicos e informacionais que dão suporte ao entendimento do que seja inteligência artificial.

Até a próxima!

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Salve os mestres de capoeira da Bahia

Mestres de capoeira da Bahia
Mestres de capoeira da Bahia

José Gabriel, Antônio Conceição, Vicente Pereira, Manoel dos Reis, Waldemar Rodrigues, Washington Bruno e Daniel Coutinho são alguns dos grandes mestres de capoeira da Bahia no século passado. Eles são reconhecidos, respectivamente, como mestres Gato Preto, Caiçara, Pastinha, Bimba, Besouro, Waldemar, Canjiquinha e Noronha.

O mundo da capoeira foi um dos territórios criados pelos afrodescendentes durante o período da escravização e até hoje, juntamente com as casas religiosas de matrizes africanas e os quilombos, elementos culturais  demarcadores da identidade negra no Brasil.

A capoeira foi inicialmente reprimida pelos senhores escravocratas nas senzalas; continuou sendo reprimida pela polícia, agência do Estado que era utilizada para não permitir a expressão dos filhos da África, mas a capoeira resistiu e se instaurou como uma proeminente característica da cultura brasileira que acolhia negros, brancos, indígenas pobres e demais interessados.

Se o leitor algum dia passar nas proximidades do Mercado Modelo, em Salvador, Bahia, poderá se deslumbrar com as estátuas desses grandes personagens da capoeira da Bahia e saber um pouco sobre a história de cada um deles. As histórias individuais desses personagens históricos se entrelaçam, criando assim um arcabouço coletivo de uma parte da história da Bahia, e também do Brasil. 

Até a próxima!

Mestres de capoeira
Mestres de capoeira – Praça Maria Felipa, Salvador, Bahia

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Pensar faz bem com Edgar Morin

Edgar Morin – Bases Filosófico-Científicas

François Ewald: Quais as grandes referências intelectuais que o senhor nos dá? Em que tradição intelectual o senhor gosta de se colocar?

Edgar Morin: De um lado, considero-me inscrito no tecido cultural francês e europeu, e de outro, um pouco como um aerólito. Não estamos jamais certos, mesmo quando denominamos Nietzsche um puro aerólito. Meu âmago cultural é primeiramente Heráclito, porque Heráclito afronta de maneira absolutamente marginal as contradições com a vontade de vê-las de frente: é também Montaigne, o Montaigne da análise de si misturada com análise do mundo que o cerca, o elo entre a autocrítica e a crítica, essa espécie de energia crítica que faz com que ele não admita nada a priori; é mais profundamente Pascoal, porque Pascoal une ceticismo de Montaigne, a racionalidade científica e a mística; é o Pascoal do homem situado entre dois infinitos mistura de loucura e de sabedoria; é ainda Hegel, porque Hegel é um espírito que quis afrontar as contradições dizendo que o espírito deve olhar a morte em si; olhar a morte, e por que existe nele a ideia positiva da negatividade; é enfim Marx, agora muito provincializado, mas que permanece inscrito nesta constelação. Tal o é horizonte intelectual no seio do qual me sinto muito bem, que tenho tomado muitas coisas para outros pensamentos. Aerólito, não me inscrevo numa tradição única, uno as influências aparentemente antagônicas.

Edgar Morin em: Complexidade, consciência e incerto, diálogo com François Ewald, p. 162-171, em Inteligência da complexidade,  p. 165.

Até a  próxima!

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Francis Bacon e A sabedoria dos antigos

Francis Bacon e A sabedoria dos antigos
Francis Bacon e A sabedoria dos antigos

Amor-próprio, fama, filosofia, desejo, medo e volúpia são alguns dos temas discutidos por Francis Bacon, a partir da interpretação de histórias mitológicas no livro A sabedoria dos antigos.

Por meio de uma narrativa prazerosa, Bacon vai nos guiando por narrativas com protagonistas como Cassandra, Narciso e Orfeu, demonstrando como as histórias desses personagens povoam o imaginário da humanidade.

A sabedoria dos antigos é estruturada com uma alegoria mitológica no início de cada capítulo, seguida de uma breve, mas não superficial, explicação interpretativa de como a narrativa ficcional constrói formas de a gente perceber o mundo em nossa volta, cercado de harmonias e contradições e povoado de racionalidades e sentimentos, expelindo o que há de humano em nós.

Em A sabedoria dos antigos, Francis Bacon trafega com muita destreza nos caminhos das figurações, expressando uma veia poética sem igual e, ao mesmo tempo, elabora um construto temático rico para discussão de assuntos tão diversos da existência humana.

Se o leitor acha filosofia algo difícil de se vivenciar, comece a navegar nesse universo da criação humana por meio de A sabedoria dos antigos, pois lá você vai se encontrar com o prazer da expressão estética, acompanhada de uma reflexão filosófica consistente.

Descobri os textos de Francis Bacon quando estava pesquisando o gênero discursivo Ensaio, uma forma de expressão singular que é habitada por movimentos entre regularidades e irregularidades no processo de escrita. É assim que a gente aprende: de estudos sobre linguagem fui jogado no mundo da Filosofia e agora não sei aonde vou parar.

Até a próxima!

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Cultura algorítmica, trabalho e educação

Cultura algorítmica, trabalho e educação
Cultura algorítmica, trabalho e educação

Durante o ensino médio, no curso de Técnico em Contabilidade, os professores de Estatística, Matemática Financeira e Análise de Balanço autorizaram os estudantes a usarem máquina de calcular durante os exercícios em sala de aula e nas avaliações.

Lembro que a notícia deixou a turma em alvoroço, pois os estudantes iam se dedicar mais a entender as questões principais daquelas áreas do saber, e também estavam aliviados, pois teriam menos possibilidades de errar durante os exames de avaliação.

Na época eu não tinha condições de ter uma máquina de calcular, muito menos uma máquina de calcular financeira, e continuei estudando, buscando desenvolver mais habilidades de cálculo mental e lógica formal para dar conta de trabalhar naquelas áreas do saber tão valiosas para o ofício de contabilista.

Aquela experiência foi um dos momentos mais significativos da minha vida, pois, após dois anos aprendendo os fundamentos daqueles componentes curriculares, sentia, cada vez mais, condições de ser um profissional da área contábil.

Logo que concluí o ensino médio, fui em busca de um trabalho na área de contabilidade, pesquisando ofertas de emprego nos antigos classificados de jornal. Acordava cedo, ia à banca de revistas, comprava um jornal, pesquisava nos classificados, adaptava o currículo a cada entrevista a ser realizada, até que um dia consegui um emprego como auxiliar de contabilidade, ajudando o setor a registrar e analisar os fatos contábeis de três empresas simultaneamente.

Na empresa em que trabalhei como auxiliar de contabilidade, os colegas achavam que eu já tinha experiência na atividade, pois aprendia as nuances da área com certa facilidade, mas isto ocorreu porque eu criei em casa, durante o ensino médio, uma empresa fictícia e simulei todo o processo contábil de um empreendimento comercial. Eu não tinha máquina de datilografia, não tinha máquina de calcular, muito menos acesso às máquinas de registro contábil da época, que eram acessíveis somente para grandes empresas. Tudo foi organizado com lápis e papel. Pensar sobre as ciências contábeis assim, criando situações próximas do real, foi preponderante para a minha formação na época.

O mundo mudou e toda vez que surgia uma nova tecnologia no trabalho, eu fazia questão de aprender a interagir, pensando em meu desenvolvimento educacional e na minha formação como trabalhador.

Foi assim que aprendi a usar planilhas, programas de apresentação, processadores de texto e banco de dados para atividades administrativas. Foi assim que criei uma planilha exclusiva para cálculos financeiros, optando por não comprar a máquina de cálculos financeiros que era o bem de consumo de trabalho da época mais cobiçado e que custava o preço de um computador comparado aos valores de hoje. Foi assim que criei um simulador de pagamento de prestações em uma planilha para apoio à negociação de dívidas, em uma empresa de finanças, e pude contribuir para a melhoria da vida financeira e patrimonial de muitas pessoas.

Que esta história tem que ver com trabalho, educação e cultura algorítmica? E o que é cultura algorítmica?

Bem, cultura algorítmica é o ato de humanos delegarem a objetos, sistemas e ambientes técnicos afazeres que eles, humanos, poderiam fazer. Assim, em um caixa de supermercado, por segurança, o profissional deixa de realizar cálculos mentais para dar o troco de uma compra, usando o resultado produzido pela máquina registradora; da mesma forma, um auxiliar administrativo, ao terminar um texto, dar comandos para o software fazer a correção final da redação, em vez de ele mesmo realizar a revisão observando cada detalhe do texto produzido; ou mesmo um redator pode dar comandos via prompts para que uma aplicação de inteligência artificial generativa crie um texto inteiro.

O que se denomina hoje de cultura algorítmica, quer dizer este ato humano de outorga técnica para melhorar a convivência na Terra, sempre esteve presente na humanidade. Desde o momento em que um humano procurou fazer menos esforço muscular para cortar algum objeto e criou uma faca, por exemplo, ou quando criou objetos para se movimentar com mais velocidade, como bicicletas, carroças e carros, até chegar ao nível de criar aviões, helicópteros e paraquedas para se transportar pelo ar. Hoje denominamos esse modo de viver de cultura algorítmica justamente porque as tecnologias utilizadas usam hardware e software que interferem na forma como agimos e como pensamos, e o ato de pensar é uma dimensão vital para a existência humana.

A cultura algorítmica não é um mal em si, pois é mais do que necessário diminuirmos esforços físicos e mentais na realização de alguma atividade; o problema é quando, na ânsia de fazer o mais rápido possível, o humano deixa de pensar sobre o que está realizando e outorga aos meios técnicos a tarefa de realizar os processos no lugar dele, o próprio humano.

Vamos provocar um pouco o leitor: você aceitaria o diagnóstico de um médico sobre uma doença se percebesse que o resultado apresentado foi feito por um artefato técnico sem uma revisão do referido médico? Você moraria numa casa cujo projeto foi assinado por um engenheiro que fez um prompt em um sistema de inteligência artificial generativa, sabendo que o profissional não fez testes exaustivos para a validação da obra? Você confiaria em um educador que não sabe fazer um plano de aulas e só usa resultados de prompts como material de suporte para o trabalho? Você aceitaria que o projeto de eletricidade de sua casa fosse feito por um profissional que usa prompts e tem pouco domínio de construção de estruturas elétricas?

A cultura algorítmica vai influenciar diretamente na forma como nos educamos e nos realizamos no trabalho. A cultura algorítmica faz parte do cotidiano a ponto de nem notarmos que estamos o tempo todo buscando algum modo de facilitar a nossa vida usando um objeto, sistema ou ambiente técnico, mas é necessário estar atento, pois a responsabilidade sobre o que fazemos é sempre nossa, mesmo quando o resultado foi produzido por uma tecnologia automatizada.

Até a próxima!

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Para saber+

  • A evolução das máquinas e a liberação das energias humanas, em: O conceito de tecnologia, p. 80-89, de Álvaro Vieira Pinto
  • Algorithmic Culture, de Ted Striphas

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O raciocínio lógico de cada dia

É lógico, meu caro
É lógico, meu caro

Conhecer lógica é fator relevante de convivência, uma vez que é sob as instâncias do raciocínio lógico que a informação mediada por tecnologias computacionais é criada, transmitida, recepcionada, avaliada, alterada e descartada.

Vários elementos da vida cotidiana são construídos com base em raciocínios denominados lógicos,  como tecnologias de inteligência artificial, instrumentos de manipulação das línguas naturais, dispositivos para criações diversas com base em matemática, em teoria dos jogos e em estatística, afetando, inclusive, a forma como as ciências cognitivas são concebidas.

Se o leitor se interessa pelo assunto, encontrará no livro A lógica,  de Pierre Wagner, professor de filosofia da Universidade de Paris I, uma fonte aberta ao diálogo sobre como a ĺógica, este bem cultural singular criado pela humanidade, que passou por mutações, chegando a uma instância que influencia diversas formas de saber.

A lógica começa com um pequeno panorama historiográfico da formação da lógica entre nós humanos, discutindo assuntos como as questões da verdade, da consequência lógica e da teoria dos modelos, passando pela apreciação das ligações entre lógica e linguagem e lógica e conhecimento.

Há um capítulo que trata dos aspectos do cálculo, da decisão e da complexidade nos estudos sobre lógica, assunto relevante para os que têm interesse em compreender os limites e as possibilidades que a utilização da lógica comporta quando desejamos usar esse bem cultural para a compreensão de nós humanos e do mundo que habitamos.

No final o autor traz uma apreciação crítico-descritiva sobre a evolução dos estudos sobre lógica, a partir do contexto histórico-social do século XXI.

A lógica é um livro aberto para a leitura de um público diverso: de médico a advogado, de educador a químico, de psicólogo a engenheiro, de linguista a matemático. E claro: para todo cidadão que tenha curiosidade em saber como o humano elabora-se em raciocínios e linguagens para conhecer e criar o mundo em que vive.

Boa leitura e até a próxima!

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100 anos – Milton Santos

100 anos - Milton Santos
Milton Santos – 100 anos

Desde criança que gosto de Geografia, mas não como profissão e sim como possibilidade de descoberta do mundo. Até o ensino médio me dediquei a estudar Geografia em termos de análise dos aspectos físicos de uma realidade. Assim, aprendi a analisar mapas para identificar clima e relevo de uma região, como também estudei como me movimentar em uma determinada localidade usando mapas.

Anos mais tarde conheci Josué de Castro[1] e descobri que um mapa também podia ser construído para conhecer e analisar a fome de um país. 

Após me aproximar de Josué de Castro, tive contato com a obra de Milton Santos[2]. Foi nesse período que comecei a entender melhor como as relações de poder atravessam a questão do tempo-espaço, na forma como nós humanos criamos territórios.

Ao me debruçar sobre a obra de Milton Santos, não via somente um geógrafo, mas também um intelectual que discutia as coisas do mundo por meio do olhar geográfico. Foi com Milton Santos que tive a primeira noção do que era um objeto geográfico e como esse objeto servia de base para estudos aprofundados sobre a convivência dos humanos na Terra.

Mas o que me manteve mais próximo das ideias deste pensador baiano foi justamente o debate levantado por ele sobre a questão da técnica.

Milton Santos refletiu sobre a questão da técnica durante a quarta parte do século XX, inserindo no debate as noções de objetos, sistemas e ações como caracterizações do modo de existência das tecnologias.

E acrescentou às noções de objetos, sistemas e ações a ideia de meio técnico-científico-informacional como elemento que dá alicerce às formas como nós humanos interagimos com o meio natural para transformá-lo em meio cultural; ou seja, espaço-tempo de concordâncias e disputas que vai originar o mundo ao qual estamos convivendo: mundo globalizado, onde as relações de forças são construídas, por meio de transformações dos territórios em espaços permanentes de disputas, acordos, confrontos e associações, uma forma de relação política que marcou o final do século XX e vem se consolidando no início do século XXI.

Outra coisa que me atraiu no pensamento de Milton Santos foi a preocupação que o geógrafo teve com a autonomia e a formação do humano como intelectual que observa o mundo e pode criar possibilidades de outras formas de concebermos a vida cotidiana,

Este é um ano especial para o geógrafo brasileiro, pois se estivesse vivo, Milton Santos completaria 100 anos.

Até a próxima!

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Pensar faz bem com Edgar Morin – parte III

Pensar faz bem com Edgar Morin - parte II
Pensar faz bem com Edgar Morin – parte III

A seção Pensar faz bem! traz reflexões vinculadas à cultura e ao cotidiano. Uma parte significativa dos textos da Pensar faz bem! é fruto das leituras que fazemos para construção dos artigos, crônicas e resenhas aqui publicados. O pensamento da vez é de Edgar Morin, filósofo, antropólogo e sociólogo francês, falecido em maio/2026. Esta é uma pequena homenagem a ele que é um dos maiores pensadores dos séculos XX e XXI.

Boa leitura!

Uma teoria não é o conhecimento; ela permite o conhecimento. Uma teoria não é uma chegada; é a possibilidade de uma partida. Uma teoria não é uma solução; é a possibilidade de tratar um problema. Em outras palavras, uma teoria só realiza seu papel cognitivo, só ganha vida com o pleno emprego da atividade mental do sujeito. É essa intervenção do sujeito que dá ao termo método seu papel indispensável.

Edgar Morin (1921-2026), em Ciência com consciência, p. 335

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Saiu documento do MEC com orientações sobre usos de IA

Inteligência artificial e educação
Inteligência artificial e educação

O Ministério da Educação lançou em março/2026 o documento Inteligência Artificial na Educação Básica com orientações sobre caminhos curriculares e práticas éticas de uso de inteligência artificial (IA) nas escolas da educação básica no Brasil.

O volume foi organizado em cinco blocos assim denominados: a) Orientações de base sobre IA na educação; b) Como construir currículos para a aprendizagem sobre a Inteligência Artificial; c) Como orientar ações sobre o uso de IA na educação? d) Como organizar a formação de professores?; e) Por onde começar? Integrando ensino sobre e ensino com IA.

Além dos cinco blocos listados acima, o documento contém dois anexos: a) Documentos internacionais de referências; b) Direitos das Crianças desde o Desenho (Child Rights by  Design): o que o gestor educacional precisa saber, com informações complementares sobre questões de usos IA na educação básica do Brasil, documentos estes complementares quanto às interações com tecnologias  no que diz respeito à educação.

O documento-orientador procura se alinhar a outros documentos relacionados às convivências na internet quanto à educação e à cidadania, como o Referencial para Desenvolvimento e Uso Responsáveis de Inteligência Artificial na Educação, emitido pelo próprio MEC, em 2025, e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – Lei 13.709/2018) e do ECA Digital (Lei 15.211/2025), sobre questões relacionadas à cidadania das crianças e adolescentes brasileiros, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o documento de orientações sobre Educação Digital e Midiática, dentre outros documentos orientadores emitidos pelo Estado brasileiro e outras instituições internacionais. que pautam as relações sociais mediadas por tecnologias computacionais.

Segundo o MEC, o “documento orientador tem como princípio a ideia de que o ensino sobre IA e o ensino com IA são duas dimensões a serem articuladas na educação básica brasileira, fortalecendo a educação digital e midiática crítica para a cidadania digital”, MEC, 2026, p. 3.

O documento é destinado a escolas e secretarias de educação do Brasil e tenta abranger orientações para professores, gestores e demais profissionais envolvidos com o universo da educação.

O Referencial é documento de interesse não só para professores, coordenadores pedagógicos e gestores escolares, mas também para todo cidadão que tenha interesse em discutir educação na família, na escola e na sociedade. Então é preciso que nos debrucemos sobre documentos oficiais do Estado brasileiro para que possamos conhecer melhor os rumos que a educação brasileira tem tomado na época presente.

Até a próxima!

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Dados do Documento

O que é? Inteligência Artificial na Educação Básica (orientações sobre caminhos curriculares e práticas éticas de uso de IA nas escolas da educação básica)
Quem é o autor? Brasil: Ministério da Educação
Quando foi lançado? 2026

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    Pensar faz bem com Edgar Morin – parte II

    Pensar faz bem com Edgar Morin - parte II
    Pensar faz bem com Edgar Morin – parte II

    A seção Pensar faz bem! traz reflexões vinculadas à cultura e ao cotidiano. Uma parte significativa dos textos da Pensar faz bem! é fruto das leituras que fazemos para construção dos artigos, crônicas e resenhas aqui publicados. O pensamento da vez é de Edgar Morin, filósofo, antropólogo e sociólogo francês, falecido em maio/2026.

    Boa leitura!

    O pensamento científico é ainda incapaz de se pensar, de pensar sua própria ambivalência e sua própria aventura. A ciência deve reatar com a reflexão filosófica, como a filosofia cujos moinhos giram vazios por não moer os grãos dos conhecimentos empíricos, deve reatar com a consciência política e ética. O que é um conhecimento que não se pode partilhar, que permanece esotérico e fragmentado, que não se sabe vulgarizar a não ser se degradando, que comanda o futuro da sociedade sem se comandar, que condena os cidadãos à crescente ignorância dos problemas de seu destino?

    Edgar Morin (1921-2026), em Ciência com consciência, p. 11

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    Fanon: um pensador revolucionário vindo da periferia global

    Fanon: um pensador revolucionário vindo da periferia global
    Fanon: um pensador revolucionário vindo da periferia global

    Paulo Freire, filósofo da educação brasileiro, teve influências significativas de Karl Marx (a questão da sociedade), de Álvaro Vieira Pinto (a questão da consciência), de Erich Fromm (a questão da afetividade), de Noam Chomsky (a questão da linguagem) e de Frantz Fanon (a questão política: opressor-oprimido).

    Este último pensador, além de influenciar a produção intelectual de Paulo Freire, influencia sobremaneira muitos outros pensadores brasileiros deste início de século XXI quanto à discussão sobre colonialismo e relações raciais, por exemplo.

    Frantz Fanon (também designado como Franz Fanon ou François Fanon) se debruçou sobre a psiquiatra, assinalando os diversos componentes raciais, sociais e de classe que operam na construção de desigualdades de todo tipo que atua sobre a cultura do colonizado, demonstrando como a elaboração de um discurso psiquiátrico contribui de forma contundente para a construção do sujeito colonizado diante da ideologia do colonizador.

    Passei uma parte de minha vida intelectual estudando a filosofia de Paulo Freire e quando retorno aos textos do pensador brasileiro, percebo o quanto do pensamento de Fanon há na produção filosófica de Freire.

    Fanon está em Freire quando este explícita ideias quanto à formação da consciência crítica, à dialética colonizado-colonizador e à práxis social como um princípio fundamental para se filosofar e construir ciência.

    Por falar em práxis social, o leitor poderá conhecer um pouco sobre Frantz Fanon no filme Fanon, que estreou no Brasil no final do mês de maio/2026. A obra traz um misto de produção intelectual de Fanon com práticas sociais do cotidiano, demonstrando como o pensar e o fazer de Frantz Fanon foram se construindo durante a existência do pensador martinicano.

    O filme tem um movimento lento e contido do universo existencial de Fanon, apresentando um Fanon preocupado em construir conhecimento a partir do que Edgar Morin, falecido recentemente, chamava de ciência com consciência, uma forma de produzir conhecimento sem se desligar da sociedade ao qual se vive.

    De resto, é ir ao cinema para conhecer melhor o modo de existir desse pensador tão singular.

    Até a próxima!

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    Pensar faz bem com Edgar Morin – parte I

    Pensar faz bem com Edgar Morin - parte I
    O pensamento de Edgar Morin – parte I

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    A seção Pensar faz bem! traz reflexões vinculadas à cultura e ao cotidiano. Uma parte significativa dos textos da Pensar faz bem! é fruto das leituras que fazemos para construção dos artigos, crônicas e resenhas aqui publicados. O pensamento do dia é de Edgar Morin, filósofo, antropólogo e sociólogo francês, falecido em maio/2026. Esta é uma modesta homenagem a ele que é um dos maiores pensadores dos séculos XX e XXI.

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