Nenhum a Menos – a inclusão pela prática pedagógica

 

 

 

Imagem da capa do filme Nenhum a menos



 

 

Nenhum a Menos é um filme para os que buscam o ato de educar como uma forma de inclusão social.


No filme uma jovem professora de 13 anos substitui um professor , faz uma jornada de aprendizagem ao tentar manter todos alunos em sala de aula.

 
A jornada não é só da protagonista por nos trazer identificações com as atitudes da educadora em tentar manter os alunos em sala de aula, mesmo diante das adversidades.

O filme suscita reflexões sobre o trabalho educador e nos oferece um bom debate sobre as possíveis sociabilidades na prática educativa.

 

Como usar o filme em sala de aula?

  • Use para discutir inclusão social em educação e o efeito disto na relação professor-aluno.

 

👀

  • O que é? Nenhum a menos
  • De quando é? 1999
  • Quem dirigiu? Zhang Yimou
 

 

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Desenhe melhor as apresentações

Recortes das imagens da capa do livro Design de Apresentações




Enquanto planeja e prepara uma palestra, é importante que o apresentador utilize os recursos retóricos com efetividade para organizar uma comunicação relevante, pois na construção da nossa peça de apresentação, temos de pensar nos recursos que serão utilizados como suporte para expressar as nossas ideias.



Há muito livro no mercado que trata do desempenho do palestrante durante uma apresentação, mas ainda as livrarias carecem de obras que ajudem o apresentador a elaborar material de qualidade.




A autora
Manuela Loddo traz esta contribuição para o mercado brasileiro, quando produz um livro que aborda a construção do material retórico, levando em conta aspectos dos estudos da cognição e do design na organização dos recursos de apresentação.

Sua plateia Merece
Trata-se do livroDesign de Apresentações – sua plateia merece, que discute os meandros da construção do material gráfico que ajudará o palestrante a conduzir a apresentação.

A autora inicia com algumas reflexões sobre pontos essenciais para a condução de uma apresentação. Este capítulo é breve e curto, pois o objetivo da obra não é a apresentação em si, mas discutir como construir material de apoio que contribua para o encaminhamento de palestras relevantes.

O livro trata também do planejamento de palestras e da construção da identidade visual das peças retóricas; fatores estes que dão vivacidade às apresentações.

Há um capítulo dedicado à elaboração de slides, discutindo os usos de elementos gráficos e animações em apresentações. Aqui a abordagem leva em conta princípios e teorias da cognição e do design que alicerçam um bom projeto visual para comunicações orais.

Após essa apreciação teórica, Manuela analisa alguns materiais de apresentação, fazendo comentários sobre possíveis melhorias nos exemplares mostrados. Ponto para a autora, pois o livro consegue sair da posição confortável de trazer prescrições sob bases teóricas alheias e avança mostrando como os princípios e as teorias podem funcionar no processo de quem trabalha com apresentações.

Loddo teve o cuidado de construir um capítulo referenciando os estudos dos autores que serviram de base para a construção do livro quanto ao desenho do material (design) e aos aspectos de organização lógico-dialética do pensamento (cognição).

O design
O material gráfico do livro é de primeira: papel de alta qualidade, para que o leitor não perca cada detalhe da produção visual produzida; além disso, o desenho gráfico do livro foi elaborado em coerência com as teorias defendidas pela autora.

Para terminar
O livro é para ler, consultar, ler. Ler não só os textos, mas ler as imagens, pois palavras e figuras se entrelaçam para nos proporcionar uma leitura leve, agradável, produtiva e relevante.

👀
O que é? Design de apresentações – sua plateia merece
De quando é? 2013
De quem é a autoria? Manuela Loddo
Quem editou? Lura Editorial

Até a próxima!

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Algoritmos na agenda do dia

Mosaico da capa da revista Pesquisa Fapesp abril/2018


A revista Pesquisa Fapesp de abril/2018 traz na capa uma reportagem sobre Algoritmos.


Pouco tempo atrás Algoritmo era assunto restrito ao pessoal de tecnologia da informação e comunicação. Hoje a medicina, o marketing, a sociologia, a psicologia, dentre outras, estudam este tema que cada vez mais interfere na vida das pessoas.

E a Pesquisa Fapesp não poderia ficar de fora. O número 266 trata do assunto, utilizando de uma linguagem clara, tornando acessível um tema tão relevante para a sociedade contemporânea.

Outros assuntos compõem a revista, como uma entrevista com a socióloga Elisa Reis, que discute alguns aspectos de fenômenos sociais da nossa vida atual; há um artigo sobre a Semana de Arte Moderna; um artigo sobre autorias…

E por aí vai

Pesquisa Fapesp é um incentivo ao estudo científico. É um arauto de múltiplas vozes. É sentar na cadeira e curtir uma boa leitura.

Saiba mais no site da Revista Fapesp

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Primeiro Capítulo

O E-Praxe é um ambiente de conteúdos sobre aprendizagem organizacional, com enfoque no desenvolvimento profissional dos cidadãos trabalhadores, empreendedores e empresários.
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Travessia – fragmentos de um naufrágio

Uma jornada para a vida

O livro travessia traz momentos ímpares de reflexões sobre o viver





Sobre Maizé

Em outubro/2017 estive em Belo Horizonte a trabalho. Lá tive uma surpresa agradável de encontrar Maizé Trindade.

Conversei rápido com ela e saí do teatro como se tivesse deixado de realizar alguma coisa.

No hotel fiquei pensativo, imaginando como a gente encontra pessoas, que são relevantes na nossa vida pessoal ou profissional, e deixa o momento passar?

No outro dia pela manhã, mandei uma mensagem para ela, dizendo que foi muito importante tê-la encontrado; poucos minutos depois Maizé respondia, com um texto muito animado.

Maizé foi minha formadora em cursos de educação corporativa e sempre a tive como referência como educadora. Ainda a admiro muito pela forma como consegue escrever bem de forma objetiva e profunda.


Sobre o livro
É com essa objetividade, acompanhada de um consistente conteúdo, que Maizé escreveu Travessia – fragmentos de um naufrágio.

Travessia é um relato de jornada existencial que envolve a mente, o corpo e o espírito de alguém que passou por um momento adverso na vida, e, após a jornada, soube nos contar uma história que nos eleva, mesmo diante das atribulações que o mundo nos oferece.

No texto tudo está ligado e religado, pois as sensações do corpo também são da alma, que também afeta o nosso pensar, que também afeta o nosso agir.

No livro Maizé reflete sobre um momento pelo qual passou, fazendo uma ligação entre o que viveu e a ideia de naufrágio.

Ao olhar a palavra naufrágio, vem-me à cabeça duas novas palavras: nau, com significado de grande navio, embarcação robusta; e frágil, aquilo que é delicado. É a dança do resistente com o desprovido, diante dos desafios que a vida nos apresenta.

É a partir desse frágil-resistente que Maizé navega sobre as tempestades que a jornada terrena provoca e nos presenteia com cartões mensageiros cheios de ideias desse caminhar:
  • Por que não eu? É uma pergunta que incomoda;
  • Medo: aqui é melhor nem comentar;
  • Eu e o Outro: o que muda quando chamamos o outro para conviver com os nossos tormentos?
  • Palavroterapia e Inesperança: é preciso inventar novos significados para inverter o estabelecido;
  • Indizível: como expressar a dor que não passa?
  • Sobrevivente: é preciso testemunhar;
  • Vida e Morte: onde começa a vida? Onde começa a morte?
  • Deslembrança: ah, estas marcas que ficam encravadas na nossa história;
  • Travessia é coisa do Divino: é preciso reviver.

Sobre Julia Panadés
O leitor não vai somente se emocionar com a fluidez da escrita de Maizé, mas contemplará as imagens bem-grafadas de Julia Panadés.

O grafismo de Julia conseguiu ser fiel ao depoimento de Maizé. Ao olhar as imagens tem-se a impressão de que Julia vai – a todo momento – acompanhando cada passo da escritora, representando o indizível que esse tipo de vivência propicia.

As duas conversam como amigas: a cada momento uma delas se alterna para nos contar uma parte da história que precisa ser compartilhada por meio das palavra e das imagens.


Mais sobre o livro
O livro de Maizé e Julia teve um projeto visual primoroso. Primeiro pela ousadia de ser concebido em forma de cartões. As meninas quebraram paradigmas da expressão, presenteando o leitor com um formato diferente de leitura.

A escolha pelas tonalidades do azul torna a leitura prazerosa e cria em nós uma energia de só parar de ler quando terminar o livro.

Depois a gente vai degustando cartão aqui, cartão ali; espalha as peças sobre a mesa; pensa em pôr um dos cartões em um quadro; imagina construir um porta-quadros para que possamos sempre vislumbrar uma mensagem nova a cada dia como se fosse um calendário existencial. Que bom!


Travessia é relato de sobrevivente; foi a forma como Maizé Trindade se renovou diante da vida, da dor e do amor.

Sabe, quando começamos este texto,  relatei o encontro que tive com Maizé em Belo Horizonte e da sensação de não ter conversado um pouco mais com ela. Depois do livro pude entender que o que precisávamos conversar estava no indizível de Travessia.

O que li? Travessia – fragmentos de um naufrágio
De quando é? 2018
De quem é a autoria? Maizé Trindade
De quem são as ilustrações? Julia Panadés
Quem editou? Edição das autoras

Até a próxima!

35 ciclos de um disco navegante

Maria Bethânia

Daqui a 35 anos, o disco Ciclo completará 70 anos de lançado. Caso alguém deseje escrever sobre a obra, e fazer algum comentário sobre Maria Bethânia, é provável que não encontrará noticiários sobre Bethânia como uma celebridade. Como a artista que vendeu milhões de discos ou que foi recordista de downloads. Dificilmente verá noticiários sobre a roupa que ela vestia ou se esteve em programas de auditórios, fazendo julgamento das qualidades musicais alheias.

O que será possível descortinar é a artista-cantora, que também declamava (e muito bem); descobrirão também que ela tinha um jeito muito gosto de dançar (descalça) e que cada música interpretada vinha embrenhada de uma história boa de se contar.

Ciclo
Este ano Ciclo completa 35 anos de lançado, e ainda lembro do primeiro momento que ouvi aquele LP, que trazia nas canções os sons misturados com os silêncios, num ritmo leve e gostoso. Ali eu escutava, dançava, meditava; enfim, deixava os sentimentos florescerem.

Venha, leitor fazer uma viagem pelos caminhos das boas canções.

Lado A
De casa eu podia ver Maria Bethânia dentro do trem. Era a Motriz, aquela maquinaria de trilhos que levava o povo de Santo Amaro a Salvador. Naquele tempo o Recôncavo ainda tinha muito verde rodeando as casas, e os trilhos eram trilhas para a imaginação.

Agora viajando na motriz, vejo Bethânia em volta de uma fogueira. Ao lado dela há uma outra mulher, a mulher escreve sobre o amor com muita profundidade. Enquanto ela escreve, Bethânia canta, olhando para cada verso que Ângela Rô Rô expressa.

Depois Bethânia sai em alvoroço e abraça Gal Costa: as duas em uníssono cantarolam versos simples da pura filosofia.

É quando Gil entoa versos tristes dos desencontros criados pelos deuses do Amor e da Solidão.

Bethânia então é puxada pela sensível língua poética de Moraes Moreira. A motriz já atravessou a Bahia e está em Portugal.

É quando um sopro soa aos ouvidos nos traços curtos de Braguinha, dizendo Anda Luzia, Anda Luzia…

Lado B
Estamos no meio do Ciclo, uma peça rara do cancioneiro popular. elo texto de Nestor Oliveira, musicado por Caetano Veloso. Agora me sinto num redemoinho, com aquelas folhas em movimento dançante, que me faz pensar a vida, a vivida e a não vivida.

É nesse movimento que Ary Barroso oferta Rio de Janeiro. Ah! Que toda energia seja nossa. Viva o povo Brasileiro!

Entre sacolejos da máquina de ferro, Gonzaguinha chama a doce e bárbara cantora para um canto que faça o sol adormecer. Aqui o dia e a noite entram em cópula, e o ser feliz é o que importa.

Neste momento já estamos em êxtase de tanta música boa, mas Lupicínio põe todo mundo em situação de porre. Faz uma música tão grandiosa que serve tanto à pontente voz de Jamelão quanto aos graves melódicos dessa grandiosa intérprete.

Nada melhor do que um bom vinho para se falar de amor, de prazer, da saudade de nosso corpo, que também é labirinto. Maria Bethânia dá voz a Naila Skorpio.

A motriz está terminando a jornada. A lua aparece para tornar o disco mais poético. Que combinação mais harmoniosa ouvir uma canção escrita por Mabel Veloso e musicada por Roberto Mendes.

Outros Lados
Quem teve o privilégio de adquirir o LP recebeu um encarte com as letras das músicas e um conjunto de texto denominado Outros Lados. Velhos Tempos quando uma obra musical não continha somente a música, mas trazia as letras e os contextos de produção da arte.

Olho daqui de 2018 e vejo a motriz voltando de Salvador para Santo Amaro, levando saudades e tendo impregnado em cada vagão um pouco da história da Música Popular Brasileira.

O que ouvi? Ciclo
De quem é a autoria? Maria. Bethânia
De quando foi? 1983
Quem produziu? Philips
O que achei? Maravilhoso!
Quais são as músicas?
Lado A
. Motriz
. Filosofia Pura
. Fogueira
. A Notícia
. Sonhei que estava em Portugal
. Ana Luzia

Lado B
. Ciclo
. Rio de Janeiro
. Cantar para fazer o sol adormecer
. Ela disse-me assim
. Vinho
. Lua

Até a próxima!

Mediação Educacional

Interagir para educar

A interação na aprendizagem é um dos assuntos mais discutidos em educação neste início de século XXI.

O cerne das discussões é como propiciar aprendizagem significativa mediante situações educacionais que envolvam discussão, desenvolvimento da autoria e da autonomia, e resolução de problemas com os educandos; ou seja, criar ambiente didático em que pro e alunos atuem, de forma distintas, como sujeitos ativos dos processos.

Apesar de haver muita teoria já produzida sobre essa concepção de ensino-aprendizagem, ainda persistem nos ambientes educacionais a posição de Arauto do educador: aquele profissional que fala primeiro, sempre afirma e pouco pergunta.

Será que os compêndios teóricos estão com uma linguagem ainda distante da sensibilidade dos professores?

Mediar como princípio

Difícil de responder. Mas existem obras que intentam criar aproximações sucessivas entre o que as ciências discutem sobre o desenvolvimento humano e o que o universo das práticas pedagógicas precisam para responder aos contextos de aprendizagem do homem no século XXI.

E é nesse caminho de proximidades entre ciências e práticas cotidianas que em 2003 foi lançado o livro A mediação como princípio educacional, que discute as ideias de Reuven Feuerstein em relação ao processo de ensino-aprendizagem.

Feuerstein dedicou a vida a trabalhos relacionados ao desenvolvimento humano nos aspectos relacionados à cognição, no que se refere a temas como memória, percepção, linguagem, raciocínio e pensamento.

A partir desse interesse de Reuven, foram desenvolvidos os fundamentos que deram origem a concepções como Teoria da Modificabilidade Cognitiva Estrutural (MCE), Experiência da aprendizagem Mediada, Programa de Enriquecimento Instrumental (PEI), Avaliação Dinâmica do Potencial de Aprendizagem (LPAD). O leitor encontrará o detalhamento destas ideias no livro.

Um ponto de destaque da obra é quando os autores articulam o pensamento de Feuerstein, com os estudos de Piaget, Vigótski e Paulo Freire. Neste momento o leitor pode fazer um paralelo entre o que estes autores conceberam no campo do pensamento, da linguagem e da educação e a riqueza da mediação como uma alternativa para promover relações de ensino-aprendizagem mais significativas.

Aprender a Mediar

Este não foi um livro só de leitura, mas servirá como fonte de consulta nos momentos de práticas, de dúvida e de reflexão sobre formas diferenciadas de ensinar a partir do que o educando já sabe, das condições sociais em que ele vive e das estruturas cognitivas do Ser que deseja aprender.

O que eu li? A mediação como princípio educacional – bases teóricas das abordagens de Reuven Feuerstein
De quem é o texto? Ana Maria Martins de Souza, Léa Depresbiteris e Osny Telles Marcondes Machado
Quando o texto foi escrito? 2011
Quem editou o texto? Senac
O que achei do texto? Muito Bom!

As mentiras que o mundo conta

Quando eu era criança havia dois quadros interessantes lá em casa. O primeiro era de uma mulher sobre as águas, com um vestido azul. Ela tinha cabelos longos e muito lisos. Certa vez perguntei a minha mãe sobre quem era aquela pessoa, e ela disse que era Iemanjá. Primeiro de Abril: como Iemanjá tinha cabelos lisos?
O segundo quadro era uma figura de Jesus Cristo. Na imagem ele tinha cabelos longos e lisos, olhos claros, barba bem feita e vestia uma roupa toda branca. Havia no fundo do quadro um sombreado da cor do céu . Outra inverdade; afinal de contas Jesus era de origem oriental e não teria aquelas feições.
E assim minha vida foi se enchendo de primeiros de abril. No cinema, os vietnamitas e os índios eram seres perversos, que só pensavam em destruir e conquistar…
Hoje fico receoso de ler as recomendações das pessoas que mantenho vínculo nas redes sociais, pois pode ser um Fake News, uma invenção para desmoralizar outra pessoa.
Isto tudo me reporta a um texto do poeta Carlos Drummond de Andrade sobre a vida de uma personagem que fora presa, acusada de um crime; a pessoa se dizia inocente, mas as repetições da criminalidade impostas a ela foram tantas, que, depois de um tempo, o próprio protagonista se acusava do referido crime.
A falta de fidelidade com a verdade se transformou em senso comum: as pessoas se apropriam das mentiras, caçam históricos da vida alheia e distorcem tudo para obter ganhos nas disputas argumentativas.
Lá se foram a conversação e o diálogo, o que prevalece são as polêmicas e os antagonismos, tudo muito bem costurado como uma bonita colcha de retalhos  de mentiras.
Olho o calendário festivo e lembro dos tempos em que eu brincava de mentira no 1º de abril. Todos riam, pois, após um tempo, sabiam que as situações que eu criara eram mentira.
Agora o 1º de abril perdeu o status do dia da Mentira, afinal de contas mentir virou prática cotidiana. Mentimos sem remorso e sem pudor.
Veio uma vontade de fazer uma campanha para o dia da verdade. É claro que nesse dia as pessoas poderiam omitir alguma verdade, mas todos teriam a responsabilidade de dizer, pelo menos, uma verdade no primeiro dia de abril.
E bem que poderiam ser verdades que fizessem os outros rirem de si próprios e se sensibilizarem com os problemas alheios.
Até a próxima!

Os Implícitos de The Blacklist

Quem assiste a The Blacklist (série televisiva) fica envolvido com uma trama policial  cheia de atrativos. Primeiro: há um criminoso (Raymond Reddington) inteligente e sedutor que entrega ao FBI um lista dos principais criminosos do país em troca de imunidade criminal; segundo: há uma policial jovem e atraente (Elizabeth Keen), que serve de motivo para contracenar com o astuto criminoso.

Chamei Reddington de criminoso, mas a história é tão bem construída, que a gente esquece que Red seja um personagem fora da lei.

Para se entregar Red faz ao FBI uma exigência, que Elizabeth trabalhe com ele na procura dos referidos criminosos. Assim é criada uma força-tarefa com a companhia de Reddington para ir à caça dos bandidos mais procurados dos Estados Unidos.

Até aqui está formada a superfície da história: entretimento, fortes emoções e muita ação que atrai a atenção dos espectadores e mobiliza múltiplas sensações como toda boa série policial.

Mas onde está o implícito disto tudo?

A superfície da série é a própria trama policial, mas a narrativa mostra de forma subliminar o jogo político das negociações judiciais feitas pelo poder público e o crime organizado. Na história, a polícia estadunidense aparece como uma instituição regada a negociações criminosas para conseguir prender bandidos que eles consideram perigosos para a nação.

E quais as consequências disto?

Na história os policiais possuem competências ímpares, quando o assunto é invadir os espaços para prender os fora da lei, porém possuem baixo poder de negociação com o crime organizado e dependem das ações de Robert para resolver a maioria dos problemas.

Red é o mentor e articulador de todas as ações da força-tarefa. Para alguns isto seria a normalidade da história, mas quando a gente se aprofunda nas questões da negociação política, observa como o poder público, na narrativa, é impotente para resolver os problemas do Estado e buscam recorrentemente a acordos, que levam a nação a perdas financeiras e imobilismo quanto à atuação pertinente na defesa dos interesses sociais de uma comunidade.

O leitor poderá assistir à série e não ter esta mesma percepção e ficar no campo da trama bem organizada das narrativas policiais.

No entanto poderá também fazer ligações da história com outras histórias da vida cotidiana e construir análises das implicações dos negócios realizados entre o poder público e as organizações criminosas.

Vamos pegar pipoca, sentar em frente da TV e se deliciar com as histórias que nos contam. Mas vamos, vez ou outra, mudar a posição em que estamos sentados para obter outras percepções sobre o que estamos assistindo.

Até a próxima!

A que assisti? The Blacklist
Quando a série começou? 2013
Onde assisti? Plataforma Netflix
Quem produziu? Jon Bokenkamp, John Eisendrath, John Davis e John Fox
O que achei? Bom

Até a próxima!

Feminicídio

Notas nos jornais:

Ele me bateu com marreta
Até minha cabeça não aguentar mais!

Sinto culpa em tudo que faço
E nas mãos daquele rapaz não me satisfaço

Eles me espancaram sem parar
Diziam que se eu queria ser homem
Como homem teria de apanhar

Ela vestiu a máscara masculina
Para me bater por ciúmes de outra menina
Apanhei da cabeça aos pés
Fiquei perdida sem acolhimento e sem mulher

Os meninos se debruçaram sobre a menina
Era um, eram dois, eram três
Eram quatro, eram cinco, eram seis
Eram tantas extravagâncias
Que ela morreu sem esperança

Ele esbofeteou a esposa no primeiro dia
Ele espancou a esposa no segundo dia
Não houve ressureição no terceiro dia

Ela apanhava todo dia
Parecia canção de Melodia
Incomum era o povo que nada fazia

Ele não respeitou a distância mínima
Hoje, entre as sombras, minha alma vaga perdida
Mas todo este medo não vai tirar de mim a identidade feminina

Didática da Prática

Imagem da capa do livro Didática do ensino corporativo

A gente está acostumado a ler livros e fazer comentários de obras, que já são conhecidos no mercado. Resultado: a gente acaba compartilhando mais obras de autores que já têm posição destacada no mercado, relegando os pequenos autores, e os iniciantes, a posições de sombra na  cena editorial brasileira.
Com isto perdemos ensaístas de qualidade, poetas, romancistas, contistas, pesquisadores, que, por um motivo ou outro, não conseguiram se vincular aos grandes gestores da mídia impressa.
O Livro
Liduína Xavier e Cacilda Calado resolveram se sobrepor às ideias trazidas nos parágrafos anteriores e, como Dom Quixote e Sancho Pança, lançaram um livro na área educacional: Didática do Ensino Corporativo – Elementos – O ensino nas organizações. Elas não querem ficar na sombra e estão dispostas a compartilhar o que sabem.
Essas educadoras quixotescas saíram para campo, discutiram, escreveram, correram atrás de editores,  lançaram a obra e partiram para a venda de porta em porta. Estou aqui imaginando a dupla de Cervantes observando lá de cima e dizendo um ao outro que a jornada que eles fizeram rendeu frutos.
O livro traz fundamentos da educação praticada dentro das empresas. Primeiro as autoras navegam em suportes teóricos, dialogando um pouco sobre epistemologia e didática, depois trazem elementos didáticos que sustentam a prática de ensino, até chegar à educação corporativa.
As Autoras
A obra é fruto do dia a dia das autoras como educadoras corporativas, que atuam como selecionadoras de educadores, formadoras didáticas, planejadoras de ensino-aprendizagem e produtoras de textos educacionais.
Cacilda Calado é consultora de educação corporativa e dedicou boa parte da vida profissional ao desenvolvimento de soluções educacionais para áreas como auditoria, administração de empresas, além de educação, é claro.
Liduína Xavier é uma educadora plural, pois trabalha com consultoria educacional na formação de pessoas nas empresas e ainda escreve no Blog do Triunfo. Acha pouco: ela também participou de escrita de documento sobre história da educação corporativa de uma  empresa brasileira secular com atuação no âmbito internacional.

Cacilda
Lidu
De volta ao livro
Didática do Ensino Corporativo serve com motriz para incentivar outros autores a expressarem no papel a própria experiência profissional e assim compartilhar o que sabem com outros trabalhadores.
O livro, apesar de ter abordagem teórica, traz nas entrelinhas o que as educadoras aprenderam com as interlocuções com os educandos nas práticas cotidianas.
O que esperar de uma segunda edição do livro? a educação a distância tem se expandido nos últimos 20 anos dentro das organizações e  (quem sabe?) elas não poderiam apreciar os pontos relevantes e controversos desta modalidade de educação.
E você, leitor? Leia o texto também e escreva para elas.
E vivam os novos autores!
O que li? Didática do Ensino Corporativo – Elementos – O ensino nas organizações
Quem são as autoras? Liduína Benigno Xavier e Cacilda de Araújo Calado
Quando foi lançado? 2014
Qual a editora? Líber
Até a próxima!

Caixa de Engraxate


A caminhada

Era mais uma daquelas caminhadas matinais, quando vi no canto do jardim, na praça, uma caixa de engraxate.

Engraxates eram trabalhadores que lustravam sapatos. Eles eram parecidos com artesãos e deixavam os calçados de couro mais brilhantes e bonitos. Também a maioria deles era formada por profissionais autônomos, que empunhavam uma caixa nas costas e ia oferecendo os serviços aos cidadãos que passavam. Alguns profissionais tinham um certo status e possuíam uma cadeira feita exclusivamente para o serviço de engraxe.

Aquela caminhada me trouxe um sentimento de nostalgia e me pus a pensar sobre como mutantes são as profissões.

Mutações no Trabalho

Lembro que meu pai era alfaiate e costurava para muitas pessoas que desejam ter uma calça exclusiva. Com o tempo ele foi deixando a atividade, pois muitos clientes já não queriam mais exclusividade; o negócio da vez eram as roupas industrializadas. Com as mudanças, do ofício de alfaiate ele só fazia as calças dos filhos para estes usarem na escola.

Hoje já não se usa o termo alfaiate; as pessoas que costuram são chamadas de costureiras, e o fruto do trabalho de alguns é chamado de alta costura.

Já não se ouve mais falar em engraxates também. Em alguns hotéis ainda se acham máquinas de engraxar que ficam na portaria à disposição dos hóspedes. Em algumas repartições públicas há engraxates exclusivos para os funcionários lustrarem os sapatos (que luxo!).

Outra atividade que sofreu mudanças significativas foi a de cozinheiro. Opa! Desculpe os profissionais da área. Agora chamamos de Chef. A preparação da comida saiu da cozinha doméstica e foi parar nos estúdios de TV. Os chefs adotaram o marketing como competência de trabalho, assim como os costureiros, e vivem em disputas nos programas de apresentações televisivas.

Lembram do datilógrafo? Na década de 1980 os bons datilógrafos dominavam os escritórios. A onda das tecnologias da informação e comunicação (TIC) chegou, e os profissionais das máquinas de escrever deram lugar aos digitadores. Estes tiveram vida curta, cerca de 30 anos, e foram substituídos pelos profissionais dos sistemas “Office” e por tecnologias que capturam textos de material impresso e transformam vozes em documentos escritos eletrônicos. Globalizou.

Até medicina, engenharia e direito tiveram partes das atividades absorvidas por (TIC). Muitos médicos só conseguem apresentar diagnóstico depois da validação tecnológica; cálculos e cálculos são realizados por computadores de ponta; processos jurídicos são mapeados por sistemas de computação cognitiva.

Por falar em médico, antes quando alguém tinha dores nas costas, procurava um clínico geral; depois passaram a procurar um ortopedista; este era auxiliado por um fisioterapeuta; hoje quando a gente liga para uma clínica de ortopedia e solicita uma consulta, a atendente, um tanto preocupada, pergunta em  que ponto do corpo é a nossa dor, pois a ortopedia está ultraespecializada, e os profissionais só atendem por subáreas de especialização: ortopedia do ombro, da cervical, da vertebral, dos joelhos…

E o Futuro?

Aí eu volto pasmado para a caminhada do início do texto e lembro da caixa de engraxate; e me pergunto: onde está a pessoa que abandonou a própria ferramenta de trabalho? Como lidar com as permanentes transformações do mundo do trabalho? Que caminhos devemos trilhar para dar significado de vida a essa gente que viu a profissão se esvair no mercado do negócio e da mudança?

Voltei para casa, peguei escova e pasta de sapato e lustrei o velho e bom calçado, pensando no que permanece nas coisas que faço e o que terei de mudar para viver e sobreviver no mercado de trabalho.