Repente da Amizade

Houve um tempo em que eu era dó
Vagava de casa em casa atrás de uma amizade só

Até que um dia de ano novo, em um abraço bem apertado,
Descobri um amigo em ritmo desajeitado

Depois tive uma amizade despercebida
Havia encontros sem descanso
A gente lia e escrevia poemas para nosso espanto

Ah, também tive amigos passageiros
Ora! O importante eram os momentos vividos por inteiro

Até amigo ciumento tive de aprender a amar
Ele era silêncio nas conversas de bar
Mas quando todos saiam, ele desandava a confabular

Também tive amizade que demorou a começar
Mas quando iniciou desatinou a não terminar

Já tive amiga muito sincera
Mas quando estava comigo, era mais doce que Cinderela
Com ela aprendi a ver o mundo que passava pela janela
Como se desenhássemos uma aquarela

E vi nascer uma amizade cinematográfica
Para discutir sétima arte cena a cena
E a vida se passava como história de cinema

Certa vez vi minhas amigas chorarem na minha partida
Não sabia como era triste a despedida
Com elas descobri que a amizade rompe dias e lugares
Para acalmar tanta saudade

Perdi muita amizade frente à solidão
Por causa de um jeito muito machão
Fugia do feminino como o gato foge da maré
Mas te aviso, seu Moço:
Não perca a amizade de uma mulher!

Hoje conheço bem a solidão
Mas uso como remédio
Cultivar amizades no coração

Até a próxima!

Ritmos e Ritos Afro-Baianos

Um pouco de história da música afro-baiana

Imagem Mosaico da história da música afro-baiana

Minha pele é linguagem
E a leitura é toda sua
Jorge Portugal e Lazzo

Se tivesse de fazer uma fotografia da música afro-baiana dos últimos anos seria mais ou menos assim:

As Origens
A gente começaria com os Filhos de Gandhi, um tradicional afoxé de Salvador, que, centrado no agogô, influenciaria o Gil dos anos 1970 e o Moraes Moreira com vertente ijexá dos anos 1980.
Batatinha e Riachão souberam alinhar o cotidiano da Bahia com versos estilizados sob a harmonia do batuque, rediscutindo as origens do samba na Bahia.
Nesta gênese de precursores Dorival Caymmi proporcionou um som cadenciado, único, sobre o que a Bahia teria para mostrar ao mundo.
Os Tincõas vieram como um coral negro, fazendo aqueles cânticos inebriantes e nos convidando para a integração da mente, do corpo e do espírito.

Os Filhos
A partir dessa leitura de música e de mundo, surgiriam os blocos afros, que reivindicavam políticas afirmativas de autoria, identidade e celebração. Com Ilê Ayiê, apareceram agremiações como Olodum, Muzenza, Malê de Balê, Cortejo Afro, Badauê, Araketu e Timbalada.
Na fonte desta produção cultural intensiva nasceram músicos como Lazzo Matumbi, Édson Gomes, Dionorina, Gerônimo e Margarete Menezes.
Depois desta geração floresceram vozes como Virgínia Rodrigues, com o canto negro frente ao profano e ao sagrado; Juliana Ribeiro e Mariene de Castro que recuperaram as tradições do samba da velha Bahia; Saulo Fernandes que saiu de cima dos trios e viajou pelo samba-reggae e pelo ijexá; Larissa Luz, voz potente e navegante dos sons africanos, que despediu-se do samba-reggae e mergulhou no afro e no pop eletrônicos.
Se na década de 1980 os Novos Baianos fizeram a interação da Tropicália com os acordes da guitarra baiana, na década de 2010, o Baiana System apareceu dando novos tons à guitarra elétrica mais compacta, inventada na Bahia, criando um som transversal por meio de uma batida rítmica de Reggae, Rap e Rock, ao criar diálogos desconcertantes entre os Sounds Systems da Jamaica e as harmonias do trio elétrico.

As Interações
Toda essa produção cultural não se construiu sozinha: o ritmo afro-baiano dialogou com outras manifestações culturais além da espelhada no umbigo. Diversas parcerias surgiram nos anos 1980, como Margarete e David Byrne; Olodum e Lazzo com Jimmy Cliff; Olodum com Paul Simon e Michael Jackson.
Além desses intercâmbios, Robert Nesta Marley inspirou as criaturas e as criações do povo de diáspora, fomentando a interligação entre o samba e o reggae. Para quem quiser se inteirar dessa influência, consulte a obra de Gilberto Gil a partir dos anos 1980. Lá estão redesenhados funk, rock, reggae, samba e baião; todos esses ritmos reinventados sob a influência de Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi, João Gilberto e Bob Marley.

A Diversidade
Tudo isto denota uma característica marcante da música afro-baiana: a diversidade. Diversidade manifestada na consistente ligação entre essa expressão cultural e as religiões de matrizes africanas, por meio da apropriação dos diversos ritos político-culturais dos negros com o divino e com a vida terrena.
As criações musicais feitas na Bahia incorporaram os cânticos em saudação aos orixás, confrontando o sentido de alegria próprio dos povos de origem africana frente às desigualdades sociais existentes.
No caldeirão dessa diversidade, se tivesse de dar um nome à música afro-baiana, este seria refluxo. Refluxo no sentido de revirar, revolucionar, retomar e retornar, porque os movimentos nesta música são como redemoinhos, que, dependendo de onde a gente estiver, pode significar equilíbrio, como também desequilíbrio.

A Transversalidade
Existiram alguns músicos que de certa forma caminharam de forma transversal na música afro da Bahia, universalizando o ritmo dos cânticos e dos tambores.
João Gilberto foi o primeiro deles ao instaurar o criativo toque de cordas, dando nova face ao samba, que passaria, além da condição de samba de roda, à condição de samba-canção .
 Já Caetano e Gil fizeram antropofagia cultural ao misturar o rock, o rap, o funk e o reggae como expressões artístico-culturais transmutadas em samba samba-canção, bolsa nova e tudo o mais, traduzindo em novas harmonias o cancioneiro da música popular brasileira.
Os Novos Baianos, influenciados por João Gilberto, reinventaram as batidas do samba, introduzindo as cordas elétricas, ajudando na transformação do trio elétrico de instrumento de som utilizado para tocar marchas e frevos em uma máquina de múltiplos ritmos e acordes. Eles ajudam na propagação do carro de som inventado e compartilhado mundo afora por Armandinho, Dodô e Osmar, contribuindo para as novas identidades assumidas pelo carnaval da Bahia quanto à vertente tecnopercursiva.
Não podemos esquecer da proeminência das matriarcas Maria Bethânia e Gal Costa, que sempre dialogaram com a música de rua, com o recôncavo baiano e com as vivências cotidianas do povo, trazendo refinamentos para as canções que eram produzidas nos quintais da Bahia de todos os santos.

O Mercado
Precisamos falar de mercado: na década de 1980 insurgiu um grupamento musical alicerçado em gerência, negócios, finanças e marketing. Esses músicos se tornaram donos de trios elétricos, blocos de carnaval e camarotes; passaram a gravar discos com frequência e gerenciar apresentações em grandes espaços; alguns se tornaram vitrines em programas de auditório nas redes de televisão brasileira. Com eles a indústria cultural na Bahia ganhou novos rumos.
Dali saíram bandas centradas no samba, como Gera Samba, Terra Samba e Harmonia do Samba, e produções musicais difusas que misturavam ritmos que iam do galope ao samba de roda, do lundu ao reggae, do frevo ao samba-reggae. Luiz Caldas e banda Acordes Verdes, banda Reflexu’s, banda Mel, Carlinhos Brown, Daniela Mercury e Chiclete com Banana são alguns dos representantes dessa tendência da música baiana.
A partir desse pessoal surgiu uma cadeia econômico-produtiva, que resultou em numerosa gama de músicos desejosos de proeminência no cenário musical brasileiro. Mas isto pode ser tema de outro texto.

As composições
Por trás desse grupamento de diversos se escondiam compositores que elaboraram esse mosaico de percepções sobre os modos e hábitos dos negros da Bahia. Edil Pacheco, Paulo César Pinheiro, Capinan e Roberto Mendes são alguns dos homens de produção de escrita e harmonias musicais que sustentaram as vozes dos arautos que comungaram a estética dessa gente.
Junto a eles há uma multidão de letristas populares: homens comuns que iam aos ensaios dos blocos afros e afoxés e lá se descobriam criativos e criadores de uma nova forma de produzir cultura. Esses homens do povo nos mostraram a imagem do grande refluxo que é a produção da música afro-baiana.  Com eles a poesia e os acordes se transformariam em canções singulares e identitárias.

De tudo isto, ficou a imagem de uma produção artístico-político-cultural diversa e divergente, mas alinhada às matrizes de origem africana, que se olham e se refletem num cantar em forma de oração, em forma de dor, em forma de alegria: em busca de afirmação.

Até a próxima!

Cânticos Afro-Baianos

Não estou conseguindo escrever porque as lembranças daquele som inebriante me faz meditar e é uma viagem indescritível dos cantos afro-baianos de Os Tincoãs.

Estive no teatro Castro Alves e fiquei embevecido com as vozes dos remanescentes dessa banda que abriu os caminhos dos orixás para a música da Bahia de influência africana.
De Ilê Ayiê a Olodum, de Muzenza a Cortejo Afro, de Margarete Menezes e Carlinhos Brown a Saulo Fernandes: todos eles beberam da sabedoria espírito-cultural dos meninos de Cachoeira, Bahia.
Existe uma tríade na Bahia de expressão fortemente africana. Essa tríade está nas cidades de São Salvador, Santo Amaro e Cachoeira. Dessas cidades se ouve afoxé, samba de roda, samba duro, reggae e por aí vai…

No show, convidados especiais se revelaram amantes e amados do grupo de Cachoeira. Primeiro veio Ana Mammeto com a voz harmônica ao entoar um canto espiritual dos negros vindos da África; depois Saulo vem, canta e chora, e chora; Margarete Menezes surge em silêncio, solta a voz bem distante do microfone para que a potência do cantar não retire a harmonia daquele encontro; por fim as Quebradeiras de Itapuã trouxeram a alegria do samba de roda, no ritmo e nas vozes daquelas mulheres que retomam e mantêm a cultura da gente simples do povo. Isto é a beleza.
O bom dos Tincoãs é que eles unem o canto para o corpo com o cântico para o espírito. Eles produzem música para o físico e o metafísico: eu quero dançar, eu quero cantar, eu quero orar, eu quero saudar, eu quero silenciar.

Além do show havia um primoroso livro com fotos, depoimentos e entrevistas sobre o itinerário da banda nestes séculos XX e XXI. O livro veio acompanhado de três discos da banda. Haja coração!

E agora? Agora é hora do regozijo, da fruição, da escuta, da leitura, da dança e da oração.


A que assisti? Nós, Os Tincoãs
Onde foi? Teatro Castro Alves
De quem é a música? Vários Autores
Quem Organizou? Mateus Aleluia
Quando foi? 6 de dezembro de 2017
Quem produziu? Sanzala Artística e Cultural
O que eu achei do evento? Excelente!

Estou aposentado! E agora?

Em dezembro/2017 completará um ano que iniciei o processo formal de aposentadoria.
Gostaria de expressar esta vivência por meio de trechos de algumas músicas e pensamentos de autores consagrados.

1. “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”: amar é o que importa
2. “Nada melhor do que não fazer nada”: é hora de curtir mais a vida
3. “E sem o seu trabalho o homem não tem honra”: a aposentadoria não se opõe ao trabalho
4. “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”: orgulho de ser aposentado
5. “Meus discos e livros e nada mais”: é hora de fazer mais coisas de que gosto
6. “Preciso aprender a só ser”: é preciso viver a aposentadoria
7. “Começaria tudo outra vez”: se precisar trabalhar voltarei com muito prazer
8.  “Amigo é coisa pra se guardar”: que coisa boa foram as amizades que fiz no trabalho
9.  “Don’t forget your history, Know your destiny”: preciso ter consciência de quem sou, para onde vou e de onde vim
10. “Quantas vezes eu pensei sair de casa, mas eu desisti”: é bom não perder os propósitos
11. “Palavras são erros, e os erros são meus”: como aprendi no mundo do trabalho!
12.  “Já está chegando a hora de ir”: é preciso saber partir
13. “Quero mais saúde”: é o princípio, o meio e o fim
14. “Você não sabe o quanto eu caminhei”: aposentadoria não é um benefício: é uma conquista!
15. “I have a dream”: o futuro nos espera

Os autores das ideias sãos: Renato Russo, Rita Lee e Roberto de Carvalho, Gonzaguinha, Gonzaguinha, Tavito e Zé Rodrix, Gilberto Gil, Gonzaguinha, Milton Nascimento e Fernando Brand, Bob Marley e Rita Marley, Roberto Carlos, Renato Russo, Roberto Carlos, Rita Lee e Roberto de Carvalho, Da Gama, Martin Luther King.

No mais: sem palavras!

Esse tal de Feedback

Avaliar com Feedback
No mundo corporativo é comum o uso da avaliação direta oral para proporcionar a melhoria de desempenho dos profissionais. É a atividade do feedback.
Feedback é um procedimento de atribuir juízo de valor no desempenho de uma pessoa, em um dado momento e lugar, comparando o desempenho esperado do avaliado, com um conjunto de critérios previamente acordado. Sendo o feedback uma atribuição de valor de desempenho de alguém, o avaliador tem a missão de descrever com mais precisão possível tal desempenho, fazendo interligações com os comportamentos esperados do educando para que este possa trabalhar de forma competente em novas situações profissionais.

Feedback e Emoções
No feedback o relacionamento entre avaliador e avaliado não é somente pela via cognitiva, pois existe um conjunto de manifestações emocionais, que irão conduzir, junto com o movimento racional, as interações entre quem educa e quem aprende.
Disto resulta um trabalho permanente do educador de buscar relacionamentos empáticos com as pessoas que estão sendo observadas. Relacionamento empático no sentido de compreender sentimentos, ideias e ações de outra pessoa; uma capacidade de interpretar comportamentos verbais e não verbais de comunicação de outra pessoa, com o intuito de promover aprendizagens diferenciadas para o trabalho.
Atitudes empáticas podem estabelecer laços de mútua confiança entre educador e educandos, contribuindo para relações mais amistosas de aprendizagens.
É bom lembrar que empatia é diferente de simpatia (impressão ou disposição favorável a alguém que se acabou de conhecer) e de antipatia (falta de afinidade ou incompatibilidade com uma pessoa), pois quando entramos no mundo da simpatia ou da antipatia, percorremos caminhos da passionalidade: estamos movidos pela paixão, e as coisas factíveis passam a não ser percebidas pelo avaliador.
Cuidados também deveremos ter com a apatia (indiferença, insensibilidade, falta de ânimo), que podem resultar em distanciamentos entre avaliadores e avaliados.


Imagem Feedback, do Autor



A comunicação no Feedback 
Durante os comentários que o avaliador faz sobre o desempenho do avaliado, é necessário que seja comentado o essencial, deixando espaços para o educando repensar a própria prática. Comentários prolongados e prolixos, depois depois de alguns minutos, fazem as pessoas perderem o foco do que está ouvindo, e o feedback poderá não ser mais efetivo. O essencial é produzir uma comunicação clara, coesa e adequada para o momento. Junte a isto tudo uma forma respeitosa e acolhedora de falar, sem perder o compromisso com a verdade do que você como avaliador pôde observar.

Feedback e Competências 
O feedback é para favorecer a melhoria das competências do trabalhador; então avaliamos o nível de desempenho de conhecimentos, habilidades e atitudes do educando, em relação às premissas estabelecidas na minuta do curso, o que for além disto estará fora dos propósitos do genuíno feedback.

Feedback do Educando
Em algumas situações de sala de aula, é usual os educandos fazerem feedbacks de si, pois tais comentários servem para os avaliadores observarem o nível de criticidade dos aprendizes. O problema é quando se solicita aos educandos que façam autoavaliação e não é explicado a eles alguns procedimentos básicos para se autoavaliar. Solicite que o educando faça comentários sobre as próprias percepções de aprendizagem da competência a ser desenvolvida e depois compare com os critérios de avaliação acordados.

Feedback e Subjetivismo
Há duas frases muito correntes nos meios empresarias sobre o feedback: “Feedback é um ato de amor” e “Feedback é uma doação”. Cuidado com frases que se repetem! Feedback é uma atividade de avaliação, que é utilizada no âmbito empresarial para promover a melhoria dos processos de trabalho e do desempenho das pessoas naquilo que elas realizam no cotidiano corporativo.
O feedback, como suporte para avaliação do trabalho, é uma forma de credenciamento para novas funções ou atribuições nas empresas. E isto traz em si a ideia de uma possível exclusão caso o trabalhador não alcance o nível esperado para o trabalho, o que pode significar um ato que resulte em dor para quem está sendo avaliado.
Vamos parafrasear as frases acima em uma ideia:  “Feedback é um ato comprometido com a verdade”? Por mais que as intenções sejam de amor e de doação, atribuir juízos sobre o desempenho de outrem conduz a um relacionamento dialético, em que amor e dor se entrelaçam em movimentos confluentes e contraditórios. Ademais, o compromisso com a verdade já é um sinal de amor.
Trabalhar com feedback não é simples nem é fácil. Exige esforço, dedicação e aprendizagem, pois é uma prática que interfere na vida profissional do educando, e interferir na trajetória do outro exige responsabilidade e compromisso ético com o crescimento do outro.

Até a próxima!

Uma visita ao museu da Diversidade

Um convite à diversidade

Imagem Mosaico da Diversidade

Era uma manhã de domingo de julho, quando resolvi sair do hotel e dar umas voltas no centro de São Paulo.

Fui para a praça da República e visitei a feira daquele lugar que acontece todos os finais de semana. Lá você encontra utensílios domésticos, itens para uso pessoal, obras de arte: excelente lugar para uma visitação demorada.
Desci a estação do metrô da República e me deparei com o Museu da Diversidade Sexual. Olhei desconfiado, cheio de curiosidade para conhecer. Confesso que fiquei pasmado.
Foi um passeio inusitado de novas informações sobre nós humanos, pois em uma área bastante modesta havia uma riqueza de depoimentos sobre construções da humanidade quanto à questão sexual.
Li depoimentos que me comoveram; apreciei obras de arte sobre uma cultura que faz parte do nosso dia a dia, mas que a gente fica cego, surdo e mudo.
O nosso pensamento único impede de apreciarmos as diversas manifestações artísticas quer em forma de música, quer de literatura ou de artes plásticas: um bem cultural da humanidade, de valor material e imaterial. Impede a nós também de observar com vão as nossas relações com as outras formas de existência humana.
Foi no aspecto da humanidade que fiquei mais comovido, pois nos depoimentos a gente começa a lembrar dos diversos noticiários de cerceamento da cidadania da pessoas que se concebem gêneros que vão além da concepção binária que criamos de perceber o mundo, nesse ato repetitivo do mais (+) e do menos (-). E aí nossa compreensão se esvazia quanto à existência do outro.
Terminei de ver aquelas fotos, os textos e os vídeos em comoção de quanto ainda preciso aprender quanto à convivência com os próximos e com os diferentes.
É aí que a gente percebe quanto o nosso discurso sobre diversidade ainda está longe de nossas atitudes cotidianas de Seres de Inclusão.
De resto é ir lá e ver. Conhecer e reconhecer.

Até a próxima!

Onde Estive? Museu da Diversidade Cultural
Onde fica? Na estação do metrô da praça da República, São Paulo, capital.
Quando foi? Julho/2017
Quem administra? Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo
O que eu achei do espaço? Um lugar para aprender mais sobre nós e os outros.

Infografia e Educação

Aprender com a infografia

Infografia e Cotidiano
Comprei um móvel para meu escritório doméstico e fiquei surpreso ao perceber que o manual para armar o rack era composto por uma tabela com indicação dos nomes dos itens que compunham o móvel (parafusos, partes em madeira etc.) e um conjunto de imagens, sem palavras, com alguns códigos de representação dos itens do rack.

No início achei que não conseguiria montar sozinho o objeto, pois era de tamanho médio e tinha complexidade média de armação.
Depois de alguns instantes de hesitação, resolvi iniciar os trabalhos e alguns minutos mais tarde estava o móvel inteiro e funcional em minha frente.
Repaginei o manual e pude verificar que não haveria mesmo necessidade de textos comentados para que eu armasse a peça: o que eu necessitava mesmo era a leitura sob outra perspectiva da mensagem.

Infomações por todos os lados
Foi então que associei que este tipo de mensagem, elaborada por meio de desenhos, fotos, textos e gráficos, está por todos os lados: nos jornais televisivos quando é apresentada a situação do tempo ou quando é detalhada a cena de um acidente de trânsito, em que um conjunto de imagens compõem uma mensagem coesa e coerente.
No início dos anos 2000 os jornais impressos iniciaram a publicação intensa desses recursos que reúnem informação, design e ilustração. São os infográficos que hoje fazem parte de nossa vida, e a gente nem percebe mais.

Infografia e Educação
E os infográficos são uma oportunidade para as atividades de educação, pois possibilita ao educador reunir conhecimentos das áreas do design gráfico, do webdesign e das artes para produzir material didático mais agradável e de comunicação mais fluidas para os educandos.
Em vez de usar aqueles materiais com mensagens predominantes de textos, o profissional poderá organizar as informações por meio da comunicação visual, facilitando o entendimento de determinados conteúdos.
Os usos da infografia dependem do contexto educacional, pois há situações em que o educando necessita cogmpreender um assunto por meio de textos narrativos, descritivos ou dissertativos; em outras situações a inserção de elementos ilustrados e com design funcional melhora o nível de aprendizagem da turma.
 A aprendizagem de infografia para usar em educação vai exigir de nós de um preparo consistente, pois será preciso conhecer desde os elementos das ciências da comunicação, para compor elementos visuais atraentes e funcionais, até conhecimentos ligados à cultura e ambientes sociais e históricos aos quais o infográfico será utilizado.
Fica então lançado o desafio a nós aprendizes de educadores: utilizar essas ferramentas para a oferta de soluções educacionais mais pertinentes, prazerosas e propiciadoras de aprendizagem.
Para finalizar deixarei aos leitores uma mensagem de um dos grandes profissionais da área aqui no Brasil.

A infografia é a arte de tornar claro aquilo que é complexo e talvez não haja nada mais urgente no atual momento histórico. Ary Moraes, Infografia História e projeto, pág. 16, editora Blucher, 2013, São Paulo, SP.

Até a próxima!

O melhor lugar do mundo

Os 40 anos de Refavela

Dia 23/9/2017 pude presenciar um acontecimento da história da nossa arte: o show em homenagem aos 40 anos do disco Refavela, de Gilberto Gil.
Tive a possibilidade de ver um grupo de novos artistas reverenciar a ancestralidade cultural brasileira.
Ancestralidade no sentido mais primitivo, pois precisamos afirmar que também temos história, temos passado e construímos cultura permeada de brasilidade.
Meus sentidos puderam se deliciar com um desfile de arte brasileira pelas expressões de Bem Gil, Maíra Freitas, Nara Gil, Céu, Moreno Veloso, Bruno Di Lullo, Domenico Lancellotti, Thomas Harres, Thiagô de Oliveira, Mateus Aleluia Filho e Ana Cláudia Lomelin.
Não precisamos dizer que fulano é filho de sicrano, pois o grupo de artista demonstrou maturidade suficiente para não ser comparado ao grupo de pais famosos.
Houve de piano a balafon, instrumento musical africano. Os sons transbordavam em todos os sentidos; eu ouvia pela pele, pelos olhos, pelo paladar e me deliciava pelos ouvidos, que me impeliram a cantar e a dançar.
Na visitação musical houve de Babá Alapalá a Sandra; de Sítio do Pica Pau Amarelo a Era Nova: um primor de repertório.
No final fomos brindados com a participação do Gil Homenageado: um show!
Espero que daqui a 60 anos, os netos, bisnetos e tataranetos possam reverenciar novamente os ancestrais da música brasileira do final do século XX e início do século XXI, e que as pessoas possam dizer que o país tem história, tem arte e de cultura.

A que assisti? Refavela 40
De quem era o show? Bem Gil, Maíra Freitas, Nara Gil, Céu, Moreno Veloso, Bruno Di Lullo, Domenico Lancellotti, Thomas Harres, Thiagô de Oliveira, Mateus Aleluia Filho e Ana Cláudia Lomelin
Quem foi convidado?: Gilberto Gil
Quando e onde foi apresentado? Em 23/9/2017, na Concha Acústica do teatro Castro Alves
O que eu achei do show? Excelente!

As Tramas das Técnicas

Novas tramas para a aprendizagem

A formação de educadores passa por dificuldades no momento em que os formadores convidam a turma de formandos para trabalhar com educação voltada para o diálogo, para a problematização e para a promoção da autoria e da autonomia dos educandos.
Se existem técnicas de ensino-aprendizagem já consolidadas no cotidiano do educador, como os candidatos a educadores vão trabalhar com os educandos em uma perspectiva dialógica?
Esta e outras questões atravessam a vida do aprendiz de educador e traz muitas contradições, uma vez que há muito material teórico a respeito da necessidade de se sair da centralidade da aula expositiva e de se buscar a construção coletiva (educador e educandos) de competências, mas nem toda publicação procura discutir as práticas.
Uma das preocupações da educadora Ilma Passos é justamente discutir os usos de técnicas de ensino-aprendizagem neste novo contexto. E ela já organizou algumas obras a respeito disto, como Técnicas de ensino: por que não? (1991) e Técnicas de ensino: novos tempos, novas configurações(2006).
Em uma nova empreitada, a organizadora nos oferta o livro Novas tramas para as técnicas de ensino e estudo, trazendo as contribuições do professor José Carlos Souza Araújo com o artigo O que significa revisitar técnicas de ensino à luz da pedagogia Histórico-Crítica, que abre as discussões no livro, fazendo um panorama da concepção histórico-crítica no contexto de uma prática pedagógica voltada para trabalhar as complexidades do fazer educacional em um espectro que favoreça a autonomia e o espírito coletivo de construção do conhecimento.
No segundo capítulo Ilma traz o texto Ensinar, aprender, pesquisar e avaliar com mapas mentais, em que aborda o uso da referida técnica para atividades didáticas de ensino, aprendizagem, pesquisa e avaliação.
Já Ângela Imaculada Loureiro de Freitas Dalben discute o assunto O ensino por meio de resoluções de problemas, trazendo contribuições em torno da problematização para que se crie possibilidades de o educador construir aprendizagens que permitam aos educandos construírem conhecimento por meio de interações sucessivas. O trecho sobre as especificidades da problematização se situa como um referencial de leitura sobre como essa abordagem didática pode ser estruturada para atividades propiciadoras do diálogo em sala de aula.
Em continuidade aos objetivos da obra, as autoras Meirecele Calíope Leitinho e Claudia Christina Bravo e Sá Carneiro abordam o tema Aprendizagem baseada em problemas: uma abordagem pedagógica e curricular, em que tratam dos usos da técnica PBL (problem based learning), demonstrando como essa abordagem pode se organizar por princípios da teoria crítica.
Ana Lúcia Amaral problematiza a questão das competências do educador, tratando do tema Casos de ensino e estudos de caso: técnicas para formar professores de qualidade.
A obra é finalizada com o texto Técnicas de estudo para além da dimensão do fazer, das educadoras Joana Paulin Romanowski é Pura Lúcia Oliver Martins. É uma excelente finalização, pois muitos textos tratam das questões das técnicas preocupados com o ensino, porém deixando na sombra a necessidade de aprender a estudar dos próprios educadores.

Novas Tramas é uma obra necessária e pertinente para a formação do educador brasileiro, por trazer uma abordagem crítica a respeito de algumas técnicas de ensino-aprendizagem sob a perspectiva das abordagens educacionais voltadas para a promoção de ambientes didáticos mais horizontais na relação entre educadores e educandos. O livro é um testemunho didático do potencial de abordagens históricas e críticas para o desenvolvimento do ser.

Boa Leitura!

O que eu li? Novas tramas para as técnicas de ensino e estudo
De quem é o texto? Vários Autores
Quem Organizou? Irma Passos Alencastro Veiga
Quando o texto foi escrito? 2013
Quem editou o texto? Editora Papirus
O que eu achei do texto? Muito Bom!

Pensando com o Poeta

Foi vasculhando minhas velhas anotações que encontrei os versos abaixo de Fernando Pessoa.
De maneira inconsciente, acho eu, recuperei o pensamento do poeta para a seção Pensando com os Sentidos aqui do blog. Vejamos:
E penso com os olhos
E com os ouvidos 
E com as mãos 
E com os pés
E com o nariz
E com a boca
Fernando Pessoa
Sem palavras e sem imagens!
Até a próxima!

Ofício de Educador

O educador e as tecnologias educacionais

Já fiz um balanço de trajetória de usos de ferramentas para fins educacionais e agora farei um relato dos atuais usos tecnológicos para trabalhar em educação.
Umas das coisas que sempre procurei levar comigo para as atividades educacionais é um kit com algumas ferramentas imprescindíveis para a atividade pedagógica.
O kit é formado por:
. Um apontador eletrônico para interagir com imagens, vídeos e apresentações;
. Uma caixa de som portátil (com recurso de transmissão sem fio ainda é melhor);
. Um tablet para leitura, consulta à internet e produção de conteúdos pedagógicos;
. Um smartphone para comunicação, consulta à internet, inserção de dados e organização de eventos;
. Um caderno de anotações, dois lápis, duas canetas, uma borracha e uma régua;
. Um mouse e um teclado sem fio e dois pendrives;
. Textos postados em plataformas de armazenamento on-line (Drive, OneDrive, Icloud…) 
. Pacote com cabos de energia, pilhas e cabos de comunicação entre os dispositivos móveis;
. Dicionário Eletrônico e aplicativo VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa);
Para as interações educacionais, tenho como práticas:
. Fazer anotações quase diárias, pois um educador está sempre aprendendo. Nesta tarefa, utilizo o Keep e o OneNot) e blocos de papel.
. Manter diversos tipos de arquivos (textos, imagens, planilhas, gráficos, mapas mentais, apresentações, bancos de dados, vídeos, áudios…) em pendrive, no celular, no tablet e na WEB (Drive e OneDrive).
. Manter contato com pessoas sobre temas educacionais em mídias sociais diversas (Facebook, WhatsApp, Blogger e LinkedIn).
. Manter acervo de livros e discos (filmes, documentários, depoimentos e músicas) sobre educação.
O que percebo é que o uso faz com que eu me aproprie das funcionalidades das ferramentas educacionais existentes, o que favorece um posicionamento crítico quanto aos benefícios e limitações na utilização de tais tecnologias.
Note o leitor que aqui é apresentado um relato de experiência de usos; cabe a você, autor do seu processo de desenvolvimento profissional, decidir quais ferramentas são mais adequadas para sua atuação como profissional de educação.
Última questão: e se você não tiver recursos financeiros suficientes para manter tal plataforma tecnológica? Comece com papel e caneta!
Até a Próxima!

Itinerário de um educador analógico-digital

Aqui em casa há uma quantidade enorme de equipamentos velhos que poderiam ser jogados fora. Fico arrependido quando lembro que doei uma máquina de datilografia. Apesar de saber que ela teve uma utilização social, bem que eu ainda poderia lançar algumas ideias no papel usando aquela maquininha.
Para uso em educação já tive de tudo. E é o que vou tentar contar neste texto para você, leitor.
Minha primeira ferramenta de luxo foi um caderno de anotações, acompanhado de uma caneta. Ali eu anotava de tudo: perguntas, esquemas, desenhos, comentários, resumos, cópias de trechos. Até hoje ainda os uso.
Mas nasci em uma época diferenciada entre a consolidação das grandes invenções analógicas e o surgimento das grandes invenções eletrônicas, chegando a este mundo em que as interações acontecem em nuvens digitais.
De tanto fazer anotações em papel veio uma necessidade enorme de utilizar máquinas de datilografias manuais. Fazia textos ali e reproduzia em mimeógrafos. O material saía na cor azul, podíamos inserir nos espaços desenhos para melhorar a interação com os educandos.
Como era muito curioso, percebi que nas antigas relojoarias, era vendidas agendas eletrônicas, que tinham funcionalidades como calendário, calculadora e memorandos. A dificuldade era não poder reproduzir aquelas informações em papel.
Tempos depois apareceram as primeiras imagens dos chamados microcomputadores. Aqueles homens bem vestidos, de terno e gravata, segurando computadores portáteis de quase 4 quilos nas fotos das revistas semanais me deixava fascinado com as ideias do eletrônico, do portátil e da mobilidade.
Foi então que adquirir um Apple IIIe, computador pouco utilizado no Brasil, mas que prometia fazer milagres quanto ao gerenciamento de informações. Que sofrimento: comprar disquetes que queimavam com facilidade; usar impressoras que demoravam 30 minutos para imprimir uma página com gráficos. Era um horror! Mesmo assim aprendi a usar a ferramenta para realizar atividades como aluno na universidade.
A história todos já conhecem: o computador evoluiu e passou a ser dispositivo multimídia e muito utilizado nos lares e nas corporações.
Vieram os notebooks. Já não era necessário ficar preso em casa quando o assunto era produzir conteúdos…
Trabalhei de 1997 a 2008 pelo interior do Brasil. Foi quando percebi que andar pelo nosso país na época significava não ter computador na cidade, muito menos projetor. Internet? Nem pensar!
As ferramentas mais utilizadas eram telas transparentes com textos e imagens sobre um retroprojetor. E quadro de giz, giz, cartolina, papel ofício…
Trabalhava com alfabetização de adultos e queria usar ábacos para trabalhar noções de matemática com os alfabetizadores em formação. Foi quando surgiu a ideia de criar uma alternativa aos ábacos, pois eram muito pesados para serem transportados. A ideia foi criar um Tabuleiro Numérico, que foi utilizado para reconhecimento de número, posicionamento de números e identificação de quantidade e valor numérico. Esta tecnologia analógica ajudou bastante.
Foi naquela fase que surgiram os computadores de mão. As coisas digitais começaram a melhorar. Corria os interiores do nosso país e quando voltava, trazia lista dos educandos e pequenos relatórios das atividade realizadas. 
O trabalho de mídia era utilizar uma máquina fotográfica manual, em que tirava as fotos e só conhecia aos resultados quase um mês após ter participado do evento educacional.
Levava também um gravador (de fitas) para registrar alguma coisa que achasse interessante ou mesmo ouvir músicas daquelas fitas de 45 a 60 minutos de duração.
Quando usei a primeira câmara digital, foi uma festa na turma. Descobri intuitivamente que a máquina também filmava. Foi um marco no uso de tecnologias em sala de aula.
Em dezembro de 2010 foi possível adquirir um Ipad. Aquele equipamento não era novidade em termos de usos, pois já utilizava os palmtops. O negócio era pôr o dedo na tela e deixar o equipamento todo sujo de digitais.
Já estávamos nos tempos das nuvens, da portabilidade, da mobilidade e da ubiquidade.
Hoje uso tecnologia cotidianamente, tanto a digital quanto a analógica; depende do contexto, da necessidade e estou sempre descobrindo novas possibilidades de aprender a usar essas ferramentas novas que vão surgindo.
As velhas ferramentas ainda estão aqui, em sacos empoeirados. Não as vejo como simples ferramentas que foram jogadas ao relento, mas como um conjunto de itens que participaram da minha formação como educador. Quem sabe elas não possam formar um pequeno museu pessoal de tecnologias educacionais?
A seguir algumas fotos que retratam o itinerário de usos de recursos educacionais.
Teclado de um Palmtop
Tabuleiro Numérico 

Tela de transparência para uso em retroprojetor

Palmtop

Um gravador portátil de fitas cassetes

Computador de Bolso