Análise de discurso para todas e todos

Linguistas e-ou não linguistas - eis a questão
Linguistas e-ou não linguistas – eis a questão

Existe uma tendência de ver a teoria e a prática como coisas separadas, principalmente quando a pesquisa tem origem em ciências sociais. Mas teoria e prática precisam andar juntas na jornada de pesquisa, e é isto que argumenta o livro Análise de discurso crítica para linguistas e não linguistas. O livro traz contribuições de pesquisadoras e pesquisadores, que se debruçaram em estudar a praticar a análise crítica de discurso (ADC), ao discutir aspectos da prática de pesquisa em discursos para um público mais abrangente, tendo como eixo o discurso inserido em práticas sociais. Isto em uma linguagem acessível a não-linguistas, sem perder o rigor que toda abordagem metodológica precisa ter. Assim, a obra abre espaço para que pesquisadores de áreas que não sejam da linguagem possam também ter a análise de discurso como alicerce da pesquisa científica.

O livro foi elaborado a partir de duas dimensões: teoria e método. Na primeira parte os autores exploram as bases teóricas da abordagem metodológica e alguns dos conceitos-chave que sustentam a referida teoria. Também há uma contextualização histórica da análise de discurso crítica e uma discussão sobre discurso e prática social.

Já na segunda parte, a do método, os autores abordam as categorias de análise da abordagem, discutem especificidades da análise de discurso crítica no âmbito da análise da mídia e analisam os possíveis entrelaçamentos entre a análise de discurso crítica e a etnografia. No final há um texto bem comentado sobre questões da análise para as práticas do dia a dia para quem tem interesse em trabalhar com análise de discurso crítica.

Os textos são autônomos e podem ser lidos em qualquer ordem, a depender da expectativa e experiência de vida do leitor, mas a autonomia não impede que haja uma conversa entre todos os autores quanto ao tema maior de análise de discurso crítica, o que faz do livro uma leitura agradável, prazerosa mesmo, e de muita aprendizagem.

Vou deixar aqui um aperitivo para quem ainda está em dúvida sobre a leitura do livro:

“A ADC prioriza temas da realidade social que implicam relações de desigualdade, distribuição ou partilha de poder desigual e injusta, opressão, manipulação ou disputa pelo controle da ordem política e econômica em detrimento da sociedade ou de minorias ou segmentos sociais específicos.” André Ricardo Nunes Martins, em Análise de discurso de mídia, p. 167.

Sobre a obra

O que é? Análise de discurso crítica para linguistas e não linguistas
Quem organizou? José Ribamar Lopes Batista Jr., Denise Tamaê Borges Sato e Iran Ferreira de Melo
De qual editora? Parábola
Quem escreveu? André Ricardo Nunes Martins, Décio Bessa, Denise Silva Macedo, Denise Tamaê Borges Sato, Iran Ferreira de Melo, Josenia Antunes Vieira, José Ribamar Lopes Batista Jr., Luciane Cristina Eneas Lira, Paulo Roberto Gonçalves-Segundo, Regysane, Solange de Carvalho Lustosa e Solange Maria de Barros



Creative Commons License
Este trabalho é licenciado sobre Creative Commons

A espera



Ícone EPraxe com barra

Creative Commons License

Este trabalho está sob licença Creative Commons CC BY NC SA 4.0. A licença permite que outras pessoas e instituições remixem, adaptem e criem a partir do próprio trabalho para fins não comerciais, desde que atribuam a este site o devido crédito e que licenciem as novas criações sob termos idênticos ao aqui licenciado.


Uma reinvenção da esperança

Recursos da Esperança
Recursos da Esperança

Recursos da esperança é uma coletânea de ensaios feitos por Raymond Williams, em que o autor olha de forma crítica a cultura, a comunicação e a política.

Raymond Williams foi um intelectual galês, que passou boa parte da vida na Inglaterra e que teve uma produção científica na área social relevante para o que hoje chamamos de Estudos Culturais. Williams concedeu entrevistas, escreveu ficção, fez crítica literária e estabeleceu novas ideias para as discussões em torno dos rumos de uma teoria cultural, que não estava circunscrita à abordagem somente de problemas relacionados à cultura das elites, mas que se debruçava sobre a cultura do cotidiano, dos que estavam na base, em resistência às coerções do dia a dia do donos do poder. Williams foi um dos pensadores que ao analisar a realidade imergia em profundidade nas dinâmicas tanto da superestrutura, quanto da base, pontos fundamentais para entendimento do social.

Na coletânea o leitor se deparará com três ensaios, que se relacionam e dão uma ideia sobre o pensamento de Williams quanto à concepção de teoria cultural. São eles: A cultura é algo comum, Comunicações e comunidade e A ideia de uma cultura comum. Nos textos fica evidente a preocupação do autor em demonstrar como os acontecimentos do cotidiano se entrelaçam com os acontecimentos sociais mais abrangentes dando origem às questões históricas de uma época.

Em outro momento, Williams faz indagações prementes em torno dos inter-relacionamentos entre a teoria e a prática nos textos Por que me manifesto?, Você é marxista, não é?.

O escritor: engajamento e alinhamento e Arte: liberdade como dever são textos provocadores, para desestabilizar o interlocutor, mas, de longe, não se constituem momentos para destruir argumentos alheios, mas sim de construir pontes sobre projetos de vida, de construção de recursos de esperança.

Raymond Williams tem uma preocupação com a base, lugar onde se localizam os que não estão no poder, mas que, nem por isto, simplesmente se subordinam. Ele então tece comentários sobre A importância da comunidade e esmiúça os usos da linguagem, quando esta interfere nas dinâmicas do poder, em Garimpando o significado: palavras-chave na greve dos mineiros. É preciso muito fôlego para ler Raymond Williams.

E assim os textos vão fluindo em abordagens de assuntos como a da questão do trabalhismo, do desarmamento nuclear, das interlocuções entre o socialismo, a economia, a política e a ecologia, as dimensões do campo e da cidade; a possibilidade da existência dos múltiplos socialismos, do descentralismo na gestão pública, da autogestão nas diversas instâncias públicas até chegar a uma ideia de planejamento socialista.

No final do livro há uma entrevista concedida a Terry Eagleton, que foi aluno de Williams, intitulada A prática da possibilidade, um bate-papo aberto, pensando o passado, o presente e se preparando para o futuro.

O título do livro foi inspirado em um termo de uso recorrente de Raymond Williams: “Resources for a journey of hope”. Para um começo de ano como o de 2022, a leitura de Williams é mais que necessária. Que tal pensar um futuro diferente, com base em uma teoria, baseada no propósito de construção de uma vida alicerçada em Esperança?

Até a próxima!


Sobre a obra

O que é? Recursos da esperança – cultura, democracia e socialismo {livro impresso}
Quem escreveu? Raymond Williams
Quem foi o editor? Robin Gable
De que editora? Unesp
Quem traduziu? Nair Fonseca e João Alexandre Peschanski



Creative Commons License
Este trabalho é licenciado sobre Creative Commons

Pensar faz bem com Clarice Lispector III

Pensar faz bem com Clarice Lispector
Pensar faz bem com Clarice Lispector


Creative Commons License
Este trabalho está sob licença Creative Commons CC BY NC SA 4.0. A licença permite que outras pessoas e instituições remixem, adaptem e criem a partir do próprio trabalho para fins não comerciais, desde que atribuam a este site o devido crédito e que licenciem as novas criações sob termos idênticos ao aqui licenciado.


Retrospectiva 2021 – uma viagem pela leitura

Retrospectiva de leitura em 2021
Retrospectiva de leitura em 2021

Que tal rever o ano de 2021 em termos de leitura? Vamos lá!

  • Olhos D’Água, Conceição Evaristo: quando o mágico puxa nossos pés para o real
  • Vilém Flusser, uma introdução, de Gustavo Bernardo, Anke Finger e Rainer Guldin: fiquei impressionado com o texto de Anke Finger sobre Vilém Flusser e os estudos culturais
  • Gestos, Vilém Flusser: descobri novas questões a respeito de algo tão humano quanto são os gestos
  • O mundo dado, cinco breves lições de filosofia digital, de Cosimo Accoto: ah, esse digital rondando a nossa vida
  • Discurso e mudança social, de Norman Fairclough: aprender mais sobre os discursos e pensar maneiras de intervir na realidade
  • A era do capitalismo de vigilância, a luta por um futuro humano na nova fronteira do poder, de Shoshana Zuboff: muito fôlego para tentar entender o mundo em que vivemos
  • Cultura da interface, de Steven Johnson: o que as interações mediadas por objetos técnicos tem a nos ensinar?
  • As teorias da cibercultura, perspectivas, questões e autores, de Francisco Rüdiger: ainda temos de aprender sobre a vida no digital
  • Big tech, a ascensão dos dados e a morte da política, de Evgeny Morozov: não sejamos ingênuos: é preciso lutar e se pronunciar no mundo da cultura digital
  • Políticas da imagem, vigilância e resistência na dadosfera: cuidado com as mil imagens!
  • Tecnodiversidade, de Yuk Hui: vivam as gambiarras e cresçam novas formas de saber sobre a técnica
  • Algoritmos de destruição em massa, como o big data aumenta a desigualdade e ameaça a democracia, de Cathy O’Neil: guiados, teleguiados ou inconformados: eis a questão!
  • A cidadania digital, a crise da ideia ocidental de democracia e a participação nas redes digitais, de Massimo Di Felice: teremos de reinventar a democracia?
  • Pós-história, vinte instantâneos e um modo de usar, de Vilém Flusser: em que mundo estamos?
  • Análise de discurso crítica para linguistas e não linguistas, de José Ribamar Lopes Batista Jr, Denise Tamaê Borges Sato e Iran Ferreira de Melo (organizadores): é possível dissociar o discurso do social?
  • Recursos da Esperança, de Raymond Williams: vivemos sem esperança? Construiremos a esperança de cada dia?

E aí, leitor? Como foi o ano de leitura para você?

Até a próxima!


Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 

Contatos

E-mail✉ Orcid ✅ Lattes ⏹ Instagram 😀 Spotify 💽

A chuva



Ícone EPraxe com barra

Creative Commons License

Este trabalho está sob licença Creative Commons CC BY NC SA 4.0. A licença permite que outras pessoas e instituições remixem, adaptem e criem a partir do próprio trabalho para fins não comerciais, desde que atribuam a este site o devido crédito e que licenciem as novas criações sob termos idênticos ao aqui licenciado.


Pandemia, afetos e toques

Pandemia, afetos e toques
Pandemia, afetos e toques

Gente, o texto desta semana foi escrito com mais perguntas do que afirmações. É um texto de incômodo mesmo, pois envolve o futuro de todos nós.

Estamos no período de final de campeonatos, e os estádios estão liberados para receber os torcedores. Estes torcedores que estão cansados do processo de isolamento físico imposto pela pandemia do Coronavírus desde o início de 2020, pelo menos aqui no Brasil.

O que esperar de um torcedor que esteja no estádio e presencie um gol, daqueles tão esperados gols do time querido? Os torcedores se abraçam? Se beijam? Gritam alucinadamente?

Que dizer dos pancadões, dos encontros nos bares e dos espetáculos musicais e teatrais? As pessoas ficarão distantes o suficiente para evitar contaminação pelo Coronavírus?

E as crianças nas escolas? Que educação daremos para elas quanto às emoções a serem vivenciadas com os encontros com os outros colegas?

E os adolescentes? Não se abraçarão mais nem se beijarão até terem certeza que o enamorado não está contaminado?

E como serão as relações entre pais e filhos, avós e netos, tios e sobrinhos, e entre irmãos quando se encontrarem? Como deverão se comportar? Como trabalhar tantos sentimentos?

A pandemia é um problema de saúde, de política, de economia, mas também é um problema de sentimentos, que atravessa as emoções das pessoas, e não fomos criados nem mesmo educados para lidar com os sentimentos relacionados à proximidade física e ao toque.

O toque tem peso de ouro na cultura brasileira: as pessoas se aproximam quando estão em fila, elas gostam de dar um toque na outra quando estão conversando, dependendo da região de origem, e esses gestos influenciam demais na forma como vida cotidiana se realiza.

Quantos estranhamentos acontecem quando alguém pede a uma outra pessoa que use máscara ou mantenha uma distância segura nos encontros face a face. Quantos constrangimentos quando alguém resolve não abraçar ou beijar o outro com receio de ser contaminado. Os toques são hoje motivos de afetos e desafetos ao mesmo tempo.

De toda esta situação surgem novas perguntas quanto à convivência nos dias pandêmicos (será que viveremos um período pós-pandêmico?): 

Só podemos ser afetados pelo toque?

Não querer tocar o outro é sinal de desamor?

Os micro-organismos mudarão a cultura humana do toque?

De que formas conviveremos de agora em diante?

E como os enamorados irão se comportar?

Comecei o texto cheio de dúvidas e acho que as carregarei comigo durante um bom tempo.

Observação: optei por escrever a palavra Coronavírus sempre como inicial maiúscula, pois preciso sinalizar para mim o quanto esses entes não humanos orientam a vida aqui na terra. E este processo de conscientização vai demorar muito tempo para amadurecer.

Até a próxima!


Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 

Contatos

E-mail✉ Orcid ✅ Lattes ⏹ Instagram 😀 Spotify 💽

Pensar faz bem com Clarice Lispector II

Pensar faz bem - com Clarice Lispector 2
Pensar faz bem – com Clarice Lispector 2
Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 



Sobre o Congresso de 75 anos da UFBA

Congresso 75 anos UFBA
Congresso 75 anos UFBA

A Universidade Federal da Bahia completou 75 anos de existência em 2021 e para comemorar a Instituição realizou um Congresso 75 anos da UFBA ( on-line) no período de 7 a 11 de dezembro de 2021.

No Congresso houve apresentação de videopôsteres de estudantes dos programas institucionais de bolsas da UFBA, mesas e outras formas de discussão como palestras, debates, entrevistas e depoimentos, além de trabalho com intervenções artísticas.

Participei do Evento com a mes Os bastidores de polêmicas contemporâneas na pandemia – uma experiência de educação on-line, junto com os pesquisadores do Grupo de Pesquisa Educação, Comunicação e Tecnologias (GEC) Anna Izabel, que abordou informações sobre o Polêmicas Contemporâneas durante o período da Pandemia coronavírus; Igor Tairone, que comentou como foi o processo de comunicação educacional mediadas por telas; Lilian Bartira e Sule Sampaio, que conversaram sobre os fóruns educacionais on-line, a comunicação do pessoal do Polêmicas com a sociedade e o processo de avaliação em ambientes digitais. Além dos participantes da Mesa, houve a participação da professora Maria Bonilla e Nelson Pretto, ambos professores da Faculdade de Educação da UFBA e líderes do GEC, por meio de depoimento em formato de vídeo gravado. 

Polêmicas Contemporâneas é um componente curricular da Faculdade de Educação da UFBA, que é ofertado a todos os estudantes, tanto de graduação, quanto de pós-graduação da Instituição, e que nos semestres 2020.2 e 2021.1, por conta da pandemia do Coronavírus, foi oferecido no modo de educação on-line.

A segunda participação foi com o videopôster Conceitos-chave em Vilém Flusser para entendimento dos algoritmos computacionais, sob a orientação do professor Nelson Pretto. Nos quadros abaixo, o leitor terá mais detalhes sobre o evento.

Dados dos Eventos

Mesa de Discussão: Os bastidores de polêmicas contemporâneas na pandemia – uma experiência de educação on-line

Participantes: Cleonilton da Silva Souza, Nelson De Luca Pretto, Joseilda Sampaio de Souza, Lilian Bartira Santos, Igor Tairone Ramos Dos Santos, Anna Izabel Santos Mariano Muniz

Resumo: Polêmicas Contemporâneas é um componente curricular oferecido pelo Departamento II da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia para todos os estudantes da UFBA, em forma de disciplina e evento de extensão. A proposta do Polêmicas é mobilizar os estudantes e demais cidadãos para estudar temas da atualidade que influenciam a vida cotidiana da sociedade brasileira. O componente curricular é organizado pelo GEC – Grupo de Pesquisa Educação, Comunicação e Tecnologias. Com a pandemia do coronavírus – SARS-CoV-2, que surgiu em 2019, e que se espalha de forma invisível, a Faculdade Educação da UFBA ofereceu o Polêmicas Contemporâneas como disciplina e evento de extensão, durante os semestres 2020.2 e 2021.1, no modo de educação on-line, para os estudantes da UFBA e demais pessoas de segmentos diversos da sociedade. Das experiências de aprendizagem vivenciadas com Polêmicas, surgiu a ideia de compor uma mesa de conversa para compartilhamentos de experiências dos estudantes de graduação e pós-graduação da UFBA que participaram da organização do Componente nos semestres 2020.2 e 2021.1, para relatar os desafios e as conquistas ocorridos durante a realização dos eventos.

Videopôster: Conceitos-chave em Vilém Flusser para entendimento dos algoritmos computacionais

Participantes: Nelson De Luca Pretto (orientador) e Cleonilton da Silva Souza (apresentador)

Resumo: O videopôster apresenta reflexão teórica sobre algoritmos computacionais a partir dos conceitos-chave imagem técnica, aparelho, prescrições, decifrações, códigos digitais e transcodificação, por meio do mapeamento bibliográfico das obras de Vilém Flusser, em articulação com os estudos de Ted Striphas (2015) sobre cultura algorítmica e a concepção de Tarleton Gillespie (2018) quanto à relevância dos algoritmos na vida cotidiana. O trabalho teórico faz parte do projeto de pesquisa sobre mediações algorítmicas que está sendo desenvolvido no doutorado em Educação, sob a orientação do professor Nelson de Luca Pretto.

Participar dos dois eventos significou um momento ímpar, de muita aprendizagem. Visite o Congresso para ter mais informações sobre como foi a realização do evento e aproveite para assistir ao Videopôster e à Mesa sobre o Polêmicas.

Até a próxima!


Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 

Contatos

E-mail✉ Orcid ✅ Lattes ⏹ Instagram 😀 Spotify 💽

A cidade do carnaval



Ícone EPraxe com barra

Creative Commons License

Este trabalho está sob licença Creative Commons CC BY NC SA 4.0. A licença permite que outras pessoas e instituições remixem, adaptem e criem a partir do próprio trabalho para fins não comerciais, desde que atribuam a este site o devido crédito e que licenciem as novas criações sob termos idênticos ao aqui licenciado.


Literatura na Aroeira

Biblioteca Aroeira
Biblioteca Aroeira

A Biblioteca Comunitária Espaço Aroeira é um ambiente de incentivo à leitura e aproximação das pessoas.

A biblioteca faz parte do Espaço Aroeira, uma iniciativa que juntou empreendedores preocupados com a integração do humano com o ambiente e o transcendente, ou seja, lá a sustentabilidade é o alicerce para a convivência, e o comércio assume uma identidade mais humanizada.

Fundar e gerenciar uma biblioteca é um desafio para estes tempos febris de textos e vídeos curtos, onde as selfies são mais importantes do que o aqui e o agora face a face.

Mas os organizadores não se inibiram com as dinâmicas da sociabilidade do digital, em ritmo cada vez mais acelerado, e convidaram os leitores (há um leitor em cada um de nós) para viver em outra velocidade, mais lenta e mais curtida.

A Aroeira então invadiu as mídias sociais digitais e o mundo dos likes e das fotos, provocando o povo com textos, cartazes e vídeos sobre o prazeroso mundo da literatura.

A ideia é dialogar com toda a gente e propor desafios de leitura e trocas de experiências leitoras a cada postagem.

Até o início de novembro a página da Biblioteca no Instagram continha 107 publicações, interagia com 207 seguidores e seguia 

140 internautas. Tudo isto no curto espaço de tempo de dois meses, pois a primeira postagem da página foi em setembro de 2021. Haja fôlego para tanta publicação prazerosa sobre leitura, livros e leitores. 

A filosofia da Biblioteca é trocar, pegar, doar, ler e fazer circular livros de literatura.

Todos esses gestos de trocar, pegar, doar, ler e fazer circular dão suporte para os organizadores da Biblioteca formarem o acervo de livros local, repassar livros para escolas públicas, trocar livros nos sebos e provocar os leitores para a desafiante jornada de leitura.

Conversei com Ana Cláudia, uma das organizadoras da Biblioteca Aroeira, e veja o que aconteceu:

***

EPraxe: quem é Ana Claudia?

Ana Cláudia: cearense da gema. Mãe da Marianah e do Antonio José. Mestra em Psicologia clínica. Atravessada pelo saber psicanalítico. Trabalho com Gestão de Pessoas no BB e desde junho/21 realizo um trabalho voluntário na biblioteca do Espaço Aroeira.

EPraxe: quem é Ana Claudia na Biblioteca?

Ana Cláudia: no espaço físico da Biblioteca sou uma espécie de coordenadora, faxineira, decoradora e no espaço virtual sou criadora de conteúdo para o perfil do Instagram. Digo coordenadora, pois como não sou bibliotecária, acredito ser este o nome que mais se aproxima do que faço.

EPraxe: o que move Ana Claudia a trabalhar na Biblioteca?

Ana Cláudia: minha antiga e eterna paixão pelos livros. O livro como objeto em si e o conteúdo dos quais eles são portadores. Outra motivação são as conversas. Que maravilha, falar sobre livros, indicar uma leitura, trocar percepções.

EPraxe: que dificuldades você tem encontrado para levar o projeto à frente?

Ana Cláudia: preciso me organizar melhor para fazer tudo que quero, como grupo de leituras, encontros literários entre outros eventos. E agora o número de livros para ler aumentou infinitamente, então o tempo passou a ser uma questão.

EPraxe: que significado tem a leitura para você?

Ana Cláudia: a leitura sempre foi para mim lugar e tempo de alargamento da alma. O silêncio cheio de vozes, as inúmeras paisagens, as viagens no tempo me fizeram ver a vida e as pessoas de uma maneira mais ampla e quiçá mais profunda. Eu leio porque tenho prazer na leitura, acho que esse é um ponto fundamental.

Pois é, gente, uma entrevista poética. Ana Cláudia foi contaminada pelo vírus bom da arte literária.

***


Se interessou pela Biblioteca do Espaço Aroeira? 
Instagram
Facebook
Site
Funcionamento
Segunda a sábado, das 9 às 18 horas
Domingos, das 9 às 13 horas

Sede

Setor de Habitação Individual Norte Área Especial nº 3 Loja Nº 2, Pólo Verde, Lago Norte, Brasília, DF, 71503-700.

Até a próxima!


Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 

Contatos

E-mail✉ Orcid ✅ Lattes ⏹ Instagram 😀 Spotify 💽

Pensar faz bem com Clarice Lispector

Pensar faz bem - com Clarice Lispector
Pensar faz bem – com Clarice Lispector
Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License