Nara Couto: linda e preta – beleza negra do Curuzu

Nara Couto in Outras Áfricas
Nara Couto in Outras Áfricas

Dia 23 de outubro tive o prazer e o deleite de ouvir Nara Couto no show, e que show, Outras Áfricas, no projeto Voltando aos Palcos do teatro Castro Alves, Salvador, Bahia.

O evento aconteceu na sala de coro do Teatro. Sem público e com a área da plateia em estado de penumbra, aquelas cadeiras escurecidas por sombras de um público que ainda não podia sair de casa.

No espetáculo um desfile do que há de mais afro na Bahia. Bahia de todos os orixás, travestida de todas as Áfricas. A cada música um sinal do Olodum, do Ilê Aiyê, do Malê, do Muzenza e do Badauê. É beleza pura, como diria Caetano.

E os tambores rufaram samba, samba de roda, blue, ijexá e afoxé, compondo o que há de mais genuíno na música baiana deste início de milênio. 

No palco, Nara Couto sendo lindamente perscrutada por uma câmara ousada, circulante como um redemoinho, captando cada gesto, cada tom de cor, cada sorriso largo e silencioso da cantora.

Acompanhando Nara uma requintada banda do que há de mais qualidade nos redutos da música baiana: Ladson Galter, no contrabaixo, Marcelo Galter, no piano, e Reinaldo Boaventura fazendo o papel de baterista e percussionista ao mesmo tempo. Que luz! Que som! Que força!

Eles quatro foram feitos um para o outro. Muita harmonia nessa hora. O ouvinte vai sendo tomado a cada canção, a cada toque da bateria, ressonância do baixo ou dedilhar no teclado. Tudo isto a serviço de uma voz ímpar.

E ímpar é a voz de Nara Couto que se junta a um time afro-baiano de cantoras diferentes como Margareth Menezes, Luedji Luna, Jussara Silveira, Juliana Ribeiro, Virginia Rodrigues, Marcia Castro, Mariene de Castro, Xênia França, Larissa Luz… É preciso ter reticência mesmo.

E Nara é o resultado de múltiplas influências como Roberto Mendes, Capinam, Mateus Aleluia, Carlinhos Brown, Jarbas Bittencourt e Batatinha, sem deixar de se referendar em cantoras internacionais como Miriam Makeba, Sara Tavares e Lura. A mulher é um caldeirão musical.

Fico imaginando Nara Couto ainda criança nas ruas do Curuzu, bebendo do legado do Ilê e dos referentes afros comuns daquele espaço étnico da diáspora africana. E aquele crescente desejo de cantar, cantar para estabelecer novos vínculos, cantar para criar diferenças e construir novas identidades.

Até a próxima!

Que é isto? Outras Áfricas
Onde foi? projeto Voltando aos palcos, transmissão da sala de coro do Teatro Castro Alves.
Quando foi? 23 out 2020
Quem estava lá? Nara Couto (cantora), Ldson Galter (contrabaixista), Marcelo Galter (pianista) e Reinaldo Boaventura (baterista e percussionista)
Ainda posso assistir? Siiiiiim: no canal YouTube do TCA.

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Publicado por Cleonilton Souza

Educador nas áreas de educação, tecnologias e linguagens.