A jornada do humano

A jornada do humano - feito por E-Praxe
A jornada do humano – feito por E-Praxe

 

Prepare a pipoca e deixe espírito viajar no belíssimo documentário Humano – uma viagem pela vida.
 
Trata-se de uma preciosidade de narrativa, que se converte em um tratado sobre as questões da natureza, da cultura e da humanidade.
 
Por meio de depoimentos de pessoas simples, gente comum, que exercem o próprio lugar de fala, o documentário nos convida a discutir questões sobre o amor a morte, o ódio, a discriminação, a desigualdade, a fome, a esperança, a felicidade, o sexo, entre outras coisas.
 
A fotografia do documentário é belíssima, pois traz, em conjunto com a trilha sonora ímpar, imagens da natureza e dos homens sustentadas por momentos sem igual de fluidez estética.
 
Nesses tempos de pandemia, em que a pulsão de morte nos espreita e faz florescer nossos medos mais profundos, repensar a vida e desfrutar de momentos de contemplação e de entendimento de nossa natureza cultural, política, antropológica e social é mais do que necessário. 
 
O documentário está disponível na plataforma da Prime Vídeos. São pouco mais de duas horas de entretenimento e muita aprendizagem.
 
Tire um tempo para você mesmo, assista ao documentário e volte ao cotidiano para lidar melhor com a pandemia.
 

***

Pós-Escrita

Eu sou pobre
Agora vou definir pobreza
O que é pobreza para mim?
É quando eu preciso ir à escola, mas não posso ir
Quando preciso comer, mas não posso
Quando preciso dormir, mas não posso
Quando minha mulher e meus filhos sofrem.
Não tem o nível intelectual necessário para sair dessa situação.
Nem eu nem minha família
Eu me sinto realmente pobre
No corpo e na mente
E vocês ricos que estão me ouvindo,
O que têm a dizer sobre sua riqueza?
Fala de um dos entrevistados

Sem palavras


***
O quê? Humano – uma viagem pela vida
Quando? 2015
Quanto tempo? 144 min
Quem dirigiu? Yann Arthus-Bertrand
De onde é? França
***

Até a próxima!

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Congresso Virtual UFBA 2020

Logotipo do Congresso Virtual UFBA 2020
 

 

No período de 18 a 29 de maio de 2020, a Universidade Federal da Bahia (UFBA) realizou o Congresso Virtual UFBA 2020, que teve como premissa ser “um espaço de interlocução entre os mais diversos saberes produzidos na universidade”, segundo o realizadores.

Neste período de pandemia, a ideia foi muito bem-vinda, pois a UFBA conseguiu criar, renovar e inovar, trazendo para debate pensadores de diversas regiões do Brasil, para discutir questões de interesse da nação brasileira.

O congresso foi realizado de forma remota e teve como atividades a realização de mesas e outras formas de discussão, videopôsteres de estudantes e intervenções artísticas.

O Congresso Virtual deixará um legado de 460 gravações de mesas de discussões sobre temas da atualidade e 640 videopôsteres frutos da experiência acadêmica dos estudantes. Todo material do evento está arquivado na TV UFBA, localizada no Youtube.

Fizemos um levantamento de palavras-chave relacionadas à educação  e à pandemia e obtivemos os resultados abaixo.

 

Quadro de conteúdos Congresso Virtual UFBA 2020
Alguns conteúdos do Congresso UFBA 2020
O acervo ficou bem diversificado, pois teve participação de profissionais e estudantes de todo o Brasil.
 

Participamos do evento com dois videopôsteres e duas intervenções artísticas, conforme abaixo:

Videopôsteres

. Aplicabilidade do círculo de cultura em contextos de pós-verdade

. O diálogo em Paulo Freire nas cenas de cinema

 

Intervenções Artísticas

. A intolerância em mim (podcast de uma crônica)

. Poemas em cinco atos

Até a próxima!

 

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O ciclo copiar e colar

Imagem Ciclo copiar e colar - feita por E-Praxe
Fiquei pasmado ao participar de um grupo de WhatsApp e notar que os profissionais estavam compartilhando cópias piratas dos livros de um autor, mesmo sabendo que havia representantes dos direitos autorais do escritor fazendo parte das conversações.
Outro dia me deparei com uma indicação excelente de leitura feita por um professor e fui atrás da obra. Era um autor estrangeiro. Quando encontrei o artigo percebi que só era possível lê-lo se eu pagasse uma taxa à plataforma de guarda do arquivo.
A gente já se acostumou a entrar em repositórios de artigos e baixar indistintamente pesquisas que são do nosso interesse e não pensa em recompensar o autor pelo dispêndio realizado na pesquisa. Às vezes a gente até deixa de citá-los nas nossas produções acadêmicas, mesmo tendo aprendido muito com a obra lida.
Gosto muito de utilizar software livre, mas observei que nunca fiz uma doação ao criador do aplicativo. Como essas pessoas então fazem para sobreviver se vou lá, consumo informação e não dou retorno?
Defender software livre e não ajudar a causa torna-se desse jeito somente uma teorização, que é muito distante da realidade.
Na academia sempre evitei usar cópias de livros inteiros, mas sempre havia em casa um ou dois pacotes de cópias impressas que foram distribuídas durante a vida acadêmica.
Quando terminei a licenciatura, peguei todos aqueles fragmentos de livros e joguei fora. Busquei comprar os livros que eram significativos para a minha vida profissional e me senti um tanto que aliviado de tanto consumir sem pagar.
Veja como é difícil lidar com essa cultura do copia e cola. Ela se entende por toda a nossa vida cotidiana, dando aparência de normalidade aos atos de copiar e colar. Afinal de contas deve ser um horror comprar livros, que dirá, artigos ou mesmo fazer assinaturas de revistas eletrônicas para ser informado.
Para pensar:
Isso desencadeia uma outra discussão, sobre professores que gostam de escrever coisas onde os alunos possam vê-la, e alunos que gostam de ter coisas escritas para copiá-las facilmente em seus cadernos, e que noção do processo educacional isso implica. 
Howard Becker, em Segredos e truques da pesquisa, p. 270 

Até a próxima!

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Aprender a perseverar com Freud

A jornada de Freud
A jornada de Freud. Direitos da Praxe Educação e Comunicação
 
O que me chamou a atenção na série Freud não foi a sequência sobre o Complexo de Édipo, em que o psicanalista entra em processo de amadurecimento pessoal e profissional e busca emancipar-se diante da vida.
Não foi também a bem articulada sequência de temas sobre os pontos centrais da concepção de psicanálise trabalhada por Freud.
As cenas picantes da série são impressionantes também não se revelaram primordiais para assistir à peça imagética.
Apesar das fortes cenas que giravam entre o sobrenatural e a dissimulação, isto não me causou tanto impacto.
Não sentir impacto também com a jornada de libertação do protagonista das grades psíquicas da trindade paterna representada pelo pai biológico, pelo pai-mentor intelectual e pelo pai-opositor do cientista.
O que mais me impressionou foi justamente a determinação do pensador para estabelecer novo paradigma nas ciências, inaugurando uma forma diferenciada de estudar a psique humana, não mais presa somente às dimensões fisiológicas que até então vigorava.
Na série, Freud inicia uma jornada de aprendizagem e de busca de identidade diante do estabelecido, dos paradigmas existentes, instituindo um novo olhar sobre a psique humana ao discutir temas como histeria, trauma, sonambulismo, totem e tabu, desejos, regressão, catarse e supressão.
As ideias do pensador não eram benquistas na época, o que lhe causou muita dúvida quanto à continuidade da produção intelectual que teria de construir, mas que, ao mesmo tempo, o motivou a produzir um conjunto singular de conhecimentos a respeito da alma humana.
No mínimo a série servirá de inspiração para que haja novas leituras sobre o pensamento de um dos grandes cientistas das humanidades no século XX. 

Vai assistir? Você decide.
 
O quê? Freud
Que é isto? série de TV
Quem dirigiu? Marvin Kren
Qual a origem? Áustria
Onde assistir? Netflix

 

 

 

Até a próxima!

 

#EducarNaPraxe

Crises e desigualdades educacionais

Crises e Desigualdades Educacionais
Crises e desigualdades educacionais. Imagem da Praxe Educação


São nos momentos de crise que a gente conhece as pessoas e as instituições. É quando os políticos demonstram de que lado eles realmente estão, os religiosos explicitam o que pensam sobre o humano e a espiritualidade, os empresários mostram que tipo de mundo imaginam para a sociedade e os Estados demonstram o quanto estão capacitados para fazer políticas sociais de promoção da equidade. 

 

São nas crises que a gente percebe o quão desiguais são as condições de vida das pessoas que precisam estudar.
Segundo dados da última pesquisa TIC Domicílios 2017, em 29% dos domicílios, há acesso a TV por assinatura; em 23% há computador de mesa; em 29% há notebooks. Ter computador ou notebook em casa e ter acesso à Internet e TV por assinatura são condições básicas para os cidadãos terem acesso à informação em contextos de hiperconectividade. Caso contrário, a participação na modalidade de educação a distância fica prejudicada, pois enquanto uma criança tem acesso a um filme recente na TV paga para realizar uma atividade escolar, outra poderá ficar apartada do processo de ensino-aprendizagem por falta de condições básicas nos usos e acessos às tecnologias dentro da própria casa.
O leitor pode questionar, mas precisa de TV paga? Um smartphone não resolveria? Olha, quando a gente parte para estudar em profundidade, o smartphone é mais um brinquedo, um complemento, do que um instrumento que poderia ser considerado como principal recurso no processo de aprendizagem. As residências precisam de notebooks e tablets, com acesso de banda larga suficiente para acessar sites pesados e assistir a filme de alta resolução.
Não podemos esquecer das muitas pessoas que sobrevivem no século XXI sob as condições de uma Internet precária, que mal dar para enviar uma mensagem de texto com algumas dezenas de caracteres.
O resultado de tudo isto? Muitas crianças, jovens e adultos que não podem participar dos movimentos de educação a distância por causa da carência de condições sociotécnicas e econômicas para estudar.
Enquanto uma parcela da população de estudantes acessa ambientes virtuais de aprendizagem para assistir a vídeos, realizar debates em fóruns, trocar ideias com professores e colegas, participar de bate-papos, um outro grupo ficará em casa sem opção, sem estudos, sem acesso à cultura, enfim: sem educação.
E como pensar em educação se essas mesmas pessoas só têm acesso precário a outros bens sociais tão importantes como assistência médica, previdência social e condições básicas de lazer e higiene?
Pois é, as crises trazem aprendizagens terríveis sobre a vida em comunidade.
A crise demonstra o quanto uma sociedade está preparada para proteger os cidadãos e as cidadãs.
Quando a crise passar, espera-se que estejamos mais atentos aos processos de desigualdades sociais que acontecem no dia a dia, mas que ficam ofuscados por, às vezes, estarmos em situação particular de bem-estar, o que nos faz esquecer as limitações inerentes à vida comunitária.
Que bom seria se todos estivessem em casa hoje, sabendo das dificuldades oriundas da crise, mas em condições mínimas de lazer, de bem-estar, de saúde social e de educação?
Que bom seria se em cada lar houvesse condições para que as crianças, os jovens, os adultos e os idosos pudessem exercer o direito básico garantido na Constituição de acesso à educação?

***

Até a próxima!

As forças invisíveis que agem sobre o trabalho

Cidade invisível - Direitos da Praxe Educação e Comunicação
Cidade Invisível – Direitos da Praxe Educação e Comunicação
Cidade invisível é uma série brasileira que foi apresentada em setembro de 2017 na TV Brasil.
 
A série traz cinco episódios independentes, mas que se inter-relacionam, dando um caráter de unicidade à narrativa. Todas as histórias ocorrem em uma cidade fictícia denominada Nova Esperança, no Pará, e trazem como eixo a questão do trabalho. Vejamos:

 Edmílson – a repetição do trabalho escravo

O primeiro capítulo conta a história de Edmilson, emigrante desempregado, que parte para Nova Esperança com desejo de trabalhar e ganhar dinheiro para melhoria de vida. O ambiente de trabalho é uma floresta com madeira a ser abatida. A propriedade pertence a um grande proprietário da localidade, que não aparece nas cenas do capítulo. Da expectativa de um trabalho promissor, Edmilson se depara com condições sub-humanas de trabalho, em um processo crescente de escravidão.
 

Rubens – o subempregado que não pode adoecer

A situação de Rubens não é diferente. Ele também se desloca para a cidade da nova esperança e consegue um emprego em um frigorífico. Na verdade, uma grande empresa na região, que recebe trabalhadores de diversas partes do país e os coloca em situação de risco de saúde, sem direito a vida fora do trabalho, com dificuldade de moradia e sem opções de viver de outra maneira.
 

Ivonete – a prostituição

Todos os trabalhadores se encontram no prostíbulo da cidade. Aqui acontece a opressão da opressão. Aqui é o submundo do trabalho. Ivonete sobrevive entre as músicas tristes da prostituição, dos arroubos dos patrões e das pseudocompreensão dos clientes.
 

Alex – trabalho infantil

Cidade invisível tem o mérito de radiografar aquelas práticas cotidianas que estão em nosso entorno e fingimos não ver: o trabalho infantil é uma coisa tão distante, que não conseguimos enxergá-lo de perto quando nos deparamos com ele. E a história de Alex demonstra como o trabalho infantil é uma das ramificações do trabalho escravo.
 

Moacir e os herdeiros do capitalismo

Permeando todos os capítulos está Moacir, um filho do capitalismo, que teve a oportunidade de estudar fora do país e sempre usufruiu das benesses da exploração do Capital. Na narrativa ele vai tomando consciência da problemática do trabalho e da mais valia. Ele vai descobrindo o quanto o processo de desigualdades sociais contribui para o estado de coisas pelas quais passamos no Brasil atualmente.
Este capítulo é um tanto que utópico, pois tenta resgatar no opressor uma tomada de posição quanto à invisibilidade da exploração do trabalho pelo capital. Será que há redenção?

Assista e pense por você mesmo.

 
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O quê?Cidade invisível
Que é isto?série de TV
Quem dirigiu? Thiago Foresti e Renan Montenegro
Qual a origem?Brasil
Onde assistir?Amazon
 
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Até a próxima!

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#EducarNaPraxe

A pandemia como motivo de desinformação

A pandemia como motivo de desinformação
A pandemia como motivo de desinformação – Imagem E-Praxe

Você sabia que a transmissão de eventos na WEB para arrecadação de comida, dinheiro e produtos de limpeza durante a pandemia é um modelo de negócio, que gera resultados lucrativos para grandes empresas?

Depois que assistiu ao evento WEB, você procurou saber qual foi a destinação dos bens recebidos?
Você procurou saber quanto custou a apresentação ao vivo do evento e quem pagou a conta?
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Se essas perguntas te incomodaram, então seja bem-vindo ao mundo da desinformação.
A desinformação é uma situação dinâmica: em alguns momentos estamos bem informados sobre uma determinada questão, já em outros, precisamos correr atrás para que não sejamos engolidos pela onda das supressões e ocultações da verdade que nos rodeia.
Que o leitor não fique achando que iniciativas de negócios como as lives sejam ruins ou não devam existir. O exemplo acima foi para demonstrar como coisas da vida cotidiana podem vir a nós de uma forma que podemos não enxergar a totalidade da questão social.
O que o pessoal das lives tem feito é utilizar uma forma de fazer negócios que se vincula ao que se vem chamando de responsabilidade socioambiental, quando a empresa busca lucro e ao mesmo tempo procura ajudar os mais necessitados.
Com a responsabilidade socioambiental as empresas podem obter ao mesmo tempo lucros econômico-financeiros e ganhos com imagens e fidelização de clientes. Existe alguma coisa de mal nisto? Claro que não, desde que o cliente seja bem informado sobre a forma como o negócio está sendo conduzido.
Observe que para lançar uma live de sucesso é necessário ter um bom suporte financeiro para tornar pública a iniciativa, não só na Internet, mas também nos meios tradicionais de comunicação. Outros custos vêm junto como decorar o “suposto quintal da casa” para que pareça um local propício à apresentação; precisa-se de dinheiro também para inserir meios de recebimento das doações, que acontecem sob diversas modalidades, e pagar custos com pessoal e com terceiros para que a apresentação aconteça sem muitos problemas. Isto tudo envolve dinheiro.
O interessante é que a gente não se interessa por nada disto, o que a gente deseja é mesmo assistir ao show e se divertir, mas se estamos alheios às observações acima, estamos desinformados.
Trouxemos este exemplo bem polêmico, que mexe com as emoções de muita gente, para demonstrar o quão complexo é o problema da desinformação. Ele envolve ocultamento de informação ou mesmo compartilhamento de parte da informação verdadeira, assim como pode vir carregado de distorção e negação da verdade. Desinformação é algo que sempre esteve no cerne das relações humanas e precisamos aprender a lidar com isto.
Reafirmamos que somos favoráveis à existência de lives, mas algumas coisas dos bastidores dessas práticas precisam estar bem explícitas para o cidadão, para que este não pense que a iniciativa é totalmente voluntária e caridosa.
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E mais:
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Você sabia que o termo fake news tem significação dúbia? Pode significar informação deturpada, bem como servir para tachar a palavra do outro como mentirosa simplesmente porque quem denomina assim a palavra não gosta do que está lendo ou ouvindo?
Você sabia que estamos também no tempo da Pós-Verdade, em que as pessoas, levadas por arroubos emocionais, terminam por crer em mentiras?
Você sabia que há muito robôs circulando na Internet ampliando o compartilhamento de informações maliciosas sobre a pandemia do coronavírus?
Você sabia que os robôs de fake news nem sempre propagam informações deletérias sobre as pessoas, muitas vezes eles agem fazendo promoção positiva de alguma situação, pessoa ou entidade? E que essas informações aparentemente positivas podem não ser verdadeiras?
Você sabia que as entidades que realizam checagem de informações para verificação de fatos estão assoberbadas de serviços desde jan. 2020, tratando do tema coronavírus, pois as pessoas continuam publicando e compartilhando desinformação o tempo todo?
Você sabia que o excesso de dados disponíveis pode deixar a pessoa confusa e gerar desinformação?
Você sabia que mesmo com a campanha para as pessoas ficarem em casa, há muita gente na rua, caminhando, passeando com o cachorro ou andando de bicicleta? Estas pessoas estão informadas ou desinformadas? Ou elas estão condicionadas pela Pós-Verdade? 
Você tem ciência de que, para quem estar em casa, lavar as mãos é o suficiente? Que não precisamos sair correndo para comprar álcool gel de qualquer jeito e a qualquer preço?
Você sabe o que o Estado brasileiro fez para combater um possível aumento de incidência de coronavírus no período de janeiro a 17 de março de 2020, antes da ampliação da pandemia?
Pode não parecer, mas os assuntos acima interessam a todos os brasileiros. A informação é o cerne da nossa vida. Então vamos nos responsabilizar por ela.
Até a próxima!

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#EducarNaPraxe

É hora da faxina eletrônica

É hora da faxina eletrônica
É hora da faxina eletrônica. Imagem E-Praxe

 

Já assistiu a todas as séries e filmes na TV, ouviu as músicas de que mais gostava, leu, leu e releu os livros e revistas que estavam na estante. Olha para a rua e tudo está deserto por causa da pandemia.

Que fazer agora?

Que fazer tal uma faxina eletrônica e colocar em dia um dos seus bens mais preciosos: a informação?

Se gostou da ideia, primeiro vá a seus browsers e limpe o histórico de navegação. Não tenha pena: limpe tudo. Não deixe que terceiros monitores seus rastros. Cuide bem de sua privacidade.
Depois vá aos aplicativos de fotos nas nuvens e rastreie as imagens de documentos que porventura você teve de armazenar para fazer inscrições em concursos e outras coisas mais. Você irá se surpreender com a quantidade de cópias de identidade, CPF e certidão de nascimento que estão navegando na WEB.
Agora procure suas contas de e-mail e organize os documentos na ordem que for mais fácil de você gerenciar. Aqui na Praxe, organizamos os documentos por ano. Deixe sua Caixa de Entrada limpa e límpida. Quando a onda da pandemia passar, você será outro em termos de organização.
Por sinal, como está a estrutura de sua pasta Documentos? Cheia de arquivos que você não usa mais? Separe os arquivos por ordem de prioridade, classifique alguns como “Modelos”, transfira o que não usa há muito tempo para outras pastas. Você não sabe o bem que isto faz.
Se você estiver utilizando um notebook ou desktop, provavelmente terá na tela uma barra de aplicativos, localizada na parte inferior do seu monitor. Rastreie novamente e verifique quais aplicativos você não utiliza com frequência. Tire tudo que não for útil. Seu computador ficará bem mais rápido depois.
Não esqueça de verificar se você não utiliza mais de uma conta em plataformas de mídias sociais como Facebook, Twitter, Instagram ou LinkedIn. Com cadastro em mídias sociais WEB, a gente corre o risco de ter as contas de pouco, o que pode gerar prejuízos futuros.

Gostou das ideias? Mão na massa, então.

Até a próxima!

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Desigualdades digitais em tempos de pandemia

Desigualdades digitais em tempos de pandemia
Desigualdades digitais em tempos de pandemia. Imagem E-Praxe
Nestes tempos de coronavírus, a ajuda que é direcionada aos pobres vem com uma exigência: os cidadãos precisam ter acesso à Internet.
Para se ter uma ideia, um cidadão para ser usuário WEB necessita ter uma conta mensal pré-paga de controle que custa no mínimo R$ 39,90 por celular. Isto nos tempos de promoção, o que equivale a quase 4% do salário mínimo. Já uma assinatura residencial de banda larga é de pelo menos R$ 100,00, o que corresponde a quase 10% do salário mínimo.
Segundo dados do Cetic.br, no relatório TIC Domicílios 2018 (p. 273), 27% dos domínios brasileiros ainda não têm acesso à Internet, por motivo de a região do domicílio não ter infraestrutura para Internet.
Na hora que é implantada a política social para combater a pandemia, o cidadão se ver refém de recursos técnicos que não pode usufruir.
Na prática, o Estado lança a política, que exige proficiência de usos da Internet, cujos acessos funcionam melhor em notebooks ou desktops, deixando os usuários de dispositivos móveis com sérios problemas de acessos aos direitos sociais, pois nem todo cidadão possui celular com configuração mínima para acessar determinados aplicativos móveis.
O que ocorreu é que o programa social de banda larga ainda não atendeu à maior parte da população brasileira. Quer saber o que é banda larga brasileira, visite municípios com número de habitantes inferior a 20.000 cidadãos e você saberá o que é a Internet no Brasil. Ainda, a televisão digital não alcançou todos os nossos municípios, outro canal de informação nestes tempos de hiperconectividade.
Com os problemas da falta de acesso na região e os altos preços para a população mais pobre, o cidadão tem de procurar atendimentos presenciais, nas situações em que o Estado utiliza como padrão o atendimento WEB. Isto é um desgaste. Na maioria das vezes é atribuída ao cidadão incompetência por não saber utilizar a WEB, ficando ofuscada a responsabilidade de o Estado diante do problema social.
Quanto aos usos dos serviços prestados pelo governo eletrônico, 45% dos cidadãos declararam que não utilizaram tais serviços nos últimos 12 meses anteriores ao período da pesquisa (TIC Domicílios 2018, p. 321). Como direcionar os serviços para o ambiente WEB se quase metade dos brasileiros não participa dessa dinâmica de relações cidadãs?
O último fator que dificulta os acessos WEB é o da educação do cidadão quanto a navegar na Internet, pois quanto mais baixo é o nível de instrução do brasileiro, aumenta o percentual de pessoas que não utilizaram serviços do governo eletrônico pela Internet, o que chega a 67% dos brasileiros que estão nos níveis de não alfabetização e de ensino fundamental.
Todas essas questões, repetimos aqui em nosso blog, ficam mais evidentes quando crises como a do Coronavírus aparecem.
Estamos em um contexto de desigualdades digitais no país, que aparta os que têm mais renda, dos que não as têm, dos que estudaram mais dos que estudaram menos.

Há muito o que aprender com os refluxos dessa pandemia.

Veja+ em:
Plano Nacional de Banda Larga – Informações Básicas

TIC Domicílios 2018

#EducarNaPraxe

A encruzilhada do empreendedorismo

A encruzilhada do empreendedorismo
A encruzilhada do empreendedorismo. Imagem da Praxe Educação

Em tempos de crises severas e globais é que se percebe a real dimensão de determinadas ideias que são difundidas país afora.
Uma ideia recorrente defendida por muitos gurus da autoajuda é a infalibilidade da atitude empreendedora. São diversos textos conclamando e convencendo muitos cidadãos a aderirem a estratégias vulneráveis de carreira em empreendedorismo.
Para quem já tem recursos próprios, estudou os fundamentos das ciências econômicas e financeiras, tem facilidade de administrar, conhece marketing, entre outras competências, existe risco, mas bem menor, do que aquele cidadão comum, que não tem capital para investir, não tem crédito na praça para manter o fluxo de caixa, não conhece os fundamentos de economia, administração e outras coisas mais. 


É muito risco até o sonho de ser empreendedor.


Primeiro porque o Brasil se caracteriza por ser uma nação cujos governantes nunca investiram o suficiente para a fomentação da cultura do empreendedorismo. Este movimento dos últimos 10 anos aqui no país, com a criação da figura do microempreendedor, ainda é muito incipiente para considerar que estamos prontos para lidar com a cultura empreendedora. 
Outro ponto é que as escolas que se dedicam a “ensinar” empreendedorismo ainda trabalham com um viés distante da população-alvo: homens e mulheres com pouco nível educacional para conduzir empresas. Só estes dois motivos já seriam suficientes para as pessoas não caírem na onda de que todo mundo pode ser empreendedor. O que fica é a vontade e as falácias de tudo se resolver por meio da criatividade.
Outra questão relevante é a da gerência das finanças pessoais versus as finanças do negócio. Dinheiro do negócio é dinheiro do negócio! Como é difícil as pessoas aceitarem esta obviedade! A mistura desorganizada das finanças pessoais com as do negócio atrapalha muita gente.
Cabe lembrar que a maioria dos empreendedores não sabe fazer fluxo de caixa, que é aprender a fazer projetos dos movimentos econômicos e financeiros em prazos variados. A cultura do Viver o Momento faz com que muita gente não economize, não pague assistência de saúde, não pague previdência social e não pague impostos. 
O resultado disto tudo só aparece nos momentos de crise, quando uma empresa vai ser obrigada a ficar 30, 40 ou 60 dias sem movimento, e o empreendedor não tem recursos suficientes para aguentar tanto tempo sem renda.
É uma situação muito controversa esta pela qual passa uma expressiva quantidade de cidadãos: o empreendedor não quer ser trabalhador e não pode ser patrão, vive em uma área intermediária do mercado, sem proteção, sem informações suficientes e com um futuro incerto.
É o momento de se pensar sobre questões como: de que maneira o empreendedor pode ter uma educação mais próxima da realidade do mercado brasileiro? Como educar o empreendedor para se desenvolver como um gestor de negócios? Como trabalhar a educação do empreendedor para que este aprenda a poupar? Como separar o dinheiro do negócio do dinheiro pessoal? 


Estes são desafios de nossa sociedade para este início de milênio.


Até a próxima!


E aí? Já leu a publicação anterior sobre Desigualdades Educacionais?


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A condição de não saber e as tardes com Margueritte

Imagem Minhas tardes com Margueritte
Tempos atrás eu trabalhava com alfabetização de adultos e testemunhei uma situação inusitada. Havia uma alfabetizanda que demorava de chegar à sala de aula, porque tinha de percorrer um caminho mais longo de casa até a sala de aula. Perguntada sobre a situação, ela revelou em tom um pouco triste que era ridicularizada pelo pessoal da rua, pois não sabia ler e escrever e estava “aprendendo as coisas da escrita muito tarde!”.
 
Aquele foi um sinal sobre a condição de não saber das pessoas adultas diante do mundo letrado.
 
Tempos depois assistir ao filme Minhas tardes com Margueritte e não deu outra: a arte se articulava com as coisas da vida cotidiana.
 
Minhas Tardes com Margueritte conta a história de um homem de meia idade que por motivos diversos não teve oportunidade de se apropriar adequadamente da cultura letrada. Ele passa vexame entre os colegas de bairro por pronunciar palavras fora do padrão da norma culta e desconhecer coisas da cultura erudita. São então diversos os momentos em que ele passa por situações constrangedoras por expressar ignorância sobre determinado assunto.
 
Até que um dia o homem de meia idade encontra um idosa em uma praça e começam a conversar. Inicialmente o assunto era sobre pombos, mas depois vai se ampliando e chega às conversas sobre literatura.
 
A idosa é Margueritte. Ela adora leitura e vai transformando o bate-papo em momentos de sedução e encantamento. Um novo mundo se abre para aquele homem que começa um processo de transformação, que vai da leitura de mundo à leitura da palavra.
 
Aos poucos, a imaginação, a descoberta e a estima vão se entrelaçando e nasce um novo homem. Acontece então uma pedagogia dos afetos. Ambos em estado de solidão, permitem-se conhecer o mundo do outro e crescerem juntos.
Mas não pense os leitores que a estima do adulto se transforma de uma hora para outra: há instantes de hesitação do rapaz que pensa em desistir do que até então aprendera: “Era melhor como antes – Tudo tão simples!”.
 
Minhas Tardes com Margueritte é um filme que conta uma história universal, dessa luta cotidiana que tempos quando nos sentimos inaptos diante de um mundo rodeado de informações. É também uma narrativa que resgata valores de solidariedade, de amor entre as pessoas e de aprendizagem pelo afeto.
 
Assim como não esqueci de ter testemunhado as angustias daquela alfabetizanda, não esquecerei dos sinais instaurados em Minhas Tardes com Margueritte: um tratado de educação pelos afetos.
Até a próxima!
O que? Minhas tardes com Margueritte
De onde é? França
Quem dirigiu? Jean Becker
Quem são os atores: Gérard Depardieu e Gisèle Casadesus
De quando foi? 2010
 

Até a próxima!

Quando a aversão atrapalha a aprendizagem

Quando o desgostar atrapalha a aprendizagem
Quando o desgostar atrapalha a nossa aprendizagem
 
Era o primeiro dia da aula de redação quando perguntei ao estudante por que ele queria aprender a escrever. Fique surpreso quando ele disse que detestava redação, que era uma disciplina dolorosa e necessária. Nas palavras do adolescente as aulas de escrita eram “um castigo”, um “fardo valioso”.
 
Ele era obrigado a estudar para conseguir coisas na vida, mas se pudesse não aprenderia redação.
 
Passei então a falar da minha experiência como aprendiz e disse a ele que tinha paixão por todas as disciplinas, pois achava muito bonito saber que em biologia poderia entender melhor a questão da sustentabilidade, tão em voga hoje. Comentei também sobre o meu gosto pela matemática, mesmo não sendo um aluno de alto nível das exatas.
 
Depois comparei a matemática com a língua portuguesa, apresentando as proximidades entre os números e os textos; mostrei um pouco a afinidade entre a lógica existente na análise sintática e nos exercícios de equações.
 
Ele foi embora e fiquei pensando no mundo do trabalho e de como as pessoas chegam à vida profissional com traumas oriundos de alguma disciplina, não sabendo nós que a soma de todas as disciplinas gera a vida cotidiana, mesmo quando esses saberes são apresentados a nós de forma compartilhada, em um isolamento que nos afasta da realidade.
 
Mas é no trabalho que essa ojeriza por determinadas áreas do saber se tornam mais evidentes, quando a pessoa cria um mundo mágico, pensando que só será feliz ao realizar algo exclusivo na vida: o exercício da profissão “X”, não sabendo que a gente pode se experimentar em várias áreas do conhecimento e descobrir coisas interessantes sobre as próprias competências.
 
Depois da idade adulta, um amigo me procurou e disse que eu, na verdade, não era expert em nenhuma disciplina, mas que procurava aprender todas indistintamente. Acho que isto me ajudou a não me prender a determinada profissão ou área do saber. Para mim todo e qualquer conhecimento faz parte da vida, que precisa ser experimentada.
 
Durante a educação básica esse não apego a uma disciplina era até um problema para mim, pois achava estranho gostar de tanta coisa. Eu tinha medo de não me aprofundar em nada e me tornar um generalista.
 
Hoje olho para minha história de vida profissional e percebo que tentei viver cada disciplina quando esta se aproximou de mim e, a partir daí, comecei a buscar oportunidades de trabalhar melhor.
 
Foi possível perceber também que o navegar em diversas disciplinas durante a infância e a adolescência me ajudou a fazer melhores escolhas na idade adulta e ainda a lidar melhor com as disciplinas que eu não tinha tanto domínio assim.
 
O grande aprendizado da juventude foi não me furtar de aprender e descobrir o que existia de maravilhoso nas áreas às qual eu inicialmente tinha distanciamento ou ojeriza. Na prática, não gostar de uma disciplina era um desafio para aprender mais.
 
Ainda estamos no início da caminhada, mas percebi que aquele jovem do início do texto começa a flertar com a aprendizagem da escrita e está construindo o próprio caminho em travessias de áreas do saber de que ele não gosta tanto.
 

Até a próxima!