Estou aposentado! E agora?

Em dezembro/2017 completará um ano que iniciei o processo formal de aposentadoria.
Gostaria de expressar esta vivência por meio de trechos de algumas músicas e pensamentos de autores consagrados.

1. “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã”: amar é o que importa
2. “Nada melhor do que não fazer nada”: é hora de curtir mais a vida
3. “E sem o seu trabalho o homem não tem honra”: a aposentadoria não se opõe ao trabalho
4. “Viver e não ter a vergonha de ser feliz”: orgulho de ser aposentado
5. “Meus discos e livros e nada mais”: é hora de fazer mais coisas de que gosto
6. “Preciso aprender a só ser”: é preciso viver a aposentadoria
7. “Começaria tudo outra vez”: se precisar trabalhar voltarei com muito prazer
8.  “Amigo é coisa pra se guardar”: que coisa boa foram as amizades que fiz no trabalho
9.  “Don’t forget your history, Know your destiny”: preciso ter consciência de quem sou, para onde vou e de onde vim
10. “Quantas vezes eu pensei sair de casa, mas eu desisti”: é bom não perder os propósitos
11. “Palavras são erros, e os erros são meus”: como aprendi no mundo do trabalho!
12.  “Já está chegando a hora de ir”: é preciso saber partir
13. “Quero mais saúde”: é o princípio, o meio e o fim
14. “Você não sabe o quanto eu caminhei”: aposentadoria não é um benefício: é uma conquista!
15. “I have a dream”: o futuro nos espera

Os autores das ideias sãos: Renato Russo, Rita Lee e Roberto de Carvalho, Gonzaguinha, Gonzaguinha, Tavito e Zé Rodrix, Gilberto Gil, Gonzaguinha, Milton Nascimento e Fernando Brand, Bob Marley e Rita Marley, Roberto Carlos, Renato Russo, Roberto Carlos, Rita Lee e Roberto de Carvalho, Da Gama, Martin Luther King.

No mais: sem palavras!

Esse tal de Feedback

Avaliar com Feedback
No mundo corporativo é comum o uso da avaliação direta oral para proporcionar a melhoria de desempenho dos profissionais. É a atividade do feedback.
Feedback é um procedimento de atribuir juízo de valor no desempenho de uma pessoa, em um dado momento e lugar, comparando o desempenho esperado do avaliado, com um conjunto de critérios previamente acordado. Sendo o feedback uma atribuição de valor de desempenho de alguém, o avaliador tem a missão de descrever com mais precisão possível tal desempenho, fazendo interligações com os comportamentos esperados do educando para que este possa trabalhar de forma competente em novas situações profissionais.

Feedback e Emoções
No feedback o relacionamento entre avaliador e avaliado não é somente pela via cognitiva, pois existe um conjunto de manifestações emocionais, que irão conduzir, junto com o movimento racional, as interações entre quem educa e quem aprende.
Disto resulta um trabalho permanente do educador de buscar relacionamentos empáticos com as pessoas que estão sendo observadas. Relacionamento empático no sentido de compreender sentimentos, ideias e ações de outra pessoa; uma capacidade de interpretar comportamentos verbais e não verbais de comunicação de outra pessoa, com o intuito de promover aprendizagens diferenciadas para o trabalho.
Atitudes empáticas podem estabelecer laços de mútua confiança entre educador e educandos, contribuindo para relações mais amistosas de aprendizagens.
É bom lembrar que empatia é diferente de simpatia (impressão ou disposição favorável a alguém que se acabou de conhecer) e de antipatia (falta de afinidade ou incompatibilidade com uma pessoa), pois quando entramos no mundo da simpatia ou da antipatia, percorremos caminhos da passionalidade: estamos movidos pela paixão, e as coisas factíveis passam a não ser percebidas pelo avaliador.
Cuidados também deveremos ter com a apatia (indiferença, insensibilidade, falta de ânimo), que podem resultar em distanciamentos entre avaliadores e avaliados.


Imagem Feedback, do Autor



A comunicação no Feedback 
Durante os comentários que o avaliador faz sobre o desempenho do avaliado, é necessário que seja comentado o essencial, deixando espaços para o educando repensar a própria prática. Comentários prolongados e prolixos, depois depois de alguns minutos, fazem as pessoas perderem o foco do que está ouvindo, e o feedback poderá não ser mais efetivo. O essencial é produzir uma comunicação clara, coesa e adequada para o momento. Junte a isto tudo uma forma respeitosa e acolhedora de falar, sem perder o compromisso com a verdade do que você como avaliador pôde observar.

Feedback e Competências 
O feedback é para favorecer a melhoria das competências do trabalhador; então avaliamos o nível de desempenho de conhecimentos, habilidades e atitudes do educando, em relação às premissas estabelecidas na minuta do curso, o que for além disto estará fora dos propósitos do genuíno feedback.

Feedback do Educando
Em algumas situações de sala de aula, é usual os educandos fazerem feedbacks de si, pois tais comentários servem para os avaliadores observarem o nível de criticidade dos aprendizes. O problema é quando se solicita aos educandos que façam autoavaliação e não é explicado a eles alguns procedimentos básicos para se autoavaliar. Solicite que o educando faça comentários sobre as próprias percepções de aprendizagem da competência a ser desenvolvida e depois compare com os critérios de avaliação acordados.

Feedback e Subjetivismo
Há duas frases muito correntes nos meios empresarias sobre o feedback: “Feedback é um ato de amor” e “Feedback é uma doação”. Cuidado com frases que se repetem! Feedback é uma atividade de avaliação, que é utilizada no âmbito empresarial para promover a melhoria dos processos de trabalho e do desempenho das pessoas naquilo que elas realizam no cotidiano corporativo.
O feedback, como suporte para avaliação do trabalho, é uma forma de credenciamento para novas funções ou atribuições nas empresas. E isto traz em si a ideia de uma possível exclusão caso o trabalhador não alcance o nível esperado para o trabalho, o que pode significar um ato que resulte em dor para quem está sendo avaliado.
Vamos parafrasear as frases acima em uma ideia:  “Feedback é um ato comprometido com a verdade”? Por mais que as intenções sejam de amor e de doação, atribuir juízos sobre o desempenho de outrem conduz a um relacionamento dialético, em que amor e dor se entrelaçam em movimentos confluentes e contraditórios. Ademais, o compromisso com a verdade já é um sinal de amor.
Trabalhar com feedback não é simples nem é fácil. Exige esforço, dedicação e aprendizagem, pois é uma prática que interfere na vida profissional do educando, e interferir na trajetória do outro exige responsabilidade e compromisso ético com o crescimento do outro.

Até a próxima!

Uma visita ao museu da Diversidade

Um convite à diversidade

Imagem Mosaico da Diversidade

Era uma manhã de domingo de julho, quando resolvi sair do hotel e dar umas voltas no centro de São Paulo.

Fui para a praça da República e visitei a feira daquele lugar que acontece todos os finais de semana. Lá você encontra utensílios domésticos, itens para uso pessoal, obras de arte: excelente lugar para uma visitação demorada.
Desci a estação do metrô da República e me deparei com o Museu da Diversidade Sexual. Olhei desconfiado, cheio de curiosidade para conhecer. Confesso que fiquei pasmado.
Foi um passeio inusitado de novas informações sobre nós humanos, pois em uma área bastante modesta havia uma riqueza de depoimentos sobre construções da humanidade quanto à questão sexual.
Li depoimentos que me comoveram; apreciei obras de arte sobre uma cultura que faz parte do nosso dia a dia, mas que a gente fica cego, surdo e mudo.
O nosso pensamento único impede de apreciarmos as diversas manifestações artísticas quer em forma de música, quer de literatura ou de artes plásticas: um bem cultural da humanidade, de valor material e imaterial. Impede a nós também de observar com vão as nossas relações com as outras formas de existência humana.
Foi no aspecto da humanidade que fiquei mais comovido, pois nos depoimentos a gente começa a lembrar dos diversos noticiários de cerceamento da cidadania da pessoas que se concebem gêneros que vão além da concepção binária que criamos de perceber o mundo, nesse ato repetitivo do mais (+) e do menos (-). E aí nossa compreensão se esvazia quanto à existência do outro.
Terminei de ver aquelas fotos, os textos e os vídeos em comoção de quanto ainda preciso aprender quanto à convivência com os próximos e com os diferentes.
É aí que a gente percebe quanto o nosso discurso sobre diversidade ainda está longe de nossas atitudes cotidianas de Seres de Inclusão.
De resto é ir lá e ver. Conhecer e reconhecer.

Até a próxima!

Onde Estive? Museu da Diversidade Cultural
Onde fica? Na estação do metrô da praça da República, São Paulo, capital.
Quando foi? Julho/2017
Quem administra? Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo
O que eu achei do espaço? Um lugar para aprender mais sobre nós e os outros.

Infografia e Educação

Aprender com a infografia

Infografia e Cotidiano
Comprei um móvel para meu escritório doméstico e fiquei surpreso ao perceber que o manual para armar o rack era composto por uma tabela com indicação dos nomes dos itens que compunham o móvel (parafusos, partes em madeira etc.) e um conjunto de imagens, sem palavras, com alguns códigos de representação dos itens do rack.

No início achei que não conseguiria montar sozinho o objeto, pois era de tamanho médio e tinha complexidade média de armação.
Depois de alguns instantes de hesitação, resolvi iniciar os trabalhos e alguns minutos mais tarde estava o móvel inteiro e funcional em minha frente.
Repaginei o manual e pude verificar que não haveria mesmo necessidade de textos comentados para que eu armasse a peça: o que eu necessitava mesmo era a leitura sob outra perspectiva da mensagem.

Infomações por todos os lados
Foi então que associei que este tipo de mensagem, elaborada por meio de desenhos, fotos, textos e gráficos, está por todos os lados: nos jornais televisivos quando é apresentada a situação do tempo ou quando é detalhada a cena de um acidente de trânsito, em que um conjunto de imagens compõem uma mensagem coesa e coerente.
No início dos anos 2000 os jornais impressos iniciaram a publicação intensa desses recursos que reúnem informação, design e ilustração. São os infográficos que hoje fazem parte de nossa vida, e a gente nem percebe mais.

Infografia e Educação
E os infográficos são uma oportunidade para as atividades de educação, pois possibilita ao educador reunir conhecimentos das áreas do design gráfico, do webdesign e das artes para produzir material didático mais agradável e de comunicação mais fluidas para os educandos.
Em vez de usar aqueles materiais com mensagens predominantes de textos, o profissional poderá organizar as informações por meio da comunicação visual, facilitando o entendimento de determinados conteúdos.
Os usos da infografia dependem do contexto educacional, pois há situações em que o educando necessita cogmpreender um assunto por meio de textos narrativos, descritivos ou dissertativos; em outras situações a inserção de elementos ilustrados e com design funcional melhora o nível de aprendizagem da turma.
 A aprendizagem de infografia para usar em educação vai exigir de nós de um preparo consistente, pois será preciso conhecer desde os elementos das ciências da comunicação, para compor elementos visuais atraentes e funcionais, até conhecimentos ligados à cultura e ambientes sociais e históricos aos quais o infográfico será utilizado.
Fica então lançado o desafio a nós aprendizes de educadores: utilizar essas ferramentas para a oferta de soluções educacionais mais pertinentes, prazerosas e propiciadoras de aprendizagem.
Para finalizar deixarei aos leitores uma mensagem de um dos grandes profissionais da área aqui no Brasil.

A infografia é a arte de tornar claro aquilo que é complexo e talvez não haja nada mais urgente no atual momento histórico. Ary Moraes, Infografia História e projeto, pág. 16, editora Blucher, 2013, São Paulo, SP.

Até a próxima!

O melhor lugar do mundo

Os 40 anos de Refavela

Dia 23/9/2017 pude presenciar um acontecimento da história da nossa arte: o show em homenagem aos 40 anos do disco Refavela, de Gilberto Gil.
Tive a possibilidade de ver um grupo de novos artistas reverenciar a ancestralidade cultural brasileira.
Ancestralidade no sentido mais primitivo, pois precisamos afirmar que também temos história, temos passado e construímos cultura permeada de brasilidade.
Meus sentidos puderam se deliciar com um desfile de arte brasileira pelas expressões de Bem Gil, Maíra Freitas, Nara Gil, Céu, Moreno Veloso, Bruno Di Lullo, Domenico Lancellotti, Thomas Harres, Thiagô de Oliveira, Mateus Aleluia Filho e Ana Cláudia Lomelin.
Não precisamos dizer que fulano é filho de sicrano, pois o grupo de artista demonstrou maturidade suficiente para não ser comparado ao grupo de pais famosos.
Houve de piano a balafon, instrumento musical africano. Os sons transbordavam em todos os sentidos; eu ouvia pela pele, pelos olhos, pelo paladar e me deliciava pelos ouvidos, que me impeliram a cantar e a dançar.
Na visitação musical houve de Babá Alapalá a Sandra; de Sítio do Pica Pau Amarelo a Era Nova: um primor de repertório.
No final fomos brindados com a participação do Gil Homenageado: um show!
Espero que daqui a 60 anos, os netos, bisnetos e tataranetos possam reverenciar novamente os ancestrais da música brasileira do final do século XX e início do século XXI, e que as pessoas possam dizer que o país tem história, tem arte e de cultura.

A que assisti? Refavela 40
De quem era o show? Bem Gil, Maíra Freitas, Nara Gil, Céu, Moreno Veloso, Bruno Di Lullo, Domenico Lancellotti, Thomas Harres, Thiagô de Oliveira, Mateus Aleluia Filho e Ana Cláudia Lomelin
Quem foi convidado?: Gilberto Gil
Quando e onde foi apresentado? Em 23/9/2017, na Concha Acústica do teatro Castro Alves
O que eu achei do show? Excelente!

As Tramas das Técnicas

Novas tramas para a aprendizagem

A formação de educadores passa por dificuldades no momento em que os formadores convidam a turma de formandos para trabalhar com educação voltada para o diálogo, para a problematização e para a promoção da autoria e da autonomia dos educandos.
Se existem técnicas de ensino-aprendizagem já consolidadas no cotidiano do educador, como os candidatos a educadores vão trabalhar com os educandos em uma perspectiva dialógica?
Esta e outras questões atravessam a vida do aprendiz de educador e traz muitas contradições, uma vez que há muito material teórico a respeito da necessidade de se sair da centralidade da aula expositiva e de se buscar a construção coletiva (educador e educandos) de competências, mas nem toda publicação procura discutir as práticas.
Uma das preocupações da educadora Ilma Passos é justamente discutir os usos de técnicas de ensino-aprendizagem neste novo contexto. E ela já organizou algumas obras a respeito disto, como Técnicas de ensino: por que não? (1991) e Técnicas de ensino: novos tempos, novas configurações(2006).
Em uma nova empreitada, a organizadora nos oferta o livro Novas tramas para as técnicas de ensino e estudo, trazendo as contribuições do professor José Carlos Souza Araújo com o artigo O que significa revisitar técnicas de ensino à luz da pedagogia Histórico-Crítica, que abre as discussões no livro, fazendo um panorama da concepção histórico-crítica no contexto de uma prática pedagógica voltada para trabalhar as complexidades do fazer educacional em um espectro que favoreça a autonomia e o espírito coletivo de construção do conhecimento.
No segundo capítulo Ilma traz o texto Ensinar, aprender, pesquisar e avaliar com mapas mentais, em que aborda o uso da referida técnica para atividades didáticas de ensino, aprendizagem, pesquisa e avaliação.
Já Ângela Imaculada Loureiro de Freitas Dalben discute o assunto O ensino por meio de resoluções de problemas, trazendo contribuições em torno da problematização para que se crie possibilidades de o educador construir aprendizagens que permitam aos educandos construírem conhecimento por meio de interações sucessivas. O trecho sobre as especificidades da problematização se situa como um referencial de leitura sobre como essa abordagem didática pode ser estruturada para atividades propiciadoras do diálogo em sala de aula.
Em continuidade aos objetivos da obra, as autoras Meirecele Calíope Leitinho e Claudia Christina Bravo e Sá Carneiro abordam o tema Aprendizagem baseada em problemas: uma abordagem pedagógica e curricular, em que tratam dos usos da técnica PBL (problem based learning), demonstrando como essa abordagem pode se organizar por princípios da teoria crítica.
Ana Lúcia Amaral problematiza a questão das competências do educador, tratando do tema Casos de ensino e estudos de caso: técnicas para formar professores de qualidade.
A obra é finalizada com o texto Técnicas de estudo para além da dimensão do fazer, das educadoras Joana Paulin Romanowski é Pura Lúcia Oliver Martins. É uma excelente finalização, pois muitos textos tratam das questões das técnicas preocupados com o ensino, porém deixando na sombra a necessidade de aprender a estudar dos próprios educadores.

Novas Tramas é uma obra necessária e pertinente para a formação do educador brasileiro, por trazer uma abordagem crítica a respeito de algumas técnicas de ensino-aprendizagem sob a perspectiva das abordagens educacionais voltadas para a promoção de ambientes didáticos mais horizontais na relação entre educadores e educandos. O livro é um testemunho didático do potencial de abordagens históricas e críticas para o desenvolvimento do ser.

Boa Leitura!

O que eu li? Novas tramas para as técnicas de ensino e estudo
De quem é o texto? Vários Autores
Quem Organizou? Irma Passos Alencastro Veiga
Quando o texto foi escrito? 2013
Quem editou o texto? Editora Papirus
O que eu achei do texto? Muito Bom!

Pensando com o Poeta

Foi vasculhando minhas velhas anotações que encontrei os versos abaixo de Fernando Pessoa.
De maneira inconsciente, acho eu, recuperei o pensamento do poeta para a seção Pensando com os Sentidos aqui do blog. Vejamos:
E penso com os olhos
E com os ouvidos 
E com as mãos 
E com os pés
E com o nariz
E com a boca
Fernando Pessoa
Sem palavras e sem imagens!
Até a próxima!

Ofício de Educador

O educador e as tecnologias educacionais

Já fiz um balanço de trajetória de usos de ferramentas para fins educacionais e agora farei um relato dos atuais usos tecnológicos para trabalhar em educação.
Umas das coisas que sempre procurei levar comigo para as atividades educacionais é um kit com algumas ferramentas imprescindíveis para a atividade pedagógica.
O kit é formado por:
. Um apontador eletrônico para interagir com imagens, vídeos e apresentações;
. Uma caixa de som portátil (com recurso de transmissão sem fio ainda é melhor);
. Um tablet para leitura, consulta à internet e produção de conteúdos pedagógicos;
. Um smartphone para comunicação, consulta à internet, inserção de dados e organização de eventos;
. Um caderno de anotações, dois lápis, duas canetas, uma borracha e uma régua;
. Um mouse e um teclado sem fio e dois pendrives;
. Textos postados em plataformas de armazenamento on-line (Drive, OneDrive, Icloud…) 
. Pacote com cabos de energia, pilhas e cabos de comunicação entre os dispositivos móveis;
. Dicionário Eletrônico e aplicativo VOLP (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa);
Para as interações educacionais, tenho como práticas:
. Fazer anotações quase diárias, pois um educador está sempre aprendendo. Nesta tarefa, utilizo o Keep e o OneNot) e blocos de papel.
. Manter diversos tipos de arquivos (textos, imagens, planilhas, gráficos, mapas mentais, apresentações, bancos de dados, vídeos, áudios…) em pendrive, no celular, no tablet e na WEB (Drive e OneDrive).
. Manter contato com pessoas sobre temas educacionais em mídias sociais diversas (Facebook, WhatsApp, Blogger e LinkedIn).
. Manter acervo de livros e discos (filmes, documentários, depoimentos e músicas) sobre educação.
O que percebo é que o uso faz com que eu me aproprie das funcionalidades das ferramentas educacionais existentes, o que favorece um posicionamento crítico quanto aos benefícios e limitações na utilização de tais tecnologias.
Note o leitor que aqui é apresentado um relato de experiência de usos; cabe a você, autor do seu processo de desenvolvimento profissional, decidir quais ferramentas são mais adequadas para sua atuação como profissional de educação.
Última questão: e se você não tiver recursos financeiros suficientes para manter tal plataforma tecnológica? Comece com papel e caneta!
Até a Próxima!

Itinerário de um educador analógico-digital

Aqui em casa há uma quantidade enorme de equipamentos velhos que poderiam ser jogados fora. Fico arrependido quando lembro que doei uma máquina de datilografia. Apesar de saber que ela teve uma utilização social, bem que eu ainda poderia lançar algumas ideias no papel usando aquela maquininha.
Para uso em educação já tive de tudo. E é o que vou tentar contar neste texto para você, leitor.
Minha primeira ferramenta de luxo foi um caderno de anotações, acompanhado de uma caneta. Ali eu anotava de tudo: perguntas, esquemas, desenhos, comentários, resumos, cópias de trechos. Até hoje ainda os uso.
Mas nasci em uma época diferenciada entre a consolidação das grandes invenções analógicas e o surgimento das grandes invenções eletrônicas, chegando a este mundo em que as interações acontecem em nuvens digitais.
De tanto fazer anotações em papel veio uma necessidade enorme de utilizar máquinas de datilografias manuais. Fazia textos ali e reproduzia em mimeógrafos. O material saía na cor azul, podíamos inserir nos espaços desenhos para melhorar a interação com os educandos.
Como era muito curioso, percebi que nas antigas relojoarias, era vendidas agendas eletrônicas, que tinham funcionalidades como calendário, calculadora e memorandos. A dificuldade era não poder reproduzir aquelas informações em papel.
Tempos depois apareceram as primeiras imagens dos chamados microcomputadores. Aqueles homens bem vestidos, de terno e gravata, segurando computadores portáteis de quase 4 quilos nas fotos das revistas semanais me deixava fascinado com as ideias do eletrônico, do portátil e da mobilidade.
Foi então que adquirir um Apple IIIe, computador pouco utilizado no Brasil, mas que prometia fazer milagres quanto ao gerenciamento de informações. Que sofrimento: comprar disquetes que queimavam com facilidade; usar impressoras que demoravam 30 minutos para imprimir uma página com gráficos. Era um horror! Mesmo assim aprendi a usar a ferramenta para realizar atividades como aluno na universidade.
A história todos já conhecem: o computador evoluiu e passou a ser dispositivo multimídia e muito utilizado nos lares e nas corporações.
Vieram os notebooks. Já não era necessário ficar preso em casa quando o assunto era produzir conteúdos…
Trabalhei de 1997 a 2008 pelo interior do Brasil. Foi quando percebi que andar pelo nosso país na época significava não ter computador na cidade, muito menos projetor. Internet? Nem pensar!
As ferramentas mais utilizadas eram telas transparentes com textos e imagens sobre um retroprojetor. E quadro de giz, giz, cartolina, papel ofício…
Trabalhava com alfabetização de adultos e queria usar ábacos para trabalhar noções de matemática com os alfabetizadores em formação. Foi quando surgiu a ideia de criar uma alternativa aos ábacos, pois eram muito pesados para serem transportados. A ideia foi criar um Tabuleiro Numérico, que foi utilizado para reconhecimento de número, posicionamento de números e identificação de quantidade e valor numérico. Esta tecnologia analógica ajudou bastante.
Foi naquela fase que surgiram os computadores de mão. As coisas digitais começaram a melhorar. Corria os interiores do nosso país e quando voltava, trazia lista dos educandos e pequenos relatórios das atividade realizadas. 
O trabalho de mídia era utilizar uma máquina fotográfica manual, em que tirava as fotos e só conhecia aos resultados quase um mês após ter participado do evento educacional.
Levava também um gravador (de fitas) para registrar alguma coisa que achasse interessante ou mesmo ouvir músicas daquelas fitas de 45 a 60 minutos de duração.
Quando usei a primeira câmara digital, foi uma festa na turma. Descobri intuitivamente que a máquina também filmava. Foi um marco no uso de tecnologias em sala de aula.
Em dezembro de 2010 foi possível adquirir um Ipad. Aquele equipamento não era novidade em termos de usos, pois já utilizava os palmtops. O negócio era pôr o dedo na tela e deixar o equipamento todo sujo de digitais.
Já estávamos nos tempos das nuvens, da portabilidade, da mobilidade e da ubiquidade.
Hoje uso tecnologia cotidianamente, tanto a digital quanto a analógica; depende do contexto, da necessidade e estou sempre descobrindo novas possibilidades de aprender a usar essas ferramentas novas que vão surgindo.
As velhas ferramentas ainda estão aqui, em sacos empoeirados. Não as vejo como simples ferramentas que foram jogadas ao relento, mas como um conjunto de itens que participaram da minha formação como educador. Quem sabe elas não possam formar um pequeno museu pessoal de tecnologias educacionais?
A seguir algumas fotos que retratam o itinerário de usos de recursos educacionais.
Teclado de um Palmtop
Tabuleiro Numérico 

Tela de transparência para uso em retroprojetor

Palmtop

Um gravador portátil de fitas cassetes

Computador de Bolso

Aprendizagens Móvel e Ubíqua

Aproximações e afastamentos sucessivos das novas tecnologias

Que bom seria se os educadores que atuam nos ambientes educacionais presenciais físicos se dedicassem a aprender mais sobre a aprendizagem presencial digital, ou seja, as aprendizagens a distância mediadas por dispositivos móveis (tablets, smartphones, consoles de games e outros) e as aprendizagens mediadas em diferentes espaços e lugares (ubíqua).
Um convite a essa aproximação é o livro M-Learning e U-Learning, que trata da educação nos novos tempos e espaços.
O livro é bem organizado, trazendo informações sobre temas como informação, aprendizagem, conhecimento e competências. Depois discute os conceitos de M-Learning, e U/Learning diante da nova, mas já incorporada noção de E-Learning.
Mas a obra não se limita aos conceitos anteriores e aborda alguns pontos das novas tecnologias móveis e ubíquas, tocando em assuntos como contextos, metodologias, práticas e mediação pedagógica para aplicação nesse novo contexto.
Outros temas trazidos no texto são a avaliação educacional e a abordagem interacionista (“construtivista sistêmico-complexo”) para as aprendizagens móvel e ubíqua. Aqui as concepções de caráter problematizador são tratadas como um dos caminhos para atuar nesse contexto diferenciado.
Há um capítulo em que são trazidas algumas experiências de M-Learning e U-Learning que foram acompanhadas pelos autores, o que facilitam o entendimento a respeito da aplicação dessas modalidades de educação no contexto educacional brasileiro.
O livro é bem coeso na condução das ideias relativas ao M-Learning e U-Learning tratando em um contínuo aprendizagem, tecnologias, abordagens didáticas e experiências. Como foi escrito em 2010, há necessidade de atualização sobre as novas tecnologias para os contextos móveis e ubíquos de aprendizagem.
M-Learning e U-Learning é uma leitura pertinente tanto para os educadores  “integrados”, aqueles que abraçaram as tecnologias digitais, quanto para os “apocalípticos”, aqueles que valorizam a educação presencial física e se afastam das novas facilidades que a computação educacional pode trazer.
E agora? Agora é hora da leitura atenta do texto: de se aproximar cada vez mais das novidades tecnológicas e educacionais, para exercer o papel crítico que todo educador deve ter quanto à própria prática profissional.

Até a próxima!

O que eu li? M-Learning e U-Learning – novas perspectivas da aprendi§zanguem móvel e ubíqua
De quem é o texto? Amarolinda Saccol, Eliane Schiemmer e Jorge Barbosa
Quando o texto foi escrito? 2010
Quem editou o texto? Editora Pearson
O que eu achei do texto? Muito Bom!

Pensando com os Sentidos

Ou a leitura construindo sentidos em minha vida

Pensando com os Sentidos nasceu de uma pergunta que vez por outra aparece no Facebook: “Que você está pensando?”. Disto surgiu a ideia de escrever textos com as questões: Pensando com os olhos e Pensando com os ouvidos. Aqui no blog esta ideias se traduzem com a questão Pensando com os Sentidos, que se expressa aqui por meio de comentários sobre livros e discos que li, porque há em mim uma sede de leitura.

E ler é uma sensação  difícil de expressar. Para mim, que adoro dançar, a leitura é como entrar em uma casa de dança e ver as pessoas em movimentos harmoniosos sob luzes multicoloridas. Todos suadas só pensando em relaxar, integrando corpo e espírito; é também, para quem gosta do mar, pegar as ondas das ondas e navegar sobre as águas vigorosas num ritmo também dançante e desafiador ; é tomar aquele vinho à noite, em casa, depois de um dia extenuante, sentindo o corpo cada vez mais distenso.
É como o atleta corredor que chega ao final da jornada e nem pensa sobre quem venceu ou perdeu o intento.
Ler é a própria totalidade, pois integra o corpo, a mente e o espírito, sendo, ao mesmo tempo, um estado de zen, de um mergulho na própria racionalidade.

Boas Leituras!

Teatro do Oprimido

Um diálogo entre arte e educação 

Depois que terminei a leitura de Teatro do Oprimido, fiquei imaginando uma conversa entre Paulo Freire (Pedagogia do Oprimido) e Augusto Boal. Nessa conversa eles discutiriam o imbricamento entre educação, artes (em especial, o teatro) e política. E quantas coisas boas e pertinentes sairiam dessa conversa: a autoria, a autonomia, o protagonismo, os meandros das relações de poder quando essas instâncias do existir humano interagem entre si.
Teatro do Oprimido começa com a seguinte mensagem:  “Este livro procurar mostrar que todo teatro é necessariamente político, porque políticas são todas as atividades dos homens, e o teatro é uma delas.”
Ora, e é justamente  isto que o autor vai argumentar durante o livro, convidando o leitor, a não só discutir, mas praticar um teatro protagonista, em que o especatador deixa a vida de expectativas, deixa de ser aquele que só vê, para construir uma jornada de elaboração de novas perspectivas para a própria vida e assume o papel de coautor das histórias.
Assim testemunhamos um livro criativo e inovador em que são tratados assuntos relacionados ao funcionamento do Teatro do Oprimido, as instâncias entre opressor e oprimido, um apanhado histórico sobre a concepção de teatro, até culminar com um relato de experiência de teatro popular no Peru.
A obra tem um posfácio feito por Julían Boal, filho do autor, que vale muito a leitura.
E é nisto tudo que as ideias de Pedagogia do Oprimido e Teatro do Oprimido dialogam: ambas defendem a construção de um homem político diferenciado, que se percebe num muito desigual e busca cotidianamente existir-se neste mesmo mundo.
Fica então o convite de pensarmos um teatro que funcionaria na perspectiva do cidadão que se torna coparticipante das cenas, dos figurinos, do enredo e do que for mais necessário para a construção coletiva da representação teatral.
Teatro do Oprimido e Outras Poéticas Políticas – Augusto Boal – Cosac Naify, 2013