Design Thinking e Educação

Aprender mais sobre planejamento didático 



Saiu um livro interessante sobre Design Thinking (DT) e educação no mercado editorial brasileiro.


Trata-se da obra Design Thinking na educação presencial, a distância e corporativa, das educadoras Carolina Costa Cavalcanti e Andrea  Filatro.
O livro é fruto da combinação pertinente de competências: de um lado: Cavalcanti com conhecimento e experiência em DT, vinda de um doutorado sobre o assunto; do outro, Filatro experiência e publicações acadêmicas na área de Design Instrucional (DI).
O resultado é um livro bem feito, que trata de questões bem embasadas sobre condução de processos educacionais, no contexto de uma prática articulada de planejamento didático com criação de estratégias educacionais organizadas.
No livro as autoras fundamentam o uso do DT como um instrumento de estratégia de ensino-aprendizagem, de metodologia para solução de problema e de abordagem de inovação.
As educadoras compreendem o Design Thinking como um processo interativo e recursivo para se compreender um problema, projetar soluções, construir protótipos e implementar a melhor opção das soluções projetadas. 
Um destaque na obra é a maneira como a informação é tratada: as mensagens são construídas com a articulação de textos e infográficos, o que facilita o entendimento do assunto.
Outros pontos de destaque são as experiências com o uso do DT por meio de entrevistas e relato de casos. No livro há também um conjunto de descrições de estratégias que o leitor poderá utilizar de acordo com o contexto de trabalho em que estiver envolvido.
Há um apêndice em que Filatro discorre sobre pontos de articulação entre o DT e o DI. Aqui a autora argumenta sobre o próprio processo de entendimento e experimentação do DT em educação. A leitura do apêndice é essencial para compreender os motivos que levaram as autoras a escrever sobre o assunto. 
O livro contém um pequeno glossário, que ajuda os iniciantes na compreensão do tema, um índice remissivo, que é muito útil para se localizar assuntos que se queira aprofundar, além de um conjunto bem estruturado de referências bibliográficas.
As autoras não ficaram centradas em si mesmas e ofertaram aos leitores um quadro com o que se vem produzindo no Brasil sobre a temática do DT. Uma boa ideia, pois ajuda a quem deseja se aprofundar no assunto.
A escolha do título não foi das melhores, pois a educação corporativa funciona na modalidade a distância e na presencial. Talvez em uma edição futura isto seja melhorado.
Qual a utilidade desse tipo de abordagem para nós educadores? Nestes tempos de novas tecnologias digitais, precisamos de mais autoria. E em educação a autoria passa por momentos de planejamento didático e construção do próprio material educacional para nosso trabalho cotidiano, o que nos ajuda a evitar o eterno ciclo do recortar, copiar e colar…

Mais alguma coisa? Boa Leitura!

Baixar o livro Calendário Poético

Poema da Sexta-Feira

Lá vai…
Este poema foi repetido por fazer parte da coletânea Calendário Poético

Poema da Quarta-Feira

Esta semana serão publicados sete poemas de um conjunto chamado Calendário Poético.  Após as publicações dos textos será oferecido um presente especial a todos: um ebook miniatura para fruição. Espero que vocês gostem.

Vamos ao primeiro poema:


Rio de Janeiro

Semana passada estive no Rio de Janeiro e lembrei do poema abaixo escrito em 2005.


Rio de Janeiro

Maravilhosa!
Vejo-te nua
Mais que despida
Aberta, suave, macia
As ondas geladas e o sol escaldante cobrem meu corpo
Olho para as tuas formas arredondadas e sinuosas
Os montes e os morros elevam meu pensar
Olho para as roupas que te cobrem e enfeitam
Gritos mudos e toscos
Murros, muros e morros
Não parece cena de novela
É a vida cristalizada da favela
Rio, rio do que te faz bela
Rio a te contemplar
Rio do teu sorriso maroto
Rio, menina de semblante fosco
Rio, maravilhosa e impiedosa

Nossa Senhora da Pólis

Oração à Nossa Senhora da Pólis – padroeira dos eleitores brasileiros

Minha Nossa Senhora da Pólis, perdoa-me pelos preconceitos que tenho aos que não sabem votar
E mais: perdoa-me pelos votos que fiz e esqueci de acompanhar
Perdoa-me por não lembrar mais em quem votei
Perdoa-me por outros preconceitos: contra pobres, gays, jogadores, palhaços, nordestinos, nortistas e quem mais for diferente
Ah, perdoa-me pela Santa Ignorância de desmerecer as outras religiões dessa gente
A Senhora sabe: só existe uma única e santa religião
Perdoa-me por não ter estudado Geografia e não reconhecer as diferenças
Pois é, até hoje não compreendi que lá no Nordeste não existem apenas baianos e paraíbas
Que aquelas pessoas do lado de lá são também piauienses, maranhenses, sergipanos, alagoanos, norte-rio-grandenses, cearenses, pernambucanos e também são humanos
Perdoa-me pelos meus ímpetos de ir a redes sociais difamar e desqualificar esse povo
Perdoa-me por não saber o que os governantes fazem, pois para mim tanto faz liberar impostos para compra de carros ou buscar cidadanias com um Bolsa-Família
Perdoa-me por não saber dividir, pois quero um carro para cada ente da minha família.
Quero ir ao exterior todo ano, mas não me importo com quem está em abandono.
Perdoa-me por não ter olhos para ver!
A imprensa me dá um par de óculos para eu perceber!
Perdoa-me por pedir perdão, pois não preciso disto não!
São eles que olham diferente, fazem diferente que precisam de perdão.
Perdoa-me por não querer mulheres no governo
Pois o que não é heterossexual e macho na política eu chamo de feio
Perdoa-me por ter xingado os outros de fascistas, nazistas, socialistas e comunistas com tanta deselegância
Pois eu não tive aulas de cidadania nos tempos de criança.
Perdoa-me, minha Nossa Senhora da Pólis!
Irei orar cem vezes para compreender melhor meus preconceitos
Perdoa-me, minha Nossa Senhora, enquanto rogo estas preces em meu proveito

Autoria:
“Quem é você?”
“Quem você pensa que é?”
“Com quem você pensa que está falando?

Sou baiano, preto pobre sem dinheiro
Mas você pode me chamar Jeca, João ou José
Sou Cleonilton Souza: um brasileiro

Insônia

As cidades não param
As noites atravessam o tempo
As mentes se agitam no silêncio
As luzes piscam sem parar

Só estas Insônias individuais e coletivas
Ah este eterno não viver o tempo presente
Virar-se na cama
Olhar pela janela
Pensar nas urgências do dia seguinte
Cobrar-se pelo passado mal-feito
Inconformar-se pelos amores desfeitos
A incompreensão dos próprios defeitos

Há sempre uma lâmpada acesa no prédio
O taxista passa apressado, assustado e desconfiado
Quantas vezes se arrepende de ainda está na rua
A prostituta numa permanente espera
Ela está nua!
Exposta ao mundo cada vez mais sortuno
O sem-teto sempre alerta
O drogado numa insônia insana!
E eu procurando motivos para não dormirl


A madrugada eterniza-se
A manhã demora a vir

Bom noite, insônia