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Artigos, resenhas e crônicas do cotidiano

Sempre que possível instalo o Linux nos computadores que utilizo. Isto já faz algum tempo. Anos atrás usei o Linux em um computador da Apple. Lembro que um colega de trabalho ligado à área de computação comentou, de forma tímida, que seria um exagero instalar um software livre em um equipamento tão caro. Fiquei pensando o porquê de as pessoas acharem um luxo instalar o Linux em computadores potentes e velozes…
Mas o hábito de usar o Linux não me abandona e toda vez que preciso trocar o computador, preparo logo um dual-boot para que dois sistemas operacionais funcionem na mesma máquina.
Agora avancei na configuração da máquina, aproveitei a memória RAM do micro anterior para o equipamento ficar mais rápido e adquiri um disco SSD para instalação exclusiva do Linux. Desta forma mantive o SSD original do computador intacto, sem fazer partilhamento. Resultado: trabalho com dois sistemas operacionais (Windows e Ubuntu) no mesmo computador, de forma rápida e consistente.
O Ubuntu está cada vez mais fácil de configurar e vem com um design bem agradável e não fica atrás das qualidades do Windows 11. A diferença é que no Ubuntu, consigo trabalhar com um software bem mais transparente, sem que isto prejudique o nível de segurança do sistema.
Trabalhar com dois sistemas operacionais é um desafio: estou sempre aprendendo e não caio no mito da metonímia, de trocar o todo pela parte, e achar que o Windows é o único sistema operacional que existe.
O leitor poderá refutar sobre o uso de outro sistema operacional, além do Windows, dizendo ser difícil lidar com os “outros sistemas”. Percebo que a gente vive de hábitos, e hábitos podem ser um obstáculo para a efetiva mudança. Quanto à aprendizagem de outros softwares não popularizados pelo mercado, há uma infinidade de textos, áudios e vídeos com explicações didáticas sobre procedimentos técnicos para a gente mudar de vida tecnológica e descobrir outras formas de se divertir e trabalhar. Na próxima postagem discutiremos outras possibilidades de tecnologias digitais em nossos computadores.
Até lá!
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Gilberto Gil soube utilizar com maestria a régua e o compasso na construção de uma jornada artística, política e intelectual de tirar o fôlego. Ele produziu célebres canções para o rico acervo da música popular brasileira, fez o violão sorrir e chorar, exibindo tanto canções do próprio repertório, quanto canções de outros artistas nacionais e internacionais, além de, claro, cantar, cantar…
Junte-se a tudo isso, a jornada na cultura política, quando foi vereador de Salvador e depois ministro da cultura do Brasil: atividades estas cuja preocupação foi o bem-estar da sociedade brasileira.
Ora, ora, Gilberto Gil é o homem do discurso sobre a ladeira da Preguiça, um texto sensível sobre o cotidiano da vida metropolitana da cidade do Salvador. Ele também é o seresteiro de visão futurista que cantou em versos o mundo novo que se descortinava do cérebro eletrônico, da Lunik 9, das antenas parabólicas e da física quântica. Quanta coisa para se apreciar nesse arauto da posteridade.
E foi para assinar o próprio nome nos anais da posteridade que Gil abriu caminhos entre os imortais na Academia Brasileira de Letras (ABL). Ele, como um ágil passarinho, nas palavras de Geraldo Azevedo, articulou prosperidade com posteridade.
E é assim, com toda essa bagagem, que ele entra na Academia, saúda os presentes, agradece, chora, sorri e discursa de um jeito febril e apaixonado diante de toda a gente.
Um viva ao acadêmico Gil, que é cantor, compositor, político, intérprete, homem público, disposto a atuar em muitas frentes.
Até a próxima!
Pós-escrita: há ainda um longo caminho a percorrer para uma ocupação mais plural dos espaços na Academia Brasileira de Letras, pois, durante a história da Instituição, apenas três afrodescendentes ocuparam cadeira naquele lugar. Os filhos de África foram Machado de Assis, um dos fundadores da ABL, crítico e escritor, Domício Proença Filho, professor e escritor, e Gilberto Gil. E as mulheres afrodescendentes? Nenhuma ainda. Precisaremos mudar a situação.
Chegaremos lá.
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Vivemos a era do big data, da internet das coisas e da inteligência artificial, que solicita novas formas de aprendizagem, mas ainda não resolvemos uma questão crucial de nossa civilização que era para ser razoavelmente solucionada no século XX, que é a do analfabetismo, ou seja, deveríamos ser uma civilização em que todos tivessem condições de ler e escrever com fluência, no entanto…
Interessante notar que, segundo o IBGE (2019), ainda temos no país 11 milhões de pessoas, com idade acima de 15 anos, na situação de analfabetas.
Mas a sociedade brasileira não cansa de lutar contra o analfabetismo e vez por outra aparece uma luz no fim do túnel. Uma dessas luzes de esperança é o Glossário Ceale – termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores, que traz um acervo de termos sobre o universo da alfabetização. O Glossário foi organizado e é mantido pelo Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita (Ceale), vinculado à Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
O trabalho do Ceale se destina aos educadores do ensino fundamental, mas ao visitar o Glossário, percebe-se que a iniciativa pode contribuir para a formação de profissionais de outras áreas do conhecimento que tenham como horizonte trabalhar para a melhoria do nível de educação no Brasil.
A preocupação do Ceale é reunir o que há de atual e pertinente sobre a alfabetização. Para os organizadores do Glossário, “(…) vários conceitos, procedimentos e práticas que foram se disseminando no mundo acadêmico e na prática pedagógica estão dispersos em diferentes materiais. Daí a necessidade e o desafio da recolha e da reunião dessas reflexões, organizadas em um Glossário.” (CEALE, 2014. Apresentação do Glossário, p. 2).
O Glossário Ceale é um projeto multidisciplinar, pois abrange contribuições de diversas áreas do conhecimento, como tecnologia da informação, psicolinguística, sociologia, e outros campos do saber, tendo como ponto central a alfabetização. O documento está organizado de maneira hipertextual, oferecendo ao leitor possibilidades de ampliar conhecimentos sobre o tema a partir das referenciações contidas no final das conceituações de cada verbete.
A obra foi elaborada com a ajuda de pensadores brasileiros e internacionais que há anos vêm se dedicando à educação, à pesquisa e à extensão em assuntos relacionados à educação alfabetizadora.
O Ceale é uma contribuição significativa para quem se dedica aos estudos de educação e linguagem, se constituindo como um patrimônio cultural brasileiro, feito com muitas mãos e muitas cabeças.
Até a próxima!
O que é? Glossário Ceale – termos de alfabetização, leitura e escrita para educadores
Quem é o responsável? Ceale, Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita
Quem organizou? Isabel Frade, Maria da Graça Ferreira da Costa Val e Maria das Graças de Castro Bregunci
Onde acesso? Glossário Ceale

Li o relatório Cognitive Warfare, que foi solicitado pela Otan, sobre os novos recursos de guerra que estão sendo inventados e, desconfiam, já estão sendo utilizados nos contextos de guerras entre as nações do mundo.
O texto é bem informativo e traz alguns conceitos sobre guerra cognitiva, a nova arma de dominação, que se utiliza de estudos transdisciplinares de áreas do conhecimento como a da neurociência, tecnologia da informação, sociologia, economia e outras mais para criar estratégias de domínio por meio do controle do comportamento humano. O texto é bem elucidativo, mas, ao mesmo tempo, é assustador, pois demonstra como as ciências em geral estão sendo usadas para afastar cada vez mais os humanos dos humanos.
Uma pena que o relatório só apresente problemas da guerra cognitiva a partir dos países que são de posição contrária a da Otan, não apresentando como as nações em geral, do ocidente ou do oriente, estão, de maneira crescente, se dedicando a políticas científicas que sustentam guerras. De qualquer forma vale a leitura do relatório, mas procurando saber quem fala e em quais circunstâncias ocorrem as produções discursivas.
Até a próxima!
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O desejo de ter um aparelho com múltiplas funcionalidades é antigo. Quem não se lembra do canivete suíço, cheio de funções ou do antigo três em um, aquele equipamento de som, que trazia embutidas as funções de gravador de fitas, rádio FM e toca-discos? Houve ainda a tentativa de criar um aparelho com diversas funções para a cozinha, o multiprocessador, mas o equipamento não caiu no gosto dos donos e donas de casa.
Mas aí aparece o smartphone com cada dia mais funções: espelho, relógio, scanner, máquina fotográfica, filmadora, régua, gravador de áudio, modem, telefone (????), mesa de desenho, teclado, microfone, karaokê, calendário, mensageiro, cronômetro, agenda, despertador, depósito de arquivos, museu, álbum de fotos, tábua de escrita, televisão, rádio FM. Opa, opa, chega! Realmente o smartphone é um equipamento de múltiplas faces.
Já percebeu como esse aparelhinho não nos dá trégua? Ela rouba de nós a atenção das pessoas mais próximas, pode nos acordar de madrugada, com a voz do nosso chefe, perguntando porque ainda estamos dormindo ou até mesmo pode entregar a todo mundo um momento íntimo que não desejaríamos que alguém mais soubesse.
Pois é, o smartphone invadiu a vida cotidiana e cada dia se transforma em momento de aventura e descobertas sobre como conviver com esse equipamento tão íntimo.
Quanto ao canivete suíço? Ainda tenho os dois no armário de casa, mas cada vez os uso menos. Algum dia abandonaremos o smartphone por gadget mais novo?
Até a próxima!
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É muito comum as pessoas sugerirem para nós a leitura ou a audição de uma música. Nossa vida é rodeada de indicações: visitar um parque inaugurado recentemente ou ir ao cinema assistir ao filme do momento. O que seria de nós se não fossem as recomendações?
Nas artes temos os críticos da cultura, comentando filmes, livros e quadros de pintura; na academia temos os comentadores, que fazem apreciações sobre os pensadores originários de alguma teoria. E assim a vida anda.
Mas o século XXI trouxe muitas surpresas para a vida cotidiana, como a possibilidade de a gente receber recomendações de objetos técnicos.
Você usa GPS com frequência? Já notou como esse objeto cada vez mais faz parte do nosso dia a dia? Fico impressionado quando uso uma rota alternativa que não faz parte da base de dados do GPS, e o aplicativo, “todo preocupado”, lança muitos alertas na tela, relatando o erro que cometi. O que dizer das plataformas pagas de vídeo? É uma longa lista de recomendações: “Em alta”, “Dramas emocionantes”, “Só na Plataforma“, “Filmes independentes”, “Favoritos da crítica”, “Histórias reais” e por aí vai. Ainda há itens de menu como “surpreenda-me”, prontos para buscar novas indicações para o espectador.
E as recomendações não param por aí: quando procuro alguma informação no sistema de busca, sou surpreendido com várias peças publicitárias que vão se acumulando na tela em forma de pop up. Diante de tamanha onda de recomendações mediadas por algoritmos, haja fôlego para o cidadão comum lidar com essa situação, pois muito do que esses objetos técnicos nos oferecem como recomendação não é percebido como recomendação, muito menos é percebido pelo cidadão comum como uma recomendação automática, que é baseada nos rastros dos comportamentos que toda gente vai deixando nos grandes servidores de empresas de mídias sociais e mecanismos de busca.
E assim toda gente vai vivendo, de recomendação em recomendação, só que agora, as recomendações não são realizadas somente por humanos como eram antes; agora humanos e não humanos indicam e direcionam o que os demais humanos precisam fazer.
Há muito o que aprender dentro deste novo mundo de recomendações, em que não conseguimos identificar o sujeito que está sugerindo o que devemos ler, escrever, escutar, falar e pensar. Haja desafios!
Até a próxima!
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