A Neurociência como suporte da aprendizagem

Arte sobre a capa do livro Neurociência e Educação



Se tivesse de voltar ao início de minha formação como educador, daria mais atenção aos estudos sobre aprendizagem, em vez de ter utilizado a maior parte do tempo para entender como as pessoas ensinavam.

O livro
Mas há sempre tempo para aprender. E livros como Neurociência e educação podem servir de referência para a formação dos profissionais da área pedagógica.

Neurociência e educação articula, de forma pertinente, os estudos da neurociência com fatores necessários à formação dos professores no que diz respeito ao funcionamento do cérebro e ao processo de desenvolvimento da aprendizagem.

Os autores Cosenza e Guerra se preocupam em fazer um panorama sobre a organização do sistema nervoso humano, para logo em seguida fazer um paralelo entre a aprendizagem e a estrutura nervosa do homem.

Cosenza e Guerra desfilam pela temática da neurociência abordando assuntos como a atenção, as diversas manifestações da memóriav e emoções e cognição, concluindo com uma apreciação sobre as as funções executivas: conjunto de habilidades e capacidades que permitem ao ser humano realizar ações necessárias para o alcance de um objetivo.

Em seguida, há dois capítulos que tratam do desenvolvimento humano quanto às questões de leitura e operações numéricas. Logo após os autores tratam do processamento da inteligência humana.

A obra também discorre sobre as dificuldades para a mobilização da aprendizagem, em um relato objetivo e bem elucidativo.

No final o texto traz reflexões sobre o relacionamento entre Neurociência e Educação, demonstrando como uma ciência pode ajudar a outra no que diz respeito ao desenvolvimento humano: um convite à transdisciplinaridade.

Temas transversais
O diferencial da obra é não discutir o assunto somente pelo viés do biológico, mas sinalizar ao leitor o quanto a articulação entre o biológico e sociocultural influencia o desenvolvimento do homem e da mulher.

O texto é para ser lido e levado para discussões nos ambientes de educação e neurociência, para que possamos – a cada nova aprendizagem – aproveitar o quanto uma abordagem de estudo multirreferencial pode levar ao aprimoramento das nossas ciências.

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  • O que é? Neurociência e educação – como o cérebro aprende
  • De quem é o texto? Ramon M. Cosenza e Leonor B. Guerra
  • Quando o texto foi escrito? 2011
  • Quem editou o texto? Artmed
  • O que achei do texto? Excelente
Até a próxima!

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Contato

Concorrência desleal – a jornada da solidariedade

Mosaico da capa do filme Concorrência Desleal

Na Itália da Segunda Guerra Mundial dois homens de culturas diferentes se encontram diante de uma disputa comercial: um é católico e defende a costura não industrializada e o comércio das antigas, voltado para a qualidade do produto; o outro é judeu e está preocupado com a venda em massa, com vitrines bonitas e a promoção desenfreada.


A direção é de Ettore Scola, tendo no elenco Diego Abatantuono, Sergio Castellitto e Gérard Depardieu.
O filme capta as mudanças nas formas de comercialização dos anos 1930 e 1940 e, ao mesmo tempo, retrata as dinâmicas do ambiente político da época. Como vai terminar essa história?

A história é de muito ensinamento, tanto para as nossas experiências nas empresas, quanto para as nossas vivências sociais e políticas do cotidiano.


Leia a postagem Concorrentes e Parceiros que trata também deste assunto.


Até a próxima!

Tecnologias na Educação: empatia, simpatia ou antipatia?


Imagem com figuras de tecnologias digitais e analógicas
Tecnologias digitais e analógicas
Umberto Eco discute os comportamentos dos cidadãos diante dos grandes meios de comunicação de massa no livro Apocalípticos e Integrados.

A partir dos escritos dessa obra ficaram muito conhecidos os termos integrados: que são as pessoas que endeusam as grandes mídias como se elas fossem o início, o meio e o fim da existência humana; por outro lado, existem os apocalípticos, que interpretam as grandes mídias como prejudiciais à vocação da pessoa de existir-se com homem.

Do que o autor escreveu podemos perceber muitos desses comportamentos, por vezes dicotômicos, nas pessoas diante dos artefatos das tecnologias da informação e comunicação.
Foi pensando em tais polaridades, que foi concebida a Seção Tecno. Ela tem o propósito de discutir e trazer alguns temas relacionados aos usos desses dispositivos neste mundo mediado de tecnologia.
Vamos juntos construir diálogos que nos permita navegar além de posições de empatia, simpatia ou antipatia: vamos navegar numa jornada de conhecimento.

O redemoinho das figurinhas

Ou como as figurinhas me ensinaram a viver

Passei pela praça e vi muitas pessoas em torno da banca de revistas. Estava um burburinho. Na livraria do shopping, um salão foi reservado para aquela multidão. As pessoas estavam tão absorvidas que não olhavam para o lado de fora.
Havia senhoras com mais de 60 anos, adolescentes dos 15 aos 30 anos; quarentões se alternavam de mesa em mesa procurando alguma peça que ainda não tinham encontrado.

figurinhas, diversão, cultura
Imagem Redemoinho das Figurinhas

Na livraria outro amontoado de pessoas: dois garotos gritavam alucinados, pois haviam encontrado a tão sonhada figurinha.
E assim a gente observa a cultura da coleção de figurinhas acontecer de quatro em quatro anos com o advento da copa do mundo.
Na década de 1970 o hábito das figurinhas durava o ano todo. Era coleção de jogadores de futebol; as novelas faziam muito sucesso, e os colecionadores adoravam ter fotos dos artistas da época, mais figurinhas…
Havia também as figurinhas didáticas sobre história do Brasil, atlas mundial e atualidades. Alguns álbuns tinham características de pequenas enciclopédias, com informações que os estudantes gostavam de usar para estudar nas escolas.
As escolas recebiam visitas de distribuidores, que davam brindes aos estudantes, geralmente era um álbum vazio acompanhado com alguns pacotes de figuras, para influenciar os hábitos dos pequenos em colecionar figurinhas.
Lembro de um período em que as figuras se tornaram um redemoinho em minha vida. Eu não era apenas colecionador: jogava com as figurinhas todo dia.
Era de manhã, de tarde e à noite. Meu tempo era só figurinha. Meus amigos de escola e de rua se limitavam aos que jogavam figurinhas comigo. Minha vida era só a roleta russa do viciante “troca e joga” figurinhas.
Isto tudo foi durante muito tempo, até que recebi meu boletim da escola com a maioria das notas abaixo das médias. Levei o boletim para casa cabisbaixo, muito triste mesmo.
Em casa minha mãe leu minuciosamente o quadro de notas e começou a chorar. Ela falava sem parar: “São essas figuras, são essas figuras”.
Aqueles gritos de minha mãe atravessaram minha consciência e, aos poucos, fui deixando o vício das figurinhas. Mas quando via alguém com um álbum, vinha uma vontade enorme de voltar a jogar. Com o tempo não havia mais vontade de manipular aqueles pedações de papel.


brinquedo, futebol
Imagem do pacote MS Oficce

Agora estou olho as pessoas tão alegres com as figuras da copa; olho também meu passado e vejo as imagens do menino que um dia se divertiu muito e aprendeu com uma brincadeira que, na época, era o centro de atenção de muita gente e hoje mais de parece com uma estação do ano, que volta de tempos em tempos e depois vai embora deixando saudades.
Avisto o redemoinho ao qual estive no centro e sinto que minha história se parece com história do Mágico de Oz: uma viagem de altos e baixos, que contribuiu para a minha formação como pessoa.
Daqui a alguns dias estas lembranças vão descansar novamente e voltarão daqui a quatro anos como se fossem um farol recontando a história de minha existência.
Até a próxima!

Competências essenciais do educador corporativo

competências, didática, tecnologia, cultura, comunicação

Você conhece muito do trabalho na empresa e deseja compartilhar o que sabe com os demais colegas?

Separamos algumas sugestões para o seu desenvolvimento como educador corporativo.

Vamos conhecer algumas competências essenciais?

Conhecimento da cultura organizacional da empresa
Busque saber como funcionam os processos da empresa. Saiba quais são os objetivos de negócios da instituição, e, principalmente conheça os conteúdos que a empresa precisa desenvolver para atuar no mercado.

Comunicação corporativa eficiente
A comunicação vai além do falar bem; é necessário se comunicar para o diálogo do escutar e do falar; daí ser fundamental o profissional sair do nível do discurso-expressão para o discurso-conversação.
Desenvolver a capacidade dialógica de falar e escrever de forma efetiva, mas também ouvir e ler com proficiência, para ajudar na formação de uma comunidade de aprendizagem.

Capacidade de compartilhar os conteúdos das disciplinas que deseja ensinar
De nada adianta conhecer a empresa, ser um bom comunicador e não saber os conteúdos que deseja ensinar: pratique, pratique e pratique. 

Capacidade de estabelecer relacionamento interpessoal
Quem deseja ser educador precisa trabalhar com gente, seja nas interações face a face, seja nas mediadas por tecnologias da informação e comunicação.

Habilidade de usar tecnologia da informação e da comunicação
Os educandos já estão cientes do mundo de conexões em que vivemos. 
Aprenda a trabalhar com as novas tecnologias da informação e comunicação e promova mais interatividade entre você, os educandos e os novos meios tecnológicos educacionais.

Capacidade de interagir com pessoas para o desenvolvimento de aprendizagem
Só conhecer conteúdos não basta; as pessoas vão para a sala de aula com vontade de aprender. Busque compreender como as pessoas aprendem e, a partir disto, desenvolva a capacidade de ensinar melhor.

Aprender sempre
Existem mais competências para serem trabalhadas? É claro. Aqui procuramos não ser exaustivos nas sugestões. Com o tempo você descobrirá mais conhecimentos, habilidades e/ou atitudes que precisará desenvolver, dependendo das circunstâncias.

Até a próxima!

Abram aspas para Paulo Freire

Nenhum a Menos – a inclusão pela prática pedagógica

 

 

 

Imagem da capa do filme Nenhum a menos



 

 

Nenhum a Menos é um filme para os que buscam o ato de educar como uma forma de inclusão social.


No filme uma jovem professora de 13 anos substitui um professor , faz uma jornada de aprendizagem ao tentar manter todos alunos em sala de aula.

 
A jornada não é só da protagonista por nos trazer identificações com as atitudes da educadora em tentar manter os alunos em sala de aula, mesmo diante das adversidades.

O filme suscita reflexões sobre o trabalho educador e nos oferece um bom debate sobre as possíveis sociabilidades na prática educativa.

 

Como usar o filme em sala de aula?

  • Use para discutir inclusão social em educação e o efeito disto na relação professor-aluno.

 

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  • O que é? Nenhum a menos
  • De quando é? 1999
  • Quem dirigiu? Zhang Yimou
 

 

Leia+

{Cultura}  {Tecnologia} {Trabalho}

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#EducarNaPraxe 

Desenhe melhor as apresentações

Recortes das imagens da capa do livro Design de Apresentações




Enquanto planeja e prepara uma palestra, é importante que o apresentador utilize os recursos retóricos com efetividade para organizar uma comunicação relevante, pois na construção da nossa peça de apresentação, temos de pensar nos recursos que serão utilizados como suporte para expressar as nossas ideias.



Há muito livro no mercado que trata do desempenho do palestrante durante uma apresentação, mas ainda as livrarias carecem de obras que ajudem o apresentador a elaborar material de qualidade.




A autora
Manuela Loddo traz esta contribuição para o mercado brasileiro, quando produz um livro que aborda a construção do material retórico, levando em conta aspectos dos estudos da cognição e do design na organização dos recursos de apresentação.

Sua plateia Merece
Trata-se do livroDesign de Apresentações – sua plateia merece, que discute os meandros da construção do material gráfico que ajudará o palestrante a conduzir a apresentação.

A autora inicia com algumas reflexões sobre pontos essenciais para a condução de uma apresentação. Este capítulo é breve e curto, pois o objetivo da obra não é a apresentação em si, mas discutir como construir material de apoio que contribua para o encaminhamento de palestras relevantes.

O livro trata também do planejamento de palestras e da construção da identidade visual das peças retóricas; fatores estes que dão vivacidade às apresentações.

Há um capítulo dedicado à elaboração de slides, discutindo os usos de elementos gráficos e animações em apresentações. Aqui a abordagem leva em conta princípios e teorias da cognição e do design que alicerçam um bom projeto visual para comunicações orais.

Após essa apreciação teórica, Manuela analisa alguns materiais de apresentação, fazendo comentários sobre possíveis melhorias nos exemplares mostrados. Ponto para a autora, pois o livro consegue sair da posição confortável de trazer prescrições sob bases teóricas alheias e avança mostrando como os princípios e as teorias podem funcionar no processo de quem trabalha com apresentações.

Loddo teve o cuidado de construir um capítulo referenciando os estudos dos autores que serviram de base para a construção do livro quanto ao desenho do material (design) e aos aspectos de organização lógico-dialética do pensamento (cognição).

O design
O material gráfico do livro é de primeira: papel de alta qualidade, para que o leitor não perca cada detalhe da produção visual produzida; além disso, o desenho gráfico do livro foi elaborado em coerência com as teorias defendidas pela autora.

Para terminar
O livro é para ler, consultar, ler. Ler não só os textos, mas ler as imagens, pois palavras e figuras se entrelaçam para nos proporcionar uma leitura leve, agradável, produtiva e relevante.

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O que é? Design de apresentações – sua plateia merece
De quando é? 2013
De quem é a autoria? Manuela Loddo
Quem editou? Lura Editorial

Até a próxima!

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Escreva para a gente

Algoritmos na agenda do dia

Mosaico da capa da revista Pesquisa Fapesp abril/2018


A revista Pesquisa Fapesp de abril/2018 traz na capa uma reportagem sobre Algoritmos.


Pouco tempo atrás Algoritmo era assunto restrito ao pessoal de tecnologia da informação e comunicação. Hoje a medicina, o marketing, a sociologia, a psicologia, dentre outras, estudam este tema que cada vez mais interfere na vida das pessoas.

E a Pesquisa Fapesp não poderia ficar de fora. O número 266 trata do assunto, utilizando de uma linguagem clara, tornando acessível um tema tão relevante para a sociedade contemporânea.

Outros assuntos compõem a revista, como uma entrevista com a socióloga Elisa Reis, que discute alguns aspectos de fenômenos sociais da nossa vida atual; há um artigo sobre a Semana de Arte Moderna; um artigo sobre autorias…

E por aí vai

Pesquisa Fapesp é um incentivo ao estudo científico. É um arauto de múltiplas vozes. É sentar na cadeira e curtir uma boa leitura.

Saiba mais no site da Revista Fapesp

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Primeiro Capítulo

O E-Praxe é um ambiente de conteúdos sobre aprendizagem organizacional, com enfoque no desenvolvimento profissional dos cidadãos trabalhadores, empreendedores e empresários.
educação, informação, tecnologia
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Travessia – fragmentos de um naufrágio

Uma jornada para a vida

O livro travessia traz momentos ímpares de reflexões sobre o viver





Sobre Maizé

Em outubro/2017 estive em Belo Horizonte a trabalho. Lá tive uma surpresa agradável de encontrar Maizé Trindade.

Conversei rápido com ela e saí do teatro como se tivesse deixado de realizar alguma coisa.

No hotel fiquei pensativo, imaginando como a gente encontra pessoas, que são relevantes na nossa vida pessoal ou profissional, e deixa o momento passar?

No outro dia pela manhã, mandei uma mensagem para ela, dizendo que foi muito importante tê-la encontrado; poucos minutos depois Maizé respondia, com um texto muito animado.

Maizé foi minha formadora em cursos de educação corporativa e sempre a tive como referência como educadora. Ainda a admiro muito pela forma como consegue escrever bem de forma objetiva e profunda.


Sobre o livro
É com essa objetividade, acompanhada de um consistente conteúdo, que Maizé escreveu Travessia – fragmentos de um naufrágio.

Travessia é um relato de jornada existencial que envolve a mente, o corpo e o espírito de alguém que passou por um momento adverso na vida, e, após a jornada, soube nos contar uma história que nos eleva, mesmo diante das atribulações que o mundo nos oferece.

No texto tudo está ligado e religado, pois as sensações do corpo também são da alma, que também afeta o nosso pensar, que também afeta o nosso agir.

No livro Maizé reflete sobre um momento pelo qual passou, fazendo uma ligação entre o que viveu e a ideia de naufrágio.

Ao olhar a palavra naufrágio, vem-me à cabeça duas novas palavras: nau, com significado de grande navio, embarcação robusta; e frágil, aquilo que é delicado. É a dança do resistente com o desprovido, diante dos desafios que a vida nos apresenta.

É a partir desse frágil-resistente que Maizé navega sobre as tempestades que a jornada terrena provoca e nos presenteia com cartões mensageiros cheios de ideias desse caminhar:
  • Por que não eu? É uma pergunta que incomoda;
  • Medo: aqui é melhor nem comentar;
  • Eu e o Outro: o que muda quando chamamos o outro para conviver com os nossos tormentos?
  • Palavroterapia e Inesperança: é preciso inventar novos significados para inverter o estabelecido;
  • Indizível: como expressar a dor que não passa?
  • Sobrevivente: é preciso testemunhar;
  • Vida e Morte: onde começa a vida? Onde começa a morte?
  • Deslembrança: ah, estas marcas que ficam encravadas na nossa história;
  • Travessia é coisa do Divino: é preciso reviver.

Sobre Julia Panadés
O leitor não vai somente se emocionar com a fluidez da escrita de Maizé, mas contemplará as imagens bem-grafadas de Julia Panadés.

O grafismo de Julia conseguiu ser fiel ao depoimento de Maizé. Ao olhar as imagens tem-se a impressão de que Julia vai – a todo momento – acompanhando cada passo da escritora, representando o indizível que esse tipo de vivência propicia.

As duas conversam como amigas: a cada momento uma delas se alterna para nos contar uma parte da história que precisa ser compartilhada por meio das palavra e das imagens.


Mais sobre o livro
O livro de Maizé e Julia teve um projeto visual primoroso. Primeiro pela ousadia de ser concebido em forma de cartões. As meninas quebraram paradigmas da expressão, presenteando o leitor com um formato diferente de leitura.

A escolha pelas tonalidades do azul torna a leitura prazerosa e cria em nós uma energia de só parar de ler quando terminar o livro.

Depois a gente vai degustando cartão aqui, cartão ali; espalha as peças sobre a mesa; pensa em pôr um dos cartões em um quadro; imagina construir um porta-quadros para que possamos sempre vislumbrar uma mensagem nova a cada dia como se fosse um calendário existencial. Que bom!


Travessia é relato de sobrevivente; foi a forma como Maizé Trindade se renovou diante da vida, da dor e do amor.

Sabe, quando começamos este texto,  relatei o encontro que tive com Maizé em Belo Horizonte e da sensação de não ter conversado um pouco mais com ela. Depois do livro pude entender que o que precisávamos conversar estava no indizível de Travessia.

O que li? Travessia – fragmentos de um naufrágio
De quando é? 2018
De quem é a autoria? Maizé Trindade
De quem são as ilustrações? Julia Panadés
Quem editou? Edição das autoras

Até a próxima!

35 ciclos de um disco navegante

Maria Bethânia

Daqui a 35 anos, o disco Ciclo completará 70 anos de lançado. Caso alguém deseje escrever sobre a obra, e fazer algum comentário sobre Maria Bethânia, é provável que não encontrará noticiários sobre Bethânia como uma celebridade. Como a artista que vendeu milhões de discos ou que foi recordista de downloads. Dificilmente verá noticiários sobre a roupa que ela vestia ou se esteve em programas de auditórios, fazendo julgamento das qualidades musicais alheias.

O que será possível descortinar é a artista-cantora, que também declamava (e muito bem); descobrirão também que ela tinha um jeito muito gosto de dançar (descalça) e que cada música interpretada vinha embrenhada de uma história boa de se contar.

Ciclo
Este ano Ciclo completa 35 anos de lançado, e ainda lembro do primeiro momento que ouvi aquele LP, que trazia nas canções os sons misturados com os silêncios, num ritmo leve e gostoso. Ali eu escutava, dançava, meditava; enfim, deixava os sentimentos florescerem.

Venha, leitor fazer uma viagem pelos caminhos das boas canções.

Lado A
De casa eu podia ver Maria Bethânia dentro do trem. Era a Motriz, aquela maquinaria de trilhos que levava o povo de Santo Amaro a Salvador. Naquele tempo o Recôncavo ainda tinha muito verde rodeando as casas, e os trilhos eram trilhas para a imaginação.

Agora viajando na motriz, vejo Bethânia em volta de uma fogueira. Ao lado dela há uma outra mulher, a mulher escreve sobre o amor com muita profundidade. Enquanto ela escreve, Bethânia canta, olhando para cada verso que Ângela Rô Rô expressa.

Depois Bethânia sai em alvoroço e abraça Gal Costa: as duas em uníssono cantarolam versos simples da pura filosofia.

É quando Gil entoa versos tristes dos desencontros criados pelos deuses do Amor e da Solidão.

Bethânia então é puxada pela sensível língua poética de Moraes Moreira. A motriz já atravessou a Bahia e está em Portugal.

É quando um sopro soa aos ouvidos nos traços curtos de Braguinha, dizendo Anda Luzia, Anda Luzia…

Lado B
Estamos no meio do Ciclo, uma peça rara do cancioneiro popular. elo texto de Nestor Oliveira, musicado por Caetano Veloso. Agora me sinto num redemoinho, com aquelas folhas em movimento dançante, que me faz pensar a vida, a vivida e a não vivida.

É nesse movimento que Ary Barroso oferta Rio de Janeiro. Ah! Que toda energia seja nossa. Viva o povo Brasileiro!

Entre sacolejos da máquina de ferro, Gonzaguinha chama a doce e bárbara cantora para um canto que faça o sol adormecer. Aqui o dia e a noite entram em cópula, e o ser feliz é o que importa.

Neste momento já estamos em êxtase de tanta música boa, mas Lupicínio põe todo mundo em situação de porre. Faz uma música tão grandiosa que serve tanto à pontente voz de Jamelão quanto aos graves melódicos dessa grandiosa intérprete.

Nada melhor do que um bom vinho para se falar de amor, de prazer, da saudade de nosso corpo, que também é labirinto. Maria Bethânia dá voz a Naila Skorpio.

A motriz está terminando a jornada. A lua aparece para tornar o disco mais poético. Que combinação mais harmoniosa ouvir uma canção escrita por Mabel Veloso e musicada por Roberto Mendes.

Outros Lados
Quem teve o privilégio de adquirir o LP recebeu um encarte com as letras das músicas e um conjunto de texto denominado Outros Lados. Velhos Tempos quando uma obra musical não continha somente a música, mas trazia as letras e os contextos de produção da arte.

Olho daqui de 2018 e vejo a motriz voltando de Salvador para Santo Amaro, levando saudades e tendo impregnado em cada vagão um pouco da história da Música Popular Brasileira.

O que ouvi? Ciclo
De quem é a autoria? Maria. Bethânia
De quando foi? 1983
Quem produziu? Philips
O que achei? Maravilhoso!
Quais são as músicas?
Lado A
. Motriz
. Filosofia Pura
. Fogueira
. A Notícia
. Sonhei que estava em Portugal
. Ana Luzia

Lado B
. Ciclo
. Rio de Janeiro
. Cantar para fazer o sol adormecer
. Ela disse-me assim
. Vinho
. Lua

Até a próxima!