
Outubro ficará marcado como um mês sui generis de 2021, pois a população mundial (quer dizer uma parte da população mundial que tem acesso à internet) ficou sem alguns serviços oriundos de plataformas digitais.No dia do acontecimento, só percebi o ocorrido já no início da noite em uma conversa on-line com minha filha. Não que eu não use os serviços das plataformas digitais, mas naquele dia fiquei tão envolvido com minhas leituras que não conversei com ninguém pela internet até as 18 horas pelo menos.Mas coisas aconteceram naquele dia que me chamaram a atenção. No final do dia havia várias notificações da minha lista de contatos no Telegram, informando sobre os novos ingressantes naquela plataforma digital. Muitos se desesperaram e fizeram cadastros em mídias alternativas.Nos jornais noturnos muita gente sendo entrevistada dizendo que o dia foi um horror; outros alegavam ter perdido muitos negócios devido à instabilidade ou indisponibilidade das plataformas mais utilizadas. Houve gente que voltou a usar SMS e e-mail. Realmente foi um caos para boa parte da população dependente dessas plataformas digitais. Há um fato relevante neste acontecimento, os serviços on-line alcançaram um nível de disponibilidade tão alto que no momento que algo acontece as pessoas entram em pânico. E essa realidade não é a mesma de 15, 20 anos passados, quando o cidadão ia a um mercado e tremia de medo de o sistema falhar no momento de pagar as compras ou quando, no posto de combustível, era prudente levar um talão de cheques como reserva, pois se o sistema caísse, o cartão se tornava peça de uso inadequada. Esquecemos também dos diversos momentos em que o sistema bancário entrava em pane, e os clientes não podiam realizar transações financeiras. Eram tempos de muitas indisponibilidades nos sistemas. No tempo das disponibilidades intermitentes, geralmente arranjávamos um substituto analógico para exercer a nossa comunicação cidadã, hoje, a dependência do digital é tamanha.Pensando no passado recente, do início das transações on-line, e no momento presente, da força do digital sobre as nossas vidas, surgem algumas reflexões: como posso depender de uma plataforma digital para sobreviver com os meus negócios? Por que só me comunico com as pessoas utilizando uma exclusiva plataforma digital? Por que o não acesso a alguma plataforma traz tanta ansiedade em mim?Não achei respostas plausíveis para as questões acima, mas percebi uma coisa: como não há cobrança explícita pelo uso das plataformas, não vi ninguém se mobilizando para exigir prestação de contas pelas falhas ocorridas do dia. O que percebi foi gente aliviada pela volta dos serviços. E assim a vida continuou no mundo das plataformas digitais.Mudamos as relações de consumidor/cidadão? Não temos mais controle sobre a nossa convivência no mundo on-line? Uma coisa notei: as redes caíram, e a vida continuou.
Até a próxima!
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