
Em post recente, postamos texto sobre Nêgo Bispo. Para esta semana, trazemos aqui mais um pouco do pensamento do pensador quilombola.
Boa leitura!
Há pessoas que são necessárias e há pessoas que são importantes. As pessoas que são importantes acham que as outras pessoas existem para servi-las. As pessoas necessárias são diferentes, são pessoas que fazem falta. Pessoas que precisam estar presentes, de quem se vai atrás.
A terra dá, a terra quer, p. 24
O estado é um ambiente colonialista, um ambiente colonialista e abstrato.
(…)
Qualquer governo que governar este Estado será um governo colonialista, porque o estado é colonialista.
(…)
Ser colonialista é como adestrar bois.
Qualquer governo de um Estado colonialista, será um governo colonialista. É preciso contracolonizar a estrutura organizativa.
A terra dá, a terra quer, p. 74
A comida para nós tem uma parte necessária, nunca lidamos com ela de maneira mesquinha. Às vezes, quando chegamos em alguns apartamentos do povo eurocristão, monoteísta, percebemos que a comida é tratada como uma coisa proibida. Chegam até esconder a comida das visitas! “Ele vem só para comer, parece que vive morto de fome, que não come em casa ou que não sabe que o custo de vida está alto!” Já para nós, é justamente o contrário: “Ele veio e nem comeu? Eu fiz uma galinha e ele não aceitou?” É uma desfeita se a pessoa vem à nossa casa e não aceita a nossa comida.
A terra dá, a terra quer, p. 64
“Durante idas e vindas do Rio de janeiro para o Piauí, Nêgo Bispo conhece dona Edileuza: – A água quando bate na areia, a areia absorve; a água quando bate na pedra, a água volta; eu sou água e você, é areia ou a pedra? – perguntou Nêgo Bispo. – Eu sou areia! – respondeu dona Edileuza” Joana Maria, filha de Nêgo Bispo, em Na gira do tempo, na revista Cult, edição 331, julho/2026, p. 10
Até a próxima!
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