A vida sob os vieses dos algoritmos

A vida sob os vieses dos algoritmos
A vida sob os vieses dos algoritmos

Nos últimos dois anos, temas relacionados a algoritmos e big data se tornaram pauta de calorosas discussões para o público em geral. Documentários como Privacidade Hackeada (2019) e O dilema das redes (2020) conseguiram alcançar grandes audiências e trouxeram para o debate questões de interesse de cidadania relacionadas à privacidade, às desigualdades e aos direitos digitais.

No final de 2020 foi lançado o Coded bias, um documentário que, a partir do trabalho realizado pela pesquisadora Joy Buolamwini sobre problemas em algoritmos de reconhecimento facial, discute os problemas que a sociedade tem enfrentado com o advento dos algoritmos e do big data.

O documentário segue a linha argumentativa de mesclar momentos de narrativa ficcional, com depoimentos de pesquisadoras que se dedicam aos estudos sobre como novas mediações sociotécnicas, como algoritmos, big data e internet das coisas, influenciam a vida cotidiana do cidadão comum.

Utilizei o termo pesquisadoras, pois o grupo de depoentes é formado majoritariamente por mulheres. Um diferencial no documentário, que subverte a lógica de fala patriarcal do ocidente ao trazer para conversa outras vozes no campo das ciências.

Assim o documentário é tecido com as vozes de Joy Buolamwini, pesquisadora do MIT, ela se autodenomina poeta do código e estuda as implicações da inteligência artificial na sociedade; Cathy O’Neil, cientista de dados e matemática, conhecida por estudar os vieses dos algoritmos; Meredith Broussard, jornalista de dados; Silkie Carlo, diretora do Big Brother Watch, instituição que monitora os usos das tecnologias de reconhecimento facial pela polícia britânica; Virginia Eubanks, professora de estudos das mulheres; Ravi Naik, advogado, que defende causas relacionadas aos direitos digitais; Safiya Umoja Noble, professora e pesquisadora de estudos sobre algoritmos e discriminação; Zeynep Tufekci, professora que se dedica aos estudos sobre big data e algoritmos. A direção é de Shaline Kantayya (estadunidense), uma ativista dos direitos humanos, filha de imigrantes indianos, que vem despontando como diretora nos últimos cinco anos com produções como A Drop of Life, Catching the Sun e Breakthrough. Um grupo respeitável.

Coded bias continua esse processo de divulgação de especificidades dos novos artefatos técnicos que tanto interferem no nosso dia a dia e precisa ser assistido, discutido e compartilhado.

Até a próxima!


Sobre a obra

O que é? Coded bias {documentário}
Quem dirigiu? Shalini Kantayya
De que ano foi? 2020
Quem participou? Joy Buolamwini, Cathy O’Neil, Meredith Broussard, Silkie Carlo, Virginia Eubanks, Ravi Naik, Safiya Umoja Noble, Zeynep Tufekci.
Onde assistir? Netflix
Onde encontro mais informações? Coded bias.


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Publicado por Cleonilton Souza

Educador nas áreas de educação, tecnologias e linguagens.