Um ano de pandemia em casa

Um ano de pandemia em casa

Quando iniciei 2020 não imaginava que teria de ficar um longo período em casa por causa da pandemia. Mas a vida é o inesperado, aquilo que não temos condições de adivinhar e agora em março 2021, completamos um ano em casa aprendendo a sobreviver a cada dia.
Nossa família tinha uma rotina bem demarcada: ir à escola, comprar no mercado, passear no shopping, visitar os amigos, ir a shows e aos cinemas, viajar… As possibilidades de ficar na rua eram incontáveis.
Mas com a pandemia tudo mudou…
Fizemos de tudo um pouco. Brincamos de Juno, aprendemos pocket. Lives? Ah, a gente fez até calendário para não perder os espetáculos. Se a gente gostava de assistir a filmes e a séries, o negócio se intensificou e esta foi uma das atividades que fizemos quase todos os dias.
Houve gente na casa que fez ensaios fotográficos do nosso conjunto de plantas, outros intensificaram as leituras, houve gente também que se dedicou a fazer artesanato. A gente não parou.
As saídas foram muito reduzidas, pois todos em casa têm medo da doença e acredita na vacina como uma das possíveis saídas contra a crise pandêmica, ou alguma outra saída indicada pela ciência.
E as nossas saídas? Só para ir ao dentista, com data marcada, ir ao supermercado ou a algum centro comercial para comprar coisas de necessidade básica. Quando batia uma vontade de consumir, fazíamos, caso houvesse dinheiro, alguma compra pela internet.
Daqui de casa presenciamos muitas coisas: pessoas jogando bola na quadra a noite toda, bares abertos durante na madrugada, e cheios, adolescentes correndo com skate na rua, outros jogando voleibol . Vimos homem que bateu em mulher, e foi preso. Assistimos ao ano novo passar com as pessoas olhando o mundo lá fora pela janela. De vez em quando ouvíamos sons bem altos depois das 22 horas (verdade). O que apareceu de crianças nas áreas comuns dos condomínios, a gente perdeu a conta. Parecia que estávamos em férias.
Com receio do risco que significava o não isolamento, aprendemos a fazer algumas atividades domésticas básicas, como reaproveitar móvel que quebrou; colocar pés com roldanas em armários, criar peças para suporte de plantas, ajustar encanamentos e pontos da rede elétrica de casa. Se fosse em outro período, provavelmente contrataríamos o serviço de terceiros.
Mesmo com todas as restrições para ficar em casa, resistimos e sobrevivemos.
Precisamos ressaltar nesta experiência que somos uma família com o mínimo de segurança social, o que não acontece com boa parte da sociedade brasileira, em que a vulnerabilidade social é o estado vigente, o que leva muita gente a correr riscos diários fora de casa para sobreviver. Estamos sensíveis a isto.
A rotina que criamos nos ajudou a sobreviver nos últimos 12 meses e a não se entregar a comportamentos agressivos ou depressivos. Tivemos de nos reinventar todos os dias.
E você? Como foram seus tempos de pandemia?




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Publicado por Cleonilton Souza

Educador nas áreas de educação, tecnologias e linguagens.