A tríade educação, extensão e pesquisa na Universidade

A tríade Educação, Pesquisa e Extensão
A tríade Educação, Pesquisa e Extensão

O 11 de setembro de 2023 foi um dia de celebrar a educação, pois o Instituto Paulo Freire (IPT) lançou o e-book Projeto de Extensão Universitária em Movimento. O evento aconteceu às 19 horas, foi transmitido pelo Canal do YouTube da iPF.Tv e contou com a participação dos docentes e autores Andréa Alves, Andréa Kochhan, Cleonilton Souza, Janaina Abreu, Jessica Visotsky, Lúcia Guerra, Nazaré Zenaide, Mônica Firmida, Paulo Padilha, Pedro Demo, Rodrigo Mioto, Sonia Santos e Sylvia Valenzuela. Olha meu nome aí em cima, uma satisfação!

Quem não assistiu ao evento, poderá acessar a gravação no canal do IPF. O e-book também está disponível para ser baixado no Repositório do IPF.

O educador Paulo Freire já se preocupava com a relação entre as universidades públicas e a sociedade lá nos idos de 1960. Segundo o professor Moacir Gadotti, o e-book se “situa num movimento de retomada desse sonho de Paulo Freire com reflexões teóricas e relatos de experiências em torno de uma extensão universitária emancipante, crítica e popular. Uma demonstração de que esse sonho continua vivo nas práticas de educação popular, dentro e fora da universidade, construindo novos sentidos para a educação como um todo.” e cabe a nós educadores e cidadãos em geral contribuir para que o processo de articulação da pesquisa, da educação e da extensão em prol da promoção da cidadania avance, aproximando a sociedade brasileira das universidades públicas.

A minha participação no Projeto resultou na produção artigo intitulado Polêmicas contemporâneas: pesquisa, extensão e educação durante a pandemia da Covid-19. Para o leitor ter um gostinho do que foi relatado no artigo, transcrevo abaixo o resumo e a base bibliográfica do trabalho realizado. 

Resumo do Artigo

O trabalho visa contribuir para a sistematização de experiências em atividades acadêmicas de pesquisa, extensão e educação no Grupo de Pesquisa Educação, Comunicação e Tecnologias (GEC), na Faculdade Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no período de 2020 a 2023, em ações relacionadas à pandemia do coronavírus no Brasil. A narrativa se pautou na abordagem epistêmico-metodológica da Sistematização de Experiências a partir dos estudos de Oscar Jara Holliday (2006). O relato de experiências dá indicações de um campo aberto a ser explorado quanto às interlocuções entre instituições educacionais e sociedade em prol da formação humana.

Base bibliográfica

AGÊNCIA SENADO. Desinformação e fake news são entraves no combate à pandemia, aponta debate. Agência Senado. Disponível em:

<https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/07/05/desinformacao-e-fakenews-sao-entrave-no-combate-a-pandemia-aponta-debate&gt;. Acesso em: 28 mar. 2023.

FREIRE, Paulo. Extensão ou comunicação? 6. ed. São Paulo, SP: Paz & Terra, 1982.

HOLLIDAY, Oscar. Para sistematizar experiências. Trad. Maria Viviana RESENDE. Brasília, DF: Ministério do Meio Ambiente, 2006.

INSTITUTO PAULO FREIRE. Projeto Extensão Universitária em Movimento (Preum). Curricularização da Extensão Universitária – A extensão-pesquisa-ensino-gestão-cultura-comunicação: reflexões aproximativas, Encontro 5/7, ministrado por Paulo Roberto Padilha, Andréa Kochhann, Renato Hilário dos Reis e Roberto Gurgel. São Paulo, Instituto Paulo Freire/UniFreire, 2022.

KIEL, Ana Cristina; ASCHER, Petra. Apresentação. In: HOLLIDAY, Oscar (Ed.). Para sistematizar experiências. Trad. Maria Viviana RESENDE. Brasília, DF: BRASIL: Ministério do Meio Ambiente, 2006.

NETTO, José Paulo; FALCÃO, Maria do Carmo. Cotidiano: conhecimento e crítica. São Paulo, SP: Cortez, 1987.

PRETTO, Nelson. Polêmicas Contemporâneas. Disponível em:

<https://blog.ufba.br/polemicas/&gt;. Acesso em: 12 ago. 2022a.

PRETTO, Nelson De Luca. Polêmicas Contemporâneas: formando professores ativistas comprometidos com a sociedade. Revista Observatório, v. 3, p. 32-55, 2017.

PRETTO, Nelson; BONILLA, Maria Helena; SENA, Ivânia. Educação em tempos de pandemia: reflexões sobre as implicações do isolamento físico imposto pela COVID-19. Salvador, BA: Edição do Autor, 2020. Disponível em: <https://blog.ufba.br/gec/files/2020/05/GEC_livro_final_imprensa.pdf&gt;. Acesso em: 18 ago. 2022.

PRETTO, Nelson. Tópicos Especiais em Educação: Educação e Pandemia [Universidade Federal da Bahia]. In: Salvador, Bahia: [s.n.]. Disponível em: <https://ava.ufba.br/&gt;. Acesso em: 1 nov. 2022b.

SANTOS, Boaventura de Sousa. A cruel pedagogia do vírus. São Paulo, SP: Boitempo, 2020.

THIOLLENT, Michel. Metodologia da pesquisa-ação. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2011.

THIOLLENT, Michel; ARAÚJO FILHO, Targino. Diálogos entre Michel Thiollent e Targino de Araújo Filho Sobre os Seminários de Metodologia de Projetos de Extensão (Sempe) realizados entre 1996 e 2013, p. 15-27, in Extensão Universitária: concepções e reflexões metodológicas. Michel Thiollent, Simone Imperatore, Sonia Regina Mendes dos Santos (organizadores) – Curitiba: CRV, 2022. Disponível em https://www.editoracrv.com.br/produtos/detalhes/37076-extensao-universitariaconcepcoes-e-reflexoes-metodologicas. Acesso em 27 jul. 2022.


Creative Commons License 
Licença Creative Commons
Leia+


Pensar faz bem com Jean Foucambert

Pensar bem com Jean Foucambert
Pensar bem com Jean Foucambert
Licenciado com Creative Commons - Creative Commons License



Dezesseis anos do EPraxe

EPraxe - 16 anos
EPraxe – 16 anos

No final de julho deste ano, resolvi fazer um texto pelos 16 anos do EPraxe, pois escrever na internet, fora das mídias sociais digitais, demanda muita perseverança, uma vez que construir conteúdos sem impulsionamentos automáticos é como gritar no meio de uma multidão sem um alto falante, onde todos falam e ninguém escuta ninguém.  Ainda mais que a divulgação do texto no EPraxe é sempre orgânica, no corpo a corpo, boca a boca, com baixa mediação de algoritmos. 

Necessário desta forma agradecer aos leitores que continuam firmes em acessar os textos no EPraxe. Para nós, saber da existência desses leitores é uma grande satisfação. 

Para o leitor ter uma ideia de nosso fluxo de leitores, alcançamos no dia 31/07/2023 a quantidade de 5.394 visualizações nos últimos quatro anos, período em que mudamos de plataforma técnica, saindo de uma solução tecnológica grátis para uma solução alugada. É só agradecimento e compromisso de pesquisar e escrever sobre coisas da vida cotidiana a fim de tornar as manhãs das segundas-feiras dos leitores mais prazerosas.

Em comemoração ao aniversário, EPraxe sugere a  leitura dos textos abaixo escritos no período 2020-2023. 

***

Memórias 2020-2023 EPraxe 

2023 – Independência do Brasil: entre príncipes e caboclos

2022 – Carlos Drummond: entre o rápido e o divagar

2021 – Olhos cheios de vida

2020 – A reação de mãe Netinha

***

E que venham mais quatro anos para que cheguemos aos 20 anos de EPraxe renovados de vitalidade.

Até a próxima!


Creative Commons License 
Licença Creative Commons
Leia+


Pensar faz bem com Douglas Rushkoff

Douglas Rushkoff - Pensamento
Douglas Rushkoff – Pensamento
Licenciado com Creative Commons - Creative Commons License



A jornada ancestral em Bela Gil

Bela Gil ancestral
Bela Gil ancestral

É sublime ver Bela Gil dançando em um dos shows do documentário Viajando com os Gil. É sublime porque é ancestral. É sublime porque são movimentos que até hoje vivem dentro dos corpos negros, embelezados pelos movimento em sintonia com a História e o transcendental.

Mas Bela não é só dança, ela cozinha, cozinha respeitando o mundo de todos os seres que povoam este lugar chamado Terra. Ela também é uma pessoa curiosa e busca o tempo todo descobrir-se dentro da cultura brasileira.

E um desses registros de descobertas é o documentário Belas Raízes, uma jornada ancestral, que retrata a jornada de recuperação das tradições no tempo presente, ressignificadas pelos milhares de cidadãos desconhecidos espalhados Brasil afora.

A jornada de Bela começa na Bahia, onde a menina curiosa vai atrás dos gestos da capoeira, um ato cultural de organização e criatividade, principalmente quando ela explora a resistência das mulheres em ação cultural, que é música, é dança, é luta e é educação.

A viagem continua pelo cerrado goiano, mexendo novamente com as coisas do corpo, no meio dos Kalungas e os rituais dos banhos e dos sabonetes.

Mas Bela não se contenta e vai livre e solta saber os segredos das jiboias nas artes produzidas na cultura do povo da aldeia Mucuripe, no território Huni Kuin.

O trabalho corpo-espiritual continua com a feitura das panelas de barro, em Goiabeiras, Espírito Santo. Haja fôlego! E fôlego é o que não falta em Bela, quando ela chega ao Recife à procura das oferendas sustentáveis, feitas pelo pessoal de santo do Candomblé, em um momento mágico de união de religião, humanos e natureza: que belo exemplo.

Bela não para, é menina traquina e vai bisbilhotar o que fazem as parteiras Kalunga, em Goiás. O que a medicina ancestral tem a nos ensinar?

O compromisso de Bela com a Natureza é intenso. Em busca de saúde integral, a menina sapeca visita o assentamento Contestado, Paraná, para observar o que as pessoas podem fazer para reformar a vida agrária no país afora.

Em todas as visitas, Bela Gil assume o prazeroso papel de aprendiz. No Território Tenondé Porã, em São Paulo, Bela se reeduca com os rituais da agricultura Guarani, e se integra à cultura, que no fundo está dentro de todos nós.

E com a mesma inabalável força das abelhas para o trabalho, Bela Gil, envereda no universo da produção de mel em Goiás e, é claro, com todo o respeito ao meio ambiente.

Mas é em Brasília que ela se envolve com os segredos da construção dos – Florais da Amazônia, enfatizando o quanto a medicina da natureza pode contribuir para a construção de um mundo melhor.

No Paraná Bela penetra mais fundo nos poderes dos óleos essenciais na produção de aromas, aromas para nos fortalecer e nos tornar mais sublimes, como a dança que anunciei que Bela é capaz de realizar.

É na região Norte, novamente no Acre, que Bela Gil busca a cura pelas plantas, conhecimentos ancestrais que há muito deixamos sublimados em nossa mente.

Bela Gil fecha o ciclo de vivências entrando na dança, em movimentos sincopados do Jongo, no Rio de Janeiro.Sob conhecimentos tradicionais, resistências e modos outros de viver, Bela Gil vai desvelando o Brasil e descobrindo a si própria em uma jornada de corpo, mente e espírito, atrelada ao que os outros têm a nos ensinar.

Até a próxima!


***
O que é? Belas Raízes {documentário}
Quem narrou? Bela Gil
Onde assisto? Prime Vídeo
***
Creative Commons License 
Licença Creative Commons
Leia+


Pensar faz bem! – série Warrior

Warrior - Pensamento
Warrior – Pensamento
Licenciado com Creative Commons - Creative Commons License



Os 90 anos de Eduardo Coutinho

Os 90 anos de Eduardo Coutinho
Os 90 anos de Eduardo Coutinho

Para quem se interessa por documentários, a plataforma Itaú Cultural (IOS ou Android) fez uma homenagem aos 90 anos de Eduardo Coutinho, caso ele estivesse vivo. O cineasta nasceu em 11 de maio de 1933 e faleceu em 2 de fevereiro de 2014.

Coutinho é considerado um dos maiores cineastas brasileiros de documentários. Ele consegue construir uma narrativa que articula ficção e não ficção que cativa o espectador, contando histórias sobre a vida cotidiana brasileira. 

Na homenagem é possível assistir a seis significativos filmes do autor:

. Jogo de Cena (Rio de Janeiro, 2007, 105 mim), onde mulheres narram as próprias experiências de vida. Um diferencial deste documentário é a participação de atrizes brasileiras que encenam algumas das entrevistas;

. O fio da memória (Rio de Janeiro, 1991, 120 min), um olhar sobre a história da escravidão no Brasil, entrecruzando o passado e o presente;

. Edifício Master (Rio de Janeiro, 2002, 110 min), com depoimentos de moradores de um condomínio de uma cidade grande;

. Cabra marcado para morrer (Pernambuco, 1984, 120 min): por meio da história de um camponês, a narrativa conta também um pouco da história brasileira durante o período da ditadura econômico-militar;

. Santo Forte (Rio de Janeiro, 1999, 82 min): uma viagem pelas formas de manifestações religiosas no Brasil;

. Peões (São Paulo, 2004, 85 min): narrativa sobre a vida de trabalhadores migrantes no Brasil;

Se você aprecia as coisas da vida cotidiana e a forma como as pessoas da cultura comum constroem a própria história , visitar as obras de Eduardo Coutinho pode ser uma experiência significativa. 

Se aprecia boas entrevistas, terá oportunidade de conhecer as habilidades desse grande cineasta de fazer as pessoas narrarem histórias, soltas e leves, sendo elas próprias.

As obras de Coutinho são análises histórico-sociais sem ele ser cientista social; ensaios culturais sem ele ser antropólogo, psicanalistas sem ele ser um psicanalista, uma fonte de deleite e aprendizagem.

Caso você deseje mais informações sobre Eduardo Coutinho, leia o artigo publicado na Le Diplomatique Brasil em homenagem aos 90 anos do cineasta brasileiro.

Até a próxima!

Descubra um pouco de Eduardo Coutinho por você mesmo


Creative Commons License 
Licença Creative Commons
Leia+


Pensar com Brian Davies

Pensar com Brian Davies
Pensar com Brian Davies
Licenciado com Creative Commons - Creative Commons License



Todo sujo de graxa

Flor Graxa (Hibisco)
Flor Graxa (Hibisco)

Ainda criança, antes de ir para uma escola de educação formal, aprendi as primeiras coisas da escrita com as professoras que tinham escola dentro de casa. Quando não estava na escola, gostava de ir para a casa da minha avó para brincar com os meus primeiros que lá moravam. Era uma sensação tão boa quando minha mãe anunciava que a gente iria passar o dia na casa de minha avó.

No início minha mãe nos levava até a casa de nossa avó e depois voltava para casa. Mas com o tempo ela foi nos ensinando a atravessar a pista da BR 324 para que aos poucos a gente pudesse ter autonomia de nos locomover. O movimento era assim: ela ia até a pista e atravessava a pista segurando a minha mão e a de minha irmã. Tempos depois, ela ia até a margem da BR com a gente, esperava não vir nenhum carro no horizonte da alta estrada e orientava para que atravessássemos a pista de mãos dadas. Na volta, a gente chegava na frente da BR e ficava esperando ela aparecer na janela para vir nos buscar. Certo dia, de ousados, atravessamos a pista na volta e ela levou o maior susto. Procuramos consolá-la informando que seguimos todas as orientações que ela havia nos ensinado. Naquele tempo a BR 324 era muito vazia, pois pouca gente viajava de carro; nos domingos, era um ermo só. Tudo era solidão naquele asfalto e parecia que todo mundo resolvera descansar no mesmo tempo.

Mas tão gostoso quanto chegar à casa da avó era curtir o caminho que levava nossa casa até o destino, no momento em que a gente passava na frente da Escola Reitor Miguel Calmon, administrada pelo Serviço Social da Indústria (Sesi). No prédio havia uma cerca de grades de ferros resistentes, que dava a impressão de que quem estivesse fora da escola nunca poderia lá entrar. As grades eram ornamentadas de várias plantas, mas a planta que mais chamava atenção era a Graxa. Aquelas folhas verdes que rodeavam flores vermelhas eram muito significativas para mim. Aqueles ornamentos significavam que um dia eu estaria dentro da escola, brincando pelos corredores, jogando bola, correndo no parque. Aquele realmente era o ponto central do passeio, era o sonho de mudar de vida.

Como menino curioso, eu tocava nas flores, tirava umas pétalas e, às vezes, levava algumas para casa. Minha mãe ficava irritada, pois eu chegava em casa todo sujo dos resíduos das graxas e aqueles pozinhos eram difíceis de tirar. Eu nem me importava com as reclamações, o que queria mesmo era me sentir embriagado com o colorido daquelas plantas.

Estudei oito anos no Sesi, fiquei adolescente e fui esquecendo daqueles momentos tão pueris. Segui por outros caminhos, bem distantes da beleza daquela planta maravilhosa.

Anos mais tarde, em um supermercado, deparei com um chá avermelhado, cujo nome era hibisco. Analisei o rótulo e resolvi levar para casa. Tomei o chá e me identifiquei muito com aquele sabor. Passei a pesquisar mais sobre aquela planta e descobri que o  hibisco na verdade era a própria graxa. Aquilo foi uma alegria para mim e uma volta ao passado, ao tempo de liberdade e descoberta das coisas boas da vida. Procurei nas ruas e avenidas perto de casa e não encontrava mais a graxa. No lugar dela a sociedade havia adotado outras plantas para ornamentar as praças e frentes de casas e prédios. Dias desses indo a pé a um supermercado da vizinhança, vi um pé de graxa. Fiquei surpreso com o acontecimento e pus a tirar fotos daquela relíquia.

Quanto ao chá, bebo com frequência, é gostoso mesmo, principalmente quando a gente adiciona um pouco de limão. Dizem que o hibisco tem muitas propriedades nutritivas e que proporciona muitos benefícios para a saúde das pessoas. O que posso testemunhar aqui é somente o sabor e a beleza de uma flor que muitas vezes passa despercebida na vida cotidiana.

Precisava fazer outros registros sobre a graxa, além da fotografia, e resolvi escrever estas memórias para compartilhar com você, leitor. E quem quiser que conte outra.

Até a próxima!


Creative Commons License 
Licença Creative Commons
Leia+


Pensar com Álvaro Vieira Pinto

Pensar com Álvaro Vieira Pinto
Pensar com Álvaro Vieira Pinto
Licenciado com Creative Commons - Creative Commons License



O Reggae invadiu a Bahia

Documentário Reggae Resistência
Documentário Reggae Resistência

Cecília Amado vem se dedicando ao cinema há algum tempo. O leitor lembra do filme de ficção Capitães da Areia, uma adaptação do romance de Jorge Amado? Mas Cecília Amado não ficou somente na narrativa audiovisual de ficção e produziu e dirigiu em 2023 o documentário Reggae Resistência, tendo como parceiro Pablo Oliveira.

Reggae Resistência faz um mapeamento do movimento reggae no estado da Bahia, circulando entre Salvador, Cachoeira e Feira de Santana, de Feira de Santana para radiografar a cena Reggae por meio de diversos depoimentos de artistas e produtores que narram a origem e história de luta desse movimento artístico no estado da Bahia. O Reggae é originário das terras jamaicanas, mas foi muito bem acolhido nas terras brasileiras.

É assim que artistas, ativistas, produtores e admiradores que serviram para o desenvolvimento da cultura reggae na Bahia vão contando uma história que já chega aos 40 anos de muita caminhada, espalhando-se por todas as terras da Bahia de São Salvador. A fila de contribuintes históricos é grande: gentes e instituições como Edson Gomes, Nengo Vieira, Lazzo Matumbi, Jorge Alfredo, Gilberto Gil, Jeremias Gomes, Sine Calmon, João Teoria, Diorina, Nelma Marks, Jorge de Angélica, Serginho Nunes, Jôh Ras, Diamba, Mosiah, Alumínio e Ministério Público, Jussara Santana, Albino Apolinário, Rafael Costa louvam em uníssono coro em favor da música reggae da Bahia.

O Reggae invadiu a Bahia ainda na década de 1970 a partir de muitos acontecimentos, como a gravação de Nine of ten, de Caetano Veloso, a ida de Gil e Caetano à África, que quando voltaram para o Brasil iniciaram um processo criativo de maior influência africana. A viagem de Gilberto Gil à Jamaica, que deu origem ao ao Kaya na Gandaia, a luta dos cidadãos comuns vindos do povo, que insistiam em comprar discos de Reggae em um contexto de mídia que virava as costas para as músicas do terceiro mundo. O próprio repertório contido na discografia de Gil foi constante em inserir Reggae como marca da produção. As comunidades de Feira de Santana e Cachoeira contribuíram sobremaneira a existência de público distinto que valorizava o legado artístico-cultural vindo da África, que não era restrito somente à cena musical, mas se estendia  na culinária, na moda e no modo de existir e resistir desse povo.

 Mas o leitor deve estar curioso para saber quem foi toda essa gente, formada de artistas, ativistas, produtores e entusiastas (acima listados), que ajudou no processo de revolução na cultura da Bahia. Ora, ora, o jeito é assistir ao documentário e desfrutar de uma história contada pelos próprios homens e mulheres históricos que estiveram lá nas origens e que ainda continuam em luta contra o colonialismo cultural. É isto, O Reggae é resistência e invadiu a Bahia.

Até a próxima!

Dados da Obra
O que é? Reggae Resistência [documentário]
Quem dirigiu? Cecília Amado e Pablo Oliveira
Quem produziu? Tenda dos Milagres
Como faço para assistir?  Nos cinemas
Ou acompanhe a programação na TVE Bahia

Creative Commons License 
Licença Creative Commons
Leia+


Pensar faz bem com Dante Galeffi

Pensar faz bem com Dante Geleffi
Pensar faz bem com Dante Geleffi
Licenciado com Creative Commons - Creative Commons License