A experiência de um doutorado

A experiência de um doutorado

Passei de 2020 a 2023 em um processo de pesquisa em nível de doutorado que resultou no trabalho: Discursos pedagógicos de marketing de conteúdo sobre algoritmos de plataformas: entre a adequação e a transformação, realizado na Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia.

A pesquisa foi realizada, em boa parte, no período mais grave da pandemia do coronavírus (2020-2021), uma fase muito delicada na vida em sociedade neste início de século XXI, um marco na minha vida pessoal e coletiva.

Em breve o trabalho acadêmico será publicado no Repositório de publicações da UFBA, ficando disponível para leitura para todos interessados no que foi discutido na pesquisa.

Enquanto não sai a publicação no Repositório da Universidade, compartilho aqui o resumo do texto da tese, para que o leitor tenha informações básicas sobre o que está contido na tese.

Resumo da Tese

A pesquisa investigou os discursos de marketing de conteúdo sobre algoritmos de plataformas digitais, em blog de uma empresa brasileira de marketing digital, local onde os discursos sobre os algoritmos se inter-relacionam e estabelecem novas formas de experiências sociotécnicas. O estudo se encaminhou sobre dimensões epistemológicas Cognitiva, para analisar as especificidades dos algoritmos; Social, para investigar o contexto do marketing no século XXI; Discursiva, para analisar a natureza da língua em uso em ambiente nativo digital tendo como centro as especificidades do discurso pedagógico. Este é considerado na pesquisa como um tecnodiscurso, um compósito de elementos tecnológicos e linguageiros. O advento da internet consolidou relações sociais mediadas por objetos técnicos em intensos processos de codificação, produção acelerada de grandes quantidades de dados e práticas para tornar os diversos objetos e interagentes sociais interconectados. Os códigos em si já possuem traços de opacidade, o que resulta em mais dificuldade de acesso ao entendimento sobre como eles funcionam na vida em sociedade. Nessa conjuntura surgem empresas de marketing dedicadas à criação de ações de compartilhamento de informações sobre a natureza e o funcionamento dos algoritmos de plataformas digitais. Desse contexto sobreveio a questão: em que medida os discursos de marketing de conteúdo contribuem para as decifrações dos algoritmos de plataformas? O argumento de defesa da tese é de que os discursos de marketing de conteúdo ocupam múltiplos domínios discursivos, que alcançam as esferas comercial e midiática, principalmente, esferas essas mais perceptíveis pela sociedade em geral, e alcançam também o domínio discursivo educacional, uma vez que essas práticas discursivas se constituem como uma forma cultural que se apropria de um outro discurso originário (científico, comercial, técnico, filosófico, religioso e de senso comum), elaborando um novo modo de saber, comumente conhecido como saber didático, expresso na forma de discurso pedagógico. A base epistêmico-metodológica que fundamenta a articulação de saberes multirreferencializados é de ordem hermenêutica, na qual o campo-objeto de investigação social é também um campo-sujeito, com a pesquisa se delineando em um processo de entendimento e reflexão de uma situação social que já fora interpretada, o que caracteriza o trabalho como uma reinterpretação da realidade. Para dar conta de articular múltiplas referências de saberes, a pesquisa se pautou em aportes teóricos dos Estudos Culturais, Estudos Críticos do Discurso, Filosofia da Técnica e Sociologia do Conhecimento. O estudo evidenciou que a produção discursiva no marketing de conteúdo se aproxima de práticas que visam modular e controlar comportamentos em mediações pedagógicas alicerçadas em construções discursivas injuntivas, de tom prescritivo, bem como tal prática contribui para a formação de um cidadão escritor/leitor condicionado a se relacionar sociotecnicamente com um duplo interlocutor: um ente humano e outro algorítmico. O ente algorítmico estabelece uma forma de relação técnica racionalizada e é quem decidirá de que forma uma publicação aparecerá nas páginas de resultado de um mecanismo de busca na internet.

Palavras-chave: Algoritmos de plataforma. Discursos pedagógicos. Marketing de conteúdo. Plataformas digitais.

Até a próxima!


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Pensar faz bem com Stuart Russell

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Minha vida em uma agenda de papel

Minha vida em uma agenda de papel
Minha vida em uma agenda de papel

Sou das novidades e inovações e também das coisas antigas e das nostalgias, pois o novo e o velho estão entranhados em mim e não me deixam fazer separações rígidas entre o passado, o presente e o futuro.

Assim uso cotidianamente um smartphone, para a mobilidade e consultas rápidas, e um tablet para criar rascunhos sobre as coisas que percebo no mundo. Quando desejo criar algo mais elaborado, recorro a um notebook que me ajuda bastante na formalização dos diversos tipos de documentos.

Mas há um objeto técnico que está sempre comigo, acompanhando as tarefas que realizo no dia a dia: a velha e prazerosa agenda de papel. 

Geralmente compro o utensílio uns dois meses antes de o ano acabar e já vou anotando aqueles registros considerados fundamentais como datas de aniversário de pessoas queridas e os contatos que são relevantes caso eu perca o smartphone.

Já usei todo tipo de agenda de papel, desde aqueles tijolões bonitos, cheios de fotografias até minúsculos cadernos que cabiam no bolso. Hoje uso uma agenda 14 por 10 cm, que muito me satisfaz.

Minha geração é a do intermédio; vivi o período dos LP, fita cassete, fita de vídeo, CD, DVD, pendrives e nuvens. Minha existência é analógico-digital, o que me faz adorar utilizar todas essas possibilidades técnicas, inclusive o papel e a caneta, o que de certa forma facilita eu registrar minha vida em uma agenda de papel.

Começo 2024 com os planos registrados em papel e nos demais aparatos técnicos também, um não se sobrepõe ao outro. Não há divisão em bom ou ruim, novo ou velho, o que importa é a utilidade que o objeto técnico proporciona no momento de mais necessidade.

Até a próxima!


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Pensar faz bem com Gilbert Simondon

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A passagem pelos 60 anos

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A passagem pelos 60 anos
A passagem pelos 60 anos

Envelhecer é algo que acontece todo dia, toda hora, em todo minuto e em todo segundo. O envelhecimento é um processo tão comum que nem percebemos isto acontecendo em nós.

Mas existem as datas significativas que vão nos alertando, como nas ocasiões que completamos 60 anos, fase que marca “oficialmente” o início da velhice no Brasil.

Cheguei aos 60 anos no mês de novembro passado e optei por festejar de maneira simples, curtindo pequenas coisas, aquelas coisas que me proporcionaram momentos de felicidade na existência aqui na Terra.

Como cinema é uma das minhas paixões, fui assistir Ó Paí, Ó e refletir por meio da comicidade alguns dos problemas sociais persistentes na vida do brasileiro. 

Por falar em Ó Paí, Ó, no dia do aniversário, degustei comida baiana no bar de mesmo nome do filme, localizado no Centro Histórico de Salvador. Fiquei surpreso ao sair do restaurante com a nota fiscal do serviço prestado, uma raridade de se testemunhar em ambientes comerciais de lazer hoje em dia.

Um dia após o aniversário entrei no site da companhia de trânsito municipal para fazer o cadastro para obtenção da carteira de estacionamento do idoso, mas, uma semana depois, o processo está parado na plataforma da instituição pública. 

Outra paixão que precisava ser vivida era da música: fui ao festival República do Reggae ver Burning Spear, Edson Gomes, Ponto de Equilíbrio, Groundation. Foram seis horas de dança, muita dança.. 

No outro dia? Depois de muito tempo, tive o prazer de acordar perto das 11 horas da manhã. Leitor, isto não tem preço. 

A convivência importa! Durante o dia do aniversário curti conversas on-line com familiares, parentes e amigos, oh coisa boa.

O que vem pela frente? De agora em diante, é tempo de me preparar para o envelhecimento mais severo do corpo, procurando rejuvenescer o espírito e a mente. Também preciso relaxar mais, aceitando a situação do envelhecimento, buscando, cada vez mais, me identificar com a vida nova que se anuncia com a situação de pessoa idosa.

Até a próxima!


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Pensar faz bem com Judy Wajcman

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A simbologia do Esporte Clube Vitória

A simbologia do Esporte Clube Vitória

O EPraxe como um espaço destinado ao compartilhamento de informações sobre a cultura e o cotidiano precisa se voltar para um dos setores mais intensos da cultura brasileira, que é o futebol, por ser este um dos elementos que marcam a identidade da nação há mais de um século.

Vamos iniciar timidamente nossas conversas sobre o futebol, tecendo alguns comentários sobre o Esporte Clube Vitória, uma agremiação esportiva com 124 anos de história, nascida em área nobre da cidade de Salvador, que no final do século XX decidiu mudar de localização  de referência para ser reconhecido como integrante de um bairro periférico de Salvador chamado de Canabrava, uma área pobre da cidade, que tinha como marca um lixão no meio da localidade e que tantos problemas trouxeram àquela população.

Depois de ter construído o estádio Barradão em Canabrava, o Vitória passou a ser chamado pelos torcedores do time adversário de Barralixo, mas a agremiação continuou o projeto do estádio na periferia e de lá saíram muitas rendas para a manutenção do time até hoje.

Além de Barralixo como elemento de produção simbólica contra a agremiação, o Vitória passou a ser chamado Vicetória, pois os torcedores dos outros times achavam que era destino do time nunca ser campeão em nível nacional.

Em meio a essas construções simbólicas negativas, o Vitória vem construindo, com altos e baixos, uma jornada diferente dentro do futebol por manter-se em uma tradição de governança que não é mais valorizada pelos adeptos do transnacionalismo e do capitalismo, aos quais os times de futebol devem se subordinar a empresas multinacionais. No Vitória, os sócios têm direito a voto; eles são os torcedores. O estádio também tem de ser de propriedade do time, o que resulta em um tipo de gestão cuja renda venha de um bem próprio.

Quanto à simbologia positiva, o mascote do Vitória é um leão, símbolo de força e luta, e os torcedores adoram chamar o time de colossal e também de “nêgo”. Por falar em torcedores, o time passou por uma grave crise socioeconômica durante os últimos cinco anos, chegando ao final de 2022, com grande possibilidade de ir para a série D do campeonato brasileiro. Foi quando a torcida tomou as rédeas do jogo e motivou o time rubro-negro a sair da série C para a série B, naquele ano, se tornando campeã da série B em 2023, tendo como resultado a volta ao campeonato brasileiro da série A, que acontecerá em 2024. Isto é uma ação colossal, difícil de ser feita, que marcou significativamente a história do Leão.

A paisagem de Salvador recebeu uma chuva de gritos e júbilos dos torcedores do Vitória no final de 2023, pois houve sincronia entre os propósitos da direção do time com a força e motivação dos jogadores e o apoio da torcida. e espera-se que o ano de 2024, e os que virão depois, sejam banhados dessa sincronia, e que mais momentos felizes possam acontecer dentro do futebol baiano.

Quanto aos problemas de governança e venda dos times brasileiros a empresas transnacionais, eles ainda continuarão existindo, mas esperamos que esses acontecimentos deletérios não impeçam o desenvolvimento desse setor da cultura tão significativo para a formação do brasileiro.

P.S.: depois de ser campeão da série B, o Vitória recebeu proposta de cunho publicitário para, em troca de recursos financeiros, mudar o nome do time ou do estádio de futebol. Mas isso, caso se concretize, será tema para uma próxima publicação, 

Até!


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Pensar faz bem com Rafael Grohmann

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Nem tão simples assim

Nem tão simples assim
Nem tão simples assim

Quando vi o livro Simples inteligência artificial na livraria fiquei bastante empolgado com o assunto e fui ver em casa se comprava uma edição em e-book, mas descobri na plataforma de vendas de livros que só havia a edição no formato físico. Sem saída resolvi comprar o livro físico mesmo assim e foi então que percebi que a melhor maneira de acesso àquele material era a impressa mesmo. Simples inteligência artificial tem um design muito bom, vem cheio de infográficos,  com páginas multicoloridas, um primor de trabalho gráfico. Mas o design bem elaborado tem um preço, pois é preciso que o material de confecção do livro seja de alto padrão para dar conta do também do alto do nível de arquitetura da página, o que traz dificuldade para uma gama maior da população em ter acesso ao conteúdo do livro. Com Simples inteligência artificial, é possível fazer tanto a leitura na vertical quanto na horizontal com muita facilidade, a obra opta pela sumarização dos conteúdos, o que ajuda no entendimento de um assunto nem tão simples assim. Talvez fosse melhor que o material não fosse feito com capa dura, pois isto dificulta manipular as páginas do livro, mas no geral, é bastante agradável manipular o livro.

Sobre os conteúdos, a obra traz um conjunto variado de assuntos, como uma breve história da inteligência artificial (IA), apreciações sobre inteligência artificial clássica, inteligência artificial estatística e filosofia da técnica. Termina o livro com uma pequena discussão sobre as implicações da IA para a vida cotidiana.

Algumas páginas, apesar de muito bem organizadas, ficaram com a leitura cansativa devido à má combinação de cores, resultando em mais esforço para leitura. As cores das páginas são bem dosadas, com exceção de algumas delas terem fundo azul, com fontes de cor preta, pois esta combinação ofusca a visão do leitor em textos escritos em suportes de pqpel. Os títulos são motivadores para cada tema, e os textos tiveram cuidadosas referenciações. Em alguns momentos, o leitor pode ter a sensação de estar lendo um pequeno glossário tal é a precisão das definições dos termos. 

 Os conteúdos discutidos no livro são de pertinência para a vida em sociedade neste início de século XXI e são fundamentais para aproximar o cidadão comum das especificidades dessa área do saber tão importante para muitas áreas do saber humano.

Como o livro usa e abusa da construção de texto multimodal (articulação de textos e imagens), dificilmente o material será disponibilizado no formato e-book. Pois é, nem sempre a melhor solução de leitura está nos formatos das telas multitoques.

Até a próxima!

Dados da obra

O que é? Simples inteligência artificial 《livro》

Quem editou? Globo Livros

Quando foi lançado? 2023

Qual o local? Rio de Janeiro, RJ

Quem escreveu? Hilary Lamb, Joel Levy e Claire Quigley

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Pensar faz bem com Rubem Alves

Pensar faz bem com Rubem Alves
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Milton Nascimento mais do que ao vivo

Milton Nascimento ao vivo

Os dois primeiros discos (LP) que adquiri quando comecei a trabalhar foram os de Maria Bethânia (Ciclo) e Milton Nascimento (Milton Nascimento ao vivo). Sobre o disco de Bethânia já comentei algo por aqui. Agora é o momento de escrever sobre Milton Nascimento ao vivo, que neste mês de novembro completa 40 anos de lançado, um marco na história da Música Popular Brasileira.

Na capa a imagem de Milton aparece dentro de um quadro de tom escuro. Milton aparece com um sorriso leve, como se estivesse olhando para nós. No título apenas um simples Milton Nascimento ao vivo. O disco é no formato LP Long Play), um “bolachão” como eram conhecidos aqueles discos grandes, geralmente de cor preta, com 30 cm de diâmetro.

Na primeira face do disco, chamada de Um lado aparecem em uma sequência branda e comovente de músicas que mexem com o sensível: E a lua nos mostra sua face iluminada, acompanhada de o Coração de estudante, que abre passagem para A noite de meu bem, uma noite enluarada vista de uma Paisagem na janela. Em seguida a livre expressão do popular sobrevoa como um pássaro em um Cuitelinho e um Caxangá. Somos nós que entramos em estado de graça “Nos bailes da vida”.

Do Outro lado, “A terra é azul” e lá pelo Nordeste há um Menestrel das Alagoas, uma expressividade nacional de uma nação chamada Brasil, que, talvez, quem sabe, por conceber uma Canção do novo mundo sob Um gosto de sol, bem Solar, como uma homenagem Para Lennon e Mccartney. E assim o ao vivo, muito vivo, Milton Nascimento nos embriaga e nos torna mais brasileiros.

Obrigado, Milton, pelos 40 anos ouvindo esse peculiar disco ao vivo.

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Bônus

No encarte do disco, uma pérola de Ferreira Gullar:

E a história humana não se desenrola apenas nos campos de batalhas e nos gabinetes presidenciais.

Ela se desenrola também nos quintais, entre as plantas e galinhas, nas ruas de subúrbios, nas casas de jogos, nos prostíbulos, nos colégios, nas usinas, nos namoros de esquinas.” Ferreira Gullar {encarte do disco Milton Nascimento ao vivo, 1983}.

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O que  é? Milton Nascimento ao vivo 

Quando foi lançado? 1983

Onde foi gravado? Anhembi, São Paulo, dias 1, 2 e 3 de novembro de 1983

Quanto tempo? 46:56 min

Qual é a gravadora? Barclay

Quem produziu? Marco Mazzola

Mais alguma coisa? A participação especial de Gal Costa

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Até a próxima!


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Pensar faz bem com Pedro Demo

Pensar bem com Marcelo Augusto
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