Aprender a perseverar com Freud

A jornada de Freud
A jornada de Freud. Direitos da Praxe Educação e Comunicação
 
O que me chamou a atenção na série Freud não foi a sequência sobre o Complexo de Édipo, em que o psicanalista entra em processo de amadurecimento pessoal e profissional e busca emancipar-se diante da vida.
Não foi também a bem articulada sequência de temas sobre os pontos centrais da concepção de psicanálise trabalhada por Freud.
As cenas picantes da série são impressionantes também não se revelaram primordiais para assistir à peça imagética.
Apesar das fortes cenas que giravam entre o sobrenatural e a dissimulação, isto não me causou tanto impacto.
Não sentir impacto também com a jornada de libertação do protagonista das grades psíquicas da trindade paterna representada pelo pai biológico, pelo pai-mentor intelectual e pelo pai-opositor do cientista.
O que mais me impressionou foi justamente a determinação do pensador para estabelecer novo paradigma nas ciências, inaugurando uma forma diferenciada de estudar a psique humana, não mais presa somente às dimensões fisiológicas que até então vigorava.
Na série, Freud inicia uma jornada de aprendizagem e de busca de identidade diante do estabelecido, dos paradigmas existentes, instituindo um novo olhar sobre a psique humana ao discutir temas como histeria, trauma, sonambulismo, totem e tabu, desejos, regressão, catarse e supressão.
As ideias do pensador não eram benquistas na época, o que lhe causou muita dúvida quanto à continuidade da produção intelectual que teria de construir, mas que, ao mesmo tempo, o motivou a produzir um conjunto singular de conhecimentos a respeito da alma humana.
No mínimo a série servirá de inspiração para que haja novas leituras sobre o pensamento de um dos grandes cientistas das humanidades no século XX. 

Vai assistir? Você decide.
 
O quê? Freud
Que é isto? série de TV
Quem dirigiu? Marvin Kren
Qual a origem? Áustria
Onde assistir? Netflix

 

 

 

Até a próxima!

 

#EducarNaPraxe

Crises e desigualdades educacionais

Crises e Desigualdades Educacionais
Crises e desigualdades educacionais. Imagem da Praxe Educação


São nos momentos de crise que a gente conhece as pessoas e as instituições. É quando os políticos demonstram de que lado eles realmente estão, os religiosos explicitam o que pensam sobre o humano e a espiritualidade, os empresários mostram que tipo de mundo imaginam para a sociedade e os Estados demonstram o quanto estão capacitados para fazer políticas sociais de promoção da equidade. 

 

São nas crises que a gente percebe o quão desiguais são as condições de vida das pessoas que precisam estudar.
Segundo dados da última pesquisa TIC Domicílios 2017, em 29% dos domicílios, há acesso a TV por assinatura; em 23% há computador de mesa; em 29% há notebooks. Ter computador ou notebook em casa e ter acesso à Internet e TV por assinatura são condições básicas para os cidadãos terem acesso à informação em contextos de hiperconectividade. Caso contrário, a participação na modalidade de educação a distância fica prejudicada, pois enquanto uma criança tem acesso a um filme recente na TV paga para realizar uma atividade escolar, outra poderá ficar apartada do processo de ensino-aprendizagem por falta de condições básicas nos usos e acessos às tecnologias dentro da própria casa.
O leitor pode questionar, mas precisa de TV paga? Um smartphone não resolveria? Olha, quando a gente parte para estudar em profundidade, o smartphone é mais um brinquedo, um complemento, do que um instrumento que poderia ser considerado como principal recurso no processo de aprendizagem. As residências precisam de notebooks e tablets, com acesso de banda larga suficiente para acessar sites pesados e assistir a filme de alta resolução.
Não podemos esquecer das muitas pessoas que sobrevivem no século XXI sob as condições de uma Internet precária, que mal dar para enviar uma mensagem de texto com algumas dezenas de caracteres.
O resultado de tudo isto? Muitas crianças, jovens e adultos que não podem participar dos movimentos de educação a distância por causa da carência de condições sociotécnicas e econômicas para estudar.
Enquanto uma parcela da população de estudantes acessa ambientes virtuais de aprendizagem para assistir a vídeos, realizar debates em fóruns, trocar ideias com professores e colegas, participar de bate-papos, um outro grupo ficará em casa sem opção, sem estudos, sem acesso à cultura, enfim: sem educação.
E como pensar em educação se essas mesmas pessoas só têm acesso precário a outros bens sociais tão importantes como assistência médica, previdência social e condições básicas de lazer e higiene?
Pois é, as crises trazem aprendizagens terríveis sobre a vida em comunidade.
A crise demonstra o quanto uma sociedade está preparada para proteger os cidadãos e as cidadãs.
Quando a crise passar, espera-se que estejamos mais atentos aos processos de desigualdades sociais que acontecem no dia a dia, mas que ficam ofuscados por, às vezes, estarmos em situação particular de bem-estar, o que nos faz esquecer as limitações inerentes à vida comunitária.
Que bom seria se todos estivessem em casa hoje, sabendo das dificuldades oriundas da crise, mas em condições mínimas de lazer, de bem-estar, de saúde social e de educação?
Que bom seria se em cada lar houvesse condições para que as crianças, os jovens, os adultos e os idosos pudessem exercer o direito básico garantido na Constituição de acesso à educação?

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Até a próxima!

As forças invisíveis que agem sobre o trabalho

Cidade invisível - Direitos da Praxe Educação e Comunicação
Cidade Invisível – Direitos da Praxe Educação e Comunicação
Cidade invisível é uma série brasileira que foi apresentada em setembro de 2017 na TV Brasil.
 
A série traz cinco episódios independentes, mas que se inter-relacionam, dando um caráter de unicidade à narrativa. Todas as histórias ocorrem em uma cidade fictícia denominada Nova Esperança, no Pará, e trazem como eixo a questão do trabalho. Vejamos:

 Edmílson – a repetição do trabalho escravo

O primeiro capítulo conta a história de Edmilson, emigrante desempregado, que parte para Nova Esperança com desejo de trabalhar e ganhar dinheiro para melhoria de vida. O ambiente de trabalho é uma floresta com madeira a ser abatida. A propriedade pertence a um grande proprietário da localidade, que não aparece nas cenas do capítulo. Da expectativa de um trabalho promissor, Edmilson se depara com condições sub-humanas de trabalho, em um processo crescente de escravidão.
 

Rubens – o subempregado que não pode adoecer

A situação de Rubens não é diferente. Ele também se desloca para a cidade da nova esperança e consegue um emprego em um frigorífico. Na verdade, uma grande empresa na região, que recebe trabalhadores de diversas partes do país e os coloca em situação de risco de saúde, sem direito a vida fora do trabalho, com dificuldade de moradia e sem opções de viver de outra maneira.
 

Ivonete – a prostituição

Todos os trabalhadores se encontram no prostíbulo da cidade. Aqui acontece a opressão da opressão. Aqui é o submundo do trabalho. Ivonete sobrevive entre as músicas tristes da prostituição, dos arroubos dos patrões e das pseudocompreensão dos clientes.
 

Alex – trabalho infantil

Cidade invisível tem o mérito de radiografar aquelas práticas cotidianas que estão em nosso entorno e fingimos não ver: o trabalho infantil é uma coisa tão distante, que não conseguimos enxergá-lo de perto quando nos deparamos com ele. E a história de Alex demonstra como o trabalho infantil é uma das ramificações do trabalho escravo.
 

Moacir e os herdeiros do capitalismo

Permeando todos os capítulos está Moacir, um filho do capitalismo, que teve a oportunidade de estudar fora do país e sempre usufruiu das benesses da exploração do Capital. Na narrativa ele vai tomando consciência da problemática do trabalho e da mais valia. Ele vai descobrindo o quanto o processo de desigualdades sociais contribui para o estado de coisas pelas quais passamos no Brasil atualmente.
Este capítulo é um tanto que utópico, pois tenta resgatar no opressor uma tomada de posição quanto à invisibilidade da exploração do trabalho pelo capital. Será que há redenção?

Assista e pense por você mesmo.

 
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O quê?Cidade invisível
Que é isto?série de TV
Quem dirigiu? Thiago Foresti e Renan Montenegro
Qual a origem?Brasil
Onde assistir?Amazon
 
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Até a próxima!

Leia+

 

#EducarNaPraxe

A pandemia como motivo de desinformação

A pandemia como motivo de desinformação
A pandemia como motivo de desinformação – Imagem E-Praxe

Você sabia que a transmissão de eventos na WEB para arrecadação de comida, dinheiro e produtos de limpeza durante a pandemia é um modelo de negócio, que gera resultados lucrativos para grandes empresas?

Depois que assistiu ao evento WEB, você procurou saber qual foi a destinação dos bens recebidos?
Você procurou saber quanto custou a apresentação ao vivo do evento e quem pagou a conta?
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Se essas perguntas te incomodaram, então seja bem-vindo ao mundo da desinformação.
A desinformação é uma situação dinâmica: em alguns momentos estamos bem informados sobre uma determinada questão, já em outros, precisamos correr atrás para que não sejamos engolidos pela onda das supressões e ocultações da verdade que nos rodeia.
Que o leitor não fique achando que iniciativas de negócios como as lives sejam ruins ou não devam existir. O exemplo acima foi para demonstrar como coisas da vida cotidiana podem vir a nós de uma forma que podemos não enxergar a totalidade da questão social.
O que o pessoal das lives tem feito é utilizar uma forma de fazer negócios que se vincula ao que se vem chamando de responsabilidade socioambiental, quando a empresa busca lucro e ao mesmo tempo procura ajudar os mais necessitados.
Com a responsabilidade socioambiental as empresas podem obter ao mesmo tempo lucros econômico-financeiros e ganhos com imagens e fidelização de clientes. Existe alguma coisa de mal nisto? Claro que não, desde que o cliente seja bem informado sobre a forma como o negócio está sendo conduzido.
Observe que para lançar uma live de sucesso é necessário ter um bom suporte financeiro para tornar pública a iniciativa, não só na Internet, mas também nos meios tradicionais de comunicação. Outros custos vêm junto como decorar o “suposto quintal da casa” para que pareça um local propício à apresentação; precisa-se de dinheiro também para inserir meios de recebimento das doações, que acontecem sob diversas modalidades, e pagar custos com pessoal e com terceiros para que a apresentação aconteça sem muitos problemas. Isto tudo envolve dinheiro.
O interessante é que a gente não se interessa por nada disto, o que a gente deseja é mesmo assistir ao show e se divertir, mas se estamos alheios às observações acima, estamos desinformados.
Trouxemos este exemplo bem polêmico, que mexe com as emoções de muita gente, para demonstrar o quão complexo é o problema da desinformação. Ele envolve ocultamento de informação ou mesmo compartilhamento de parte da informação verdadeira, assim como pode vir carregado de distorção e negação da verdade. Desinformação é algo que sempre esteve no cerne das relações humanas e precisamos aprender a lidar com isto.
Reafirmamos que somos favoráveis à existência de lives, mas algumas coisas dos bastidores dessas práticas precisam estar bem explícitas para o cidadão, para que este não pense que a iniciativa é totalmente voluntária e caridosa.
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E mais:
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Você sabia que o termo fake news tem significação dúbia? Pode significar informação deturpada, bem como servir para tachar a palavra do outro como mentirosa simplesmente porque quem denomina assim a palavra não gosta do que está lendo ou ouvindo?
Você sabia que estamos também no tempo da Pós-Verdade, em que as pessoas, levadas por arroubos emocionais, terminam por crer em mentiras?
Você sabia que há muito robôs circulando na Internet ampliando o compartilhamento de informações maliciosas sobre a pandemia do coronavírus?
Você sabia que os robôs de fake news nem sempre propagam informações deletérias sobre as pessoas, muitas vezes eles agem fazendo promoção positiva de alguma situação, pessoa ou entidade? E que essas informações aparentemente positivas podem não ser verdadeiras?
Você sabia que as entidades que realizam checagem de informações para verificação de fatos estão assoberbadas de serviços desde jan. 2020, tratando do tema coronavírus, pois as pessoas continuam publicando e compartilhando desinformação o tempo todo?
Você sabia que o excesso de dados disponíveis pode deixar a pessoa confusa e gerar desinformação?
Você sabia que mesmo com a campanha para as pessoas ficarem em casa, há muita gente na rua, caminhando, passeando com o cachorro ou andando de bicicleta? Estas pessoas estão informadas ou desinformadas? Ou elas estão condicionadas pela Pós-Verdade
Você tem ciência de que, para quem estar em casa, lavar as mãos é o suficiente? Que não precisamos sair correndo para comprar álcool gel de qualquer jeito e a qualquer preço?
Você sabe o que o Estado brasileiro fez para combater um possível aumento de incidência de coronavírus no período de janeiro a 17 de março de 2020, antes da ampliação da pandemia?
Pode não parecer, mas os assuntos acima interessam a todos os brasileiros. A informação é o cerne da nossa vida. Então vamos nos responsabilizar por ela.
Até a próxima!

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#EducarNaPraxe

É hora da faxina eletrônica

É hora da faxina eletrônica
É hora da faxina eletrônica. Imagem E-Praxe

 

Já assistiu a todas as séries e filmes na TV, ouviu as músicas de que mais gostava, leu, leu e releu os livros e revistas que estavam na estante. Olha para a rua e tudo está deserto por causa da pandemia.

Que fazer agora?

Que fazer tal uma faxina eletrônica e colocar em dia um dos seus bens mais preciosos: a informação?

Se gostou da ideia, primeiro vá a seus browsers e limpe o histórico de navegação. Não tenha pena: limpe tudo. Não deixe que terceiros monitores seus rastros. Cuide bem de sua privacidade.
Depois vá aos aplicativos de fotos nas nuvens e rastreie as imagens de documentos que porventura você teve de armazenar para fazer inscrições em concursos e outras coisas mais. Você irá se surpreender com a quantidade de cópias de identidade, CPF e certidão de nascimento que estão navegando na WEB.
Agora procure suas contas de e-mail e organize os documentos na ordem que for mais fácil de você gerenciar. Aqui na Praxe, organizamos os documentos por ano. Deixe sua Caixa de Entrada limpa e límpida. Quando a onda da pandemia passar, você será outro em termos de organização.
Por sinal, como está a estrutura de sua pasta Documentos? Cheia de arquivos que você não usa mais? Separe os arquivos por ordem de prioridade, classifique alguns como “Modelos”, transfira o que não usa há muito tempo para outras pastas. Você não sabe o bem que isto faz.
Se você estiver utilizando um notebook ou desktop, provavelmente terá na tela uma barra de aplicativos, localizada na parte inferior do seu monitor. Rastreie novamente e verifique quais aplicativos você não utiliza com frequência. Tire tudo que não for útil. Seu computador ficará bem mais rápido depois.
Não esqueça de verificar se você não utiliza mais de uma conta em plataformas de mídias sociais como Facebook, Twitter, Instagram ou LinkedIn. Com cadastro em mídias sociais WEB, a gente corre o risco de ter as contas de pouco, o que pode gerar prejuízos futuros.

Gostou das ideias? Mão na massa, então.

Até a próxima!

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Desigualdades digitais em tempos de pandemia

Desigualdades digitais em tempos de pandemia
Desigualdades digitais em tempos de pandemia. Imagem E-Praxe
Nestes tempos de coronavírus, a ajuda que é direcionada aos pobres vem com uma exigência: os cidadãos precisam ter acesso à Internet.
Para se ter uma ideia, um cidadão para ser usuário WEB necessita ter uma conta mensal pré-paga de controle que custa no mínimo R$ 39,90 por celular. Isto nos tempos de promoção, o que equivale a quase 4% do salário mínimo. Já uma assinatura residencial de banda larga é de pelo menos R$ 100,00, o que corresponde a quase 10% do salário mínimo.
Segundo dados do Cetic.br, no relatório TIC Domicílios 2018 (p. 273), 27% dos domínios brasileiros ainda não têm acesso à Internet, por motivo de a região do domicílio não ter infraestrutura para Internet.
Na hora que é implantada a política social para combater a pandemia, o cidadão se ver refém de recursos técnicos que não pode usufruir.
Na prática, o Estado lança a política, que exige proficiência de usos da Internet, cujos acessos funcionam melhor em notebooks ou desktops, deixando os usuários de dispositivos móveis com sérios problemas de acessos aos direitos sociais, pois nem todo cidadão possui celular com configuração mínima para acessar determinados aplicativos móveis.
O que ocorreu é que o programa social de banda larga ainda não atendeu à maior parte da população brasileira. Quer saber o que é banda larga brasileira, visite municípios com número de habitantes inferior a 20.000 cidadãos e você saberá o que é a Internet no Brasil. Ainda, a televisão digital não alcançou todos os nossos municípios, outro canal de informação nestes tempos de hiperconectividade.
Com os problemas da falta de acesso na região e os altos preços para a população mais pobre, o cidadão tem de procurar atendimentos presenciais, nas situações em que o Estado utiliza como padrão o atendimento WEB. Isto é um desgaste. Na maioria das vezes é atribuída ao cidadão incompetência por não saber utilizar a WEB, ficando ofuscada a responsabilidade de o Estado diante do problema social.
Quanto aos usos dos serviços prestados pelo governo eletrônico, 45% dos cidadãos declararam que não utilizaram tais serviços nos últimos 12 meses anteriores ao período da pesquisa (TIC Domicílios 2018, p. 321). Como direcionar os serviços para o ambiente WEB se quase metade dos brasileiros não participa dessa dinâmica de relações cidadãs?
O último fator que dificulta os acessos WEB é o da educação do cidadão quanto a navegar na Internet, pois quanto mais baixo é o nível de instrução do brasileiro, aumenta o percentual de pessoas que não utilizaram serviços do governo eletrônico pela Internet, o que chega a 67% dos brasileiros que estão nos níveis de não alfabetização e de ensino fundamental.
Todas essas questões, repetimos aqui em nosso blog, ficam mais evidentes quando crises como a do Coronavírus aparecem.
Estamos em um contexto de desigualdades digitais no país, que aparta os que têm mais renda, dos que não as têm, dos que estudaram mais dos que estudaram menos.

Há muito o que aprender com os refluxos dessa pandemia.

Veja+ em:
Plano Nacional de Banda Larga – Informações Básicas

TIC Domicílios 2018

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A encruzilhada do empreendedorismo

A encruzilhada do empreendedorismo
A encruzilhada do empreendedorismo. Imagem da Praxe Educação

Em tempos de crises severas e globais é que se percebe a real dimensão de determinadas ideias que são difundidas país afora.
Uma ideia recorrente defendida por muitos gurus da autoajuda é a infalibilidade da atitude empreendedora. São diversos textos conclamando e convencendo muitos cidadãos a aderirem a estratégias vulneráveis de carreira em empreendedorismo.
Para quem já tem recursos próprios, estudou os fundamentos das ciências econômicas e financeiras, tem facilidade de administrar, conhece marketing, entre outras competências, existe risco, mas bem menor, do que aquele cidadão comum, que não tem capital para investir, não tem crédito na praça para manter o fluxo de caixa, não conhece os fundamentos de economia, administração e outras coisas mais. 


É muito risco até o sonho de ser empreendedor.


Primeiro porque o Brasil se caracteriza por ser uma nação cujos governantes nunca investiram o suficiente para a fomentação da cultura do empreendedorismo. Este movimento dos últimos 10 anos aqui no país, com a criação da figura do microempreendedor, ainda é muito incipiente para considerar que estamos prontos para lidar com a cultura empreendedora. 
Outro ponto é que as escolas que se dedicam a “ensinar” empreendedorismo ainda trabalham com um viés distante da população-alvo: homens e mulheres com pouco nível educacional para conduzir empresas. Só estes dois motivos já seriam suficientes para as pessoas não caírem na onda de que todo mundo pode ser empreendedor. O que fica é a vontade e as falácias de tudo se resolver por meio da criatividade.
Outra questão relevante é a da gerência das finanças pessoais versus as finanças do negócio. Dinheiro do negócio é dinheiro do negócio! Como é difícil as pessoas aceitarem esta obviedade! A mistura desorganizada das finanças pessoais com as do negócio atrapalha muita gente.
Cabe lembrar que a maioria dos empreendedores não sabe fazer fluxo de caixa, que é aprender a fazer projetos dos movimentos econômicos e financeiros em prazos variados. A cultura do Viver o Momento faz com que muita gente não economize, não pague assistência de saúde, não pague previdência social e não pague impostos. 
O resultado disto tudo só aparece nos momentos de crise, quando uma empresa vai ser obrigada a ficar 30, 40 ou 60 dias sem movimento, e o empreendedor não tem recursos suficientes para aguentar tanto tempo sem renda.
É uma situação muito controversa esta pela qual passa uma expressiva quantidade de cidadãos: o empreendedor não quer ser trabalhador e não pode ser patrão, vive em uma área intermediária do mercado, sem proteção, sem informações suficientes e com um futuro incerto.
É o momento de se pensar sobre questões como: de que maneira o empreendedor pode ter uma educação mais próxima da realidade do mercado brasileiro? Como educar o empreendedor para se desenvolver como um gestor de negócios? Como trabalhar a educação do empreendedor para que este aprenda a poupar? Como separar o dinheiro do negócio do dinheiro pessoal? 


Estes são desafios de nossa sociedade para este início de milênio.


Até a próxima!


E aí? Já leu a publicação anterior sobre Desigualdades Educacionais?


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A condição de não saber e as tardes com Margueritte

Imagem Minhas tardes com Margueritte
Tempos atrás eu trabalhava com alfabetização de adultos e testemunhei uma situação inusitada. Havia uma alfabetizanda que demorava de chegar à sala de aula, porque tinha de percorrer um caminho mais longo de casa até a sala de aula. Perguntada sobre a situação, ela revelou em tom um pouco triste que era ridicularizada pelo pessoal da rua, pois não sabia ler e escrever e estava “aprendendo as coisas da escrita muito tarde!”.
 
Aquele foi um sinal sobre a condição de não saber das pessoas adultas diante do mundo letrado.
 
Tempos depois assistir ao filme Minhas tardes com Margueritte e não deu outra: a arte se articulava com as coisas da vida cotidiana.
 
Minhas Tardes com Margueritte conta a história de um homem de meia idade que por motivos diversos não teve oportunidade de se apropriar adequadamente da cultura letrada. Ele passa vexame entre os colegas de bairro por pronunciar palavras fora do padrão da norma culta e desconhecer coisas da cultura erudita. São então diversos os momentos em que ele passa por situações constrangedoras por expressar ignorância sobre determinado assunto.
 
Até que um dia o homem de meia idade encontra um idosa em uma praça e começam a conversar. Inicialmente o assunto era sobre pombos, mas depois vai se ampliando e chega às conversas sobre literatura.
 
A idosa é Margueritte. Ela adora leitura e vai transformando o bate-papo em momentos de sedução e encantamento. Um novo mundo se abre para aquele homem que começa um processo de transformação, que vai da leitura de mundo à leitura da palavra.
 
Aos poucos, a imaginação, a descoberta e a estima vão se entrelaçando e nasce um novo homem. Acontece então uma pedagogia dos afetos. Ambos em estado de solidão, permitem-se conhecer o mundo do outro e crescerem juntos.
Mas não pense os leitores que a estima do adulto se transforma de uma hora para outra: há instantes de hesitação do rapaz que pensa em desistir do que até então aprendera: “Era melhor como antes – Tudo tão simples!”.
 
Minhas Tardes com Margueritte é um filme que conta uma história universal, dessa luta cotidiana que tempos quando nos sentimos inaptos diante de um mundo rodeado de informações. É também uma narrativa que resgata valores de solidariedade, de amor entre as pessoas e de aprendizagem pelo afeto.
 
Assim como não esqueci de ter testemunhado as angustias daquela alfabetizanda, não esquecerei dos sinais instaurados em Minhas Tardes com Margueritte: um tratado de educação pelos afetos.
Até a próxima!
O que? Minhas tardes com Margueritte
De onde é? França
Quem dirigiu? Jean Becker
Quem são os atores: Gérard Depardieu e Gisèle Casadesus
De quando foi? 2010
 

Até a próxima!

Quando a aversão atrapalha a aprendizagem

Quando o desgostar atrapalha a aprendizagem
Quando o desgostar atrapalha a nossa aprendizagem
 
Era o primeiro dia da aula de redação quando perguntei ao estudante por que ele queria aprender a escrever. Fique surpreso quando ele disse que detestava redação, que era uma disciplina dolorosa e necessária. Nas palavras do adolescente as aulas de escrita eram “um castigo”, um “fardo valioso”.
 
Ele era obrigado a estudar para conseguir coisas na vida, mas se pudesse não aprenderia redação.
 
Passei então a falar da minha experiência como aprendiz e disse a ele que tinha paixão por todas as disciplinas, pois achava muito bonito saber que em biologia poderia entender melhor a questão da sustentabilidade, tão em voga hoje. Comentei também sobre o meu gosto pela matemática, mesmo não sendo um aluno de alto nível das exatas.
 
Depois comparei a matemática com a língua portuguesa, apresentando as proximidades entre os números e os textos; mostrei um pouco a afinidade entre a lógica existente na análise sintática e nos exercícios de equações.
 
Ele foi embora e fiquei pensando no mundo do trabalho e de como as pessoas chegam à vida profissional com traumas oriundos de alguma disciplina, não sabendo nós que a soma de todas as disciplinas gera a vida cotidiana, mesmo quando esses saberes são apresentados a nós de forma compartilhada, em um isolamento que nos afasta da realidade.
 
Mas é no trabalho que essa ojeriza por determinadas áreas do saber se tornam mais evidentes, quando a pessoa cria um mundo mágico, pensando que só será feliz ao realizar algo exclusivo na vida: o exercício da profissão “X”, não sabendo que a gente pode se experimentar em várias áreas do conhecimento e descobrir coisas interessantes sobre as próprias competências.
 
Depois da idade adulta, um amigo me procurou e disse que eu, na verdade, não era expert em nenhuma disciplina, mas que procurava aprender todas indistintamente. Acho que isto me ajudou a não me prender a determinada profissão ou área do saber. Para mim todo e qualquer conhecimento faz parte da vida, que precisa ser experimentada.
 
Durante a educação básica esse não apego a uma disciplina era até um problema para mim, pois achava estranho gostar de tanta coisa. Eu tinha medo de não me aprofundar em nada e me tornar um generalista.
 
Hoje olho para minha história de vida profissional e percebo que tentei viver cada disciplina quando esta se aproximou de mim e, a partir daí, comecei a buscar oportunidades de trabalhar melhor.
 
Foi possível perceber também que o navegar em diversas disciplinas durante a infância e a adolescência me ajudou a fazer melhores escolhas na idade adulta e ainda a lidar melhor com as disciplinas que eu não tinha tanto domínio assim.
 
O grande aprendizado da juventude foi não me furtar de aprender e descobrir o que existia de maravilhoso nas áreas às qual eu inicialmente tinha distanciamento ou ojeriza. Na prática, não gostar de uma disciplina era um desafio para aprender mais.
 
Ainda estamos no início da caminhada, mas percebi que aquele jovem do início do texto começa a flertar com a aprendizagem da escrita e está construindo o próprio caminho em travessias de áreas do saber de que ele não gosta tanto.
 

Até a próxima!

É hora de compartilhar?

É hora de compartilhar?
É muito bom compartilhar coisas na Internet, mas a gente precisa ficar atentos às consequências de tudo que compartilhamos.

Convidamos você a repensar o assunto.


Em novembro/2019 uma celebridade sofreu um acidente grave. Algumas horas depois da divulgação da reportagem inicial, havia diversos compartilhamentos informando que a celebridade havia morrido, mas isto não era verdade.

 
O interessante da questão foi que até meios de comunicação tradicionais publicaram reportagens sobre a morte da pessoa, além, é claro, das postagens das mídias sociais.
 
Depois de esclarecida a questão e ter sido constata a informação equivocada, não verdadeira, alguns meios de comunicação se manifestaram informando que tinham reproduzido a reportagem de uma outra fonte da mídia tradicional.
 
Este é o problema crucial dos compartilhamentos na WEB: na hora que se constata o equívoco da comunicação, as pessoas que compartilharam tais publicações não se responsabilizam pelo que fizeram e não se retratam com o público-leitor.
 
É bom frisar que toda vez que nos pronunciamos em público, estamos assumindo uma responsabilidade sobre o que comunicamos, e que a desinformação tem consequências para a vida das pessoas.
 
Atos de desinformação podem trazer prejuízos graves para pessoas e empresas. Então precisamos aprender a compartilhar com responsabilidade, divulgar com verificação de fontes e ter consciência das consequências advindas da forma como trabalhamos a informação (ou desinformação).
 
Para nós educadores, este é o grande desafio do início do século: mediar situações de ensino-aprendizagem que melhorem o nível das pessoas em gerenciar as informações.

Até a próxima!


Ainda falando de grupos

Ainda falando sobre grupos

 

Ana Flávia participa de cinco grupos WEB. O primeiro grupo é do pessoal da associação comunitária do bairro em que ela mora; o segundo é do pessoal do trabalho; o terceiro é dos colegas do tempo de faculdade; o quarto é da turma do vôlei de praia; o quinto é o da família e dos parentes.
O que esses grupos incomuns têm de semelhante? Ah, eles não conseguem levar a sério as ideias contidas nos propósitos iniciais de criação de grupos na Internet, eles discutem o tempo todo política partidária, futebol e tendências religiosas.
Resultado: a cada grupo que participa, Ana tem a impressão do “mais do mesmo”: as pessoas discutem, escrevem, copiam, colam e compartilham as mesmas mensagens de sempre.
 
As pessoas nem sempre se juntam em grupos para construção positiva de algo. Há grupos cuja predominância é de construção de desafetos e antagonismos. Isto tem deixado muitas pessoas decepcionadas com essa situação.
 
E esses desafetos e antagonismos invadem o mundo do trabalho, tornando às vezes a vida das pessoas um verdadeiro inferno por causa de brigas em grupos digitais.
Que fazer então?
É muito difícil evitar desavenças em grupos digitais, mas a gente pode tomar algumas precauções que podem tornar os grupos WEB territórios sociais mais propícios à boa convivência entre as pessoas.
 
Por exemplo, se você é administrador de grupo, verifique se houve um acordo entre os participantes sobre as diretrizes de convivência. Este ponto é vital, pois muitos grupos começam com um objetivo implícito, como estudar a vida das abelhas da fauna brasileira e expandem as discussões para grandes problemas políticos, religiosos ou esportivos.
 
O bom é que os próprios componentes estabeleçam como desejam que o grupo funcione. Há administradores que estabelecem regras para o grupo e deixa a maioria dos participantes chateada com a imposição. Democracia é um exercício diário. É sempre bom consultar os outros.
 
Os administradores precisam assumir o papel de coordenação da turma. A partir do momento em que uma pessoa exerce a função de administradora, terá consigo um conjunto de responsabilidades administrativas, sociais e jurídicas sobre tudo que o grupo produzir.
 
Fique atento!
 
Caso deseje convidar pessoas para participar do grupo, mande uma mensagem antes, informando sobre a existência do grupo digital e quais propósitos têm os participantes com a criação do grupo. Há casos de administradores que enviam convites de forma indiscriminada e depois percebem que as pessoas saíram logo em seguida, por não terem sido avisadas da intenção do administrador.á casos
 
Agora é com você participante de grupos:
 
Leia o contrato de convívio do grupo. Se não houver contrato, pergunte sobre as diretrizes do grupo aos administradores. Caso não concorde com as diretrizes, pense duas vezes antes de permanecer no agrupamento. Muitas desavenças acontecem devido a determinados participantes não estarem alinhados aos propósitos do grupo.
 
Pense várias vezes antes de postar conteúdos que não se alinham aos objetivos do grupo. Se você gosta muito de esporte, procure um grupo de esporte para discutir sobre futebol, por exemplo. Se gosta de política, há diversos grupos direcionados a essa temática.
 
Há pessoas que gostam de conteúdos que são inadequados para menores e saem postando tais conteúdos em tudo que é grupo. Mas uma vez: se você gosta de conteúdos inadequados, busque pessoas que gostam disto. Respeite as pessoas de sua comunidade.
 
Olha, o bom era que as pessoas se dedicassem a compartilhar conteúdo próprio primeiro, mas o copiar e o colar conteúdo alheio viraram moda. Somos pensadores das ideias alheias e tome “encaminhar”.
 
Em grupos há duas dimensões entrelaçadas: uma é a gente aprender a conviver com os outros, por isto que são necessárias as regras de convivências; a outra dimensão se refere à possibilidade de mostrarmos um pouco a nossa singularidade. Ser singular não é subtrair os modos de existências dos demais. Em grupo somos semelhantes, diferentes; precisamos aprender a viver junto, em permanente diálogo.
Tem interesse sobre o assunto?

Até a próxima!


Continuamos a caminhada

Os Leitores do E-Praxe estão acostumados com postagens semanais, geralmente às segundas-ferias. Para 2020 trabalharemos com postagens quinzenais, sempre às segundas-feiras também. Até a próxima segunda-feira!
 

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