O smartphone nosso de cada dia

O smartphone nosso de cada dia
O smartphone nosso de cada dia

Dias desses peguei o smartphone e comecei a admirá-lo, como a gente se admira diante de um espelho. Naquela admiração narcisista surgiu uma nuvem cheia de objetos que representavam toda minha vida dentro daquele objeto.

No aparelho estava armazenada todos os meus afazeres, todos meus pecados e conquistas. Daquela alucinação refletida, os primeiros objetos a sair foram os dados sobre quem eu devia, a quem eu paguei, onde eu comprei e quanto eu tinha de poupança.

Depois vieram os dados dos meus conhecidos, dos amigos e dos parceiros comerciais. Era muita coisa que saía daquele aparelhinho. Por uma brecha surgiram o título de eleitor, a carteira de motorista e o documento do carro.

Ah, eu  tenho umas mensagens secretas e pensava que ninguém poderia ver. Será verdade?

Vinham atrás os dados sobre onde eu almoçava, a que cinema eu ia, com que frequência eu ia ao shopping. Acha pouco? Também saíram de lá a quantidade de água que bebo, o nível de sedentarismo que tenho, os batimentos cardíacos, o tempo de sono e a quantidade de quilômetros que percorro com caminhadas ou corridas.

Não bastasse tudo isto, em uma cor ruborizada, escaparam de lá sentimentos do dia a dia como gostei, não gostei, me irritei e por aí vai…

Já perto do final apareceram os sites que visito e as mídias sociais que uso no cotidiano. Aquilo não iria parar?

Ah, eu me senti nu em ver tantas coisas íntimas saindo como fumaça para que todos pudessem ver. Meu smartphone é uma verdadeira caixa de pandora. E mais: a última coisa que sai de lá não é a esperança como narrado na mitologia, mas o que sai de lá mesmo é a desesperança de não ter mais estes dados como de acesso exclusivo meu, mas como herança da nova vida compartilhada.


Até a próxima!


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A TV digital e os desafios da educação brasileira

A TV digital e os desafios da educação brasileira

O ano de 2022 será de desafios para a educação brasileira, ocasionados pelas instabilidades advindas da pandemia do coronavírus e do processo de recessão econômica pelo qual estamos passando.

A TV digital poderia ser uma das infraestruturas técnicas para ajudar o país a oferecer educação de qualidade para os brasileiros, mas essa infraestrutura ainda é precária, principalmente nos  pequenos municípios do país. Segundo o Ministério das Comunicações, 4.191 municípios ainda não concluíram a migração para o sinal digital e 1.638 municípios contam apenas com o sinal analógico. A meta do governo federal é de que todas as regiões brasileiras tenham acesso à TV digital até 2023. Resultado: mesmo que a união, estados e municípios ofereçam atividades educacionais pela televisão durante o ano de 2022, uma parcela significativa da população brasileira ainda estará sem acesso aos serviços da TV digital. 

A TV digital não é somente imagem e som de qualidade superior à TV analógica; o diferencial dessa tecnologia é, potencialmente, proporcionar interatividade, ou seja, quem transmite e quem recepciona os conteúdos podem interagir na produção de uma comunicação dialógica. Aqui no Brasil o sistema de TV digital (público e privado) atua na comunicação discursiva, caracterizada pela transmissão de conteúdos de um para diversos assistirem; e uma educação para o terceiro milênio precisa ser construída com base em meios tecnológicos com condições de estabelecer comunicação para o diálogo entre quem produz e quem recepciona conteúdos.

Projetos brasileiros para estruturação de TV digital aberta e interativa, como o Ginga, foram sendo deixados para trás, dando lugar a versões proprietárias de TV digital, cujos recursos técnicos como realização de operações bancárias e envio de mensagens para o canal de TV enquanto se está assistindo, por exemplo, não são acessíveis. Sem interatividade na TV digital quem perde é o cidadão. 

Na Bahia, durante a pandemia do coronavírus, houve a iniciativa do governo estadual de oferecer um canal digital dedicado à educação, mas o sinal da TV educativa ainda não alcança todos os municípios do estado, que hoje conta com os 27 territórios de identidade recebendo o sinal da TVE Bahia, porém 119 municípios baianos só terão acesso pleno ao sinal digital em 2023. Já a Prefeitura Municipal de Salvador utilizou dois canais de uma empresa privada de TV aberta, mediante pagamento de aluguel. 

Ainda há muito que caminhar! E espera-se que o Estado brasileiro responda a esses problemas com ações que favoreçam o desenvolvimento econômico, social e educacional do país.

Observação: texto foi publicado originalmente no jornal A tarde, formato impresso, em 19 de janeiro de 2022.

Até a próxima!


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Pensar faz bem – Raymond Williams

Pensar faz bem – Raymond Williams
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É preciso falar sobre a morte

É preciso falar sobre a morte
Paulo Freire – 100 anos

Um dos assuntos que mais tenho dificuldade de conversar é sobre a morte, pois considero isto uma questão um tanto desconhecida pela humanidade e ainda não encontrei explicações plausíveis sobre esse tema tão premente.

Mas a morte não é um assunto estranho à minha existência, pois passei a infância em uma comunidade em que o morrer fazia parte do cotidiano, e os adultos não se intimidavam de falar do assunto na frente das crianças.

Cresci ouvindo histórias de almas peladas, maus espíritos, anjos e demônios. Ao mesmo tempo que morria de medo daquelas histórias, tinha uma grande curiosidade pelo assunto.

Naqueles dias, percebia que as pessoas tinham muito respeito pela morte, o que se refletia nos costumes daquela gente. Por exemplo, se uma pessoa morresse, o cônjuge ficava um bom tempo de luto, usava preto e demonstrava para as outras pessoas um ar de tristeza, de desilusão e abatimento. As crianças iam para a escola de preto ou usavam uma tarja preta na camisa durante meses. O inimigo do morto mudava de postura e passava a ter mais respeito pela família do falecido, salvo algumas exceções, é claro. Se alguém estava com uma doença terminal, a tristeza invadia a casa do doente, e a preocupação com a morte era o que prevalecia.

No dia 2 de novembro, era um silêncio no bairro, e as emissoras de rádio só tocavam músicas instrumentais lacônicas, muito triste mesmo. Da mesma forma acontecia na sexta-feira santa, quando o luto por Jesus Cristo era a diretriz das relações sociais do pessoal que tinha vínculo com a igreja Católica.

Bem, os hábitos não são mais os aqui relatados. Hoje a gente nem lembra mais da morte nos dias santos e já testemunhei muitas situações controversas no caso de falecimento de alguém. Dias desses ocorreu de duas pessoas estarem discutindo, quando uma delas, bastante irritada, começou a debochar de um familiar do desafeto que estava hospitalizado em situação terminal. Na internet, vez por outra, leio textos de pessoas xingando pessoas mortas, irritadas com o que elas fizeram na vida. Pois é, reina o discurso de ódio.

A política mais eficaz para ganhar votos é a necropolítica, ou seja, desejar o mal do adversário até chegar à morte é a nova ordem do dia.

Mesmo sabendo que os rios, os mares e as plantas morrem, cada vez mais cultivamos a destruição do mundo que nos rodeia e nos acolhe. A pulsão de morte se tornou a nova ordem das relações humanas, e o humano se dirige ao mundo com o gesto pulsante da destruição.

Olhando para o advento da pandemia, o culto à morte ronda o viver cotidiano: aglomeração, não uso de máscaras e desrespeito ao distanciamento social são os gestos mais valorizados.

Com tudo isto, é preciso falar sobre a morte, é preciso discuti-la e conhecê-la um pouco mais, afinal de contas, cultuamos a morte todo dia, toda hora e nos furtamos de falar sobre o assunto quando é preciso.

Até a próxima!


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Desencantos

Podcast EPraxe
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O sentido de cooperação e o mundo do empreendedorismo

Empreender e cooperar

Já discutimos a questão do empreendedorismo duas vezes aqui no EPraxe, mas será preciso voltar ao tema novamente. 

O empreendedorismo se tornou uma dimensão hegemônica na sociedade.  Falar mal do empreendedorismo é pecado, e a solução empreendedora se transformou na fórmula milagrosa de resolver todos os problemas da esfera humana.

As palavras trabalhador e cooperação foram expulsas do vocabulário popular e todo ser vivente tem obrigação de ser um empreendedor. 

Outro dia fui a um posto de gasolina e conversava com o frentista, quando ele me informou que iria sair da empresa para trabalhar para ser autônomo, Perguntei sobre o porquê da decisão e ele me respondeu que os amigos dele ganhavam até 5 mil reais por mês como camelô, enquanto ele só recebia um salário mínimo. Argumentei sobre os direitos sociais que ele tinha como empregado, mas ele estava firme no propósito de sair do emprego. No final perguntei a ele como sobreviveria se ficasse mais de um mês doente, na condição de empreendedor. Ele me olhou assustado, mas disse que arriscaria assim mesmo. O momento desta conversa foi uns 15 dias antes do início do isolamento social ocasionado pela pandemia do coronavírus. Se o leitor me perguntar qual o destino do rapaz, não sei responder. 

Em uma viagem a Recife me deparei com um empreendedor de carros alugados. Ele usava o próprio carro em prestações de serviços por plataformas digitais e ainda alugava outros dois carros. Perguntei se aquilo era lucrativo e ele respondeu feliz que era o melhor dos mundos. Questionei sobre a precariedade que os serviços de plataforma provocavam,  mas ele não via nenhum problema na situação. Perguntei como ele agia quando um dos inquilinos não estava trabalhando por motivo de doença e ele, com um certo ar de irritação, respondeu que fazia parte do negócio. Ficamos em silêncio até o final do percurso. Na saída ele agradeceu com aquela boa técnica comunicacional que os empreendedores desenvolvem. 

O que aprendi com as duas experiências é que os homens e as mulheres, que antes se percebiam como trabalhadores e trabalhadoras, se identificam cada vez mais com o empreendedorismo, até mesmo entidades de ajuda a pessoas em situação de vulnerabilidade social incentivam o caminho do empreendedorismo.  E mais: os trabalhadores empregados hoje são chamados de colaboradores, uma caricatura do empreendedorismo que detesta relação estável entre empregadores e trabalhadores.

O leitor já percebeu que cada vez mais não encontramos cooperativas? 

A ideia de cooperação foi apropriada pelas plataformas digitais, umas intermediárias comerciais, em que o empreendedorismo vem camuflado dentro da ideia de cooperação, mas que no fundo é uma forma de atravessamento econômico para a exploração do trabalhador e beneficiamento das grandes transnacionais do capital.

O empreendedorismo é uma metonímia que hoje é utilizado como se fosse a única saída possível para as pessoas que desejam trabalhar, e precisamos estar atentos a essa ordem do capital.

Até a próxima!


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Pensar faz bem – Conceição Evaristo

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As enchentes e a precariedade dos rios brasileiros

Rios & vida

Quando é possível saio por aí afora conhecendo um pouco o interior da Bahia, uma atividade muito prazerosa.

Já atravessei o estado de leste a oeste, chegando a municípios como São Desidério, nos limites entre Bahia e Goiás. É muita caminhada. De Norte a Sul, já rodei pela BR 101, de Riachão de Jacuípe até Mucuri. São muitas cidades pelo caminho. Também saí de São José da Vitória, Bahia até Brasília, DF, uma extensa travessia. E ainda faltam muitos trechos para eu conhecer no estado. É, muita aventura me espera.

Nestas viagens há sempre algumas coisas em comum: rios secos, cheios de ervas daninhas, sem nenhum tipo de tratamento. Outra situação são as muitas casas construídas nas beiras dos rios, até mesmo dentro dos próprios rios. 

No período seco, aparentemente não há perigo em se construir casas na beira-rio, afinal de contas essas áreas estão secas há meses ou anos.

A invasão da beira-mar não acontece somente por casas de pessoas humildes, muitos comerciantes constroem empreendimentos aos arredores, criando uma cultura de vida na beira-mar. Condomínios de pessoas com alto poder aquisitivo também são construídos próximos de áreas ribeirinhas.

Ainda dentro de grandes empreendimentos são construídas represas para sustentar os agronegócios locais. A construção de represas deveria ter acompanhamento e fiscalização, devido ao alto risco de esses negócios causarem danos ao ambiente, mas parece que o mundo é um paraíso formado por esses ideários comerciais, o que resulta em pouco acompanhamento dessas construções.

Os problemas de tais conjunturas só aparecem quando ocorrem grandes volumes de chuvas que fazem rios quase mortos se insurgirem contra as cidades, deixando as populações locais em estado de calamidade pública.

É claro que chuvas fora do comum poderão trazer consequências não previstas para a sociedade, mas existe um conjunto de elementos que contribui para piorar mais a situação das populações afetadas.

E não precisa ser ecologista para perceber a sujeira nos rios provocada pela ocupação desregulada e a quantidade de resíduos industriais tóxicos que são lançados cotidianamente nos rios sobreviventes. Como a natureza aguenta?

Quer mais? Já percebeu a quantidade de lixo produzida pelos empreendimentos turísticos após os passeios de final de semana ou feriadão? É o turismo predatório que, como o deus Cronos, abocanha tudo que ver na frente.

Quando as grandes catástrofes acontecem, a mobilização predominante é para as consequências e não se olha com atenção as diversas causas que provocam os acidentes na natureza e, em consequência, problemas sociais difíceis de resolver. 

E o mais interessante são os discursos culpando a própria natureza pelos prejuízos que nós humanos produzimos, um encobrimento sobre os reais responsáveis pelos problemas sociais causados nas comunidades locais.

Ressalto que os problemas aqui relatados não estão circunscritos à Bahia, eles são encontrados em todas as regiões brasileiras. É uma roda viva que atravessa a sociedade brasileira e que precisa ser discutida com mais atenção.

Até a próxima!


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O luto

Podcast EPraxe
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O EPraxe em 2021

O EPraxe em 2021

O ano de 2021 foi muito intenso, pois ficar em casa por conta da pandemia do coronavírus fez com que eu me dedicasse mais à pesquisa e à publicação para o EPraxe.  Isto tudo me faz lembrar de uma mensagem que vinha nos livros dos cursos a distância da Universidade de Brasília: “Quem tem medo de crise não cresce”. Ainda continuo respeitando muito a crise, pois há forças na pandemia que eu desconheço, mas venho trabalhando o medo que de vez em quando se apossa de mim e vou enfrentando as intempéries com muita leitura e muita escrita.

E o resultado destas labutas pode ser apreciado nas sugestões de leitura abaixo.

Biblioteca Aroeira

Os afrodescendentes e a crítica cultural

As redes caíram, e a vida continuou

Quando os livros esperam por você

Olhos cheios de vida

Vilém Flusser e a questão da técnica

As desigualdades em comum

A bola de cristal e a cartomante

A fase pré-capitalismo de vigilância

Dez argumentos para navegadores

O dia da balbúrdia

Eu no divã

Sob os cânticos de Maria Bethânia

A questão da jaca de pobre

Preciso falar com uma atendente

Até a próxima e que venha 2022!!!


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Pensar faz bem – Shoshana Zuboff

Pensar faz bem - Shoshana Zuboff
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Análise de discurso para todas e todos

Linguistas e-ou não linguistas - eis a questão
Linguistas e-ou não linguistas – eis a questão

Existe uma tendência de ver a teoria e a prática como coisas separadas, principalmente quando a pesquisa tem origem em ciências sociais. Mas teoria e prática precisam andar juntas na jornada de pesquisa, e é isto que argumenta o livro Análise de discurso crítica para linguistas e não linguistas. O livro traz contribuições de pesquisadoras e pesquisadores, que se debruçaram em estudar a praticar a análise crítica de discurso (ADC), ao discutir aspectos da prática de pesquisa em discursos para um público mais abrangente, tendo como eixo o discurso inserido em práticas sociais. Isto em uma linguagem acessível a não-linguistas, sem perder o rigor que toda abordagem metodológica precisa ter. Assim, a obra abre espaço para que pesquisadores de áreas que não sejam da linguagem possam também ter a análise de discurso como alicerce da pesquisa científica.

O livro foi elaborado a partir de duas dimensões: teoria e método. Na primeira parte os autores exploram as bases teóricas da abordagem metodológica e alguns dos conceitos-chave que sustentam a referida teoria. Também há uma contextualização histórica da análise de discurso crítica e uma discussão sobre discurso e prática social.

Já na segunda parte, a do método, os autores abordam as categorias de análise da abordagem, discutem especificidades da análise de discurso crítica no âmbito da análise da mídia e analisam os possíveis entrelaçamentos entre a análise de discurso crítica e a etnografia. No final há um texto bem comentado sobre questões da análise para as práticas do dia a dia para quem tem interesse em trabalhar com análise de discurso crítica.

Os textos são autônomos e podem ser lidos em qualquer ordem, a depender da expectativa e experiência de vida do leitor, mas a autonomia não impede que haja uma conversa entre todos os autores quanto ao tema maior de análise de discurso crítica, o que faz do livro uma leitura agradável, prazerosa mesmo, e de muita aprendizagem.

Vou deixar aqui um aperitivo para quem ainda está em dúvida sobre a leitura do livro:

“A ADC prioriza temas da realidade social que implicam relações de desigualdade, distribuição ou partilha de poder desigual e injusta, opressão, manipulação ou disputa pelo controle da ordem política e econômica em detrimento da sociedade ou de minorias ou segmentos sociais específicos.” André Ricardo Nunes Martins, em Análise de discurso de mídia, p. 167.

Sobre a obra

O que é? Análise de discurso crítica para linguistas e não linguistas
Quem organizou? José Ribamar Lopes Batista Jr., Denise Tamaê Borges Sato e Iran Ferreira de Melo
De qual editora? Parábola
Quem escreveu? André Ricardo Nunes Martins, Décio Bessa, Denise Silva Macedo, Denise Tamaê Borges Sato, Iran Ferreira de Melo, Josenia Antunes Vieira, José Ribamar Lopes Batista Jr., Luciane Cristina Eneas Lira, Paulo Roberto Gonçalves-Segundo, Regysane, Solange de Carvalho Lustosa e Solange Maria de Barros



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