A intolerância em mim

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Noites de Insônia

Artigo publicado na revista Cult em fevereiro/2020, que trata da intolerância cultural (social, econômica, política, étnica, religiosa)

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Os cérebros eletrônicos sabem tudo?

Os cérebros eletrônicos sabem tudo?
Os cérebros eletrônicos sabem tudo?

Quando eu era criança adorava assistir a filmes de ficção científica com robôs falando com seres humanos. Geralmente os robôs sabiam de tudo e eram bastante amigáveis. Cresci na esperança de ver aquelas máquinas participando da vida cotidiana, dentro das casas, nos shoppings, nos parques e supermercados.

Depois fui percebendo que aquelas figuras em formas humanas e constituídas de lata, não existiriam como eu imaginara. Certo mesmo era Gilberto Gil, que no final da década de 1970, já utilizava o termo Cérebro Eletrônico. 

Hoje a gente está rodeado de scripts, macros, protocolos e robôs lógicos, que organizam e comandam o fluxo de informações no mundo. A gente não vê um robô com cabeça tronco e membros, mas ele está ali bem perto de nós, sussurrando em nossos ouvidos.

Quando acordo e vou visitar uma mídia social, um robô pergunta o que eu estou pensando. E lá vai eu postar textos, fotos e vídeos, para que ele rastreie e prediga quais são minhas vontades, desejos e ações. Quando desejo saber de algo, consulto o buscador que me deixará informado em segundos. Na hora de assistir a um filme ou série, um robô me pergunta se gostei ou não gostei da história e assim ele vai tentando adivinhar os meus gostos e direcionando sobre quais tipos de narrativa deverei apreciar.

Até bem pouco tempo achava que não era possível identificar e tornar computável as emoções do cidadão, mas as plataformas de mídia social digital conseguem matematizar aquilo que sentimos. Desta forma nossas emoções podem ser traduzidas por pequenas imagens amarelas para indicar sinalizadores como: feliz, abençoado, amado, triste, adorável, agradecido, animado, apaixonado, louco, grato, muito feliz, fantástico, bobo, festivo, maravilhoso, legal, divertido, relaxado, positivo, tranquilo, esperançoso, alegre, cansado, motivado, orgulhoso, sozinho, pensativo, OK, nostálgico, com raiva, doente, encantado, esgotado, sentimental, confiante, sensacional, novo, determinado, exausto, incomodado, contente, sortudo, de coração partido, entediado, sonolento, energizado, com fome, profissional, angustiado, em paz, decepcionado, otimista, com frio, fofo, fabuloso, ótimo, pesaroso, super, preocupado, engraçado, mal, para baixo, inspirado, satisfeito, entusiasmado, calmo, confuso, pateta, ausente, bem, sarcástico, solitário, forte, preocupado, especial, deprimido, alegre, curioso, por  baixo, bem-vindo, quebrado, lindo, incrível, irritado, estressado, incompleto, hiperativo, maldoso, maravilhado, irado, de saco cheio, intrigado, furioso, revirorado, realizado, surpreso, perplexo, frustrado, indiferente, bonito, melhor, culpado, protegido, livre, perdido, velho, preguiçoso, pior, horrível, confortável, estúpido, envergonhado, terrível, adormecido, vivo, tímido, grosso, esquisito, humano, magoado, muito mal. São 123 imagens para mapear os sentimentos de uma pessoa. Alguns sentimentos são representados por mais de uma imagem. Aqui vem uma pergunta: o que pode fazer um algoritmo com a expressão de sentimentos de uma pessoa, quando estas expressões podem ser matematizadas? 

É para pensar, caro leitor.

Além do mapeamento on-line dos sentimentos das pessoas, uma plataforma digital também pode rastrear as atividades que o cidadão faz: comemorando…, assistindo…, comendo…, bebendo…, participando de…, viajando para…, ouvindo…, procurando…, pensando sobre…, lendo…, jogando…., apoiando…. 

O interessante é que os sentimentos e as atividades das pessoas são capturados, mediante, de certa forma, o consentimento do cidadão. Aqui vem a necessidade de as pessoas conhecerem a própria situação de privacidade e estarem conscientes do nível de invasão de privacidade que as plataformas digitais exercem sobre a sociedade.

Imagine o poder de atuação da publicidade automática, quando o big data da plataforma digital tem registrado o dado “com fome”? Ou a atividade “viajando para…”? São situações que demandam reflexões, mesmo para as pessoas que não se preocupam com a própria proteção de dados e sentem necessidade de se expor.

Voltando aos robôs dos antigos filmes de ficção, tão humanizados e respondendo a tudo que era perguntado, percebo que ainda está longe a situação de esses objetos técnicos estarem conosco nos dias atuais, mas noto o crescimento dos cérebros eletrônicos a nos rastrear e predizer quais serão minhas atitudes e sentimentos futuros. Isto será bom? Será ruim? Não há respostas rápidas e certeiras sobre esse acontecimento, mas precisamos aprender a lidar com essas novas formas de ser e existir humanamente com esses objetos técnicos.

Até a próxima!



Pensar faz bem com Mário Quintana

Pensar faz bem com Mário Quintana
Pensar faz bem com Mário Quintana


Por novas manhãs de setembro

Manhãs de setembro
Manhãs de setembro

Pela extensão da história, Manhãs de setembro daria um bom longa metragem, ainda mais que o cinema brasileiro não tem por tradição construir histórias longas. Já seria um começo. Mas os produtores decidiram por compor uma minissérie, de cinco capítulos, com duração de menos de 40 minutos cada.

O resultado da minissérie é a construção de uma narrativa pela via dos comuns para retratar a história de uma mulher trans, que busca autonomia na vida. Mas quando a tal da autonomia está próxima, um fato inusitado acontece. O argumento é interessante.

Manhãs de setembro traça a jornada de Cassandra, que ao conseguir finalmente ir morar em um apartamento próprio, descobre que tem um filho, fruto de uma relação com uma outra mulher tempos atrás. Aqui começam os dilemas de Cassandra. Como uma pessoa que deseja independência, um filho, na visão da personagem, criaria problemas para realização da tão sonhada autonomia.

Manhã de setembro bem se aproxima da linha construtiva poética de Carlos Drummond de Andrade, pois há um entrelaçamento de histórias, que se combinam e se digladiam construindo uma história maior. Na narrativa há um homem casado que se apaixona por uma mulher trans, mas não consegue viver plenamente o relacionamento, esse homem tem uma filha que está descobrindo outras formas de viver a sexualidade. A mulher trans, Cassandra, teve um relacionamento hétero, ao qual não gosta de lembrar; a ex-mulher da mulher trans sobrevive em estado cotidiano de insegurança social; o filho da mulher trans deseja ter um pai, somente um pai, o filho da mulher trans tem uma amiga esperta que traz na sombra uma história para contar, a mãe da amiga do menino possui segredos sublimados, que o leitor só poderá saber quando assistir à minissérie. A mulher trans tem um amigo que é casado com outro amigo.

A trilha sonora de Manhãs de setembro é muito gostosa de ouvir. O resgate histórico das músicas interpretadas por Vanusa, em que Liniker registra voz, é muito pertinente e se combina com o tipo de narrativa construída.

E assim a história vai se construindo como se fosse um redemoinho, convidando o espectador a entrar na roda e vivenciar e reconhecer outras formas de se viver aqui na terra.

Um ponto de destaque da história é que os criadores não se deixaram levar pelos estereótipos batidos das contações de história sobre a comunidade LGBTQI+ e resgatam os personagem sob múltiplas facetas de representação social, como um gay que adora futebol e uma mulher trans que é motogirl. Ponto para os organizadores.

Até a próxima!

Por fim, é preciso lembrar da atuação da atriz Liniker, que se liberta da representação social de ser só cantora e avança em outros terrenos, demonstrando que aqui na Terra estamos todos para ser Mais, muito Mais, Demais.



***

O que é? Manhãs de setembro {minissérie}
Quem dirigiu? Luis Pinheiro e Dainara Toffoli
Quanto durou? 171 min
Quem são os atores?
  • Cassandra – Liniker
  • Ivaldo – Thomás Aquino
  • Leide – Karine Teles
  • Gersinho – Gustavo Coelho
  • Grazy – Isabela Ordeñes
  • Décio – Paulo Miklos
  • Aristides – Gero Camilo
  • Zaki – Breno Ferreira
  • Irene – Clébia Sousa
Onde assisto? Plataforma Amazon Prime

***

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Poesia da existência e das sensações por que passamos noite a dentro.

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A bola de cristal, a cartomante e a aprendizagem do amanhã

Aprendizagem do amanhã
Aprendizagem do amanhã

Sem uma bola de cristal ou uma cartomante para dizer quem eu sou e o que será do amanhã, penso no tempo presente, em que cinco bilhões de pessoas já tiveram acesso à internet no mundo e no entanto quase três bilhões de pessoas nem sabem o que é isto. Isto é um problema macroestrutural para se começar a pensar na aprendizagem do amanhã.

No âmbito técnico, precisamos refletir sobre a questão das interfaces gráficas, uma invenção humana para facilitar a mediação sociotécnica na cultura digital, que torna mais “amigável” (termo este utilizado pelos arquitetos da informação) os usos dos objetos técnicos.

Com a interface gráfica, a maioria dos humanos tem uma certa facilidade de aprender a lidar com os softwares e hardwares existentes, desde que estejam em ambientes sociotécnicos com estrutura suficiente de usos e acessos.

Há um segundo nível de aprendizagem em ambientes tecnológicos que é construído por meio de linhas e códigos, de criação de imagens técnicas, segundo Vilém Flusser, que não se configura como algo de fácil aprendizagem.

Por exemplo, não é fácil compreender o funcionamento de algoritmos, big data e internet das coisas, como não é fácil detectar e interpretar inteligência artificial, ou mesmo identificar quando estamos nos comunicando com humanos ou não humanos em uma comunicação sociotécnica, bem como não é fácil configurar os objetos técnicos para navegarmos na internet protegendo nossa privacidade.

Segundo a pesquisadora Shoshana Zuboff, existe uma divisão de aprendizagem na sociedade, em que há uma conjuntura histórico-político-econômico-cultural de estabelecimento de quem tem acesso ao conhecimento. Para Zuboff “As perguntas essenciais que nos deparamos a cada instante são: Quem sabe? Quem decide? Quem decide quem decide?” (ZUBOFF, 2020, p. 215). São perguntas essenciais que precisamos fazer quando pensamos sobre a aprendizagem do amanhã.

Será um desafio para aprendizagem do amanhã pesquisar as interações humanos-não humanos, sem a intermediação de outros humanos nas interações educacionais, uma vez que já estivemos envolvidos em dois discursos pedagógicos que voltaram com muita força nesta segunda década do nosso século. O primeiro é o discurso de viés Liberalista, em que basta dar condições mínimas que as pessoas aprendam livremente. Aqui pode ser até aquele cidadão cheio de boas intenções do outro lado da tela, mas sem conhecimentos pedagógicos suficientes, para sustentar um processo de educação que precisa ser permanente e necessita também dos espaços formais da escola para se realizar; o segundo discurso é o Tecnicista, em que basta uma boa estrutura tecnológica montada que a aprendizagem será facilitada. Ambos deixam em plano secundário a participação de educadores humanos no processo educacional. Aqui eu pergunto: já podemos dispensar a presença de educadores nas relações educacionais, no âmbito do ensino, e nos dedicarmos somente a processos de aprendizagem automatizada?

As pessoas têm mais facilidade mesmo de aprender a lidar com as tecnologias devido a processos de usabilidade e interfaces gráficas mais funcionais, que foram criados a partir de dados comportamentais dos humanos. Então temos de aproveitar mesmo essas dimensões facilitadoras de interfaces com a técnica, mas precisamos saber que existe uma macroestrutura sociocultural, que não age somente cerceando o acesso ao capital, mas interfere sobremaneira na forma como aprendemos a lidar com a técnica.

E assim voltamos às provocações do início deste texto: podemos desvendar o futuro da aprendizagem por meio de uma bola de cristal? Creio que a bola de cristal pode refletir uma realidade um tanto distante do real. Precisamos genuinamente criar aproximações com o real diretamente no contexto desse real. E a cartomante? Ah, isto é coisa para os contos de Machado de Assis.

Leia+

  • A cartomante, de Machado de Assis
  • A era do capitalismo de vigilância – a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder, de Shoshana Zuboff, editora Intrínseca, 2020
  • O universo da imagens técnicas – elogio da superficialidade, de Vilém Flusser, editora Annablume, 2008
  • Filosofia da caixa preta – ensaios para uma filosofia da fotografia, de Vilém Flusser, editora É Realizações, 2018

Até a próxima!



Pensar faz bem com Richard Wurman

Pensar faz bem com Richard Wurman
Pensar faz bem com Richard Wurman


Dois Estranhos

Dois Estranhos
Dois Estranhos

Dois Estranhos é um curta metragem antenado com os acontecimentos dos nossos tempos de convivência cotidiana em forma de apartheid ao qual somos obrigados a experimentar a todo momento de nossa existência neste terceiro milênio.
O filme consegue articular a questão social do preconceito e do racismo, junto com todas as consequências que essa situação possa trazer.
Em uma produção artística refinada, a narrativa utiliza o recurso da repetição para suscitar no
no espectador as diversas formas de relacionamentos entre os negros e os brancos neste planeta chamado Terra. E se olharmos lá de cima, a terra talvez não se pareça com o desejo de paraíso aventado nos textos sagrados, quando o assunto for relações interétnicas.
Na história um homem negro que trabalha e tem uma vida organizada para os padrões civilizatórios de nossa Era se ver ultrajado dos próprios direitos de ser humano o tempo todo, todo dia, a cada segundo e em todo lugar.
A perseguição social (poderia ser: em vez de social, policial, mas o policial da história é o pano de fundo para demostrar como a herança dos capitães do mato ainda se encontra impregnada nos aparatos de segurança dos Estados) ocorre em diversos níveis, o que acarreta para os personagens dilemas sociais, psíquicos, corporais e culturais ímpares.
Dois Estranhos conta a história de culturas que se encontram, se conhecem, mas que vivem em eterno estranhamento, sob medo, insegurança e preconceitos. Nas lentes do filme o espectador pode pensar, especular, inferir e sentir as diversas intempéries pelas quais um cidadão negro tem de passar quando se defronta com o poder estabelecido, o poder que se exerce pelo olhar desconfiado, pelas deduções impensadas e pelos crimes sociais tão comuns publicados nos noticiários, mesmo com os reclames que são feitos contra este mundo tão desigual.
De onde saíram tantas divagações em um filme que relata as várias histórias em um dia na vida de um homem negro que precisa sair todo dia para trabalhar? Isto só vendo o filme. E é nessa reflexão em torno do mito da repetição, que me lembra Sísifo, que meia hora de cinema em casa me fez pensar tanto.
Para o espectador não achar que o filme é só ficção, olhe a lista de encontros estranhos a gente pode se deparar por aí:


Encontros estranhos relatados em Dois Estranhos:

  • Eric Gardner só tinha separado uma briga
  • Michele Cusseaux estava trocando a fechadura da porta
  • Tanisha Anderson estava tendo uma crise psiquiátrica
  • Tamir Rice estava brincando no parque
  • Natasha Mckenna estava tendo um ataque de esquizofrenia

Você saberá dos demais encontros quando assistir ao filme

Até a próxima!


Sobre a obra

Que é isto? Dois estranhos {curta metragem}
De quando é? 2021
Quanto tempo? 32 min
Quem atuou? Joey Bada$$, Andrew Howard e Zaria
Quem dirigiu? Tracon Free e Martin Desmond Roe
Onde encontro? Netflix

Faxina Eletrônica

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Uma entrevista com Chimamanga

Uma entrevista com Chimamanga
Uma entrevista com Chimamanga

Conheci Chimamanda Ngozi Adichie entre 2014 e 2015, quando participava da organização de um curso para formação de educadores corporativos. Uma colega nos apresentou o vídeo no Ted Talks Os perigos de uma história única e começamos a pensar como trazer aquela discussão para dentro do ambiente empresarial. Os momentos de discussão do vídeo eram maravilhosos e cada vez que eu assistia ao vídeo mais eu aprendia sobre diversidade com Chimamanda.
Para minha grata surpresa fiquei sabendo da entrevista que Chimamanda concederia ao programa Roda Viva. Fiquei curioso para ouvir mais reflexões da escritora.
Chimamanda é uma narradora ímpar. Ela recupera a tradição da contação de história da cultura africana, mostrando a força que a oralidade tem para mobilizar o imaginário das pessoas. Ela também escreve ensaios sobre feminismo e faz literatura compartilhando as nuances da cultura de origem africana para o mundo.
Nascida na Nigéria, mudou-se para os Estados Unidos, onde atualmente trabalha com atividades de escrita e apresentações que discutem questões sociais do nosso tempo.
A entrevista no Roda Vida foi construída em uma roda de conversa on-line. A entrevista se desenrolou em um bate-papo leve, tranquilo e alegre, em um grupo de mulheres preocupadas em recuperar questões sociais tão vitais para a luta das mulheres por um mundo mais igualitário quanto à política de gênero e, ao mesmo tempo, confabulando sobre a formação do ser mulher que não pode se submeter a puro ativismo, mas viver-se mulher plenamente. A conversa se expandiram para assuntos como o da moda, o posicionamento dos homens negros quanto às discriminações contra o feminino, questão da maternidade: um cesto de diversidade.
Chinamanda não fugiu das perguntas mais delicadas, mas, ao mesmo tempo, fez questão de mostrar-se como ser humano, sujeito a erros e equívocos, mas como pessoa imbuída de lutar contra as desigualdades.
Houve momentos que lembrei de Milton Santos, quando o intelectual não se deixava se submeter a determinados pontos de bolhas, próprios dos grupos, e reafirmava a própria identidade intelectual. Chimamanda tem pensamento próprio e não se deixa levar pelos arroubos das filiações grupais, que às vezes nos impedem de ser nós próprios como pensadores.
As entrevistadoras estavam encantadas pelo fluxo ao qual a entrevista estava envolta, mas isto não retirou da conversa o caráter criativo e de aprendizagem próprio de um bate-papo formado por mulheres intelectuais como fora o contexto da entrevista.
Vamos parar por aqui. O internauta que vá a entrevista e volte para discutir outras questões ocorridas no bate-papo por aqui.
Até a próxima!

Algumas ideias de Chimamanga

“Primeiro Momento – Eu decidi para de me esconder, porque, na verdade, quando comecei a escrever, eu fingia não me interessar por moda ou maquiagem, porque queria ser vista como uma pessoa muito séria, e isso é verdade nos EUA: muitas vezes uma mulher, para ser levada a sério, não pode ser muito como lguém que se importa com a própria aparência. Mas eu venho de uma cultura, aqui na Nigéria, onde você precisa cuidar da aparência, e tendo sido criada por minha mãe, Grace Archie, era melhor eu cuidar mesmo.
Na verdade, penso nisso como ser quem sou. Quero que me permitam ser todas as coisas que sou, e ao ser todas essas coisas, não quero que uma delas seja usada de alguma forma como motivo para questionar minha inteligência ou minha capacidade, entende?
Eu me interesso genuinamente por moda, gosto genuinamente de maquiagem, gosto genuinamente de História, gosto genuinamente de arte, amo profundamente a literatura, me interesso muito e sou apaixonada por feminismo e política. Todas essas coisas me compõem, e não quero negar nenhuma parte de mim.”

Segundo Momento – “Porque é de se imagina, se você sofre um tipo de preconceito, isso deixa você mais compreensivo com outros tipos de preconceito. Só que descobri que não é nada disso.”


.coresvivas {color: Blue;} Dados do Evento
O que foi?
. Entrevista Roda Viva com Chimamanda Ngozi Adichie
Quem estava lá?
. Chimamanda (entrevistada)
. Vera Magalhães (coordenadora da entrevista)
Entrevistadoras
. Carla Kotirene
. Djamila Ribeiro
. Marcela Franco
. Carol Pires
. Adriana Ferreira Silva
Quando foi?
. 14 de junho de 2021
Onde posso assistir?

Pensar faz bem com Richard Wurman

Pensar faz bem com Richard Wurman
Pensar faz bem com Richard Wurman


Encerramento reflexivo em Polêmicas Contemporâneas

Qual a nossa resposta a essa tristeza toda?
Qual a nossa resposta a essa tristeza toda?

Resistência, fé, esperança e amor foram algumas das ideias trazidas pelos estudantes da disciplina e da extensão Polêmicas Contemporâneas no encerramento do semestre 2021.1 no dia 7 de junho de 2021.

O Polêmicas é uma realização da Faculdade de Educação da  Universidade Federal da Bahia (UFBA) e no semestre 2021.1 contou com a parceria da Universidade Federal de Sergipe (UFS).

Polêmicas Contemporâneas é um componente curricular oferecido pelo Departamento 2 da Faculdade de Educação para todos os cursos da UFBA desde o início da década de 2000.

Para o primeiro semestre de 2021.1, Polêmicas foi oferecido em forma de disciplina pela UFBA e em forma de extensão pela UFS. A organização de Polêmicas é feita pelo GEC (Grupo Pesquisa em Educação, Comunicação e Tecnologias). A coordenação dos eventos foi feita pelos educadores Nelson Pretto, pela UFBA, e Sule Sampaio, pela UFS, com a ajuda dos estudantes de graduação e pós-graduação da UFBA.

Polêmicas busca participar da formação cidadã dos estudantes e discutir temas relacionados a problemas atuais pelos quais a sociedade brasileira esteja passando.

O encerramento de Polêmicas contou com a presença de uma diversidade de representantes da sociedade brasileira, trazendo reflexões inerentes ao contexto pelos quais passamos na pandemia do coronavírus.

A partir da pergunta “Qual a nossa resposta a essa tristeza?”, os estudantes puderam pensar sobre as questões sociais de nosso tempo, tendo a arte como um dos alicerces.

Polêmicas é uma forma de juntar no mesmo espaço integrantes de diversas áreas do saber como artistas, intelectuais, educadores, estudantes, trabalhadores, representantes do Estado e demais segmentos da sociedade.

A atividade acadêmica prioriza a utilização de softwares livres. A plataforma onde os estudantes participam dos fóruns e acessam os recursos educacionais abertos é do Moodle; os áudios são editados no Audacity; as transmissões dos debates foram realizadas na plataforma MCONF, uma solução tecnológica criada em universidade pública; o material de divulgação das atividades foi construído no Inkscape, um esforço conjunto do grupo para dar mais segurança aos dados dos participantes do evento e promover independência quantos aos usos de recursos tecnológicos.

Até a próxima!


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