
A publicação EPraxe desta semana é sobre a série The Deuce. Aqui a gente não conta a história: provoca o leitor para ir à fonte. Boa leitura!
Assistir a The Deuce trouxe em mim um estado de angústia diante de uma narrativa que conseguiu traduzir uma variedade de questões sociais mediante um clima de normalidade, em que a violência, a injustiça e a exploração eram exibidas no mundo dos comuns daquelas personagens que viveram a ascensão da indústria pornográfica nos anos 1970/1980 nos Estados Unidos.
Em uma estratégia de narrativa em multivozes, The Deuce e desenrola em um mosaico de variados tipos sociais, que desfilavam sob as mais diversas expressões: prostituta, aidético, cafetão, comerciante, mafioso, traficante, policial, ativista, jornalista, vigilante, cineasta, familiares das prostitutas, atrizes, produtores, em que era difícil identificar dicotomicamente quem era mocinho ou quem era bandido naquele mundo peculiar, regido pelo dinheiro, mediador de sentimentos atravessados por atos de submissão, revolta, amor, sexo, busca de libertação, tudo bem misturado, como uma vacina atenuante para que o espectador não se afastasse daquela odisseia social de beleza e de tristeza.
The Deuce mobiliza emoções sem deixar o espectador seguir por caminhos extremos, pois é necessário mergulhar nos sentimentos que as circunstâncias da vida provocam sem perder o sentido da razão, aquela dimensão que nos deixa alerta e nos limita ao mesmo tempo.
A mobilização das pulsões sexuais não é uma questão circunscrita somente à fisiologia e às ciências psicológicas, mas adentra o espectro do social, do econômico e por aí vai. E é preciso olhar diretamente para essa dimensão do humano. E The Deuce consegue explicitar as pulsões sexuais sob diversas formas.
Assisti à série devagar, capítulo por capítulo, parando para sentir e refletir. Ao final da série, uma profusão de sentimentos se instalaram e só agora, um mês depois, precisei registar essa jornada tão peculiar.
Até a próxima!
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Dados da obra
O que é? The Deuce
Quem criou? David Simon e George Pelecanos
De que ano foi? 2017
Quantas temporadas? Cinco
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