
A literatura, para mim, sempre foi uma forma de aprendizagem sobre a língua e sobre o mundo, uma forma de prazer, uma possibilidade de viver uma suprarrealidade, de sonhar… A literatura sempre teve para mim o caráter subversivo: ao falar não somente daquilo que existe, mas também daquilo que poderia existir, mostra-me que a realidade em que vivemos não é única, não é destino, mas é uma entre outras. Essa subversão estende-se sobre a linguagem, sobre a textualização. Para mim, a literatura é alguma coisa indispensável. Poderia parafrasear o poeta Emmanuel Marinho, dizendo: Literatura não compra sapatos. Mas como andar sem literatura?
José Luiz Fiorin, em Minha relação com a literatura, em Literatura e outras linguagens, de Beth Brait, p. 160
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