Pensar faz bem – com Gustavo Bernardo

Pensar faz bem – com Gustavo Bernardo
Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 



Música para a memória histórica

Música para a memória histórica
Música para a memória histórica

Quando criança minha filha não gostava das músicas que eu ouvia. No carro só era eu colocar blues ou MPB que ela reclamava.

Certo dia chegamos ao clímax da discussão, coloquei uma música de Bob Marley, e ela nem quis conversar e já foi desligando o aparelho de som. Alguns instantes depois ela ligou o aparelho e colocou, na época, um CD de preferência dela. Imediatamente desliguei o aparelho e ela perguntou o porquê da minha atitude. Disse a ela que não era democrático a gente só ouvir as músicas que ela gostava. Ficamos em silêncio e dias depois iniciamos um longo processo de aprender a ouvir músicas juntos.

Com ela tive momentos gostosos de audição. Aprendi a ouvir Charlie Brown Jr., O Rappa e Pitty. Comigo ela aprendeu a ouvir BB King, Alpha Blondy, Paul Simon e Prince, por exemplo.

Tive o privilégio de curtir toda a adolescência de minha filha, tanto para ouvir música, quanto para assistir a filmes ou passear no parque.

Dias desses ela me chamou para ver o documentário Summer of Soul sobre o lendário Harlem Cultural Festival de 1969, que celebrou a música e a cultura afro-americana e promoveu o orgulho e a unidade negra estadunidense. O Harlem Cultural aconteceu simultâneo ao Festival de Woodstock. Este ficou mundialmente conhecido como um acontecimento revolucionário nas artes na década de 1960.

Quando ela me convidou, lembrei da história que contei para vocês e aqueles momentos de audição vieram fortes. Ela estava muito empolgada e dizia que já havia assistido o documentário e queria assistir novamente comigo.

Ao contrário do Woodstock, Harlem Cultural Festival ficou no ostracismo, esquecido, invisível na história da música estadunidense. A mídia só teve olhos para registrar Woodstock nesses anos todos. Até que alguém descobre as fitas do Harlem Cultural Festival e resolve produzir coletivamente o documentário Summer of Soul: um presente para os que gostam de música. 

Ver Nina Simone dançando, tocando e cantando foi um momento ímpar. E BB King na guitarra? Que momentos. E Stevie Wonder? Que voz! Ainda não havia experimentado assistir a Stevie tocando bateria. 

Ao ver tanta gente cantando e inspirando as pessoas do Harlem com aquelas músicas ritmadas em gospel, blues e tantos outros ritmos afros, fiquei pasmado com o que vi. O interessante foi que eu não conhecia muitos daqueles músicos maravilhosos. Foi um momento de muita aprendizagem e entretenimento. 

Mais maravilhoso ainda foi olhar para minha história de vida e perceber o quanto a música me ajudou a viver.

Até a próxima!

Dados da obra
O que é? Summer of Soul {Documentário}
Quem dirigiu? Questlove
Quem editou? Joshua L. Pearson
De quando é? 2021

Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 

Contatos

E-mail✉ Orcid ✅ Lattes ⏹ Instagram 😀 Spotify 💽

Pensar faz bem – Ciro Marcondes Filho

Pensar faz bem - Ciro Marcondes Filhos
Pensar faz bem – Ciro Marcondes Filhos
Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 



Os fantasmas do passado e do presente

Fantasmas do passado
Fantasmas do passado

Se um extraterrestre viesse à Terra e fosse ao cinema e lá assistisse a filmes sobre discriminação, preconceito e racismo, é bem provável que ele saísse da sala escura pensando ter assistido a um filme de terror, de suspense no mínimo, não pensaria que filmes sobre as temáticas acima são em geral classificados no gênero drama. Mas o filme Master (Fantasmas do passado) vai na contramão das construções narrativas tradicionais e cria uma história misto de terror e suspense, tratando da questão do racismo.

A abordagem lembra situações corriqueiras que hoje já aparecem nos meios de comunicação, com depoimentos de pessoas que são discriminadas no dia a dia por ter cabelo diferente, ou da pessoa perseguida em uma loja pelo fato de ter  pele escura, ou mesmo situações de pessoas serem perseguidas e xingadas por motivo fútil, em que a cor da pele vira argumento de discriminação: são cenas horror. A cada minuto é um suspense: “Será que vão me abordar?”, “Vão querer revistar minha bolsa?”, “Serei alvo de bala perdida?”. São perguntas difíceis de se fazer, mas necessárias para reflexão.

Voltando a Master, o filme conta a história de três mulheres que por caminhos diferentes ingressam em uma universidade de elite estadunidense. A narrativa explora a simbolização dos fantasmas como elementos que atravessam os espíritos das pessoas em algum momento da vida, trazendo desconfortos e medos diante das situações corriqueiras de convivência. Serão os fantasmas sobrenaturais? 

Em Master, os fantasmas se repetem e recuperam coisas do passado, ocasionando experiências dolorosas quanto às vivências étnicas aos quais os negros têm de passar. Os fantasmas criam os medos sociais, causam assombro, destroem identidades. Os fantasmas são dissimulados, pois a gente nunca sabe se aquilo é real ou coisa da imaginação, enquanto sente no mais profundo do ser. 

Os fantasmas afetam nossos lugares de fala, de posição social, de gênero, de sexualidade, de pensamento e de sentimento. Eles podem fazer a gente desistir de tudo e de todos. Os fantasmas não nos divertem. Eles trazem assombro nos jogando para a marginalidade e para a inadequação, mas é preciso viver, refletir e resistir.E nada melhor para refletir do que ver essas construções simbólicas como Master que brincam com os gêneros discursivos de maneira transgressiva para nos alertar e nos convocar a pensar mais sobre os males advindos dos diversos modos de separação social: de gênero, de raça, de classe, de idade e por aí vai.

O que é? Master (Fantasmas do passado)
Quem escreveu e dirigiu?  Mariana Diallo
Quem atuou? Regina Hall,  Zoe Renee e Amber Gray
Quanto tempo? 1h 39min

Até a próxima!


Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 

Contatos

E-mail✉ Orcid ✅ Lattes ⏹ Instagram 😀 Spotify 💽

Pensar faz bem – Gisele Beiguelman

Pensar faz bem - Gisele Beiguelman
Pensar faz bem – Gisele Beiguelman
Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 



Violência simbólica de A a Z

Violência Simbólica de A a Z

Violência Simbólica: “É uma forma de coação que se apoia no reconhecimento de uma imposição determinada, seja esta econômica, social, cultural, institucional ou simbólica.” Fonte: Wikipédia.

Violência Simbólica de A a Z

a) adulto ameaça que vai bater na criança quando ela faz alguma traquinagem 

b) depois do término do relacionamento homem ronda casa da ex-mulher, ameaçando espancá-la, caso a ex inicie um novo relacionamento 

d) pessoa conta uma piada indesejada, mas quem é motivo da piada não pode reclamar, pois é uma “brincadeirinha”

e) vizinho põe o som bem alto, impedindo os demais de descansar  

f) motorista “corta” outro e o xinga na rua por motivo fútil 

g) rapaz mexe com moça todos os dias, pois acha que ela está bancando a “difícil” e que ceder à sedução imaginária criada por ele

h) patroa, mesmo sabendo que já passou o horário de trabalho da empregada, a deixa no trabalho esperando, sem avisar, pois ela, a patroa, precisa se divertir um pouco

i) vizinhos ficam conversando até a madrugada, impedindo os demais de dormir

j) crianças ficam presas em casa sozinhas, porque os pais precisam ir para a balada

k) patrão liga na madrugada para falar de trabalho

l) pessoa persegue outra por causa da cor da pele: no supermercado, no shopping center…

m) pessoa xinga outra porque a pessoa xingada é homossexual 

n) pessoa bisbilhota, sem autorização, os dados do celular de outra pessoa 

o) pessoa ridiculariza outra, porque a ridicularizada usa roupa não convencional

p) pessoa tem bolsa revistada por ser negra ou pobre

r) professor constrange aluno por este não ter conhecimento da disciplina

s) estudante promete agredir professor porque não gostou de algo que o professor fez ou disse

t) pais ameaçam bater em professor porque o filho fez alguma reclamação fútil

u) estudantes pregam trote em estudantes novatos. Ninguém sabe o porquê do trote

v) vizinho invade terreno de vizinho, sabendo que não tem direito para tal

w) pessoa é revistada de maneira brusca porque mora na periferia

x) pessoa é maltratada porque ocupa função hierárquica inferior na empresa

y) pessoa invade fila porque está com pressa

z) pessoa pede para outra guardar lugar em fila, enquanto fica passeando no supermercado 


Até a próxima!

Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 

Contatos

E-mail✉ Orcid ✅ Lattes ⏹ Instagram 😀 Spotify 💽

Pensar faz bem – Gustavo Bernardo

Pensar faz bem – Gustavo Bernardo
Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 



O cinema sob os olhares dos ensaios visuais

Sob os olhares dos ensaios visuais
O cinema sob os olhares dos ensaios visuais

Ir ao cinema mais de uma vez para assistir ao mesmo filme, ficar horas na fila para não perder o filme preferido, envolver-se com a narrativa e deixar os humores aflorarem, sorrir quando tem de sorrir, chorar quando tem de chorar, compadecer-se, irritar-se, pular de alegria. 

Essas são algumas das dimensões que nos impulsionam para uma ida ao cinema, um espaço singular da experiência humana, lugar que nos tira de casa e mobiliza nossos desejos e aspirações por meio de ficções e casos reais representados que podem transformar a nossa vida.

Foi na perspectiva dos afetos vindos do cinema que me deliciei com a série documental A ótica do cinema (122 min), que transborda efeitos imagéticos comentados para alcançar o espectador com a magia da sétima arte.

Que tal fazer participar das primeiras experiências de uma jovem ao assistir ao filme Tubarão? Ou mesmo mergulhar nos meandros do sentimento de vingança tão comum nos filmes e tão presente em nós? E como não gostar da construção do personagem, mas mesmo assim aprender muito com a forma como a narrativa o conduz? Esses são apenas alguns dos desafios contidos na série que vai fazer você reviver um pouco da arte do cinema.

A ótica do cinema ainda tem um episódio dedicado a estabelecer paralelos e contrastes entre a TV e o cinema, demonstrando como são singulares essas linguagens audiovisuais que invadiram as lentes dos espectadores durante o século XX e se reinventaram no século XXI.

Há um episódio sobre os bastidores das animações, mostrando como essa arte pode se apropriar dos novos recursos técnicos, um convite à imaginação e também um desafio diante de um mundo complexo.

O espectador verá como um filme de expressão simples pode produzir leituras intensas sobre as questões sociais que povoam nossa vida cotidiana: em cada episódio da série, uma nova aventura.

Pegue a pipoca, apague as luzes e viaje em A ótica do cinema.

Dados da obras

 . O que é?  A ótica do cinema 
 . Onde assisto?   Plataforma Netflix
 . Quanto tempo é?  122 min
 . Quando foi lançado?  2021
 . Quais são os capítulos  
      1. O verão de tubarão - 17 min
      2. O apelo da vingança  - 18 min
      3. Mas eu não gosto dele - 23 min
      4. De que cada um gosta  - 22 min
      5. Cinema x Televisão  - 20 min
      6. Profano e profundo - 22 min

Até a próxima


Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 

Contatos

E-mail✉ Orcid ✅ Lattes ⏹ Instagram 😀 Spotify 💽

Pensar faz bem – Massimo Di Felice

Pensar faz bem – Massimo Di Felice
Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 



Uma família no divã

Uma família no divã

Se você teve a oportunidade de assistir a Os intocáveis, O poderoso chefão, Era uma vez na América, Os bons companheiros, vai se entusiasmar em assistir à Família Soprano, série televisiva de seis temporadas (a sexta temporada é subdividida em A e B), em uma jornada de 86 episódios. A série mergulha nos meandros das contravenções nos Estados Unidos durante a passagem do século XX ao século XXI.

Família Soprano dá novo status às séries televisivas ao incorporar os novos recursos técnicos já usados no cinema, com atores e diretores diferenciados para a construção de uma narrativa que traz para a televisão a produção de vídeo não só como técnica, mas como arte.

Depois de assistir à Família Soprano sobrevieram as seguintes ideias:

Homofobia Religião Família Contravenção Milícias Lavagem de dinheiro Corrupção Violência, Violência contra a mulher Cinema Estado paralelo Racismo Imigração Contrabando Traição Drogas Velhice Remédios Vingança Código de conduta Morte Intolerância Linchamento Destruição do ambiente Agiotagem Jogos Sexo Violência, Amor, Desamor.

Tudo assim mesmo misturado, em sequências que deixam a gente sem fôlego. São muitos temas tratados na série, que, a partir das situações de contravenção dos personagens, discute assuntos tão prementes para o início dos anos 2000 e tão atuais para os dias de hoje.

A série é uma parceira de A máfia no divã, só que não mais presa ao gênero comédia, como no filme, mas navegando entre o trágico, a ação, o humor e o suspense, na busca para retratar em ficção a questão da violência tão visível nos nossos dias.

Um ponto de destaque na trama é a referência a diversas obras cinematográficas, o que dá um colorido especial aos episódios e nos faz rememorar pequenos trechos da história do cinema.

Até a próxima!


Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 

Contatos

E-mail✉ Orcid ✅ Lattes ⏹ Instagram 😀 Spotify 💽

Pensar faz bem – Vilém Flusser

Pensar faz bem – Vilém Flusser
Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 



Multiplicidade musical em 2022

Multiplicidade musical em 2022

O ano de 2022 traz a lembrança de dois eventos relevantes para a história do Brasil. O primeiro é o bicentenário de independência do Brasil, que precisa suscitar discussões sobre até que ponto um estrangeiro-colonizador proclamou em São Paulo a independência política do Brasil, enquanto os brasileiros ainda continuavam lutando pela independência do país até 1823, e é por isto que na Bahia o 2 de julho de 1823 é reconhecido como o ano genuíno da independência do país. Mas isto demandaria uma longa discussão que não cabe aqui nesta pequena postagem.

O segundo evento é o centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, quando cidadãos brasileiros, mais ligados às artes, partiram para protestar e reivindicar para o país uma independência cultural, de valorização do criativo que aqui era produzido e contra a produção cultural enviesada pelo ideário europeu tão comum no início do século passado. Era necessário produzir referenciais próprios de brasilidade: este é o ponto forte do movimento. 

Sobre a Semana de Arte Moderna, a plataforma HBOMAX lançou a série musical 2022, um evento em três atos, que faz uma bela homenagem à Semana, com um conjunto de músicas apresentadas em novos arranjos.

Não vá o leitor imaginar que as músicas são as maiores músicas do cancioneiro popular brasileiro de todos os tempos. Na série você poderá apreciar uma homenagem a um momento histórico da cultura artística brasileira. As músicas são para ouvir e curtir um momento singular de nossa história depois de 1922, apresentando o legado da música brasileira para nossa história.

A terceira parte do evento é dedicada a retratar um pouco do que fora os bastidores de realização do musical, uma coisa difícil de se ver em plataformas digitais, em que trailers, resumos e making off sempre ficam em segundo plano. Ah, que saudades dos DVD que vinham com making off primorosos.

As parcerias nas interpretações foram muito boas, como em Olodum, Carlinhos Brown e Mateus Aleluia, Perícles e Maria Gadú, Pepeu Gomes, Davi Moraes e Luiz Caldas e outros mais.

Que outros eventos do gênero sejam lançados pelas plataformas de vídeo durante o ano de 2022.

Até a próxima!


Trabalho licenciado com Creative Commons

Creative Commons License 

Contatos

E-mail✉ Orcid ✅ Lattes ⏹ Instagram 😀 Spotify 💽