
É também pelos discursos que se manifestam as diversas formas de manipulação e manutenção dos poderes. Então para entender as diversificadas relações de forças entre os homens e as mulheres, estudar os discursos também é uma forma de compreender melhor as especificidades das relações assimétricas de poder que se conformam em nossa sociedade.
É o que faz Gayatri Chakravorty Spivak, indiana, professora de literatura e crítica cultural, ao analisar os meandros dos contextos de fala em torno das vozes consideradas subalternas.
Trata-se do livro Pode um subalterno falar? que explicita questões-chave entre discurso e poder e instaura novas perspectivas sobre o poder de fala.
Para tratar da questão, Spivak traça uma discussão consistente em torno de contextos atuais a respeito desse problema social tão necessário de ser estudado e compreendido na atualidade.
A partir de autores como Foucault e Deleuze, Spivak questiona dimensões como controle e política de manipulação e silenciamento do outro, validando alguns conceitos em determinados momentos, criticando em outros, o que cria uma dinâmica diferente na construção discursiva no livro: é uma abertura para a conversação e a polêmica construtiva do diálogo.
A obra é o resultado de pesquisas conduzidas pela autora sobre o universo das falas dos homens e das mulheres que em algum momento são impedidos de se pronunciar.
Pode um subalterno falar? é leitura pertinente para educadores, sociólogos, assistentes sociais, políticos e todos cidadãos e profissionais que precisam lidar com a questão do poder nas relações cotidianas de mediação discursiva.
Para provocar o leitor, deixamos abaixo um trecho do pensamento de Spivak para servir estímulo à leitura-discussão do tema.
“Algumas das críticas mais radicais produzidas pelo Ocidente hoje são os resultados de um desejo interessado em manter o sujeito do Ocidente, ou o Ocidente como Sujeito” p. 25
É ler para discutir, é ler para aprender, é ler para agir.
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