
Era 1982 e eu estava no primeiro emprego. Quando recebi o primeiro salário, quis fazer duas coisas que seriam significativas para o resto de minha vida: uma era ir ao cinema; a outra era me aproximar da literatura.
Fui ao cinema de pirraça assistir a um filme proibido, pois havia sido impedido aos 16 anos de ver um filme que era destinado somente a maiores de 18 anos. Mas isto é coisa para outra crônica.
A outra coisa foi ir à banca de revista comprar um volume da coleção Literatura Comentada, que continha um livro sobre Gilberto Gil e outro sobre Álvares de Azevedo. Ali se consolidava meu amor pela literatura.
Devorei os livros, andava com eles para todos os lados. Passava o horário de almoço do trabalho lendo aqueles textos encantadores.
Literatura Comentada era distribuída em bancas de revistas. Em cada volume a gente encontrava uma seleção de textos de cronistas, romancistas, contistas e poetas do repertório literário brasileiro.
Na coleção pude conhecer trechos de obras de Jorge Amado, Vinícius de Morais, Carlos Drummond de Andrade, Castro Alves e muita gente mais.
Cada livro continha breve biografia e lista da produção literária do autor, contexto literário da época, além de um panorama histórico para melhor entendimento da produção criativa em que o escritor viveu.
Com o volume se conhecia literatura, observava-se como se fazia crítica literária e apreciava-se textos prazerosos escolhidos pelos curadores.
Aqueles textos influenciaram sobremaneira meu itinerário profissional, fazendo com que eu optasse pelo curso de Letras para aprender mais sobre as nuances da língua portuguesa.
A bibliografia trazida em cada livro servia de farol para leituras futuras e ajudou a me aproximar mais do mundo da literatura.
A linguagem das obras era bastante acessível sem perder o rigor científico. Ali eu podia entrar em contato com grandes críticos culturais que faziam o papel de analisar o repertório intelectual das artes brasileiras de uma época e que contribuíam para registrar um período rico da cultura brasileira.
Hoje ainda guardo em casa alguns volumes da coleção. Uso-os para consulta em alguns momentos; em outros, a leitura é de muito prazer.
Quem é a autora? Bell Hooks
Quem traduziu? Jamile Pinheiro Dias
Quem editou? Editora Elefante
De quando é? 2019
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