No filme 27 noites uma mulher com idade acima de 80 anos é obrigada a ficar reclusa em uma casa de saúde. A reclusão dura 27 noites. Na trama os familiares da idosa a consideram em estado de demência e entram na justiça para que a mulher fique internada para avaliação.
Um perito é contratado para traçar o nível de sanidade da mulher e é quando inicia uma jornada de relações entre a cidadã e o profissional de saúde mental para que a idosa possa defender a tese de que ainda possui autonomia mental para continuar regendo a própria vida. A idosa é acusada de ter incapacidade para gerir as próprias finanças e de levar uma vida excêntrica buscando viver intensamente.
O filme 27 noites traduz para a arte as controvérsias relações políticas inerentes a todo tipo de família, ao tratar as nuances das relações de forças que há entre as pessoas quando o assunto é dinheiro.
No filme a voz do capital transita e interfere no modo como as pessoas constroem os próprios afetos, fazendo com que sentimentos como caridade e compaixão fiquem em segundo plano.
O gostoso da construção da personagem principal é que ela é idosa e se identifica como idosa, ou seja, uma pessoa que conseguiu viver mais que outras pessoas, compreende as próprias limitações e sabe aproveitar os próprios potenciais para viver melhor.
Até a próxima!
Dados do Filme O que é? 27 noites Quem dirigiu? Daniel Handler Quem fez o roteiro? Daniel Hendler, Martín Mauregui, Agustina Liendo Quem faz parte do elenco? Daniel Hendler, Marilú Marini, Humberto Tortonese, Julieta Zylberberg,Paula Grinspan e Carla Peterson De onde é o filme? Argentina Quanto tempo de duração? 1:48 h Quando foi lançado? 2025
Se tem um livro que faz as vezes do meu entendimento, um diretor espiritual que por mim tem consciência, um método que por mim decide a respeito de minha dieta, etc., então não preciso de esforçar-me eu mesmo. Não tenho necessidade de pensar, quando penso simplesmente pagar; outros se carregarão em meu lugar dos negócios desagradáveis. Immanuel Kant, em Resposta à pergunta: que é esclarecimento?, em Textos seletos, 2019 (1783), p. 64.
Há cerca de 35 anos tive a oportunidade de ler Rebelião escrava no Brasil (1983), do cientista social João José Reis. A obra foi fundamental na minha vida de leitor, pois trazia levantamentos históricos sobre a insurreição de descendentes de africanos que eram escravizados no Brasil do século XIX.
Nunca tinha lido algo parecido sobre a história dos afrodescendentes no Brasil e a minha visão antes trazia a impressão de heroísmo de personagens como princesa Isabel, uma suposta líder para a libertação dos escravizados na época. Também era confusa a minha visão sobre personalidades da história do Brasil como Domingos Jorge Velho, que nos livros didáticos de História parecia ser mais um herói do que um algoz da nossa historiografia.
Foi com os achados históricos do também professor João José Reis que busquei mais informações sobre História e fui, aos poucos, conhecendo a jornada contra a escravização e colonização que foi traçada por personagens negros durante a história da humanidade.
Daquela leitura veio a curiosidade de ler Palmares: Guerra dos Escravos, de Décio Freitas. De Freitas, passei à leitura de Spartacus, de Howard Fast (1959), continuando com Escrevo o que quero, de Steve Biko (1988), Cartas da prisão (1977) e Das Catatumbas (1978), de Frei Betto, e Lamarca, o capitão da guerrilha, de Emiliano José e Oldack Miranda (1985), todas estas leituras fundamentais para compreender melhor como são construídos os modos de opressão nas sociabilidades humanas.
E há poucos dias tive a oportunidade de assistir ao filme Malês, de Antônio Pitanga, uma obra que objetiva resgatar fatos históricos, que de alguma forma, não foram bem discutidos dentro do espaço escolar durante muitos anos, inclusive, por falta de documentação histórica para fundamentar os debates sobre o assunto.
Malês tem como uma das referências históricas principais o conjunto de pesquisa realizado pelo cientista social João José Reis, o que torna o filme não só um documento para diversão e fruição, mas se converte como elemento de rediscussão sobre a História do Brasil.
Pitanga e equipe buscaram ser mais fiéis possível às formas de sociabilidades vigentes na época, procurando retratar a cultura do Brasil escravocrata do século XIX a partir de elementos como a linguagem utilizada na época, a forma de se vestir das pessoas e os modos como as relações sociais aconteciam: uma surpreendente aula de história do Brasil fora do ambiente escolar e acadêmico.
Malês se desloca da academia para a sociedade, via construto artístico de forma singular, configurando-se como um jeito diferente de recontar a história dos afrodescendentes no Brasil.
Até a próxima!
Dados da Obra O que é? Malês [filme] Quem dirigiu? Antônio Pitanga Quem fez o roteiro? Manuela Dias Quanto tempo de duração? 1:54 min Quando foi lançado? 2025 Quem está no elenco? Camila Pitanga, Rocco Pitanga, Rodrigo dos Santos
O difícil é conseguir codificar a ideia construtiva de tal modo que a máquina possa entendê-la e executá-la corretamente. Sintomático dessa mudança de estratégia operativa é o fato de o artista agora se ver constrangido a estudar matemática, para poder tirar o melhor partido possível de sua relação com a máquina. Paradoxalmente, porém, vemos também o matemático estudando arte, para poder resolver, da melhor forma possível, os algoritmos de visualização de seus programas.
Arlindo Machado, em Máquina e imaginário, 2001, p. 16.
A Bahia possui um legado de interseções artísticas marcadas por amizades e fraternidades, como é o caso de Antônio Carlos e Jocafi e Os Doces Bárbaros (Gil, Bethânia, Gal e Caetano).
De forma mais abrangente há os afetos entre artistas baianos e não baianos, como entre Os Tribalistas (Marisa Monte, Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown) e os Novos Baianos (Baby do Brasil, Paulinho Boca de Cantor, Pepeu Gomes, Jorginho Gomes e Didi Gomes (e ainda os ex-integrantes Luiz Galvão, Moraes Moreira, Dadi Carvalho, Baxinho, Bola Morais, Odair Cabeça de Poeta, Charles Negrita). E olha que os Novos Baianos eram filhos de João Gilberto e, no mínimo, primos dos Doces Bárbaros.
Os Novos Baianos ainda deram crias como a banda A Cor do Som (Mu Carvalho, Dadi Carvalho, Armandinho, Ary Dias, Gustavo Schroeter ( e os ex-integrantes Victor Biglione, Perinho Santana, Jorginho Gomes e Didi Gomes): é um legado atrás do outro, tal qual as pessoas quando estão atrás de um trio elétrico.
Os artistas acima criam um caldeirão de criatividade e não há como enquadrar essas irmandades em algum ritmo musical, tal a diversidade artística que foi gerada por esses pensadores da cultura brasileira.
É preciso lembrar de uma irmandade artística muito peculiar em relação aos registros mencionados acima. Trata-se dos três obás de Xangô: Jorge Amado, Dorival Caymmi e Carybé. Estes trazem na irmandade uma pitada a mais de pimenta para melhorar um tempero criativo que atravessava as barreiras do visual, do escrito e do auditivo.
Explico-me melhor: os três mestres da cultura afro-baiana criaram um acervo artístico reconhecido mundialmente e ainda se ressignificaram ao criar entre si laços de amizade alicerçados em cooperação, carinho e muito amor.
E são as tais ressignificações que o leitor poderá apreciar ao assistir 3 obás de Xangô, com direção de Sérgio Machado, um documentário que mistura as belíssimas imagens de Carybé, com o cancioneiro de Dorival Caymmi e a poética da escrita de Jorge Amado.
Quando observo uma imagem feita por Carybé, escuto os sussurros da voz de Caymmi cantarolando sem parar e invade em mim a poética de Jorge Amado, como se estivesse descrevendo aquelas imagens em forma de narrativas.
Os três obás de Xangô eram unidos por diversos símbolos, como a labuta do ser artista, a busca pela transcendência e o compromisso com a gente do povo. Isto tudo fortaleceu o senso de amizade entre eles, o que resultou em um conjunto de artes multimodais formado pelas letras de Amado, a voz de Caymmi e as imagens de Carybé. É ver, ouvir e ler para crer.
Até a próxima!
Dados da obra O que é? 3 obás de Xangô [documentário] Quem distribuiu? Gullane Filmes Quando foi? 2024
Vida de negro é difícil, é difícil como o quê Vida de negro é difícil, é difícil como o quê Eu quero morrer de noite, na tocaia me matar Eu quero morrer de açoite se tu, negra, me deixar Vida de negro é difícil, é difícil como o quê Vida de negro é difícil, é difícil como o quê Meu amor, eu vou-me embora, nessa terra vou morrer Um dia não vou mais ver, nunca mais eu vou te ver
Não tive a oportunidade de ver Lazzo Matumbi arrastar o Ilê Aiyê no final dos anos 1970, uma pena. Conhecia Lazzo por meio dos comentários que eu ouvia aqui e ali. Foi com a música Do jeito que seu nego gosta, que iniciei a jornada de aprendizagem sobre a concepção musical do artista soteropolitano, um cantor de música afro-brasileira que intersecciona samba de roda, samba duro, samba-canção, afoxé, reggae, samba-reggae e por aí vai…
O grande ápice do meu encontro com a musicalidade de Lazzo foi em um dia de carnaval na Bahia. Lazzo desfilava na Avenida Sete, em Salvador, cantando samba-afro, reggae e samba de roda. Já contei esta história antes: eu estava na praça São Bento, junto da igreja de mesmo nome, quando o trio elétrico com Lazzo surgiu. Os foliões estavam quase parados, pois já havia passado da meia noite e aquela gente parecia muito exausta de tanto dançar prazerosamente.
De repente, um rapaz franzino, saiu correndo para o canto da avenida, pegou duas folhas enormes de coqueiro, adereço muito usado para enfeitar os carros alegóricos na época, e iniciou um balé afro muito bem sincronizado.
As pessoas atônitas já pensavam em correr, pensando que um tumulto iria iniciar, foi quando o dançarino abriu uma roda e começou a fazer movimentos refinados tal qual os pássaros fazem quando começam a voar. Os foliões não sabiam se dançavam reggae, samba de roda ou samba-afro, tal era a facilidade com que Lazzo desfilava de um ritmo para outro.
Em frente ao pequeno largo do São Bento, a terra tremeu em regozijo de paz e harmonia. Ali foi uma experiência fundamental para entender o quanto diversa era a música da Bahia na época.
Foi pelo menos uma hora de música e dança atrás do trio elétrico. Lazzo não sabia somente puxar a galera de bloco afro, também sabia puxar a multidão que vai atrás do trio elétrico. Foi a primeira vez que presenciei um cantor negro em cima de um trio, cantando música afro, fazendo as pessoas pensarem, dançarem e cantarem: momento mágico mesmo.
A partir daquele dia passei a ouvir com mais atenção o cantor e hoje quando ouço algum álbum de Lazzo, lembro daquele momento tão peculiar. Isto foi lá na década de 1980, e eu não lembro nem o dia e nem o ano. Só sei que vivi.
Ainda sobre Lazzo, na segunda-feira do dia primeiro de setembro deste ano, a TV Educativa da Bahia (TVE) transmitiu a nova temporada do TVE Entrevista, tendo como entrevistador o jornalista Bob Fernandes e como primeiro entrevistado Lazzo Matumbi.
A entrevista foi um registro de parte da história da Bahia dos anos 1970-2020, com Lazzo falando de forma desinibida sobre música e questões sociais. Lazzo está sempre com sorriso aberto, mas isto não o impede de tocar em fatos da recente história da Bahia e explicitar momentos de construção de desigualdades de toda ordem (social, racial, econômica, educacional etc.), narrativa feita a partir de fatos ocorridos na própria história de vida do artista.
No final da entrevista, Lazzo declama em forma de cantoria e ladainha a letra da música 14 de maio, uma obra de arte que contrapõe o senso comum de que música na Bahia se presta mais a remelexos e rebolados.
Ficamos por aqui e até a próxima!
Lazzo Matumbi por ele mesmo: Por ser um cantor de samba é que eu posso cantar qualquer coisa. E isso me deu um orgulho muito grande de levar para o bloco, blues, funk, reggae. E a foi uma mistura só e eu não me aquietei…
Dados do Evento: O que é? TVE Entrevista Quem participou? Bob Fernandes (entrevistador) e Lazzo Matumbi (entrevistado) Onde foi? canal YouTube da TVE Bahia - Quando foi? 01 set. 2025
No dia 14 de maio, eu saí por aí Não tinha trabalho, nem casa, nem pra onde ir Levando a senzala na alma, eu subi a favela Pensando em um dia descer, mas eu nunca desci
Zanzei zonzo em todas as zonas da grande agonia Um dia com fome, no outro sem o que comer Sem nome, sem identidade, sem fotografia O mundo me olhava, mas ninguém queria me ver (..) Repare como é belo Êh, nosso povo lindo Repare que é o maior prazer Bom pra mim, bom pra você Estou de olho aberto Olha moço, fique esperto Que eu não sou menino Composição: Jorge Portugal e Lazzo Matumbi Leia o texto completo no site das Letras Assista à declamação de Lazzo no YouTube
Foi com Machado de Assis que tive mais proximidade com temas como o da loucura (O alienista) e o da morte (Memórias póstumas de Brás Cubas). Machado foi um intelectual lapidar ao discutir questões sobre a existência de tamanha relevância, usando o humor de forma inteligente, fazendo-nos mergulhar em temas que são muito difíceis de serem discutidos.
Sobre a morte como tema ficcional me deparei nos últimos três meses com a série estadunidense A sete palmos. A sete palmos traz múltiplos enfoques sobre a morte e sobre a vida das pessoas, ao articular momentos de existência relacionados à morte por meio da pluralidade de visões sobre o existir.
Na série, de forma inesperada, um patriarca de uma típica família estadunidense morre de abruptamente, com o acontecimento resultando em uma mudança na maneira como a família do falecido iria viver dali em diante.
Assim, a partir do tema da morte, o espectador vai vivenciando as formas de viver de uma dona de casa que de repente se ver viúva e precisa se ressignificar. Assiste aos altos e baixos da vida conjugal de um casal de homossexuais, na labuta de se constituir como família. Observa a saga de um filho que precisa entender-se no movimento de entrar e sair das relações familiares depois de um forte infortúnio na família.
É também testemunha dos movimentos feitos por uma família de descendentes de imigrantes latino-americanos na busca para conquistar uma identidade na hierarquia societária estadunidense. Acompanha os dilemas e as contradições de uma família de classe alta estadunidense, observando os valores que vão sendo expostos a cada vivência daquelas pessoas.
Pois é, são muitas histórias que se cruzam e vão dando vida (ou seria morte?) à narrativa multifacetada de A sete palmos.
Em todos esses contextos em que essas personagens navegam, a morte está instalada. Ela, a morte, sussurra, grita, chora e sorri. O sentido da morte é a força propulsora do muito o que dá vida à narrativa. Em A sete palmos, a loucura é o outro fator dá sustentação para as pessoas viverem, porque não é fácil lidar com a morte enquanto se vive.
Se Machado de Assis exerceu influência profunda na maneira como eu me fazia existir diante da morte, em A sete palmos, pude descobrir que vida e morte não se separam; na verdade, elas são sim duas dimensões em continuum: duas faces da nossa moeda chamada existência. Haja loucura para viver e para morrer.
Até a próxima!
Dados da obra O que é? A sete palmos [série televisiva] Qual o título original? Six Feet Under Quem criou? Alan Ball Quem produziu? HBO Quem atuou? Peter Krause, Frances Conroy, Michael C. Hall, Freddy Rodriguez, Jeremy Sisto, James Cromwel, Rachel Griffiths, Lauren Ambrose, Mathew St. Patrick, Lili Taylor, Justina Machado, Richard Jenkins… Quando foi? de 2001 a 2005 Quantas temporadas? Cinco
Dia 13 de setembro foi um dia histórico para a comunidade afrodescendente do estado da Bahia, pois foi ordenado bispo auxiliar da Arquidiocese Metropolitana de São Salvador da Bahia: Gabriel dos Santos Filho.
Gabriel, ou melhor Monsenhor Gabriel, é homem negro nascido e criado na velha São Salvador. Ele circulou muito, como padre, em bairros como IAPI, Liberdade e Pelourinho, um conhecedor do cotidiano da periferia de Salvador.
Monsenhor Gabriel fez filosofia e teologia na graduação, depois fez especialização em Antropologia e mestrado em Ciências Sociais. Atualmente é doutorando em Antropologia na Universidade Federal da Bahia.
Gabriel é um cidadão que conhece as letras e um pouco da vida de toda gente de algumas comunidades da primeira capital do país. Gabriel é um cidadão que faz cotidianamente a leitura de mundo e a leitura da palavra, nas palavras de Paulo Freire.
Durante a ordenação episcopal Gabriel chorou, chorou por ter alcançado um desejo pessoal e um objetivo social: inscrever na história da Bahia o registro do primeiro cidadão negro, nascido em Salvador, a ser bispo daquele lugar, um esperançar, como diria Paulo Freire (novamente), e que caracteriza o que alguns segmentos da sociedade chama de “resiliência”. Os negros são seres de resiliência, pois dificilmente desistem de continuar a construção de objetivos maiores de emancipação da comunidade afrodescente.
As portas das igrejas católicas no Brasil precisaram ser abertas por cidadãos como Gabriel, um ser de comunicação, um homem de comunidade, palavra e ação. As portas foram abertas com palavras de amor, concretizadas no discurso de posse do Monsenhor.
Conheci Monsenhor Gabriel, quando era padre, entre o final do milênio anterior e o início do atual. Uma colega de faculdade me indicou um curso para preparação de jovens e adultos da periferia para que estes alcançassem o nível superior.
Gabriel era o líder espiritual do grupo de professores e coordenadores pedagógicos que trabalhava voluntariamente para a melhoria das condições educacionais dos jovens e adultos, com preocupação especial com os afrodescendentes, do bairro do IAPI, Salvador, Bahia, e arredores.
Os professores e coordenadores pedagógicos voluntários deram o nome de Quilombo Milton ao grupo, em homenagem ao geógrafo brasileiro Milton Santos, um dos grandes pensadores brasileiros.
Foram quatro anos de contato com o Monsenhor, que estava sempre preocupado em cultivar a fé e a esperança no grupo de professores. Foram também momentos de muita aprendizagem com aquele grupo de professores voluntários e com os jovens e adultos que por ali passaram em busca de melhorias de vida.
O 13 de setembro está gravado em minha memória como um dia de construção histórica, afinal de contas foram necessários 476 anos (período de existência da cidade de São Salvador) para que um cidadão negro soteropolitano alcançasse uma função de destaque dentro da hierarquia da igreja católica na Bahia.
O momento é de celebração e de construção de novos rumos em direção à formação de outras estruturas nas instituições religiosas na Bahia, em que a diversidade possa aflorar como um desígnio de transcendência.
Até a próxima!
Dados do Evento O que é? Ordenação Episcopal Quem foi ordenado? Gabriel dos Santos Filho Quando foi? 13 set. 2025 Onde posso assistir?Canal YouTube da Arquidiocese de Salvador Onde Foi? Catedral-Basílica Primacial de São Salvador
Pensar faz bem!Pensar faz bem com Antônio Carlos e Jocafi
A seção Pensar faz bem! traz reflexões vinculadas à cultura e ao cotidiano. Uma parte significativa dos textos Pensar faz bem! é fruto das leituras e das audições que fazemos para construção dos artigos, crônicas e resenhas aqui publicados. O pensamento da vez é de Antônio Carlos e Jocafi.
Entre os anos 1960 a 1970 houve uma migração significativa de artistas da música baiana que se dirigiam para o Rio e São Paulo. Dentre esses músicos é preciso destacar o movimento feito pelos cantores e compositores Antônio Carlos e Jocafi, uma dupla que levou a cultura musical baiana para o Brasil e para o mundo.
A dupla era e continua sendo muito criativa, pois das veias inventivas da dupla surgiram obras-primas em forma de trilhas sonoras de filmes e novelas, além de uma relevante coletânea de músicas em homenagem aos personagens femininos da obra literária de Jorge Amado.
Em Antônio Carlos e Jocafi houve uma forte influência afro-brasileira, com o primeiro expressando traços da cultura do candomblé e o segundo, traços do samba de roda da Bahia.
O legado da dupla está impregnado na música baiana produzida no século XXI, e músicos como Russo Passapusso conseguem expressar isso nas produções eletroacústicas que podemos ouvir em bandas como a BaianaSystem.
Antônio Carlos e Jocafi e Russo Passapusso têm uma ligação transcendente, pois quando os três estão unidos o híbrido entre o profano e o sagrado se projeta em um movimento de transformação da vida.
Ouvir Antônio Carlos e Jocafi é ouvir contemporaneidade, pois a arte construída pelos dois atravessa os tempos, instaurando diferenciadas formas de interagir com a arte.
Se o leitor ainda não conhece Antônio Carlos e Jocafi precisa conhecê-los de imediato para se contaminar com umas das coisas que o Brasil faz de melhor: a música.
Para início de conversa, por que não assistir ao Sem censura da última sexta-feira? Lá você terá a oportunidade de beber um pouco da água da cultura produzida pela dupla, em uma entrevista muito rica sobre parte da construção da arte brasileira.
Fica a dica e até a próxima!
Dados do Evento: O que é? Sem Censura Especial Antônio Carlos e Jocafi Quem participou? Antônio Carlos e Jocafi, Russo Passapusso Cissa Guimarães e Fabiane Pereira Onde foi? canal YouTube da TV Brasil - Quando foi? 29 ago. 2025