Pensar com José Reis

Pensar faz bem - com José Reis
Pensar faz bem – com José Reis


Dominados pelos números?

Dominados pelos números?
Dominados pelos números?

A tríade computacional de algoritmos, big data e internet das coisas constituem as três dimensões que regem a convivência cotidiana do início do terceiro milênio.

A combinação de códigos computacionais com dados em conexões contínuas exercem influência em muitas das coisas que os homens e as mulheres fazem no dia a dia, e essa combinação é tão sutil que só uma parcela mínima da sociedade compreende o que está acontecendo.

Muitas das formas culturais construídas pela humanidade é mediada por tecnologias da informação e comunicação, e isto se reflete em atividades como compras domésticas, direção de veículos automotivos, exames médicos, exercícios físicos, uma infinidade de práticas culturais, 

E como aprender sobre essas novas relações sociotécnicas quando o conhecimento sobre esses objetos técnicos está restrito aos criadores desses objetos e a grandes operadores econômico-financeiros que são os donos das diversas tecnologias que são lançadas constantemente no mercado?

Ah, há profissionais da computação dispostos a compartilhar os modos pelos quais funcionam os bastidores dessa nova convivência mediada.

Mas o leitor poderá ficar cético e perguntar: mas esses profissionais têm uma linguagem própria que só é compreendida por um público bem específico.

Pois é, claro leitor, esse é o desafio a ser vencido pelo pesquisador David Sumpter com o livro Dominados pelos números – do Facebook e Google às fake News – os algoritmos que controlam nossa vida. No livro Sumpter trata de assuntos oriundos das relações mediadas, com ênfase nos algoritmos, em uma linguagem acessível, demonstrando que na verdade esses objetos atravessam nossa rotina todos os dias e como é necessário conhecê-los.

Por meio de uma comunicação leve e fluida, Sumpter discute como os algoritmos estão sendo aplicados nas negociações financeiras, nas contratações de seguros e até em processos eleitorais.

No texto não há códigos e códigos para o leitor aprender a dominar nem tão pouco listas exaustivas de linhas de programação para o leitor exercitar.

Mas, pela leitura, o leitor inicia um processo de entendimento da lógica de construção dos algoritmos computacionais e como eles podem ser utilizados para construir vieses, fazer previsão de comportamentos ou mesmo provocar situações de racismo ou sexismo.

A linha de argumentação do livro é construída por incursões que vão demonstrando como os algoritmos podem ser elaborados para, desde atividades de imitação de atos que pertencem ao humano até atos de influência sobre o que o humano pode fazer durante e após uma interação. Interessante pensar que esse poder de influência pode levar a interações permeadas de fake news, um problema que precisamos nos debruçar mais.

O capítulo que mais chamou minha atenção foi 17º, Cérebro bacteriano, que trata de inteligência artificial. Nela o autor trata da inteligência artificial geral, aquele tipo de inteligência que funcionaria com a mesma complexidade que a inteligência humana. 

Dominados pelos números é um presente para os cidadãos que não conhecem ou conhecem bem pouco sobre as mediações algorítmicas comuns do dia a dia. É claro que o livro não é  aquele texto superfácil para ler e de entendimento rápido do conteúdo, mas com um pouco de esforço e interesse pelas questões sociais do mundo contemporâneo, é possível aprender um pouco mais sobre esse novo mundo que nos rodeia e ficar mais esperto quanto ao exercício do próprio direito de cidadania.

Até a próxima!


Sobre a obra

O que é? Dominados pelos números – do Facebook e Google às fake news – os algoritmos que controlam nossa vida {livro}
Quem escreveu? David Sumpter
De que ano foi? 2019
Quem editou? Bertrand Brasil

Pensar com Tommaso Venturini

Pensar faz bem - com Tommaso Venturini e outros
Pensar faz bem – com Tommaso Venturini e outros


Pensar

Uma longa jornada em educação a distância

Uma jornada de educação a distância
Uma jornada de educação a distância

É provável que nunca tivemos tanta gente fazendo educação a distância no Brasil como estamos vivenciando durante a da pandemia do coronavírus.

Durante a semana navego de tela em tela, assistindo a aulas, apresentando trabalho, olhando vídeos, analisando fotos: uma viagem sem fim.

Apesar de estar cansado quando chega a sexta-feira, confesso que me identifico muito com a educação a distância, e esta modalidade faz parte da minha história.

Conheci cursos a distância quando tinha 10 anos. Meu pai e minha mãe se reuniram no quarto e depois me chamaram para conversar. Eles queriam voltar a estudar e iriam fazer cursos a distância para melhorar o currículo de cada um deles. Minha mãe optou por um curso na área de saúde, e meu pai, por um curso na área de eletricidade.

O interessante é que eles queriam que eu os ajudasse nos estudos. Veio um medo muito grande, pois teria de aprender e ajudar meus pais ao mesmo tempo em áreas de conhecimento tão distintas.

Mas os módulos iam chegando, eu me debruçava sobre os textos e depois partíamos para estudar juntos. Foi uma experiência emocionante: estudar com os meus pais. Nunca me esqueci daqueles dias.

Anos mais tarde, com 16 anos, formei uma pequena poupança e me inscrevi em um curso a distância sobre a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT). Como estava fazendo o curso técnico em contabilidade, resolvi que o primeiro assunto que eu deveria aprender com profundidade era sobre os fundamentos dos direitos do trabalhador.

Na idade adulta fiz cursos presenciais em nível de licenciatura, depois em especialização e mestrado. Mas não deixei de lado os cursos a distância. Também participei de cursos de extensão e aperfeiçoamento. A vida de estudante continuava.

Fiz cursos em nível de especialização em instituições, como Senac, Senai, Universidade de Brasília e Universidade Federal do Rio de Janeiro: todos na modalidade de educação a distância. 

Participei de eventos de aperfeiçoamento, também em educação a distância,  em instituições como Senac, Senai, Universidade de Brasília, Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), Instituto Paulo Freire, revista Cult, Movimento sem Terra, Fundação Perseu Abramo e Universidade de Santa Catarina. Foi um longo processo de aprendizagem.

No trabalho recebia elogios dos colegas e clientes em torno de aprendizagens que desenvolvi em cursos a distância. Eles nem sabiam disto. Assim, fui criando o sentimento de prazer e orgulho por participar de cursos a distância.

Comecei o doutorado em Educação, na Universidade Federal da Bahia, em 2020. E não é que aparece a pandemia e tenho de voltar a estudar a distância. Que encontro agradável! Tenho aprendido muito e descoberto muitas ferramentas de tecnologias da informação e comunicação para uso em educação a distância, feito amizades e aprendido bastante, é claro.

Mas o leitor perguntará: a educação a distância não é limitada? Ela é indicada para crianças? Ah, isto é coisa para uma próxima postagem.

Até a próxima!



Pensar com Vilém Flusser II

Pensar faz bem - com Vilém Flusser
Pensar faz bem – com Vilém Flusser


Navegando nas águas do Opará

Navegando nas águas de Heloá
Navegando nas águas de Opará

Tanto barulho aí fora
Aqui dentro, silêncio

Héloa e Luedji Luna

A pandemia me tirou muitas coisas: pessoas próximas se foram, tenho de ficar em casa, quando saio tenho de usar máscara e minhas mãos já estão desbotadas de eu desinfetá-la tantas vezes no dia com esse álcool em gel.

Mas uma coisa a pandemia ainda não conseguiu me tomar. Foi a noção, mesmo que caótica, do tempo. Todo dia olho para o tempo. Essa entidade tão difícil de a gente lidar. 

E foi em um domingo desses que senti o tempo fugindo de minhas mãos. Já tinha feito tantas coisas, e o tempo insistia em se mostrar como rotina e cotidiano. Há momentos em que a novidade nos fortalece e nos faz continuar a viver.

Lembrei de Héloa. Durante algum tempo, procurei alguma música dela no celular, depois resolvi ir atrás de algum videoclipe da cantora na Internet. Encontrei então o vídeo Héloa – Opará Acústico com Webster Santos, um show em forma de live que ela gravou com as músicas do disco Opará.

Antes de comentar a live, preciso dizer algo sobre Héloa. Ela é uma afro-sergipana, filha de Oxum. Ela não teme nem água salgada nem água doce, pois sabe navegar entre as fortes correntezas do rio e as ondas turbulentas do mar. Ela é multidiversidade: atriz, cantora, diretora e bailarina.

Sem ser panfletária, mas filosófica e religiosa, ela exalta a natureza do rio São Francisco e tece ritmos ribeirinhos nos chamando para a celebração do que as águas nos oferecem e não sabemos como aproveitar.

Na live, tecidos brancos desfilam no palco em consonância com as músicas que estão sendo cantadas, em um jogo de luzes que insiste em acompanhar a voz da cantora, uns sussurros me acalmam e me tranquilizam.

O que Héloa faz no show é religar o nós à natureza, tornando o espetáculo um reencontro de vertentes afro e indígena que povoam a cultura brasileira. 

Héloa não somente canta, ela faz pequenos gestos seguindo o ritmo da música. São movimentos solenes, tendo o corpo no centro e os braços em movimentos sincopados, com leveza para que não nos dispersamos do rito musical. 

No acompanhamento e na direção musical um violeiro batuta, que reconhece os acordes necessários para dar luz ao espetáculo anunciado pela cantora brasileira. Com você: Webster Santos.

Olha, mesmo em um domingo à tarde, havia muita zoada ao redor. A pandemia trouxe consigo muitos barulhos interiores, que desestabilizam as praças, as ruas e os lares. Mas aquele barulho de fim de tarde não conseguiu me tirar o centro e pude curtir os sopros musicais que Héloa consegue fazer tão bem. Foi um momento muito belo.

Depois do show percebi que retomar o próprio tempo é coisa para cada instante em que vivemos.

Até a próxima!


Sobre a obra

O que é? Héloa – Opará Acústico com Webster Santos {live}
Quem dirigiu? Webster Santos
Quem interpretou? Héloa e Webster Santos
De que ano foi? 2021
Quanto tempo durou? 49:08 h
Onde posso assistir? <a href="https://youtu.be/VxE-gc4-P20
/” style=”text-decoration:none;color:red;”>Héloa – Opará Acústico com Webster Santos

Pensando com Eli Pariser

Pensar faz bem - Eli Pariser
Pensar faz bem – Eli Pariser


Polêmicas Contemporâneas em plena pandemia

Imagem Polêmicas Contemporâneas
Polêmicas Contemporâneas 2021.1

A Universidade Federal da Bahia deu respostas consistentes ao advento da pandemia do coronavírus e desde 2020 vem oferecendo à sociedade brasileira atividades de compartilhamento de assuntos relacionados à educação, às tecnologias, às ciências e à cultura em geral, promovendo um trabalho de integração entre as instituições de ensino superior e a sociedade brasileira.

Em 2020, a Universidade organizou o Congresso Virtual UFBA 2020, que congregou milhares de estudantes e pesquisadores de todo o Brasil em processo de comunicação científica aberta para o público em geral, com  acesso pela internet. O evento se repetiu no ano de 2021.

Outro evento relevante é o trabalho feito em Polêmicas Contemporâneas, que se realiza em duas áreas de atuação: a primeira por meio da oferta de uma disciplina exclusiva para os estudantes da Instituição e a segunda por meio de uma atividade de extensão, que leva para as pessoas da comunidade o fazer científico produzido na Universidade.

O Polêmicas tem a participação intensiva dos estudantes, professores e pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Educação, Comunicação e Tecnologias (GEC),  da Universidade, e tem como líder o professor Nelson de Luca Pretto.

A organização do evento no período de pandemia é feita por meio da realização de rodas de conversas on-line, com a participação de representantes da comunidade acadêmica, dos governos, de profissionais de diversas áreas do saber e de pessoas da comunidade em geral.

Os temas de 2021 são bem variados e vão de questões como  a da mulher na pandemia e racismo estrutural a temas como proteção de dados e vacinas

Polêmicas é um convite ao bom pensar e se constitui como uma forma criativa de integrar sociedade e comunidade acadêmica.

Acompanhe o cronograma de atividades deste semestre:


Temas já debatidos

22 fev 2021 – Congresso UFBA (início do semestre)
01 mar 2021 – Primeira aula: abertura do seminário e funcionamento de polêmicas
08 mar 2021 – Mulheres na pandemia
15 mar 2021 – Lava Jato e suspeições: o sistema de justiça em questão
22 mar 2021 – Vacinas, ciência aberta e propriedade intelectual
29 mar 2021 – Cultura como enfrentamento da barbárie
05 abr 2021 – Racismo Estrutural
12 abr 2021 – Os vazamentos de dados dos brasileiros
19 abr 2021 – Capacitismo, Etarismo e outros ismos

Temas a serem debatidos

26 abr 2021 – Lei de segurança Nacional e liberdades democráticas
03 mai 2021 – Fechamento da Ford na Bahia: Crise e desindustrialização do Brasil
10 mai 2021 – Baianas de Acarajé: Patrimônio, Resiliência e Economia Circular
17 mai 2021 – Fome e (In)segurança Alimentar
24 mai 2021 – Legado das experiências da educação na pandemia
31 mai 2021 – Parques públicos: gestão e interesse social
07 jun 2021 – Sarau de Polêmicas: homenagem aos que partiram

Ainda há tempo de assistir a algum dos temas discutidos no Polêmicas Contemporâneas.
Vá ao site do Polêmicas e saiba mais sobre o Evento ou
Leia o artigo do professor Nelson Pretto sobre o Polêmicas Contemporâneas
Até a próxima!

Pensando com Frederich Kittler

Pensar faz bem - Kittler
Pensar faz bem – Kittler


A vida sob os vieses dos algoritmos

A vida sob os vieses dos algoritmos
A vida sob os vieses dos algoritmos

Nos últimos dois anos, temas relacionados a algoritmos e big data se tornaram pauta de calorosas discussões para o público em geral. Documentários como Privacidade Hackeada (2019) e O dilema das redes (2020) conseguiram alcançar grandes audiências e trouxeram para o debate questões de interesse de cidadania relacionadas à privacidade, às desigualdades e aos direitos digitais.

No final de 2020 foi lançado o Coded bias, um documentário que, a partir do trabalho realizado pela pesquisadora Joy Buolamwini sobre problemas em algoritmos de reconhecimento facial, discute os problemas que a sociedade tem enfrentado com o advento dos algoritmos e do big data.

O documentário segue a linha argumentativa de mesclar momentos de narrativa ficcional, com depoimentos de pesquisadoras que se dedicam aos estudos sobre como novas mediações sociotécnicas, como algoritmos, big data e internet das coisas, influenciam a vida cotidiana do cidadão comum.

Utilizei o termo pesquisadoras, pois o grupo de depoentes é formado majoritariamente por mulheres. Um diferencial no documentário, que subverte a lógica de fala patriarcal do ocidente ao trazer para conversa outras vozes no campo das ciências.

Assim o documentário é tecido com as vozes de Joy Buolamwini, pesquisadora do MIT, ela se autodenomina poeta do código e estuda as implicações da inteligência artificial na sociedade; Cathy O’Neil, cientista de dados e matemática, conhecida por estudar os vieses dos algoritmos; Meredith Broussard, jornalista de dados; Silkie Carlo, diretora do Big Brother Watch, instituição que monitora os usos das tecnologias de reconhecimento facial pela polícia britânica; Virginia Eubanks, professora de estudos das mulheres; Ravi Naik, advogado, que defende causas relacionadas aos direitos digitais; Safiya Umoja Noble, professora e pesquisadora de estudos sobre algoritmos e discriminação; Zeynep Tufekci, professora que se dedica aos estudos sobre big data e algoritmos. A direção é de Shaline Kantayya (estadunidense), uma ativista dos direitos humanos, filha de imigrantes indianos, que vem despontando como diretora nos últimos cinco anos com produções como A Drop of Life, Catching the Sun e Breakthrough. Um grupo respeitável.

Coded bias continua esse processo de divulgação de especificidades dos novos artefatos técnicos que tanto interferem no nosso dia a dia e precisa ser assistido, discutido e compartilhado.

Até a próxima!


Sobre a obra

O que é? Coded bias {documentário}
Quem dirigiu? Shalini Kantayya
De que ano foi? 2020
Quem participou? Joy Buolamwini, Cathy O’Neil, Meredith Broussard, Silkie Carlo, Virginia Eubanks, Ravi Naik, Safiya Umoja Noble, Zeynep Tufekci.
Onde assistir? Netflix
Onde encontro mais informações? Coded bias.

Pensando com Jaron Lanier

Pensar faz bem - Jaron Lanier
Pensar faz bem – Jaron Lanier


Aprendendo a pesquisar – há segredos e truques?

Sobre os segredos das pesquisas
Sobre os segredos das pesquisas

O estudante entra em uma instituição de ensino superior e, acostumado durante o ensino médio a memorizar dicas para passar no vestibular, depara-se com a exigência de ter de aprender a pesquisar. E quanto mais esse estudante avança nos estudos e envereda na pós-graduação, mais ele tem de produzir conhecimento seguindo referenciais científicos.

Isto é uma dor de cabeça para as pessoas que se acostumaram com atividades de ensino e aprendizagem que valorizam a memorização e a obtenção de notas “ótimas” para conseguir um diploma.

Mas a pandemia tem nos ensinado muita coisa, e uma delas é a da necessidade de o Brasil formar mais pesquisadores, desenvolver seres pensantes, menos copistas e mais criadores. E este é um desafio para agora.

No mercado dos livros, a gente encontra muitas obras que abordam a questão da metodologia científica, mas muitas delas se dedicam a trazer regras de como o iniciante em pesquisa deve proceder ou trazem um conjunto de concepções metodológicas como se fosse uma enciclopédia das ciências, tornando os livros mais parecidos com manuais técnicos.

É preciso que o estudante acesse textos que discutam as diversas formas de construção científica, levando em conta como a gente organiza o pensamento e constrói argumentos científicos. Livros assim seriam contributos importantes para um desenvolvimento crítico dos aprendizes de ciência.

No âmbito das ciências sociais, Howard Becker nos oferece uma obra de leitura acessível, mas que não é muito fácil de ser compreendida, sobre a prática e a teoria da pesquisa. Em Segredos e truques da pesquisa, Howard discute em clima leve questões que ajudam no desenvolvimento do raciocínio científico de forma clara e objetiva.

E o leitor não se engane com o título do livro que contém termos como “Segredos e Truques”, o que na verdade acontece na obra é uma discussão bem fundamentada, com bastante exemplos, sobre o fazer científico com rigor nas áreas de ciências sociais.

No livro Howard trata de questões como Representações, Amostragens, Categorias e Conceitos, tão necessários ao trabalho de construção científica, além de discutir a questão da lógica na organização do pensamento para que se possa produzir conhecimento científico organizado.

O livro é bem dialógico. Howard conversa com o leitor, apresenta problemas e discute as questões que atravessam a vida do estudante que deseja conhecer como atuar na ciência. Tudo isto como se tivesse contando histórias, uma viagem prazerosa nos modos de fazer ciência.

A experiência de Becker como cientista social facilita a abordagem dos diversos casos analisados. O autor tem muita facilidade em apresentar casos experimentados por ele, bem como situações vivenciadas por outros cientistas das áreas de ciências sociais.

Fazer ciência em países como o Brasil não é fácil. Fazer ciência nas áreas sociais, muito menos fácil ainda, pois são as áreas que menos recebem incentivos financeiros do Estado brasileiro.

O livro Segredos e truques de pesquisa se insere como um tipo de leitura mais do que recomendável para os que desejam aprender mais sobre como fazer ciência nas áreas sociais. É para ler, pensar e, caso deseje, agir.

Até a próxima!


Sobre a obra

O que é? Segredos e truques da pesquisa (livro)
Quem escreveu? Howard S. Becker
Quem editou? Zahar
Qual o título original? Tricks of the trade (How to Think about Your Research While You’re Doing It)
É de qual ano? 2007