
Rapidez, com latência próxima de zero, robustez, alta taxa de transmissão, revolução tecnológica, inovação, acesso para todos, confiabilidade de 99,99%: tudo isto são ideias propagadas de forma corrente sobre a quinta geração tecnológica de transmissão de dados, denominada de 5G.
É inegável que a chegada do 5G trará mudanças significativas para a sociedade brasileira, mas quando novas tecnologias aparecem, a impressão é de que em um passe de mágica, transformações disruptivas acontecerão, mas devemos ter cuidado com os excessos de adjetivos positivos, pois tais adjetivações podem produzir discurso único sobre as novidades que chegam e não atendem a toda população.
Quando a tecnologia 4G foi lançada em 2013, foi um alvoroço de publicações louvando a tecnologia e predizendo que o 4G mudaria a cara do Brasil em termos de mediações tecnológicas. Continuamos ainda como um país desigual quanto ao acesso de internet, com muitas regiões do país sem mesmo acesso ao antigo 3G, imagine o 4G.
Segundo a Teleco, a tecnologia 4G ocupa quase 90% das regiões do país, com a Tim atendendo a 88,2% dos municípios do Brasil; a Claro, 79%; a Vivo, 79,5%; a Oi, 72,2%. Pois bem, nove anos depois de a tecnologia ter sido lançada no país, ainda há uma quantidade significativa de municípios com acesso precário à internet ou sem acesso aos recursos de dados e voz proporcionados por essas tecnologias.
É preciso frisar que a distribuição do acesso à internet no Brasil é controlada por três operadoras de telefonia (Tim, Vivo e Claro). Quando uma pessoa precisa se dirigir de uma cidade a outra, precisa verificar se a operadora contratada tem sinal de transmissão na localidade de destino, para não correr o risco de ficar sem acesso à internet. E isto é um problema grave. Na prática, o acesso predominante no país é da tecnologia 3G, que foi implantada no Brasil em 2007 e, segundo a Teleco, funciona em 99,4% dos municípios.
Os percentuais acima parecem bonitos aos olhos dos cidadãos, mas se tornam incompreensíveis quando as pessoas se defrontam com a vida cotidiana. Por exemplo, em algumas localidades periféricas de Salvador, Bahia, uma das maiores capitais do país, os sinais de tecnologias 3G e 4G são precários, ou mesmo inexiste sinal de telefonia celular, deixando a população local isolada das demais comunidades, mesmo morando em regiões potencialmente desenvolvidas. Outra situação típica é quando o cidadão deseja viajar e, a cada local que chega, precisa saber se há sinal de internet. É uma sensação de muito desconforto. O cidadão terá de andar pelo país com três chips de celulares, uma de cada operadora, para ter acesso aos serviços de telefonia e dados?
Enquanto isto, os meios de comunicação propagam o pensamento único sobre o progresso que está chegando ao país, mas que ainda não se tornou acessível à maioria da população.
Até a próxima!
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