A informação em desordem

A informação em desordem
A informação em desordem

A gente se acostumou a utilizar o termo fake news para tudo quanto é situação, seja para mensagem que contenha sátira ou paródia, para texto de manipulação, propaganda e até para notícias falsas.

Os sites de informação brasileiros estão cheios de postagens com o termo fake news, o que fez a palavra ter uso comum na vida cotidiana do brasileiro.

Claire Wardle, uma estudiosa da comunicação advinda da universidade da Pensilvânia, contesta a utilização do termo fake news e propõe a utilização da terminologia Desordem da Informação. 

Para a pesquisadora, a palavra fake news produz significação dúbia, pois pode ser utilizada tanto para indicar notícias falsas e fraudulentas, quanto para designar qualquer mensagem que um interlocutor não goste ou não concorde. 


Wardle concebe desordem da informação como um fenômeno social provocado por grande escala de dados disseminados na WEB, que resultam em poluição de informação, o que prejudica as relações sociais na Internet. 

Para a pesquisadora muito dessa poluição provoca a contaminação dos conteúdos, que são transmitidos de forma parcial ou são alterados e adulterados, originando relações sociais e políticas desagregadores e depreciativas.

Ainda Claire Wardle ressalta que o fenômeno da desordem da informação se produz por meio de rápida circulação de conteúdos, em crescimento exponencial, em fluxos rápidos e voláteis, que dificultam a identificação das fontes de emissão das mensagens e o alcance destas no ciberespaço. Desta forma, o fluxo informacional de criação, produção (transformação em mídia digital) e compartilhamento de conteúdos fica prejudicado. 

Junte-se a tudo isto, a construção de estilos de mensagens que acionam as emoções das pessoas, provocando cegueiras momentâneas ou duradouras, dependendo das circunstâncias comunicacionais. É o mundo da Pós-Verdade, outro fenômeno social que permeia nossas relações sociais.

O interessante é que a desordem da informação é veiculada por agentes que podem ser humanos, robôs ou ciborgues. Os humanos podem estar travestidos por personalidades outras que não a do verdadeiro criador/divulgador da mensagem; os robôs se passam, geralmente, por seres humanos, o que dá mais credibilidade às mensagens veiculadas. Já ciborgues, humanos e robôs em atuação, são emissores complexos, pois podem produzir amplificação artificializada das mensagens e simular a presença de um humano em um relacionamento mais pessoalizado, forjando uma dinâmica discursiva que mais parece que há uma pessoa conversando com outra pessoa. 

O difícil é o cidadão comum identificar quando está mediando situações comunicativas com robôs, ciborgues ou humanos. Daí a necessidade de se pensar formas de educar as pessoas para lidar com a desordem da informação.

Claire Wardle ainda apresenta três dimensões da desordem da informação, quais sejam: a desinformação, que seria uma informação falsa que é criada/compartilhada, de forma deliberada, para enganar e trazer prejuízo ao interlocutor; a mal-informação, que é uma informação verdadeira utilizada para causar danos a outrem; a informação incorreta, que é compartilhada sem a intenção de prejudicar outras pessoas. Pelas reflexões de Wardle, é possível perceber o quão complexo é lidar com a desordem da informação na atualidade. 

Caso você se interesse em aprofundar o assunto, visite o site First Draf, que é gerenciado por Wardle e descubra o quanto este assunto é palpitante.

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Dois anos de E-Praxe – um relato de uma experiência

Dois anos de E-Praxe
Dois anos de E-Praxe – Direitos da Praxe Educação e Comunicação

O EPraxe completa dois anos de publicação de narrativas relacionadas a trabalho, educação, artes e tecnologia, com foco na vida cotidiana neste mês de junho de 2020.

O blog tem como premissa produzir conteúdos sobre as coisas pelas quais passamos no dia a dia, de forma leve e suave. Aqui não tentamos nos aprofundar nos assuntos, mas fazer um panorama dos conteúdos ligados à educação, ao trabalho, ao cinema, à fotografia, à literatura e à filosofia.
Escrever é um ato de perceber-se no mundo. Também pode ser uma ação para criar pontes por meio das palavras escritas, imagéticas, sonoras e audiovisuais.
Mas esta história não iniciou em 2018: vem bem de mais tempo, quando em setembro de 2006, foi criado o blog Senso Comum que trazia narrativas ligadas ao mundo da educação e das artes em geral, mas não se reportava ao trabalho de forma explícita.
Em 2018 resolvemos criar um blog com a insígnia “.com.br” e nasceu o E-Praxe, que é um projeto que recupera as premissas contidas no Senso Comum, mas com vínculo forte com a questão do trabalho. Imaginamos aqui o trabalhador como ser pensante, que pode intervir no mundo e usufruir das coisas boas que esta vida possa proporcionar.
Assim, no primeiro ano, o E-Praxe se direcionou para tratar de assuntos relacionados ao eixo Educação-Trabalho-Tecnologia. Em 2019, foi, aos poucos, discutindo questões outras imprescindíveis para o bem-estar do trabalhador, quais sejam: arte, lazer e cultura.
Para onde vamos?
No início de 2020, pensamos em reduzir a frequência de postagens de quatro para duas por mês. Mas aí apareceu a pandemia do Covid-19 e fomos motivados a voltar à escrita semanal. Ainda passamos a postar cartões de mobilização sobre a pandemia em mídias digitais como Facebook, Instagram, Twitter e LinkedIn. Nestas mídias, publicamos cartões diariamente, como forma de contribuir para o bem-estar das pessoas neste momento tão controverso.
A partir do mês de maio/2020, iniciamos, de forma bastante tímida, a postar vídeos em nosso canal do Youtube. No canal o internauta poderá encontrar pequenos vídeos sobre conteúdos próximos à proposta do E-Praxe. Lá há três seções que merecem destaque como: a seção Era do Rádio, que traz áudios com crônicas de temas cotidianos; a seção Cinema Mudo, com publicações de vídeo sem áudio, lembrando do tempo em que a criatividade do cinema não dependia da presença de áudio; a seção Videoclipe, que se caracteriza pela oferta de vídeos com recursos audiovisuais.
Todas estas iniciativas buscam criar as referidas pontes com vocês internautas.
Caso deseje conhecer mais sobre Cleonilton Souza, organizador do Blog, visite as páginas de currículo abaixo:

No enxame – a convivência no mundo digital

No enxame. Feito por E-Praxe

 

No enxame é um livro com uma mensagem curta e precisa, mas se você o ler de uma só vez, aconselho a fazer uma segunda leitura. 

Se conseguir amigos para discutir as perspetivas do digital trazidas por Han, então, será ainda melhor! Revisitando autores como Foucault e Flusser, Han aborda as questões psicossociais do digital, passando por dimensões como o hipercontrole da informação pelo qual vivemos hoje, indo até questões como as imagens dos aparatos técnicos organizam e determinam o nosso modo de viver.
Desta forma, o pensador vai destilando temas como a autoexposição na WEB, a dinâmica das relações sociais monitoradas, em que o respeito mútuo vem perdendo cada vez mais força, chegando a problemas como cansaço da informação e crise da representação.
No enxame põe o dedo arguto sobre este estado de convivência social que vivemos, em que a dimensão cidadã vai aos passos largos cedendo lugar à dimensão consumidora. Esta, por sinal, regida pelos sistemas algoritmizados de ordenação da vida em rede.
No enxame é uma leitura imprescindível nesta era do big data, da inteligência artificial e da internet das coisas, em que homens e mulheres convivem mediados por tantos aparatos técnicos.

O quê? No enxame – perspectivas do digital

Quem editou? Vozes
Quem é o autor? Byung-Chul Han
 
Até a próxima!

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A jornada do humano

A jornada do humano - feito por E-Praxe
A jornada do humano – feito por E-Praxe

 

Prepare a pipoca e deixe espírito viajar no belíssimo documentário Humano – uma viagem pela vida.
 
Trata-se de uma preciosidade de narrativa, que se converte em um tratado sobre as questões da natureza, da cultura e da humanidade.
 
Por meio de depoimentos de pessoas simples, gente comum, que exercem o próprio lugar de fala, o documentário nos convida a discutir questões sobre o amor a morte, o ódio, a discriminação, a desigualdade, a fome, a esperança, a felicidade, o sexo, entre outras coisas.
 
A fotografia do documentário é belíssima, pois traz, em conjunto com a trilha sonora ímpar, imagens da natureza e dos homens sustentadas por momentos sem igual de fluidez estética.
 
Nesses tempos de pandemia, em que a pulsão de morte nos espreita e faz florescer nossos medos mais profundos, repensar a vida e desfrutar de momentos de contemplação e de entendimento de nossa natureza cultural, política, antropológica e social é mais do que necessário. 
 
O documentário está disponível na plataforma da Prime Vídeos. São pouco mais de duas horas de entretenimento e muita aprendizagem.
 
Tire um tempo para você mesmo, assista ao documentário e volte ao cotidiano para lidar melhor com a pandemia.
 

***

Pós-Escrita

Eu sou pobre
Agora vou definir pobreza
O que é pobreza para mim?
É quando eu preciso ir à escola, mas não posso ir
Quando preciso comer, mas não posso
Quando preciso dormir, mas não posso
Quando minha mulher e meus filhos sofrem.
Não tem o nível intelectual necessário para sair dessa situação.
Nem eu nem minha família
Eu me sinto realmente pobre
No corpo e na mente
E vocês ricos que estão me ouvindo,
O que têm a dizer sobre sua riqueza?
Fala de um dos entrevistados

Sem palavras


***
O quê? Humano – uma viagem pela vida
Quando? 2015
Quanto tempo? 144 min
Quem dirigiu? Yann Arthus-Bertrand
De onde é? França
***

Até a próxima!

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Congresso Virtual UFBA 2020

Logotipo do Congresso Virtual UFBA 2020
 

 

No período de 18 a 29 de maio de 2020, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) realizou o Congresso Virtual UFBA 2020, que teve como premissa ser “um espaço de interlocução entre os mais diversos saberes produzidos na universidade”, segundo o realizadores.

Neste período de pandemia, a ideia foi muito bem-vinda, pois a UFBA conseguiu criar, renovar e inovar, trazendo para debate pensadores de diversas regiões do Brasil, para discutir questões de interesse da nação brasileira.

O congresso foi realizado de forma remota e teve como atividades a realização de mesas e outras formas de discussão, videopôsteres de estudantes e intervenções artísticas.

O Congresso Virtual deixará um legado de 460 gravações de mesas de discussões sobre temas da atualidade e 640 videopôsteres frutos da experiência acadêmica dos estudantes. Todo material do evento está arquivado na TV UFBA, localizada no Youtube.

Fizemos um levantamento de palavras-chave relacionadas à educação  e à pandemia e obtivemos os resultados abaixo.

 

Quadro de conteúdos Congresso Virtual UFBA 2020
Alguns conteúdos do Congresso UFBA 2020
O acervo ficou bem diversificado, pois teve participação de profissionais e estudantes de todo o Brasil.
 

Participamos do evento com dois videopôsteres e duas intervenções artísticas, conforme abaixo:

Videopôsteres

. Aplicabilidade do círculo de cultura em contextos de pós-verdade

. O diálogo em Paulo Freire nas cenas de cinema

 

Intervenções Artísticas

. A intolerância em mim (podcast de uma crônica)

. Poemas em cinco atos

Até a próxima!

 

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O ciclo copiar e colar

Imagem Ciclo copiar e colar - feita por E-Praxe
Fiquei pasmado ao participar de um grupo de WhatsApp e notar que os profissionais estavam compartilhando cópias piratas dos livros de um autor, mesmo sabendo que havia representantes dos direitos autorais do escritor fazendo parte das conversações.
Outro dia me deparei com uma indicação excelente de leitura feita por um professor e fui atrás da obra. Era um autor estrangeiro. Quando encontrei o artigo percebi que só era possível lê-lo se eu pagasse uma taxa à plataforma de guarda do arquivo.
A gente já se acostumou a entrar em repositórios de artigos e baixar indistintamente pesquisas que são do nosso interesse e não pensa em recompensar o autor pelo dispêndio realizado na pesquisa. Às vezes a gente até deixa de citá-los nas nossas produções acadêmicas, mesmo tendo aprendido muito com a obra lida.
Gosto muito de utilizar software livre, mas observei que nunca fiz uma doação ao criador do aplicativo. Como essas pessoas então fazem para sobreviver se vou lá, consumo informação e não dou retorno?
Defender software livre e não ajudar a causa torna-se desse jeito somente uma teorização, que é muito distante da realidade.
Na academia sempre evitei usar cópias de livros inteiros, mas sempre havia em casa um ou dois pacotes de cópias impressas que foram distribuídas durante a vida acadêmica.
Quando terminei a licenciatura, peguei todos aqueles fragmentos de livros e joguei fora. Busquei comprar os livros que eram significativos para a minha vida profissional e me senti um tanto que aliviado de tanto consumir sem pagar.
Veja como é difícil lidar com essa cultura do copia e cola. Ela se entende por toda a nossa vida cotidiana, dando aparência de normalidade aos atos de copiar e colar. Afinal de contas deve ser um horror comprar livros, que dirá, artigos ou mesmo fazer assinaturas de revistas eletrônicas para ser informado.
Para pensar:
Isso desencadeia uma outra discussão, sobre professores que gostam de escrever coisas onde os alunos possam vê-la, e alunos que gostam de ter coisas escritas para copiá-las facilmente em seus cadernos, e que noção do processo educacional isso implica. 
Howard Becker, em Segredos e truques da pesquisa, p. 270 

Até a próxima!

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Aprender a perseverar com Freud

A jornada de Freud
A jornada de Freud. Direitos da Praxe Educação e Comunicação
 
O que me chamou a atenção na série Freud não foi a sequência sobre o Complexo de Édipo, em que o psicanalista entra em processo de amadurecimento pessoal e profissional e busca emancipar-se diante da vida.
Não foi também a bem articulada sequência de temas sobre os pontos centrais da concepção de psicanálise trabalhada por Freud.
As cenas picantes da série são impressionantes também não se revelaram primordiais para assistir à peça imagética.
Apesar das fortes cenas que giravam entre o sobrenatural e a dissimulação, isto não me causou tanto impacto.
Não sentir impacto também com a jornada de libertação do protagonista das grades psíquicas da trindade paterna representada pelo pai biológico, pelo pai-mentor intelectual e pelo pai-opositor do cientista.
O que mais me impressionou foi justamente a determinação do pensador para estabelecer novo paradigma nas ciências, inaugurando uma forma diferenciada de estudar a psique humana, não mais presa somente às dimensões fisiológicas que até então vigorava.
Na série, Freud inicia uma jornada de aprendizagem e de busca de identidade diante do estabelecido, dos paradigmas existentes, instituindo um novo olhar sobre a psique humana ao discutir temas como histeria, trauma, sonambulismo, totem e tabu, desejos, regressão, catarse e supressão.
As ideias do pensador não eram benquistas na época, o que lhe causou muita dúvida quanto à continuidade da produção intelectual que teria de construir, mas que, ao mesmo tempo, o motivou a produzir um conjunto singular de conhecimentos a respeito da alma humana.
No mínimo a série servirá de inspiração para que haja novas leituras sobre o pensamento de um dos grandes cientistas das humanidades no século XX. 

Vai assistir? Você decide.
 
O quê? Freud
Que é isto? série de TV
Quem dirigiu? Marvin Kren
Qual a origem? Áustria
Onde assistir? Netflix

 

 

 

Até a próxima!

 

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Crises e desigualdades educacionais

Crises e Desigualdades Educacionais
Crises e desigualdades educacionais. Imagem da Praxe Educação


São nos momentos de crise que a gente conhece as pessoas e as instituições. É quando os políticos demonstram de que lado eles realmente estão, os religiosos explicitam o que pensam sobre o humano e a espiritualidade, os empresários mostram que tipo de mundo imaginam para a sociedade e os Estados demonstram o quanto estão capacitados para fazer políticas sociais de promoção da equidade. 

 

São nas crises que a gente percebe o quão desiguais são as condições de vida das pessoas que precisam estudar.
Segundo dados da última pesquisa TIC Domicílios 2017, em 29% dos domicílios, há acesso a TV por assinatura; em 23% há computador de mesa; em 29% há notebooks. Ter computador ou notebook em casa e ter acesso à Internet e TV por assinatura são condições básicas para os cidadãos terem acesso à informação em contextos de hiperconectividade. Caso contrário, a participação na modalidade de educação a distância fica prejudicada, pois enquanto uma criança tem acesso a um filme recente na TV paga para realizar uma atividade escolar, outra poderá ficar apartada do processo de ensino-aprendizagem por falta de condições básicas nos usos e acessos às tecnologias dentro da própria casa.
O leitor pode questionar, mas precisa de TV paga? Um smartphone não resolveria? Olha, quando a gente parte para estudar em profundidade, o smartphone é mais um brinquedo, um complemento, do que um instrumento que poderia ser considerado como principal recurso no processo de aprendizagem. As residências precisam de notebooks e tablets, com acesso de banda larga suficiente para acessar sites pesados e assistir a filme de alta resolução.
Não podemos esquecer das muitas pessoas que sobrevivem no século XXI sob as condições de uma Internet precária, que mal dar para enviar uma mensagem de texto com algumas dezenas de caracteres.
O resultado de tudo isto? Muitas crianças, jovens e adultos que não podem participar dos movimentos de educação a distância por causa da carência de condições sociotécnicas e econômicas para estudar.
Enquanto uma parcela da população de estudantes acessa ambientes virtuais de aprendizagem para assistir a vídeos, realizar debates em fóruns, trocar ideias com professores e colegas, participar de bate-papos, um outro grupo ficará em casa sem opção, sem estudos, sem acesso à cultura, enfim: sem educação.
E como pensar em educação se essas mesmas pessoas só têm acesso precário a outros bens sociais tão importantes como assistência médica, previdência social e condições básicas de lazer e higiene?
Pois é, as crises trazem aprendizagens terríveis sobre a vida em comunidade.
A crise demonstra o quanto uma sociedade está preparada para proteger os cidadãos e as cidadãs.
Quando a crise passar, espera-se que estejamos mais atentos aos processos de desigualdades sociais que acontecem no dia a dia, mas que ficam ofuscados por, às vezes, estarmos em situação particular de bem-estar, o que nos faz esquecer as limitações inerentes à vida comunitária.
Que bom seria se todos estivessem em casa hoje, sabendo das dificuldades oriundas da crise, mas em condições mínimas de lazer, de bem-estar, de saúde social e de educação?
Que bom seria se em cada lar houvesse condições para que as crianças, os jovens, os adultos e os idosos pudessem exercer o direito básico garantido na Constituição de acesso à educação?

***

Até a próxima!

As forças invisíveis que agem sobre o trabalho

Cidade invisível - Direitos da Praxe Educação e Comunicação
Cidade Invisível – Direitos da Praxe Educação e Comunicação
Cidade invisível é uma série brasileira que foi apresentada em setembro de 2017 na TV Brasil.
 
A série traz cinco episódios independentes, mas que se inter-relacionam, dando um caráter de unicidade à narrativa. Todas as histórias ocorrem em uma cidade fictícia denominada Nova Esperança, no Pará, e trazem como eixo a questão do trabalho. Vejamos:

 Edmílson – a repetição do trabalho escravo

O primeiro capítulo conta a história de Edmilson, emigrante desempregado, que parte para Nova Esperança com desejo de trabalhar e ganhar dinheiro para melhoria de vida. O ambiente de trabalho é uma floresta com madeira a ser abatida. A propriedade pertence a um grande proprietário da localidade, que não aparece nas cenas do capítulo. Da expectativa de um trabalho promissor, Edmilson se depara com condições sub-humanas de trabalho, em um processo crescente de escravidão.
 

Rubens – o subempregado que não pode adoecer

A situação de Rubens não é diferente. Ele também se desloca para a cidade da nova esperança e consegue um emprego em um frigorífico. Na verdade, uma grande empresa na região, que recebe trabalhadores de diversas partes do país e os coloca em situação de risco de saúde, sem direito a vida fora do trabalho, com dificuldade de moradia e sem opções de viver de outra maneira.
 

Ivonete – a prostituição

Todos os trabalhadores se encontram no prostíbulo da cidade. Aqui acontece a opressão da opressão. Aqui é o submundo do trabalho. Ivonete sobrevive entre as músicas tristes da prostituição, dos arroubos dos patrões e das pseudocompreensão dos clientes.
 

Alex – trabalho infantil

Cidade invisível tem o mérito de radiografar aquelas práticas cotidianas que estão em nosso entorno e fingimos não ver: o trabalho infantil é uma coisa tão distante, que não conseguimos enxergá-lo de perto quando nos deparamos com ele. E a história de Alex demonstra como o trabalho infantil é uma das ramificações do trabalho escravo.
 

Moacir e os herdeiros do capitalismo

Permeando todos os capítulos está Moacir, um filho do capitalismo, que teve a oportunidade de estudar fora do país e sempre usufruiu das benesses da exploração do Capital. Na narrativa ele vai tomando consciência da problemática do trabalho e da mais valia. Ele vai descobrindo o quanto o processo de desigualdades sociais contribui para o estado de coisas pelas quais passamos no Brasil atualmente.
Este capítulo é um tanto que utópico, pois tenta resgatar no opressor uma tomada de posição quanto à invisibilidade da exploração do trabalho pelo capital. Será que há redenção?

Assista e pense por você mesmo.

 
***
 
O quê?Cidade invisível
Que é isto?série de TV
Quem dirigiu? Thiago Foresti e Renan Montenegro
Qual a origem?Brasil
Onde assistir?Amazon
 
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Até a próxima!

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A pandemia como motivo de desinformação

A pandemia como motivo de desinformação
A pandemia como motivo de desinformação – Imagem E-Praxe

Você sabia que a transmissão de eventos na WEB para arrecadação de comida, dinheiro e produtos de limpeza durante a pandemia é um modelo de negócio, que gera resultados lucrativos para grandes empresas?

Depois que assistiu ao evento WEB, você procurou saber qual foi a destinação dos bens recebidos?
Você procurou saber quanto custou a apresentação ao vivo do evento e quem pagou a conta?
***
Se essas perguntas te incomodaram, então seja bem-vindo ao mundo da desinformação.
A desinformação é uma situação dinâmica: em alguns momentos estamos bem informados sobre uma determinada questão, já em outros, precisamos correr atrás para que não sejamos engolidos pela onda das supressões e ocultações da verdade que nos rodeia.
Que o leitor não fique achando que iniciativas de negócios como as lives sejam ruins ou não devam existir. O exemplo acima foi para demonstrar como coisas da vida cotidiana podem vir a nós de uma forma que podemos não enxergar a totalidade da questão social.
O que o pessoal das lives tem feito é utilizar uma forma de fazer negócios que se vincula ao que se vem chamando de responsabilidade socioambiental, quando a empresa busca lucro e ao mesmo tempo procura ajudar os mais necessitados.
Com a responsabilidade socioambiental as empresas podem obter ao mesmo tempo lucros econômico-financeiros e ganhos com imagens e fidelização de clientes. Existe alguma coisa de mal nisto? Claro que não, desde que o cliente seja bem informado sobre a forma como o negócio está sendo conduzido.
Observe que para lançar uma live de sucesso é necessário ter um bom suporte financeiro para tornar pública a iniciativa, não só na Internet, mas também nos meios tradicionais de comunicação. Outros custos vêm junto como decorar o “suposto quintal da casa” para que pareça um local propício à apresentação; precisa-se de dinheiro também para inserir meios de recebimento das doações, que acontecem sob diversas modalidades, e pagar custos com pessoal e com terceiros para que a apresentação aconteça sem muitos problemas. Isto tudo envolve dinheiro.
O interessante é que a gente não se interessa por nada disto, o que a gente deseja é mesmo assistir ao show e se divertir, mas se estamos alheios às observações acima, estamos desinformados.
Trouxemos este exemplo bem polêmico, que mexe com as emoções de muita gente, para demonstrar o quão complexo é o problema da desinformação. Ele envolve ocultamento de informação ou mesmo compartilhamento de parte da informação verdadeira, assim como pode vir carregado de distorção e negação da verdade. Desinformação é algo que sempre esteve no cerne das relações humanas e precisamos aprender a lidar com isto.
Reafirmamos que somos favoráveis à existência de lives, mas algumas coisas dos bastidores dessas práticas precisam estar bem explícitas para o cidadão, para que este não pense que a iniciativa é totalmente voluntária e caridosa.
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E mais:
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Você sabia que o termo fake news tem significação dúbia? Pode significar informação deturpada, bem como servir para tachar a palavra do outro como mentirosa simplesmente porque quem denomina assim a palavra não gosta do que está lendo ou ouvindo?
Você sabia que estamos também no tempo da Pós-Verdade, em que as pessoas, levadas por arroubos emocionais, terminam por crer em mentiras?
Você sabia que há muito robôs circulando na Internet ampliando o compartilhamento de informações maliciosas sobre a pandemia do coronavírus?
Você sabia que os robôs de fake news nem sempre propagam informações deletérias sobre as pessoas, muitas vezes eles agem fazendo promoção positiva de alguma situação, pessoa ou entidade? E que essas informações aparentemente positivas podem não ser verdadeiras?
Você sabia que as entidades que realizam checagem de informações para verificação de fatos estão assoberbadas de serviços desde jan. 2020, tratando do tema coronavírus, pois as pessoas continuam publicando e compartilhando desinformação o tempo todo?
Você sabia que o excesso de dados disponíveis pode deixar a pessoa confusa e gerar desinformação?
Você sabia que mesmo com a campanha para as pessoas ficarem em casa, há muita gente na rua, caminhando, passeando com o cachorro ou andando de bicicleta? Estas pessoas estão informadas ou desinformadas? Ou elas estão condicionadas pela Pós-Verdade
Você tem ciência de que, para quem estar em casa, lavar as mãos é o suficiente? Que não precisamos sair correndo para comprar álcool gel de qualquer jeito e a qualquer preço?
Você sabe o que o Estado brasileiro fez para combater um possível aumento de incidência de coronavírus no período de janeiro a 17 de março de 2020, antes da ampliação da pandemia?
Pode não parecer, mas os assuntos acima interessam a todos os brasileiros. A informação é o cerne da nossa vida. Então vamos nos responsabilizar por ela.
Até a próxima!

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É hora da faxina eletrônica

É hora da faxina eletrônica
É hora da faxina eletrônica. Imagem E-Praxe

 

Já assistiu a todas as séries e filmes na TV, ouviu as músicas de que mais gostava, leu, leu e releu os livros e revistas que estavam na estante. Olha para a rua e tudo está deserto por causa da pandemia.

Que fazer agora?

Que fazer tal uma faxina eletrônica e colocar em dia um dos seus bens mais preciosos: a informação?

Se gostou da ideia, primeiro vá a seus browsers e limpe o histórico de navegação. Não tenha pena: limpe tudo. Não deixe que terceiros monitores seus rastros. Cuide bem de sua privacidade.
Depois vá aos aplicativos de fotos nas nuvens e rastreie as imagens de documentos que porventura você teve de armazenar para fazer inscrições em concursos e outras coisas mais. Você irá se surpreender com a quantidade de cópias de identidade, CPF e certidão de nascimento que estão navegando na WEB.
Agora procure suas contas de e-mail e organize os documentos na ordem que for mais fácil de você gerenciar. Aqui na Praxe, organizamos os documentos por ano. Deixe sua Caixa de Entrada limpa e límpida. Quando a onda da pandemia passar, você será outro em termos de organização.
Por sinal, como está a estrutura de sua pasta Documentos? Cheia de arquivos que você não usa mais? Separe os arquivos por ordem de prioridade, classifique alguns como “Modelos”, transfira o que não usa há muito tempo para outras pastas. Você não sabe o bem que isto faz.
Se você estiver utilizando um notebook ou desktop, provavelmente terá na tela uma barra de aplicativos, localizada na parte inferior do seu monitor. Rastreie novamente e verifique quais aplicativos você não utiliza com frequência. Tire tudo que não for útil. Seu computador ficará bem mais rápido depois.
Não esqueça de verificar se você não utiliza mais de uma conta em plataformas de mídias sociais como Facebook, Twitter, Instagram ou LinkedIn. Com cadastro em mídias sociais WEB, a gente corre o risco de ter as contas de pouco, o que pode gerar prejuízos futuros.

Gostou das ideias? Mão na massa, então.

Até a próxima!

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Desigualdades digitais em tempos de pandemia

Desigualdades digitais em tempos de pandemia
Desigualdades digitais em tempos de pandemia. Imagem E-Praxe
Nestes tempos de coronavírus, a ajuda que é direcionada aos pobres vem com uma exigência: os cidadãos precisam ter acesso à Internet.
Para se ter uma ideia, um cidadão para ser usuário WEB necessita ter uma conta mensal pré-paga de controle que custa no mínimo R$ 39,90 por celular. Isto nos tempos de promoção, o que equivale a quase 4% do salário mínimo. Já uma assinatura residencial de banda larga é de pelo menos R$ 100,00, o que corresponde a quase 10% do salário mínimo.
Segundo dados do Cetic.br, no relatório TIC Domicílios 2018 (p. 273), 27% dos domínios brasileiros ainda não têm acesso à Internet, por motivo de a região do domicílio não ter infraestrutura para Internet.
Na hora que é implantada a política social para combater a pandemia, o cidadão se ver refém de recursos técnicos que não pode usufruir.
Na prática, o Estado lança a política, que exige proficiência de usos da Internet, cujos acessos funcionam melhor em notebooks ou desktops, deixando os usuários de dispositivos móveis com sérios problemas de acessos aos direitos sociais, pois nem todo cidadão possui celular com configuração mínima para acessar determinados aplicativos móveis.
O que ocorreu é que o programa social de banda larga ainda não atendeu à maior parte da população brasileira. Quer saber o que é banda larga brasileira, visite municípios com número de habitantes inferior a 20.000 cidadãos e você saberá o que é a Internet no Brasil. Ainda, a televisão digital não alcançou todos os nossos municípios, outro canal de informação nestes tempos de hiperconectividade.
Com os problemas da falta de acesso na região e os altos preços para a população mais pobre, o cidadão tem de procurar atendimentos presenciais, nas situações em que o Estado utiliza como padrão o atendimento WEB. Isto é um desgaste. Na maioria das vezes é atribuída ao cidadão incompetência por não saber utilizar a WEB, ficando ofuscada a responsabilidade de o Estado diante do problema social.
Quanto aos usos dos serviços prestados pelo governo eletrônico, 45% dos cidadãos declararam que não utilizaram tais serviços nos últimos 12 meses anteriores ao período da pesquisa (TIC Domicílios 2018, p. 321). Como direcionar os serviços para o ambiente WEB se quase metade dos brasileiros não participa dessa dinâmica de relações cidadãs?
O último fator que dificulta os acessos WEB é o da educação do cidadão quanto a navegar na Internet, pois quanto mais baixo é o nível de instrução do brasileiro, aumenta o percentual de pessoas que não utilizaram serviços do governo eletrônico pela Internet, o que chega a 67% dos brasileiros que estão nos níveis de não alfabetização e de ensino fundamental.
Todas essas questões, repetimos aqui em nosso blog, ficam mais evidentes quando crises como a do Coronavírus aparecem.
Estamos em um contexto de desigualdades digitais no país, que aparta os que têm mais renda, dos que não as têm, dos que estudaram mais dos que estudaram menos.

Há muito o que aprender com os refluxos dessa pandemia.

Veja+ em:
Plano Nacional de Banda Larga – Informações Básicas

TIC Domicílios 2018

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