Pensando com Olegária Matos

 

    Até a próxima!


 

Viagem, diversão e outras histórias

Viagem, diversão e outras histórias
E chegou a vez de você viajar a serviço. Notícia boa, não? E se a cidade de realização do trabalho for um ponto turístico?
Aquela cidade paradisíaca que você sempre quis conhecer. É a verdadeira união do útil ao agradável, não é mesmo?
Cuidado com esse útil e esse agradável, pois trabalho é trabalho, e o agradável, na verdade, será uma consequência de como você reagirá à oportunidade advinda da viagem.
Não vamos fazer aqui nenhum discurso de advertência sobre os cuidados que a gente precisa ter quando for viajar a serviço, mas traremos algumas histórias adaptadas sobre viagens a serviço.
Os nomes dos personagens são fictícios, e as histórias não serão narradas exatamente como aconteceram.
Vamos lá?
Pedro foi escolhido pela empresa para fazer um curso de duas semanas em uma grande cidade do interior. Era período de São João, tudo na cidade era convite para festa e entretenimento.
Já empolgado com as festividades, Pedro, no avião, começou a tomar uma cervejinha bem gelada. Olha a paisagem lá de cima e diz: “Que vida!”. Da cerveja para o whiskey foi bem rápido. É bom lembrar que naquele tempo, toda gente era tratada como reis e rainhas nos voos domésticos. Era tudo deslumbrante.
Algum tempo depois, Pedro começou a falar alto, o que chamou a atenção dos passageiros. Logo ele levantava, dançava e pedia mais bebida.
Quando chegamos ao destino, um rapaz me procurou e perguntou se eu iria fazer o tal curso. Descobrimos que éramos da mesma empresa. Então combinamos de ir junto para o hotel. Antes ele me avisou que iríamos com o rapaz que estava bebendo no avião mais uma colega que ele já conhecia fazia tempo.
Para nossa surpresa, durante o traslado do aeroporto para o hotel, Pedro começou a gritar e fazer gestos bruscos dentro do táxi. O taxista com receio do comportamento agressivo do visitante nos levou a uma delegacia próxima. Foi um susto para todos. Pedro estava fora de si, e tivemos de explicar ao delegado a situação, que sensível ao que estava acontecendo, aconselhou Pedro sobre as consequências daquela situação. Mais calmo, nosso colega foi liberado.
Fomos para o hotel. No outro dia, Pedro chegou ao curso atrasado e não lembrava do que ocorrera. Conversamos com ele e explicamos o acontecido. O rapaz baixou a cabeça e ficou muito envergonhado.
Durante as duas semanas Pedro era do hotel para o curso. Não saiu para conhecer a cidade nem para se divertir.
Vocês já testemunharam algo parecido? Fique aqui no texto, que vamos contar mais uma.
Noélia adorava conhecer pessoas e viajar. Houve um sorteio na empresa e ela foi escolhida para conhecer a matriz da multinacional.
No final do primeiro dia de visita uns colegas a convidaram para conhecer os pontos turísticos da cidade. Empolgada, Noélia aceitou o convite e partiu para a city tour. Já era meia noite e Noélia nem queria saber de voltar para o hotel. Curtiu a madrugada e só chegou ao hotel por volta da 6 h da manhã.
Noélia dormiu, dormiu, dormiu. Eram 11 h da manhã, e o telefone de nossa protagonista não parava de tocar. Era o pessoal da matriz que estava preocupado com a ausência da visitante.
Noélia chegou ao trabalho depois das 13 horas. Antes houve um encontro com o presidente da empresa e os funcionários das filiais. Noélia não estava lá…
Pensou que acabou? Você ainda não sabe da história de Elizeu?
Eliseu ganhou um estágio na superintendência regional da empresa em que trabalhava. Caso passasse no estágio, seria promovido. Era uma grande oportunidade.
Como Elizeu achava que a progressão profissional estava atrelada aos relacionamentos sociais com todos, aceitou um convite para conhecer o restaurante mais badalado da cidade. Bebeu, bebeu, bebeu naquela noite…
No outro dia, Elizeu chegou ao trabalho agitado, com sinais de que tinha bebido. O trabalhador-estagiário ficou confuso com a situação que ele próprio havia criado. Elizeu olha para todos com desconfiança, pois achava que as pessoas comentavam sobre os excessos que ele havia cometido na noite anterior.
Espera aí, caro leitor! Precisamos contar a história dos universitários.
Ou vocês pensam que estes problemas só ocorrem com os trabalhadores?
Ana Flávia usou todas as economias que havia ganhado no estágio para participar de um seminário sobre os temas da disciplina que ela acabara de cursar. Era um bom momento para ela se aperfeiçoar e melhorar o currículo.
Enfim, Flávia conseguiu ir ao evento. No primeiro dia do seminário, nossa universitária conheceu colegas de outros estados. Era possível aprender mais e ainda criar laços sociais com pessoas mais distantes.
No segundo dia do evento, a turma estava bem familiarizada e depois do almoço resolveu ir ao centro da cidade para andarilhar no comércio.
Apesar de os conteúdos do seminário serem de interesse de Flávia, a companhia dos novos colegas era melhor.
Flávia e os demais universitários passaram a tarde passeando nas lojas populares do comércio local e não voltaram mais para o seminário.
A situação estava ótima. No segundo dia, a turma já tinha outra atividade turística para fazer, e o seminário foi ficando para cada vez mais monótono para Ana Flávia.
No terceiro dia, já havia um cronograma de atividades paralelo, e ninguém foi ao seminário. Flávia já conhecia todo o centro da cidade, mas perdera a oportunidade de conhecer os autores preferidos da disciplina de que ela tanto gostava.
No final da semana, Flávia voltou para casa sem ter experimentado as aprendizagens do seminário de que tanto desejava. Viajou com um objetivo e voltou com um resultado diferente.
Pois é, a vida é assim…
Viagem a serviço não é viagem de lazer. Algumas pessoas confundem as duas situações e querem transformar o trabalho em diversão. O trabalho é, antes de tudo, um esforço que fazemos para sobreviver, ou mesmo para prestar contas à sociedade de que servimos para alguma coisa. Ele pode se tornar prazeroso, mas traz em si a ideia de labuta, labor.
Divirta-se nas viagens a serviço, mas lembre-se de que você está em situação de trabalho. E será cobrado por isto.
Se você, leitor, tem alguma experiência para compartilhar, faça um comentário sobre o assunto aqui mesmo no blog.

 

Até a próxima!


 

Educar para emancipar – eis a questão

Imagem Educar para emancipar

 

“Só é possível imaginar a verdadeira democracia como uma sociedade de emancipados”
Theodor Adorno
 
Talvez seja redundante adjetivar a palavra educação como um elemento de cultura para a emancipação da humanidade. Mas é bom frisar que a educação é produzida a partir de perspectivas diversas e ela pode ser usada para cercear a liberdade das pessoas e torná-las menos ativas em relação ao processo de construção do mundo também.

É por causa disto que precisamos ser redundantes utilizando complementos que designem educação como elemento de autonomia (Freire) ou emancipação (Adorno).

Quando a gente ler Adorno parece tem a impressão que o texto foi escrito no século XXI, demarcado pela Pós-Verdade e pelas práticas da desinformação. A gente percebe um autor preocupado em despertar o sentido do entendimento profundo da vida nas pessoas.É o que se pode perceber na obra Educação e emancipação, do referido autor.

Educação e emancipação é um livro de reflexão política, midiática e educacional de Adorno, que reúne palestras e debates do autor ocorridos no período de 1959 a 1969.

As palestras foram O que significa elaborar o passado(1959), A filosofia e os professores (1961), Tabus acerca do magistério (1965) e Educação após Auschwitz (1965). Os debates foram Televisão e formação (1963), Educação para quê? (1966), A educação contra a barbárie (1968) e Educação e emancipação (1969).

O conjunto da comunicação contido na obra é um movimento de uma dialética de esclarecimento, em que o autor entra em conversação com a sociedade para discutir como elementos da cultura, da política e das tecnologias interferem no processo de educação para emancipação das pessoas.

Apesar de ter posicionamento crítico a respeito dos meios técnicos inerentes à cultura de massa, Adorno não se furtou de utilizar-se do rádio, na época, para promover discussões abertas sobre os problemas sociais que ocorriam no mundo nas décadas de 1950 e 1960.

Ir a debates e participar de palestras eram sinalizações da abertura do autor para a construção do diálogo. Este foi um diferencial de Adorno, que soube pensar o mundo em que vivia e estabelecer pontes para a discussão das questões sociais em que ele estava inserido: um intelectual atuante tanto no âmbito das teorizações, quanto da vivência cotidiana.

Para nós professores, ler Educação e emancipaçãoé essencial, mesmo que venhamos a discordar do posicionamento sociopolítico do autor, mas é uma oportunidade de também abrirmos caminhos para compreensão dos grandes problemas de ordem social pelos quais estamos passando.

Afinal de contas, o trabalho do professor não se restringe somente às interações em sala de aula, mas está inserido em tudo que fazemos como profissionais da educação.
 
Para pensar:
 
“Pessoas que se enquadram cegamente no coletivo fazem de si mesmas meros objetos materiais, anulando-se como sujeitos dotados de motivação própria.”
Theodor Adorno
 
O quê? Educação e emancipação
Quem é o autor? Theodor W. Adorno
Qual é a editora? Paz e Terra
 

Até a próxima!

2020 vem aí

2020 vem aí!

Pensando com Olafur Eliasson – Parte III

Pensando com Olafur Eliasson - Parte III
Até a próxima!

 

Leia+

Publicações mais visitadas no E-Praxe

Publicações mais visitadas no E-Praxe

Aposentadoria, escrita, bolhas, conteúdo educacional, WhatsApp, cultura organizacional, conversação, compartilhamento, neurociência, competências, apresentações, algoritmos, tudo isto atravessa a educação de hoje.

Não é que foram estes os temas mais lidos aqui no E-Praxe?

A partir do retorno do leitores, iremos planejar as publicações do ano que vem. Abraços

Até 2020!

Poesia mais do que nunca

 

Parte da imagem da revista Cult Antologia Poética

 


A revista Cult lançou um caderno (não sei se chamo de livro ou revista) com poesias que rolam no circuito literário brasileiro da atualidade.

A poesia brasileira continua se movimentando; se misturou aos videoclipes na Internet, se derramou nas praças públicas e nos movimentos periféricos e
participa das diversas feiras de literatura Brasil afora.
Se você imagina que a poesia morreu está muito enganado.
E a Cult não deixou por menos: lançou a antologia poética recheada de textos gostosos de ler.
A antologia parece ser uma mistura dos filmes Bacurau e Coringa por trazer mensagem insólita, periférica e revolucionária. Os poetas da coletânea parecem fugidos da casa grande. Não sei se são a alma do Saci Pererê ou a irreverência de Macunaíma: caminhantes da cultura brasileira à procura de redenção e identidade.

 

 
Eles são antropófagos – não têm medo de dizer a própria palavra. Viva Paulo Freire!
Eles são o retrato de uma face do Brasil de hoje que também precisa mostrar a cara e desviar-se, num movimento de capoeira, de ataques contra a nossa brasilidade.
O time de escritores rebelados é acompanhado dos sete samurais. Não, não! Não seriam samurais! Seriam cangaceiros na melhor representatividade do imaginário brasileiro. São os sete ilustradores que tiveram a incumbência de desenhar traços tão belos para expressar o quanto são lindas as poesias desse movimento da Cult.
Não vai ter imagens das ilustrações aqui, não, caro leitor! Não vai ter trechos das peças poéticas muito menos. A gente precisa beber mais poesia! Parafraseando as palavras do poeta Gilberto Gil: “A gente precisa ver o luar”.
Observação: há uma frase no início da coletânea com os seguintes dizeres: “Poemas para ler antes das notícias”. Mais uma vez vamos parafrasear: Poemas para ler antes de ir trabalhar.

Que é isto? Cult – Antologia Poética
De quem é a curadoria e edição: Alberto Pucheu
Quem ilustrou a capa: PV Dias
Quem revisou? Bárbara Prince
#euleioacult

#EducarNaParaxe

 

Pensando com Olafur Eliasson – Parte II

Pensando com Olafur Eliasson - Parte II
Até a próxima!

Dimensões tecnológicas de interesse do educador

Dimensões Tecnológicas

O aprimoramento de competências é uma dimensão óbvia na formação de qualquer educador. Já fizemos aqui uma pequena discussão a respeito das competências essenciais do educador corporativo, mas é necessário voltar ao assunto, abordando os aspectos do relacionamento do educador com as técnicas que surgem cotidianamente.
São muitas as invenções no âmbito das tecnologias da informação e comunicação (TIC) que surgem neste início de milênio. Quando o educador imagina que está atualizado, aparecem novas soluções tecnológicas, exigindo permanente estado de alerta sobre como lidar com tamanha novidade.
Se se pensar no que seria importante para o educador aprender no campo das tecnologias, a lista de itens de aprendizagem seria imensa. Talvez seja necessário o educador fazer a si próprio perguntas como: esta tecnologia interessa para a educação? Que influências esta tecnologia trará para os ambientes de ensino-aprendizagem? Ou como estas tecnologias estão impactando na vida cotidiana das pessoas?
Você poderá criar mais questionamentos sobre seu processo de aprendizagem em relação às técnicas que vão surgindo. Lembre-se: o desenvolvimento educacional é sempre um estado permanente de reflexão sobre a vida profissional.
Para efeito deste artigo, vamos tratar de cinco dimensões essenciais em tecnologias que são necessárias o educador aprender.

Vamos lá?

A primeira dimensão é da Internet das Coisas (IOT). Hoje dispositivos pensantes estão em todo lugar e tempo: é o GPS acoplado no rádio do carro, a caixa de som que serve como nossa agenda ou mesmo um microchip instalado no nosso corpo para prover informações que poderão servir para melhorar nossa saúde.
A IOT não atua sozinha. Junto com ela vem uma verdadeira avalanche de soluções sofisticadas que se aproximam do que chamaríamos de inteligência humana inclutada dentro de máquinas: a Inteligência Artificial (IA).
Provavelmente em nosso celular, há uma aplicação que transforma em voz textos que a gente escreve, há outras que traduzem textos em linha cruzadas para diversos idiomas. Há aplicativos que conversam com a gente, e não percebemos que estamos traçando um diálogo com uma máquina. Os exemplos são numerosos.
Acha muito impactante haver essas soluções em IOT e IA? Pois é, por traz dessas duas invenções humanas, há uma mais antiga, que são os algoritmos. É esta solução, que já existe há muito tempo, que comanda e organiza os procedimentos das IA e está incorporada nos dispositivos da IOT.
Parece receita de bolo: junte-se uma pitada de IOT em um dispositivo de IA, construído sob um conjunto de algoritmos bem elaborado e é possível provocar na sociedade uma vida de alta conexão. As pessoas hoje, as que têm acesso à Internet, vivem com o celular na mão, imergem em jogos eletrônicos, buscam carros cheios de hardwares e softwares que não a deixem distante do mundo da cultura digital. É a tal da Hiperconectividade.
Pensa que acabou? A centrtalidade de repositório informações não está mais na cabeça do educador. Hoje existe Big Data, grandes quantidades de dados podem ser armazenados em máquinas superpoderosas, que organizam e direcionam muito da construção do conhecimento no mundo. Precisamos estar atentos. E fortes!
E o educador vai ficar longe de tudo isto que está acontecendo? Vai ficar em salas de aula com quadro branco promovendo aula expositivas o tempo todo?
Precisamos pensar sobre isto, pois ainda há educador que acha que é bom se apropriar de tecnologia por meio de procuração: “Ora quando preciso de alguma coisa de tecnologia, é só falar com o técnico da escola” ou “Não preciso aprender tecnologia. Já existem os programadores!”.
É claro que o educador não precisa ser um experto em TIC, mas quando essas tecnologias entram na sala de aula, o professor precisa repensar o assunto, pois os aparatos tecnológicos possuem uma potencialidade ambígua: ao mesmo tempo em que eles podem ajudar na promoção do homem, eles também podem ser usados para submeter esse mesmo homem a um processo, de difícil volta, de alienação.
Sendo assim a melhor forma de lidar com as TIC é compreendê-las bem e ter proficiência nos diversos usos que interessem à educação.
Este assunto ainda não vai terminar aqui. Temos muito o que conversar sobre este intrincado relacionamento homem x técnicas.

Isto ficará para uma próxima oportunidade.

Até a próxima!

Luz sobre Elza Soares

Larissa Luz e Elza Soares

 


 

 
Elza Soares é cantora única, pois consegue navegar pelo samba, pelo rap e pela bolsa nova com maestria e elegância. Elza sabe de onde fala, o que fala e como fala.
Por falar em lugar de fala, Elza já foi posta atrás de Garrincha, mas ela soube muito bem se pronunciar como cantora da música popular brasileira, que não se submeteria à perspectiva hegemônica do futebol. Elza tem identidade.
Elza é ousada. Quando todo mundo endeusava a dimensão criativa da classe média brasileira como arauto da bossa nova, Elza lança um disco intitulado Bossa Negra, resgatando a influência afro que atravessa a bossa nova.
Ela foi mais ousada ainda quando perguntaram de que planeta ela viera, e a cantora respondeu de forma visceral, que viera do planeta fome. Naquele momento Elza Soares já traçara que caminhos deveria seguir como artista brasileira oriunda das instâncias desprestigiadas das classes pobres brasileiras.
Por este breviário histórico já se percebe o quão é difícil reinterpretar Elza Soares, pois a artista tem um legado complexo dentro do cancioneiro popular brasileiro. Mas existem mulheres peraltas por este Brasil afora, que não se contentam em si próprias e resolvem estabelecer pontes entre Elza e o resto do mundo.
É o que faz Larissa Luz no show Larissa canta Elza Soares – Do Cóccix até o Pescoço, uma apresentação artística em que Larissa reinterpreta algumas das clássicas interpretações feitas por Elza Soares, tendo como repertório principal, o disco Do Cóccix até o Pescoço.
 
Do Cóccix até o Pescoço é um trabalho artístico significativo da autora. Na época de lançamento do disco, Elza está afastada do mercado fonográfico brasileiro sem conseguir lançar nada.
 
Do Cóccix até o Pescoçodemarca a volta de uma Elza moderna, hipermoderna, tratando a música brasileira de maneira diferenciada, cantando samba, rap, fado e o que mais lhe desse na cabeça.
 
E olha que o disco foi vendido em bancas de revistas em um encarte luxuoso que trazia fotos primorosas com meninas negras vestidas em estilo black power.
Aí aparece Larissa, que antes já tinha participado de um musical em homenagem à própria Elza durante o ano de 2018, da qual ela obteve o Prêmio Bibi Ferreira de teatro de melhor intérprete de musical.
 

Quem é essa tal Larissa, gente?

 
Larissa começou a carreira como cantora de axé musica na banda Araketu, esta já tinha sido uma banda de música afro-baiana, mas que se rendeu ao movimento da música mais dançante do axé baiano. Depois Larissa seguiu em carreira solo de cantora, mas já construindo músicas próprias, influenciada pelas batidas dos retumbes que ecoavam da cultura africana do século XXI.
 

E como foi o show?

 
O que esperar de uma cantora que passeia pelo teatro, compõe e interpreta a nova música afro-brasileira? Se você pensa que vai encontrar uma imitação técnica perfeita das interpretações de Elza Soares está por fora da força de Larissa. No show a cantora-luz brinca de Elza Soares. Ela incorpora o santo de Elza, mas não deixa de ser Larissa Luz.
 
Os antropólogos deveriam assistir a esse show, pois terão muitos ingredientes para estudar as questões das representações e das identidades. O santo de Elza baixa em Larissa e elas se amam e cantam harmoniosamente, pois todas as vezes em que Larissa faz os trejeitos de Elza, a alma da cantora que reinterpreta está ali, latente e feliz. É um encontro de almas que confabulam e se referenciam em um espetáculo.
 
Se Elza Soares é uma grande cantora, Larissa Luz também o é. Por isto do grande encontro entre quem interpreta e quem reinterpreta, provocando um momento de luz e inquietação no cenário musical brasileiro.
 
Ganha o espectador que é fã de Elza, também ganham os seguidores de Larissa, genuína representante da hodierna música popular brasileira.
 
E aí? Este texto não vai fazer comentários sobre cada música do espetáculo? Olha, o melhor é você ir ao show, pois ouvir Larissa não é momento para elucubrações e comentários técnicos sobre o teor musical. Ouvir Larissa é um momento de fluidez, de curtir a vida, de se encontrar com a própria brasilidade.
 
Até a próxima!
 

Pensando com Cipriano Luckesi

Pensando com Cipriano Luckesi
Até a próxima!