Este trabalho está sob licença Creative Commons CC BY NC SA 4.0. A licença permite que outras pessoas e instituições remixem, adaptem e criem a partir do próprio trabalho para fins não comerciais, desde que atribuam a este site o devido crédito e que licenciem as novas criações sob termos idênticos ao aqui licenciado.
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Explosões internas em atos que se externalizam no outro, um pêndulo que se movimenta entre a pulsão da vida e a pulsão da morte, um momento em que perdemos o controle para o bem ou para o mal.
Quem sou eu?
Quando será que me conhecerei o suficiente?
Quem é você? O quão surpreendente pode ser o outro!
Será eu mesmo aqui, agora?
Estas são perguntas basilares que muita gente faz ao se deparar com um arroubo emocional, quando se percebe em um redemoinho de emoções, sendo levado por caminhos desconhecidos ou quando o barco em alto-mar nos sinaliza o caminho para o naufrágio ou o êxtase.
Escrever sobre emoções não é fácil, parece ser algo infinito no ser humano, quanto mais a pessoa vive mais passa por momentos emocionais e mais o desconhecido se apresenta.
E narrar algumas peripécias das emoções foi o desafio para nove diretores indianos, que se puseram a contar histórias deliciosas de se assistir, com o jeito que só a cultura milenar dos indianos poderia nos proporcionar.
É o que acontece com a série Nove histórias – nove emoções, que contam histórias a partir de elementos cotidianos da cultura clássica e moderna cultura daquele país distante de nós geograficamente, mas tão próximo no que diz respeito ao processo de contar histórias,
Nas narrativas da série há um desfile de compaixão, alegria, encanto, repugnância, paz, ódio e medo que invadem os corações do espectador e convidam todos para um mergulho no desconhecido.
Confesso, participei de cada emoção trazida nas histórias e me projetei nas vivências experimentadas pelos personagens. Houve momentos em que tive vontade de chorar, houve momentos em que não parava de rir, houve momentos em que me vi, comigo e com os outros, em uma situação emocional.
Além das belas histórias narradas na série, o espectador tem a oportunidade de conhecer um pouco da riqueza musical daquele país, bem como se deslumbrar com as peças coloridas ilustrativas das vestimentas indianas e ainda descobrir singularidades na comida produzida por aquela cultura.
Nos últimos tempos, tenho aproveitado os momentos na televisão paga para conhecer culturas fora do eixo europeu e norte-americano, o que tem me proporcionado aprender sobre dinâmicas de civilizações como Índia, Israel, Palestina, China, Japão, Austrália, o que tem me trazido uma fonte imensa de aprendizagem. Fica a dica para quem deseja conhecer outros modos de produzir narrativas audiovisuais.
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No próximo dia 31 de agosto de 2021, Raymond Williams (1921-1988) completaria 100 anos de vida. Williams foi um pensador de origem Galesa que se debruçou sobre a questão da cultura a partir de uma perspectiva marxiana. Na verdade Raymond Williams trouxe novos ares à pensamento marxiano de olhar a realidade e inseriu componentes próprios quanto ao entendimento do cotidiano.
Raymond Williams tem uma escrita densa, que não é fácil para o leitor se aproximar no primeiro momento, mas quanto mais a pessoa vai imergindo na obra do pensador, mais vai se envolvendo com o estilo de criação de Williams que produz uma escrita interseccionada entre a história de vida e contexto histórico em que viveu e isto exige uma leitura um tanto vagarosa, de reflexão continuada, aquela leitura do respirar concentrado, para entendimento do processo de tomada de consciência do autor e da luta que surgiu a partir daí por meio da escrita.
No processo de escrita, Raymond Williams revela um compromisso político imbricado com uma competência técnica em estudar as questões sociais. Ele atravessa a realidade pelos olhares da comunicação, sociologia, política, técnica e das artes, enfim: um pensador crítico da cultura.
As contribuições de Raymond Williams para o pensamento do século XX foi imensa. Ele foi um dos arquitetos ao que seria chamado anos depois de Estudos Culturais e elaborou um construto teórico o qual ele denominou de Materialismo Cultural, uma abordagem epistemológica de estudar as coisas do cotidiano em relação aos aspectos histórico-sociais.
Desta forma, Williams dissertou sobre ficção científica com a mesma facilidade que analisou o processo de greve de trabalhadores; analisou a literatura com a mesma desenvoltura que estudou as interlocuções entre o campo e a cidade.
No âmbito da comunicação, ele também escreveu sobre a TV e interagiu cotidianamente com esse meio técnico para descortinar as formas como o cidadão recepcionava os meios de comunicação de massa.
Williams tinha preocupações com uma possível visão determinista a que estamos sujeitos, ao endeusar ou demonizar os meios técnicos, e buscou garantir análises que não se levassem por arroubos emocionais, que poderiam afastar o pesquisador do objeto técnico em análise.
O pensador Galês foi um dos pioneiros em analisar os meios de comunicação como meios de expressão e de recepção, ou seja, há embates na construção comunicativa entre quem produz e quem consome informação.
Por último, Raymond Williams trabalhou com educação de adultos, pois se preocupava com a formação do cidadão comum, dos trabalhadores e dos homens do campo. Williams está na categoria de um estudioso multi, pluri e transdisciplinar.
Para quem se interessar em conhecer mais o pensamento de Raymond Williams, listamos o conjunto bibliográfico abaixo para atiçar a curiosidade do leitor.
Até a próxima!
***
Alguns textos de Raymond Williams:
Cultura e materialismo. São Paulo, SP: Unesp, 2011
Palavras-chave – um vocabulário de cultura e sociedade. São Paulo, SP: Boitempo, 2007
Televisão – tecnologia e forma cultural. São Paulo, SP: Boitempo, 2016
The analysis of culture. In: The long revolution. Inglaterra: Parthian, 2013
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Às vezes a gente fica cansado de buscar algo interessante nas plataformas de vídeos alugados na internet. Elas acionam algoritmos que nos acompanham o tempo todo, sugerindo o que devemos assistir e ainda criam filtros e filtros de recomendação, impedindo o acesso a todos os filmes, séries e documentários disponíveis.
Algumas vezes os algoritmos acertam e nos oferecem um vídeo interessante de assistir. Foi o caso da série Elas no singular, que traz oito minidocumentários sobre escritoras da literatura brasileira.
Elas no singular traz uma pluralidade de vozes femininas falando do próprio processo de escrita e do longo caminho que percorreram na mundo da escrita dentro da cultura brasileira
A primeira narrativa foi sobre Conceição Evaristo, escritora negra que abre o século XXI da literatura brasileira como voz insurgente e insubmissa, que se inscreve em um processo de criação literária de “escrevivência”, uma escritura social atravessada de arte e de resgate da relação vital com a ancestralidade.
Hilda Hilst traz para o público a literatura liberta de preconceitos e não tem medo de expressar a obscenidade própria do ser humano. A escritora professa uma preocupação em escrever em transcendência com o outro e não se furta de olhar para a morte como preocupação existencial.
Raquel de Queiroz remonta a uma trajetória de vivência com a seca e com as coisas da nordestinidade. Ela é múltipla: feminina, futebolista, bailarina, jornalista, tradutora e política. Tudo em uma mulher poética e vibrante.
Deixarei que ela mesma se expresse aqui para o leitor entender a multiplicidade e a grandeza dessa escritora: “Saí na frente, num trote largo. Só mais adiante, segurei as rédeas, diminuí o passo do cavalo, para os homens poderem me acompanhar”. Memorial de Maria Moura.
Já Adélia Prado se reveste de luz e se espelha pelo sol. A escrita de Adélia trilha os caminhos dos cotidianos, da vida dos comuns. Ela também traz a pulsação da morte como preocupação de existência. Adélia é energia e vitalidade expressa nas escritas sobre a morte, Deus e o sexo.
Cora Coralina revela os óbices encontrados por uma mulher do interior que buscou ser mulher pensante e criadora. Ela própria diz-se “entre pedra e flores”, como neste fragmento que registramos aqui para o leitor: “Meus caminhos não foram de flores não. Meus caminhos foram de pedras. Não é à toa que nasci numa cidade de pedras.” Sem mais o que dizer.
Nélida Piñon tem uma fala rápida e dilacerante, abriu caminhos, criou fábulas de memórias e atravessou os muros da Academia Brasileira de Letras sem medo das pedras que estavam no caminho.
Lygia Fagundes Telles é uma pensadora simbólico-narrativa, que fala do mundo tentando dizer algo de si e produziu um construto literário de estabelecimento de pontes entre a ficção e a realidade. Lygia é uma arqueóloga das palavras, olhando para o outro, olhando para o mundo.
A série termina com Clarice Lispector e traz leituras dos textos sensíveis e as divagações da autora tentando mostrar o quanto ela mesma vivia no lugar comum. Mas o lugar comum nos deixou muitos textos fora do comum.
E foi assim que a série terminou: nos aproximando mais da literatura e do feminino. Os organizadores estão nos devendo uma continuação com as escritoras que despontam neste início de milênio e que trazem preocupações próprias dos tempos em que vivemos, como libertação coletiva das mulheres, questões de diversidade de gênero, etnias e muito mais do que pode a mulher que produz literatura no Brasil.
Até a próxima!
*** O que é? Elas no singular {minissérie} Quando foi? 2018 Quem dirigiu? Fabrizia Pinto
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O primeiro contato que tive com o pensamento de Edgar Morin foi em um curso de formação de educadores corporativos em 2001. No final do evento ganhei o livro Os sete saberes necessários à educação do futuro. Devorei o livro e comecei a utilizá-lo nas práticas de formação de alfabetizadores de adultos. As ideias do autor contidas no livro eram consonantes, achava eu, com o processo de formação de educadores que iriam trabalhar com alfabetização de adultos e em empresas também.
Anos mais tarde, em outro encontro de formação de educadores corporativos, tive a surpresa de constatar que daquele momento em diante, a ideia de complexidade defendida por Edgar Morin iria ser o alicerce para a formação de novos educadores no âmbito de empresas de forma mais abrangente.
Lembro que exerci um papel crítico sobre a situação, pois achava pertinente a aproximação com o pensamento de Morin na educação em empresas, mas ao mesmo tempo me preocupava o uso quase exclusivo dos referenciais do pensador francês na organização filosófica do curso de formação, que estava em processo de adaptação. Este foi um movimento de reaprendizagem do papel de Edgar Morin para os estudos das humanidades. Era necessário aquele estranhamento para que eu pudesse adentrar no jeito de fazer filosofia de Morin. A crítica que formulei era sobre o porquê de estudiosos brasileiros em educação de adultos não fazerem parte da matriz curricular do curso ou ficarem em posição marginal nas discussões sobre educação de adultos.
Neste intervalo de tempo já são 20 anos de trabalho em educação sob o intricado movimento de aprendizagem com Edgar Morin e acho que a crítica que fiz no curso de formação foi vital para meu amadurecimento como educador de jovens e adultos.
Em 2021 Edgar Morin completa 100 anos de vida. Vi diversos movimentos de referência ao trabalho do filósofo francês. A cada publicação, eu tinha vontade de voltar a algum texto do autor e repensar a educação. Foi neste movimento de saudosismo que vi na sala o livro A cabeça bem-feita – repensar a reforma – repensar o pensamento sobre em uma pequena estante da sala.
A cabeça bem-feita é um livro-síntese sobre educação e vida, com pequenos ensaios muito bem interligados quanto à ideia de aprendizagem para as relações e para a convivência. A compreensão de mundo de Edgar Morin é atravessada por atos humanos que viajam entre o local e o global, entre o contexto e a teoria, no todo e nas partes em movimentos incessantes para a compreensão da educação como ato primordial da vida. A educação assim, se converte em movimento que vai ao encontro da incerteza, que se conjuga em processos que vão além das circunstâncias das disciplinas e vai em direção às dinâmicas inter, da poli e da multidisciplinaridade.
A cabeça pensante (ou a cabeça bem-feita, conforme denominação de Morin) é a construção de uma caminhada rumo à cidadania planetária: eu sou da comunidade e eu sou do mundo. A cabeça pensante é um exercício de cidadania, um educar-se nas contradições, na incerteza e na incompletude, é uma construção permanente de humanidade.
Existe nisto uma vivência que não tem preço: um contínuo diálogo que é necessário para a gente aprender, e aprender com Edgar Morin também é um convite para a gente duvidar e aprender a crescer, criticar, enfim se desenvolver em um eterno reflorescimento.
E foi assim que vivi alguns bons momentos de releitura de A cabeça bem-feita rumo a novos estranhamentos e novas aprendizagens.
No dia 15 de julho de 2021 publiquei no espaço Lugar de Fala da revista Cult um artigo de opinião denominado Memórias de um estudante brasileiro de periferia. Trata-se de um texto que narra a trajetória individual de meninos e meninas de periferia que desejam estudar, mas se deparam com os obstáculos das desigualdades sociais, obstáculos esses que dificultam o acesso da população mais pobre do Brasil ao direito básico de educação.
Dias depois da criação do artigo de opinião me deparei com o ensaio A ideia de uma cultura comum, de Raymond Williams, do livro Recursos da esperança, p. 49-57. O ensaio é de 1968 e traz uma análise de Williams sobre as interseções entre as questões por que passam os indivíduos em relação às questões por que passam as coletividades.
Confesso que fiquei muito satisfeito ao ler o texto de Raymond Williams e perceber as proximidades com o artigo que foi publicado na revista Cult.
Para incentivar as leituras do artigo de opinião e do ensaio, trago abaixo dois fragmentos, um de cada texto, para o leitor construir as próprias reflexões.
Trecho do texto de Raymond Williams retirado do artigo A ideia de uma cultura comum:
Cultura foi a maneira pela qual se revelaram o processo da educação, a experiência da literatura e – para alguém que se transferiu de uma família de classe trabalhadora para o ensino superior – a desigualdade. Tudo o que outras pessoas, em situações diferentes, podem sentir mais objetivamente como desigualdade econômica ou política, em meu itinerário pessoal foi principalmente ressentido como uma desigualdade de cultura: uma desigualdade que também era, em sentido óbvio, uma não comunidade. A meu ver é o modo mais pertinente de continuar o debate sobre cultura, porque em toda parte, mas muito especificamente na Inglaterra, a cultura é a maneira pela qual se revela a classe, o fato de existir grandes divisões entre os homens.
Raymond Williams, em Recursos da esperança, p. 49.
Trecho do artigo de opinião Memórias de um estudante brasileiro de periferia
É necessário reconhecer essa imbricação entre o individual e o histórico para que a gente aprenda a perder a vergonha e passe a contar a própria história, uma vez que os problemas de vulnerabilidade social pelos quais os cidadãos vivenciam no intrapsíquico são fruto de processos sociais de pobreza criados em sociedades desiguais, como é o caso da sociedade brasileira.
Cleonilton Souza, Seção Lugar de Fala da revista Cult.
O algoritmo do Facebook não descansa e está sempre me sugerindo o desafio de escrever sobre mim na mídia social. Quando entro na plataforma me deparo com a famosa pergunta: “O que você está pensando?”. Ele quer conhecer o mais profundo do meu íntimo, aquelas coisas que até bem pouco tempo eu só confiava a mim mesmo.
Engraçado como a gente acaba sendo direcionado e escreve para o infinito, ou seja, para pessoas que talvez nunca venhamos a conhecer, motivado pela sugestão de um código computacional. Eles querem saber o que estou pensando e sentindo.
Mas hoje eu vou ceder ao pedido do cérebro digital e compartilhar sobre o que estou lendo, ainda mais que as coisas que a gente lê têm, de certa forma, um pouco do nosso íntimo, da forma como pensamos sobre o mundo.
Vamos lá!
Vou partilhar a leitura entrecruzada de dois livros díspares: o primeiro é Pós-história – vinte instantâneos e um modo de usar, de Vilém Flusser, e o segundo é Recursos da esperança, de Raymond Williams.
Pós-história traz ensaios de Flusser sobre a era da existência humana na pós-escrita, em que viveremos mediados de tecnoimagens. Ler Flusser é como fazer mergulhos constantes em águas profundas. A gente tem de emergir para poder respirar, pois o texto é rápido, ligeiro e certeiro, o que nos deixa um pouco desnorteados. Flusser escreve do passado, do presente e do futuro de maneira bem articulada, convidando o leitor para a reflexão contínua. Flusser é um arauto para o novo. Os ensaios Nossa comunicação (p. 71-79) e Nossas imagens (p. 114-120) nos tiram do chão e convidam a repensar ideias sobre a cultura da técnica.
Já Raymond Williams constrói um estilo de navegação pelo mar inteiro, o que demanda tempo de preparação de repertório para organizar a viagem. Comecei a leitura de Williams com os livros Televisão e Cultura e Materialismo. Foram leituras acadêmicas por causa da pesquisa que venho desenvolvendo na pós-graduação, mas gosto mesmo é de fazer leituras prazerosas e resolvi me aprofundar na concepção filosófica do autor. Foi quando surgiu a ideia de ler Recursos da esperança. Olha, nestes tempos de tanta desesperança em que vivemos no Brasil, o livro é um estimulante para que aprendamos a lidar melhor com a realidade tão dura ao qual estamos passando nesta década de 2020.
A concepção de comunicação e cultura em Williams é muito vigorosa, o que torna a leitura muito atraente. O livro é constituído de ensaios, com uma entrevista no final da obra.
Ler em conjunto Vilém Flusser e Raymond Williams é um exercício emocional e intelectual desafiador, ainda mais pelas circunstâncias de os dois escreverem em estilos diferentes e abordarem sob óticas diferentes a realidade social, o que vale a pena como aprendizagem.
Notaram que comecei reclamando do direcionamento criado pelo algoritmo do Facebook, que fica de maneira intermitente a nos perguntar o que estamos pensando e acabei por ceder aos desejos (desejos?) do código e compartilhei um pouco da minha intimidade?
A lição retirada da experiência com o algoritmo sinaliza que é preciso ficar atento às indagações dos códigos e, ao mesmo tempo, aproveitar o que de melhor possa surgir de uma recomendação algorítmica: o importante é pensar e sentir sempre.
Enquanto isto, continuo a leitura das duas obras em uma leitura prazerosa.
Até a próxima!
Conheça+ sobre Williams e Flusser:
O homem está no mundo ao vivenciá-lo, avaliá-lo e conhecê-lo. Só pode conhecer o que vivencia e avalia. Ciência que não admite isto, que não admite suas dimensões estéticas e políticas, é ciência desumana. Somente depois de ter assumido tais responsabilidades, pode a ciência começar a elaborar teorias do conhecimento.
Vilém Flusser, em Pós-história – vinte instantâneos e um modo de usar, p. 70
É preciso repelir a ideia de que comunicação seja a função de uma minoria que comanda, instrui e dirige a maioria. É preciso finalmente recuperar a falsa ideologia da comunicação, tal como a recebemos: a ideologia de pessoas que estão interessadas em comunicações apenas para controlar o povo ou para ganhar dinheiro.
Raymond Williams, em Recursos da esperança, p. 44
Leia+:
Flusser, Vilém. Pós-história – vinte instantâneos e um modo de usar. São Paulo, SP: editora Annablume, 2011.
Williams, Raymond. Recursos da esperança. São Paulo, SP: editora Unesp, 2014.