
Estava na Faculdade de Educação da UFBA, esperando a hora de iniciar a reunião com o grupo de pesquisa, quando resolvi passar na loja da Editora da UFBA (Edufba) para passar o tempo.
O interesse inicial era vasculhar textos sobre educação, mas para minha surpresa encontrei o livro Os algoritmos e nós, do professor Paulo Nuno Vicente, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova Lisboa (Portugal).
O livro está escrito em português de Portugal, mas isto não impede a leitura fluida do texto. Em Os algoritmos e nós, o professor Nuno faz uma apreciação antropológica e social dos algoritmos, por meio de uma escrita leve e bem organizada.
A introdução é um convite à reflexão sobre as implicações sociais dos usos dos algoritmos na vida em sociedade. Depois o autor busca, sem abusar de termos técnicos, tecer comentários sobre os modos de existência dos algoritmos, trazendo as especificidades desses códigos computacionais, em uma abordagem que articula a face técnica e a face cultural desses objetos próprios do século XXI.
Nuno também faz um breviário da história dos algoritmos, com um jeito não enfadonho e sistematizando os principais marcos de construção desse que é um dos maiores bens construídos pela humanidade.
O livro levanta um elenco de situações sociotécnicas vão sendo discutidas durante a escrita da obra, trazendo esclarecimentos sobre questões como predição, opacidade, vigilância, coleta de dados, assimetria social, política, diversão, vieses e outros assuntos, ajudando os leitores a entender um tema tão atual para compreensão da vida cotidiana no século XXI.
Apesar da linguagem leve e organizada, Nuno não perde o rigor da narrativa e presenteia o leitor com informações fundamentais sobre esses inventos técnicos que fazem parte do dia a dia de todos nós.
O mais: entrei na livraria com um objetivo e, no acaso, sem interferências algorítmicas, encontrei um livro cuja leitura tanto me enriqueceu e me levou para outros rumos.
É hora de o leitor conhecer Nuno por ele mesmo!
A autocracia corresponde, nesses casos há uma racionalização assimétrica do poder social: os cidadãos são diminuídos na sua capacidade de ação e reinterpretados como instâncias de procedimento algorítmico. O mesmo é dizer: os cidadãos reduzem-se ao maquinal. Daqui decorre que a adoção de procedimentos algocráticos no seio das organizações transforma a natureza das instituições: não se trata apenas da adoção de um novo sistema informático, mas da modelação de novo exame de gestão.
Nuno, 2023, p. 66-67
Até a prp
Mediados por milênios e convertidos a oráculos digitais, procuramos nos sistemas algorítmicos a segurança que os antigos encontravam nas práticas ancestrais de artes divinatórias. Desejamos mudar o mundo assente na previsão do futuro, fonte de adicionais garantias em tempos conturbados, enquanto desviamos o olhar do que essa ambição faz de nós, enquanto sociedade, no tempo presente.
Nuno, 2023, p. 90
- Desafios da educação no século XXIO texto EPraxe desta semana é sobre o artigo “Os avanços do capitalismo (digital) no século XXI e a educação” feito por mim e o professor Nelson Pretto para a Revista Perspectiva. Boa leitura!
- Uma jornada de 27 noitesO texto EPraxe desta semana é sobre o filme argentino 27 noites . Boa leitura!
- Outras histórias sobre o BrasilO texto EPraxe desta semana é sobre a rebelião dos malês no século XIX na Bahia. Boa leitura!
Navegue+
Licença Creative Commons
Descubra mais sobre Canal EPraxe
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
