É hora de compartilhar?

É hora de compartilhar?
É muito bom compartilhar coisas na Internet, mas a gente precisa ficar atentos às consequências de tudo que compartilhamos.

Convidamos você a repensar o assunto.


Em novembro/2019 uma celebridade sofreu um acidente grave. Algumas horas depois da divulgação da reportagem inicial, havia diversos compartilhamentos informando que a celebridade havia morrido, mas isto não era verdade.

 
O interessante da questão foi que até meios de comunicação tradicionais publicaram reportagens sobre a morte da pessoa, além, é claro, das postagens das mídias sociais.
 
Depois de esclarecida a questão e ter sido constata a informação equivocada, não verdadeira, alguns meios de comunicação se manifestaram informando que tinham reproduzido a reportagem de uma outra fonte da mídia tradicional.
 
Este é o problema crucial dos compartilhamentos na WEB: na hora que se constata o equívoco da comunicação, as pessoas que compartilharam tais publicações não se responsabilizam pelo que fizeram e não se retratam com o público-leitor.
 
É bom frisar que toda vez que nos pronunciamos em público, estamos assumindo uma responsabilidade sobre o que comunicamos, e que a desinformação tem consequências para a vida das pessoas.
 
Atos de desinformação podem trazer prejuízos graves para pessoas e empresas. Então precisamos aprender a compartilhar com responsabilidade, divulgar com verificação de fontes e ter consciência das consequências advindas da forma como trabalhamos a informação (ou desinformação).
 
Para nós educadores, este é o grande desafio do início do século: mediar situações de ensino-aprendizagem que melhorem o nível das pessoas em gerenciar as informações.

Até a próxima!


Ainda falando de grupos

Ainda falando sobre grupos

 

Ana Flávia participa de cinco grupos WEB. O primeiro grupo é do pessoal da associação comunitária do bairro em que ela mora; o segundo é do pessoal do trabalho; o terceiro é dos colegas do tempo de faculdade; o quarto é da turma do vôlei de praia; o quinto é o da família e dos parentes.
O que esses grupos incomuns têm de semelhante? Ah, eles não conseguem levar a sério as ideias contidas nos propósitos iniciais de criação de grupos na Internet, eles discutem o tempo todo política partidária, futebol e tendências religiosas.
Resultado: a cada grupo que participa, Ana tem a impressão do “mais do mesmo”: as pessoas discutem, escrevem, copiam, colam e compartilham as mesmas mensagens de sempre.
 
As pessoas nem sempre se juntam em grupos para construção positiva de algo. Há grupos cuja predominância é de construção de desafetos e antagonismos. Isto tem deixado muitas pessoas decepcionadas com essa situação.
 
E esses desafetos e antagonismos invadem o mundo do trabalho, tornando às vezes a vida das pessoas um verdadeiro inferno por causa de brigas em grupos digitais.
Que fazer então?
É muito difícil evitar desavenças em grupos digitais, mas a gente pode tomar algumas precauções que podem tornar os grupos WEB territórios sociais mais propícios à boa convivência entre as pessoas.
 
Por exemplo, se você é administrador de grupo, verifique se houve um acordo entre os participantes sobre as diretrizes de convivência. Este ponto é vital, pois muitos grupos começam com um objetivo implícito, como estudar a vida das abelhas da fauna brasileira e expandem as discussões para grandes problemas políticos, religiosos ou esportivos.
 
O bom é que os próprios componentes estabeleçam como desejam que o grupo funcione. Há administradores que estabelecem regras para o grupo e deixa a maioria dos participantes chateada com a imposição. Democracia é um exercício diário. É sempre bom consultar os outros.
 
Os administradores precisam assumir o papel de coordenação da turma. A partir do momento em que uma pessoa exerce a função de administradora, terá consigo um conjunto de responsabilidades administrativas, sociais e jurídicas sobre tudo que o grupo produzir.
 
Fique atento!
 
Caso deseje convidar pessoas para participar do grupo, mande uma mensagem antes, informando sobre a existência do grupo digital e quais propósitos têm os participantes com a criação do grupo. Há casos de administradores que enviam convites de forma indiscriminada e depois percebem que as pessoas saíram logo em seguida, por não terem sido avisadas da intenção do administrador.á casos
 
Agora é com você participante de grupos:
 
Leia o contrato de convívio do grupo. Se não houver contrato, pergunte sobre as diretrizes do grupo aos administradores. Caso não concorde com as diretrizes, pense duas vezes antes de permanecer no agrupamento. Muitas desavenças acontecem devido a determinados participantes não estarem alinhados aos propósitos do grupo.
 
Pense várias vezes antes de postar conteúdos que não se alinham aos objetivos do grupo. Se você gosta muito de esporte, procure um grupo de esporte para discutir sobre futebol, por exemplo. Se gosta de política, há diversos grupos direcionados a essa temática.
 
Há pessoas que gostam de conteúdos que são inadequados para menores e saem postando tais conteúdos em tudo que é grupo. Mas uma vez: se você gosta de conteúdos inadequados, busque pessoas que gostam disto. Respeite as pessoas de sua comunidade.
 
Olha, o bom era que as pessoas se dedicassem a compartilhar conteúdo próprio primeiro, mas o copiar e o colar conteúdo alheio viraram moda. Somos pensadores das ideias alheias e tome “encaminhar”.
 
Em grupos há duas dimensões entrelaçadas: uma é a gente aprender a conviver com os outros, por isto que são necessárias as regras de convivências; a outra dimensão se refere à possibilidade de mostrarmos um pouco a nossa singularidade. Ser singular não é subtrair os modos de existências dos demais. Em grupo somos semelhantes, diferentes; precisamos aprender a viver junto, em permanente diálogo.
Tem interesse sobre o assunto?

Até a próxima!


Continuamos a caminhada

Os Leitores do E-Praxe estão acostumados com postagens semanais, geralmente às segundas-ferias. Para 2020 trabalharemos com postagens quinzenais, sempre às segundas-feiras também. Até a próxima segunda-feira!
 

Leia+

#EducarNaPraxe 

Pensando com Olegária Matos

 

    Até a próxima!


 

Viagem, diversão e outras histórias

Viagem, diversão e outras histórias
E chegou a vez de você viajar a serviço. Notícia boa, não? E se a cidade de realização do trabalho for um ponto turístico?
Aquela cidade paradisíaca que você sempre quis conhecer. É a verdadeira união do útil ao agradável, não é mesmo?
Cuidado com esse útil e esse agradável, pois trabalho é trabalho, e o agradável, na verdade, será uma consequência de como você reagirá à oportunidade advinda da viagem.
Não vamos fazer aqui nenhum discurso de advertência sobre os cuidados que a gente precisa ter quando for viajar a serviço, mas traremos algumas histórias adaptadas sobre viagens a serviço.
Os nomes dos personagens são fictícios, e as histórias não serão narradas exatamente como aconteceram.
Vamos lá?
Pedro foi escolhido pela empresa para fazer um curso de duas semanas em uma grande cidade do interior. Era período de São João, tudo na cidade era convite para festa e entretenimento.
Já empolgado com as festividades, Pedro, no avião, começou a tomar uma cervejinha bem gelada. Olha a paisagem lá de cima e diz: “Que vida!”. Da cerveja para o whiskey foi bem rápido. É bom lembrar que naquele tempo, toda gente era tratada como reis e rainhas nos voos domésticos. Era tudo deslumbrante.
Algum tempo depois, Pedro começou a falar alto, o que chamou a atenção dos passageiros. Logo ele levantava, dançava e pedia mais bebida.
Quando chegamos ao destino, um rapaz me procurou e perguntou se eu iria fazer o tal curso. Descobrimos que éramos da mesma empresa. Então combinamos de ir junto para o hotel. Antes ele me avisou que iríamos com o rapaz que estava bebendo no avião mais uma colega que ele já conhecia fazia tempo.
Para nossa surpresa, durante o traslado do aeroporto para o hotel, Pedro começou a gritar e fazer gestos bruscos dentro do táxi. O taxista com receio do comportamento agressivo do visitante nos levou a uma delegacia próxima. Foi um susto para todos. Pedro estava fora de si, e tivemos de explicar ao delegado a situação, que sensível ao que estava acontecendo, aconselhou Pedro sobre as consequências daquela situação. Mais calmo, nosso colega foi liberado.
Fomos para o hotel. No outro dia, Pedro chegou ao curso atrasado e não lembrava do que ocorrera. Conversamos com ele e explicamos o acontecido. O rapaz baixou a cabeça e ficou muito envergonhado.
Durante as duas semanas Pedro era do hotel para o curso. Não saiu para conhecer a cidade nem para se divertir.
Vocês já testemunharam algo parecido? Fique aqui no texto, que vamos contar mais uma.
Noélia adorava conhecer pessoas e viajar. Houve um sorteio na empresa e ela foi escolhida para conhecer a matriz da multinacional.
No final do primeiro dia de visita uns colegas a convidaram para conhecer os pontos turísticos da cidade. Empolgada, Noélia aceitou o convite e partiu para a city tour. Já era meia noite e Noélia nem queria saber de voltar para o hotel. Curtiu a madrugada e só chegou ao hotel por volta da 6 h da manhã.
Noélia dormiu, dormiu, dormiu. Eram 11 h da manhã, e o telefone de nossa protagonista não parava de tocar. Era o pessoal da matriz que estava preocupado com a ausência da visitante.
Noélia chegou ao trabalho depois das 13 horas. Antes houve um encontro com o presidente da empresa e os funcionários das filiais. Noélia não estava lá…
Pensou que acabou? Você ainda não sabe da história de Elizeu?
Eliseu ganhou um estágio na superintendência regional da empresa em que trabalhava. Caso passasse no estágio, seria promovido. Era uma grande oportunidade.
Como Elizeu achava que a progressão profissional estava atrelada aos relacionamentos sociais com todos, aceitou um convite para conhecer o restaurante mais badalado da cidade. Bebeu, bebeu, bebeu naquela noite…
No outro dia, Elizeu chegou ao trabalho agitado, com sinais de que tinha bebido. O trabalhador-estagiário ficou confuso com a situação que ele próprio havia criado. Elizeu olha para todos com desconfiança, pois achava que as pessoas comentavam sobre os excessos que ele havia cometido na noite anterior.
Espera aí, caro leitor! Precisamos contar a história dos universitários.
Ou vocês pensam que estes problemas só ocorrem com os trabalhadores?
Ana Flávia usou todas as economias que havia ganhado no estágio para participar de um seminário sobre os temas da disciplina que ela acabara de cursar. Era um bom momento para ela se aperfeiçoar e melhorar o currículo.
Enfim, Flávia conseguiu ir ao evento. No primeiro dia do seminário, nossa universitária conheceu colegas de outros estados. Era possível aprender mais e ainda criar laços sociais com pessoas mais distantes.
No segundo dia do evento, a turma estava bem familiarizada e depois do almoço resolveu ir ao centro da cidade para andarilhar no comércio.
Apesar de os conteúdos do seminário serem de interesse de Flávia, a companhia dos novos colegas era melhor.
Flávia e os demais universitários passaram a tarde passeando nas lojas populares do comércio local e não voltaram mais para o seminário.
A situação estava ótima. No segundo dia, a turma já tinha outra atividade turística para fazer, e o seminário foi ficando para cada vez mais monótono para Ana Flávia.
No terceiro dia, já havia um cronograma de atividades paralelo, e ninguém foi ao seminário. Flávia já conhecia todo o centro da cidade, mas perdera a oportunidade de conhecer os autores preferidos da disciplina de que ela tanto gostava.
No final da semana, Flávia voltou para casa sem ter experimentado as aprendizagens do seminário de que tanto desejava. Viajou com um objetivo e voltou com um resultado diferente.
Pois é, a vida é assim…
Viagem a serviço não é viagem de lazer. Algumas pessoas confundem as duas situações e querem transformar o trabalho em diversão. O trabalho é, antes de tudo, um esforço que fazemos para sobreviver, ou mesmo para prestar contas à sociedade de que servimos para alguma coisa. Ele pode se tornar prazeroso, mas traz em si a ideia de labuta, labor.
Divirta-se nas viagens a serviço, mas lembre-se de que você está em situação de trabalho. E será cobrado por isto.
Se você, leitor, tem alguma experiência para compartilhar, faça um comentário sobre o assunto aqui mesmo no blog.

 

Até a próxima!


 

Educar para emancipar – eis a questão

Imagem Educar para emancipar

 

“Só é possível imaginar a verdadeira democracia como uma sociedade de emancipados”
Theodor Adorno
 
Talvez seja redundante adjetivar a palavra educação como um elemento de cultura para a emancipação da humanidade. Mas é bom frisar que a educação é produzida a partir de perspectivas diversas e ela pode ser usada para cercear a liberdade das pessoas e torná-las menos ativas em relação ao processo de construção do mundo também.

É por causa disto que precisamos ser redundantes utilizando complementos que designem educação como elemento de autonomia (Freire) ou emancipação (Adorno).

Quando a gente ler Adorno parece tem a impressão que o texto foi escrito no século XXI, demarcado pela Pós-Verdade e pelas práticas da desinformação. A gente percebe um autor preocupado em despertar o sentido do entendimento profundo da vida nas pessoas.É o que se pode perceber na obra Educação e emancipação, do referido autor.

Educação e emancipação é um livro de reflexão política, midiática e educacional de Adorno, que reúne palestras e debates do autor ocorridos no período de 1959 a 1969.

As palestras foram O que significa elaborar o passado(1959), A filosofia e os professores (1961), Tabus acerca do magistério (1965) e Educação após Auschwitz (1965). Os debates foram Televisão e formação (1963), Educação para quê? (1966), A educação contra a barbárie (1968) e Educação e emancipação (1969).

O conjunto da comunicação contido na obra é um movimento de uma dialética de esclarecimento, em que o autor entra em conversação com a sociedade para discutir como elementos da cultura, da política e das tecnologias interferem no processo de educação para emancipação das pessoas.

Apesar de ter posicionamento crítico a respeito dos meios técnicos inerentes à cultura de massa, Adorno não se furtou de utilizar-se do rádio, na época, para promover discussões abertas sobre os problemas sociais que ocorriam no mundo nas décadas de 1950 e 1960.

Ir a debates e participar de palestras eram sinalizações da abertura do autor para a construção do diálogo. Este foi um diferencial de Adorno, que soube pensar o mundo em que vivia e estabelecer pontes para a discussão das questões sociais em que ele estava inserido: um intelectual atuante tanto no âmbito das teorizações, quanto da vivência cotidiana.

Para nós professores, ler Educação e emancipaçãoé essencial, mesmo que venhamos a discordar do posicionamento sociopolítico do autor, mas é uma oportunidade de também abrirmos caminhos para compreensão dos grandes problemas de ordem social pelos quais estamos passando.

Afinal de contas, o trabalho do professor não se restringe somente às interações em sala de aula, mas está inserido em tudo que fazemos como profissionais da educação.
 
Para pensar:
 
“Pessoas que se enquadram cegamente no coletivo fazem de si mesmas meros objetos materiais, anulando-se como sujeitos dotados de motivação própria.”
Theodor Adorno
 
O quê? Educação e emancipação
Quem é o autor? Theodor W. Adorno
Qual é a editora? Paz e Terra
 

Até a próxima!

2020 vem aí

2020 vem aí!

Pensando com Olafur Eliasson – Parte III

Pensando com Olafur Eliasson - Parte III
Até a próxima!

 

Leia+

Publicações mais visitadas no E-Praxe

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Aposentadoria, escrita, bolhas, conteúdo educacional, WhatsApp, cultura organizacional, conversação, compartilhamento, neurociência, competências, apresentações, algoritmos, tudo isto atravessa a educação de hoje.

Não é que foram estes os temas mais lidos aqui no E-Praxe?

A partir do retorno do leitores, iremos planejar as publicações do ano que vem. Abraços

Até 2020!

Poesia mais do que nunca

 

Parte da imagem da revista Cult Antologia Poética

 


A revista Cult lançou um caderno (não sei se chamo de livro ou revista) com poesias que rolam no circuito literário brasileiro da atualidade.

A poesia brasileira continua se movimentando; se misturou aos videoclipes na Internet, se derramou nas praças públicas e nos movimentos periféricos e
participa das diversas feiras de literatura Brasil afora.
Se você imagina que a poesia morreu está muito enganado.
E a Cult não deixou por menos: lançou a antologia poética recheada de textos gostosos de ler.
A antologia parece ser uma mistura dos filmes Bacurau e Coringa por trazer mensagem insólita, periférica e revolucionária. Os poetas da coletânea parecem fugidos da casa grande. Não sei se são a alma do Saci Pererê ou a irreverência de Macunaíma: caminhantes da cultura brasileira à procura de redenção e identidade.

 

 
Eles são antropófagos – não têm medo de dizer a própria palavra. Viva Paulo Freire!
Eles são o retrato de uma face do Brasil de hoje que também precisa mostrar a cara e desviar-se, num movimento de capoeira, de ataques contra a nossa brasilidade.
O time de escritores rebelados é acompanhado dos sete samurais. Não, não! Não seriam samurais! Seriam cangaceiros na melhor representatividade do imaginário brasileiro. São os sete ilustradores que tiveram a incumbência de desenhar traços tão belos para expressar o quanto são lindas as poesias desse movimento da Cult.
Não vai ter imagens das ilustrações aqui, não, caro leitor! Não vai ter trechos das peças poéticas muito menos. A gente precisa beber mais poesia! Parafraseando as palavras do poeta Gilberto Gil: “A gente precisa ver o luar”.
Observação: há uma frase no início da coletânea com os seguintes dizeres: “Poemas para ler antes das notícias”. Mais uma vez vamos parafrasear: Poemas para ler antes de ir trabalhar.

Que é isto? Cult – Antologia Poética
De quem é a curadoria e edição: Alberto Pucheu
Quem ilustrou a capa: PV Dias
Quem revisou? Bárbara Prince
#euleioacult

#EducarNaParaxe

 

Pensando com Olafur Eliasson – Parte II

Pensando com Olafur Eliasson - Parte II
Até a próxima!