Uma luta social, do meu ponto de vista, só pode ser justificada se for apoiada por uma argumentação – mesmo que essa argumentação seja indireta, baseada em questões de fato e valor não bem entendidas – que tem por objetivo mostrar que as consequências dessa luta serão benéficas para os seres humanos e levarão à criação de uma sociedade mais decente.
Noam Chomsky, em Linguagem e responsabilidade, p. 84-85
A seção Pensar faz bem! traz reflexões vinculadas à cultura e ao cotidiano. Uma parte significativa dos textos da Pensar faz bem! é fruto das leituras que fazemos para construção dos artigos, crônicas e resenhas aqui publicados. O pensamento da quinzena é de Noam Chomsky, estudioso da linguagem. Boas reflexões!
Noam Chomsky é um dos maiores pensadores vivo neste início do terceiro milênio. Visitar o pensamento do autor é essencial.
Conheci algumas concepções teóricas a respeito da linguagem com base em Noam Chomsky no final da década de 1980 quando cursava a graduação em letras. Na época os estudos sobre linguagem no Brasil estavam mais centrados nas pesquisas sobre fonologia, fonética, morfologia e sintaxe, o que influenciava na formação dos profissionais da área de linguagem. Só depois que saí da faculdade é que tive contato com outras subáreas das ciências da linguagem, como semântica, pragmática e discurso. Com os estudos sobre sintaxe na época, pude aprender um pouco sobre a abordagem gerativista defendida pelo linguista estadunidense. Anos depois descobri que Chomsky tinha uma posição política bem consistente e que era um debatedor ferrenho contra ideias que fossem de encontro aos direitos humanos. O linguista não tinha olhos somente para a ciência ou estava instalado em uma torre, isolado da sociedade, mas buscava compreender como as relações sociais mobilizavam as formas como nós humanos produzimos cultura e poder. Nos últimos dois anos, o nome de Chomsky voltou à pauta internacional quando ele criticou o processo de criação de tecnologias de inteligência artificial, com mais ênfase, para as tecnologias de inteligência artificial generativa. Isto criou curiosidade em mim de voltar à leitura do autor, para verificar quais ligações havia entre a pesquisa aplicada para construção de inteligência artificial generativa e os estudos de Chomsky sobre gramática gerativa, assunto este que não será tratado neste texto. Da revisitação de textos para leitura me deparei com o livro Linguagem e Responsabilidade, que contém entrevistas realizadas na década de 1970 com o autor, tendo como entrevistadora a especialista em linguagem e teoria literária Mitsou Ronat. Linguagem e responsabilidade traz um conjunto de entrevistas que tenta abarcar a visão política, junto com a concepção de linguagem de Chomsky. O livro é uma aula multirreferencial, onde o linguista vai atravessando os saberes, entrelaçados com a experiência de vida, navegando em temas como filosofia da linguagem, filosofia das ciências, linguística e política de forma didática e acessível a uma gama mais ampla de leitores, proporcionando a nós uma viagem sobre campos de saberes que inicialmente podem parecer díspares, mas que se interligam nos revelando o desenvolvimento de um itinerário intelectual ímpar. Linguagem e responsabilidade é dividido em duas partes. Na primeira parte, intitulada de Linguística e política, os interlocutores tratam de política, capítulo 1; linguística e ciências humanas, capítulo 2; empiricismo e racionalismo, capítulo 3. A segunda parte foi intitulada de Gramática Gerativa (GG) e aborda as origens da GG, capítulo 4, semântica, capítulo 5, teoria padrão estendida, capítulo 6, estrutura profunda, capítulo 7, estrutura profunda, capítulo 8 e gramática universal, capítulo 9. A discussão sobre política em Chomsky é bastante atual, principalmente nestes tempos em que algumas nações se sentem no direito de invadir territórios alheios, desrespeitando a soberania de outros povos. Já as apreciações sobre linguagem são muito pertinentes por dois fatores: primeiro para o leitor tentar compreender o porquê de Chomsky criticar os modos de existência das tecnologias de inteligência artificial generativa, pois esse entendimento necessita de que a pessoa interessada conheça os fundamentos da gramática gerativa como uma das formas de construção do saber humano; segundo, para quem é estudioso de linguagem, é uma oportunidade para conhecer um pouco a forma como Chomsky criou um arcabouço teórico consistente que até hoje serve de fonte de discussão sobre a linguagem humana, seja para refutar a concepção teórica do linguista/cidadão, seja para utilizar o pensamento do autor como uma das fontes para compreender um pouco a natureza da linguagem humana. Ler Chomsky não é fácil, e a leitura das entrevistas contidas em Linguagem e responsabilidade serve para colocar os leitores mais próximos do pensamento deste que é considerado um dos maiores intelectuais vivos no século XXI. Até a próxima!
Dados da Obra . O que é? Linguagem e responsabilidade {título original: Language and responsibility} [livro impresso] . Quem é o autor?Noam Chomsky . Quem mais participou?Mitsou Ronat [entrevistadora] . Quem traduziu? Mário Leite Fernandes . Quando foi lançado? 2007 [original em inglês: 1977] . Qual é a editora? JSN . Onde encontrar mais informações sobre Chomsky? Em Chomsky.Info
A multiplicidade das fontes do saber, seu caráter fugaz e efêmero, tudo milita hoje contra a ideia segundo a qual a ciência seria uma construção estável, indestrutível, em cuja a edificação toda a comunidade científica e, mais amplamente, toda a humanidade contribuiria. Contrariamente ao que deixa entender velhos professores de literatura mal informados sobre a realidade do mundo contemporâneo, a ciência não é mais, no seu conjunto, positivista. O mundo científico não é um mundo de escravos e dominados por um projeto que os transcende e subordinados a uma técnica. É um mundo colorido, em que pululam as paixões e as controvérsias; é um mundo de contrastes, em que as respostas não são jamais definitivas; é um mundo polifônico em que reinam a dúvida e a incerteza.
Jean-Gabriel Ganascia, em Inteligência Artificial, p. 105-106
A seção Pensar faz bem! traz reflexões vinculadas à cultura e ao cotidiano. Uma parte significativa dos textos Pensar faz bem! é fruto das leituras que fazemos para construção dos artigos, crônicas e resenhas aqui publicados. O pensamento da quinzena é de Jean-Gabriel Ganascia, em uma reflexão sobre a construção do saber científico. Boas reflexões!
Terminei de almoçar e voltando para casa vi uma pequena sorveteria no caminho. Resolvi parar para comprar um picolé.
Na sorveteria havia uma atendente de cabeça baixa olhando para o celular. O pequeno salão não tinha cartazes com preços e sabores de picolé. Perguntei à atendente que sabores havia disponíveis para venda, e a moça de cabeça baixa apontou um QR Code, para eu acessar o cardápio do estabelecimento.
Surpreso, pedi que ela mesma informasse sabores e preços, mas a funcionária insistiu que eu acessasse o desenho em código para me cadastrar como cliente. Diante do impasse, solicitei o sabor que eu tenho preferência e, enfim, fui atendido.
Em outra situação, fui pegar o ônibus denominado BRT (transporte rápido por ônibus) e fui informado por um transeunte que eu só poderia entrar no transporte público se tivesse cartão de passagem coletiva. Como um cidadão não pode pagar um transporte público com dinheiro? Fiquei pensando…
A explicação do solícito cidadão, em defesa da prefeitura local, era de que aqueles ônibus não poderiam receber dinheiro, porque no sistema BRT não há um humano para a atividade de cobrança de passagens.
Em uma terceira situação, fui a uma loja de shopping para comprar utensílios domésticos e, quando cheguei ao caixa, percebi que havia um funcionário que saiu correndo ao perceber que eu iria para a área de atendimento por humanos. Na bateria de caixas havia vários avisos para eu me dirigir ao auto-atendimento eletrônico, que segundo os donos dos estabelecimentos comerciais, “atendem” melhor que os humanos.
Certa vez fui comprar um coco na rua, e o vendedor não queria receber dinheiro, porque não costumava andar com dinheiro trocado, com a cobrança sendo feita por meio de cartão ou PIX. Ao me ver com dinheiro na mão, o vendedor me olhou sorrateiro, como se eu fosse um ignorante no uso de tecnologias, e questionou sobre o porquê de eu ainda usar dinheiro. O coco custava menos de R$5,00. Eu tinha uma nota de R$10,00 e não desejava passar cartão para aquele tipo de compra.
Situações como as aqui relatadas estão cada vez mais comuns, o que ocasiona um certo tipo de ideologia: “quanto menos humanos próximos, melhor”, resultando em situações impositivas de usos de tecnologias, mesmo quando os usos são inadequados.
Houve um tempo em que as empresas e os empreendedores quando desejavam melhorar as vendas, procuravam melhorar o processo trabalho (conjunto de ações organizadas para atingir objetivos), para, a partir do processo, verificar se haveria necessidade de usar mais tecnologias. Hoje tudo precisa ser resolvido com tecnologias, ficando as relações interpessoais em segundo plano. O resultado disso são essas relações estranhas com o uso de tecnologias.
A psicologia do indivíduo corresponde à psicologia das nações. As nações fazem exatamente o que cada um faz individualmente; e do modo como o indivíduo age, a nação também agirá. Somente com a transformação da atitude do indivíduo é que começará a transformar-se a psicologia da nação. Até hoje, os grandes problemas da humanidade nunca foram resolvidos por decretos coletivos, mas somente pela renovação da atitude do indivíduo. Em tempo algum, meditar sobre si mesmo foi uma necessidade tão imperiosa e a única coisa certa, como nesta catastrófica época contemporânea. Mas quem se questiona a si mesmo depara invariavelmente com as barreiras do inconsciente, que contém justamente aquilo que mais importa conhecer.
Carl Gustav Jung, em Psicologia do inconsciente, p. 10
A seção Pensar faz bem! traz reflexões vinculadas à cultura e ao cotidiano. Uma parte significativa dos textos Pensar faz bem! é fruto das leituras que fazemos para construção dos artigos, crônicas e resenhas aqui publicados. O pensamento da quinzena é de Carl Gustav Jung, em uma reflexão sobre a psicologia humana. Boas reflexões!
A série As mortas bem que poderia ser considerada uma história de terror, mas não é; seria também uma história de humor, mas outros sentimentos além da alegria são cultuados na série.
Muito menos As mortas seriam uma história somente policial, pois a controvérsia de investigação que conduz a história não é um único pano de fundo para a construção da narrativa.
As mortas englobam tudo isto e ainda mais um pouco; a história vai nos levando em um redemoinho de sentimentos ao abordar nuances variadas da natureza humana.
Na história navegam juntas situações de ciúme doentio, exploração sexual, escravização, corrupção, religiosidade sob a forma da prática do pecado e da expiação. Da cumplicidade à lealdade, tudo é concebido na história a partir de múltiplos pontos de vista que se alternam na contação da história.
Em cada capítulo uma visão diferente vai compondo um mosaico para a formação de uma história maior. O mosaico é construído pelo espectador ao se identificar ou antipatizar com a forma como o narrador da micro-história contribui para formar a colcha de retalhos de uma narrativa que aborda o itinerário econômico gerenciado por duas irmãs na ambição de construir fortuna por meio da exploração do trabalho alheio.
E como chegamos às mortas? Ah, agora cabe ao leitor conferir e fazer o próprio julgamento sobre o que ver, ouvir e sentir.
Até a próxima!
Dados da Obra O que é?As mortas [série televisiva] Quem criou? Luis Estrada Quando foi lançado? 2025 Qual foi o elenco? Alfonso Herrera, Arcelia Ramírez, Paulina Gaitán Onde assistir? Netflix https://www.netflix.com/br/ Qual a origem? México Foi baseada em algum livro? Sim, As mortas, de Jorge Ibargüengoitia
Para compreender as questões que surgem, é preciso colocar no seu contexto: existe hoje uma grande variedade de máquinas, de linguagens de programação e de usuários. O que se torna um problema daqui por diante, não é tanto a capacidade de cálculo ou de memorização dessas máquinas, mas nossa própria capacidade de fornecer-lhes instruções coerentes e pertinentes e, em seguida, interpretar o resultado que elas nos dão. Em termos mais atuais, trata-se de comunicação; de comunicação entre o homem e a máquina e entre a máquina e o homem; são problemas de programação e de engenharia de software; de comunicação entre máquinas: são os problemas de “portabilidade” e de compatibilidade de programas; enfim, de comunicação entre os homens intermediada por máquina: abordam-se aí problemas cruciais ligados o impacto das tecnologias da informação
Jean-Gabriel Ganascia, em Inteligência Artificial, p. 75-76
A seção Pensar faz bem! traz reflexões vinculadas à cultura e ao cotidiano. Uma parte significativa dos textos da Pensar faz bem! é fruto das leituras que fazemos para construção dos artigos, crônicas e resenhas aqui publicados. O pensamento da quinzena é de Jean-Gabriel Ganascia, estudioso da inteligência artificial. Boas reflexões!
Ao encerrar um ano, as pessoas criam, geralmente, expectativas na busca de novidades para o ano vindouro, esperando construir uma jornada diferente em relação aos anos anteriores.
Pensando nisso separei umas leituras para 2026, só que não será uma leitura convencional, na verdade serão releituras, pois neste processo de buscar o novo a gente termina por acumular muitas leituras e se esquece de cultivar a leitura profunda em relação aos textos que porventura tivemos oportunidade de ler. Entre as releituras está o livro do psicólogo Carl Jung, Psicologia do inconsciente, pois na época em que o li, percebi mudanças significativas no modo como eu lidava com a minha existência. Um outro livro que se incorporou a minha expectativa é Análise do discurso digital, de Marie-Anne Paveau, por tratar de um tema que me é caro e que venho fazendo nos últimos anos quando participamos cotidianamente de comunicações mediadas por muitas tecnologias, o que resultou em uma forma própria de usar a linguagem humana. Por falar em discurso, Vilém Flusser abalou minha forma de observar a maneira como o humano se comunica quando escreveu A escrita: há futuro para a escrita?, se tornando assim uma releitura fundamental. Toda vez que releio textos de Paulo Freire fico muito incomodado sobre as coisas que estou refletindo e o que estou fazendo com as respectivas reflexões. Disto resultou a vontade de rever a obra Por uma pedagogia da pergunta, do filósofo da educação. Ainda pensando em educação, peguei na estante para releitura o livro A estrutura do discurso pedagógico, de Basílio Bernstein. Bernstein, no texto, mergulha nas profundezas dos discursos que se apropriam de outros discursos para produzir aprendizagem, uma reflexão rara sobre Educação e Linguagem. Não vou encher este texto com referências: há outras leituras mais para revisitação e quem sabe eu não venha a compartilhar outras revisitações durante o próximo ano. E que venha 2026 e que seja realmente um ano de releituras. Até daqui a pouco, pois 2026 está chegando…
A inteligência artificial não é uma técnica computacional objetiva, universal ou neutra, capaz de fazer determinações sem interferência de seres humanos. Seus sistemas estão inseridos em mundos sociais, políticos, culturais e econômicos, são moldados por pessoas, instituições e imperativos que determinam o que as IAs fazem e como o fazem. Elas são projetadas para discriminar, amplificar hierarquias e codificar classificações bastante limitadas. Quando aplicadas a contextos sociais como o policiamento, o sistema de justiça, a saúde pública e a educação, elas podem reproduzir, otimizar e amplificar desigualdades sociais existentes. Isso não acontece por acidente: os sistemas de IA são criados para ver e intervir no mundo de forma a beneficiar primariamente os Estados, as instituições e as corporações a serviço de quem estão. Nesse sentido, eles são expressões de poder que emergem de forças econômicas e políticas mais amplas, sendo criados para aumentar os lucros e centralizar o controle daqueles que os empreguem. Mas não é essa história da inteligência artificial que costuma ser contada.
Kate Crawford, em Atlas da IA: poder, política e os custos planetários da inteligência artificial, 2025, p. 247
A seção Pensar faz bem! traz reflexões vinculadas à cultura e ao cotidiano. Uma parte significativa dos textos da Pensar faz bem! é fruto das leituras que fazemos para construção dos artigos, crônicas e resenhas aqui publicados. O pensamento da quinzena é de Kate Crawford, pensadora que pesquisa as implicações da inteligência artificial na vida cotidiana. Boas reflexões!
A revista Perspectiva lançou o dossiê Tecnologias digitais e Educação: entre perturbações e desafios no início de dezembro de 2025. No dossiê há oartigo Os avanços do capitalismo (digital) no século XXI e a educação, de minha autoria e do professor Nelson Pretto. O artigo discute questões relacionadas à educação no contexto do início do século XXI, em que as relações sociotécnicas estão subordinadas a processos sustentados por códigos, dados e sensores.
O texto é um convite para discutir um assunto de relevância para a época em que estamos vivendo, e o leitor poderá participar deste debate indo direto ao artigo e formulando as próprias reflexões.
Abaixo o resumo do artigo como um “aperitivo” para você, leitor, entrar na roda de conversa.
Resumo
Três vertentes epistêmico-metodológicas de construção e usos de tecnologias (hardware e software) fundamentam as teorias e práticas sociais no início do século XXI. A primeira vertente se caracteriza pelo processo de codificação dos diversos objetos técnicos mediante a elaboração de notações, via algoritmos, metadados, diagramas e modelos computacionais; a segunda, pela rotulação dos entes, e dos movimentos destes entes, animados e inanimados, para que estes sejam mais facilmente identificáveis; a terceira, pela produção de grandes quantidades de dados sobre tudo o que acontece na Terra, transformando os referidos dados em insumos para produção de capital. A partir deste contexto, este trabalho se insere como atividade de cunho teórico, com base em fontes bibliográficas, de construção de um panorama das inter-relações entre educação e sociedade, quanto aos usos sociais das tecnologias, discutindo as racionalidades técnicas sustentadas pelas ideias de construção de códigos, para realizar as diversas atividades que também são elaboradas pelos humanos; da organização de memórias artificiais, dando origem à apropriação de enormes quantidade de dados por grandes empresas transnacionais; da catalogação de todos os entes existentes na Terra, resultando em novas formas de sociabilidade e, em consequência, de novas formas de se pensar e fazer educação. Os resultados da análise teórica indicam a necessidade de realização de estudos e práticas em educação vinculados ao entendimento dos modos de existência (ações e significações) produzidos pela racionalidade técnica que afeta a forma como os humanos realizam sociabilidades no início do século XXI.
Até a próxima!
Dados da Obra O que é? Os avanços do capitalismo (digital) no século XXI e a educação [artigo científico] Quem são os autores? Nelson de Luca Pretto e Cleonilton da Silva Souza Quando foi lançado? Dezembro/2025 Onde posso ler? Revista Perspectiva
Uma pessoa criativa é alguém cujas ideias ou atividades mudam significativamente um domínio cultural existente ou criam um novo. Ser simplesmente curioso não é uma condição suficiente para a criatividade. A curiosidade, contudo, parece ser uma condição necessária para a criatividade.
Mario Livio, em Por quê - o que nos torna curiosos, p. 42
É um engano acreditar que o inconsciente é inofensivo e pode ser utilizado como objeto de jogos sociais. Não é toda e qualquer circunstância que eu inconsciente se mostra perigoso, não resta dúvida, mas cada vez que se manifesta uma neurose, é sinal de que há no inconsciente um acúmulo especial de energia, uma espécie de carga que pode explodir. Aí todo cuidado é pouco. Para começar, não se sabe que tipo de reação provocamos quando iniciamos uma análise dos sonhos. Algo de invisível, de interior, pode ser acionado; algo, mais tarde, provavelmente teria vindo à tona, de uma forma ou de outra, mas que talvez também nunca se manifestaria. É como se, na perfuração de um poço artesiano, corrêssemos o risco de topar com um vulcão.
Carl Gustav Jung, em Psicologia do inconsciente, p. 126