A seção Pensar faz bem! traz para os leitores reflexões de diversas áreas do saber, vinculados à cultura e ao cotidiano. Uma parte significativa dos textos Pensar faz bem! é fruto das leituras que fazemos para construção dos artigos, crônicas e resenhas aqui publicados. O pensamento da quinzena é de John Thompson. Boas reflexões!
Nós pressupomos, com outras palavras, que existe uma distinção entre provar uma interpretação e impô-la a outros, ou ser imposta sobre nós. Provar é apresentar razões, fundamentações, evidências, elucidação; impor é afirmar ou reafirmar, forçar outros a aceitar, silenciar os questionamentos ou as discordâncias. Provar é tratar o outro como uma pessoa capaz de ser convencido; impor é tratar o outro como uma pessoa que deve ser submetida. Esta distinção sugere que uma interpretação seria justificada somente se ela pudesse ser provada sem ser imposta.
John Thompson, em Ideologia e cultura moderna, p. 411.
Algumas vezes o capitalismo parece algo distante, difícil de ser compreendido, um tema circunscrito aos círculos de discussões dos sociólogos e economistas, bem distante da vida cotidiana, mas essa forma de relação sociocultural atravessa nosso dia a dia e, de tanto acostumados com a situação, esquecemos de denominar determinados episódios de situações capitalistas e de conhecer melhor essa forma de produzir cultura que tanto afeta nossas vidas.
Vamos acompanhar algumas histórias, com nomes fictícios para os envolvidos, que revelam formas de ordenamento da sociedade, que muitas vezes a gente nem sempre reconhece como de cunho capitalista? *** Primeiro Ato Conheci Alcebíades, um funcionário público que tinha cargo de gerência em uma grande empresa e trocava de carro todo ano. A vaidade do rapaz era tão grande que ele conseguia que a placa do carro fosse sempre a número um da cidade. *** Segundo Ato Dona Adélia era comerciante reconhecida na comunidade. Com o negócio, ela conseguiu formar um dos grandes patrimônios da região. Ela se esforçava muito para manter o patrimônio construído, o que, vez por outra, a deixava distante da realidade pobre do lugar. No final do dia, quando ia fechar o estabelecimento comercial, muita gente pobre da cidade costumava mexer no lixo do mercado para apanhar resto de comida. Irritada com aquilo, a comerciante passou a perseguir os próprios funcionários, para que eles impedissem que os necessitados colhessem o que sobrara e naquele momento era descartado. Como iria aumentar as vendas com aquela situação? Pensava ela. Foi então que a comerciante teve a ideia de pôr água misturada com querosene, detergente e vinagre sobre o que sobrava. A comida ficou sem condições de consumo, e toda aquela gente, no final da tarde, saiu em procissão atrás de um outro lugar à procura de comida que pudesse ser consumida. *** Terceiro Ato Estávamos no mês de janeiro, e o sol nos convidava para ir à praia passar o dia inteiro na beira-mar. Em meio àquele clima gostoso, fomos até uma barraca comprar coco verde. Quando o dono do negócio nos passava o troco, aparecerem cinco homens sem camisa na barraca e deram um ultimato ao vendedor: daquele momento em diante o coco não poderia ser vendido pelo preço estipulado pelo barraqueiro. Havia necessidade de aumento de preço do produto, e se o barraqueiro não se alinhasse aos novos valores, seria expulso do lugar. Olhei para aqueles homens. Na face, havia muita raiva e rancor em relação ao barraqueiro. Interessante era que eles não olhavam para os clientes em momento algum. Os olhos daqueles homens estavam fixados para o novo concorrente que ali instalara. *** Quarto Ato Já era carnaval tarde da noite, cansado de pular igual a pipoca nas ruas de Salvador, procurei um lugar aconchegante para ficar. Percebi que havia um rapaz baixinho do meu lado com um carro de mão cheio de latas de cerveja, água e refrigerante. Ele estava muito animado e começou a falar sobre coisas da vida que ele levava em Salvador. Sensível à situação do vendedor ambulante, resolvi pedir um refrigerante e depois de alguns minutos, devido ao calor excessivo provocado por aquela multidão, comprei também água mineral. Após alguns minutos mais de conversa, ele confessou para mim que na verdade comandava cinco vendedores que circulavam na avenida com uma caixa na cabeça cada um deles, vendendo bebidas diversas para os foliões e que ele exercia um controle para que eles produzissem o máximo que pudessem durante os dias de momo. Depois do carnaval? Ora, eles iriam trabalhar em tudo que fosse festa. Fui para casa pensativo naquele dia, pasmado pelo que tinha experienciado a respeito das relações capitais, que invadem quase tudo que realizamos na vida cotidiana. *** Note o leitor que as histórias trazem alguns hábitos que formam a cultura do capitalismo, como cultivo ao consumo, valorização excessiva dos atos de concorrência, práticas de exploração destrutiva da natureza e descentralizada do humano no processo de convivência aqui na Terra, ou seja, a ordem do capital prima por valorizar a primazia de alguns cidadãos e marginalização do restante da humanidade e é preciso refletir sobre isto. O interessante é que o capitalismo se sustenta por um processo de comunicação via criação do pensamento único, de que só existe uma saída de relacionamento cultural para construção da sociedade, que é o próprio capitalismo. Outro ponto interessante é o que se refere ao destino dos seres que povoam o planeta, com a ideia de que as coisas são assim e que precisam continuar assim: a ideia do “inevitabilismo”. As pessoas estão comendo frutas sem sementes, pois agora o cidadão comum não pode mais plantar. Quer mais? A destruição desenfreada da natureza virou fato comum, e a gente nem reclama mais; todo dia mudam os pesos dos produtos, em embalagens cada vez menores, enquanto os preços das mercadorias só aumentam; não há lugar mais para estacionar carros nos centros das cidades, pois os espaços públicos agora são alugados. Quando criança costumava enganar outras crianças, dizendo a elas que havia uma catraca nas entradas das praias, cobrando das pessoas pela utilização do lugar. Incrível como aquela brincadeira está se tornando realidade! Que podemos fazer diante de tudo isto? Até a próxima!
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Para quem se interessa por documentários, a plataforma Itaú Cultural (IOS ou Android) fez uma homenagem aos 90 anos de Eduardo Coutinho, caso ele estivesse vivo. O cineasta nasceu em…
A seção Pensar faz bem! traz para os leitores reflexões de diversas áreas do saber, vinculados à cultura e ao cotidiano. Uma parte significativa dos textos Pensar faz bem! é fruto das leituras que fazemos para construção dos artigos, crônicas e resenhas aqui publicados. O pensamento da quinzena é de Pier Paolo Pasolini. Boas reflexões!
Pier Paolo Pasolini, em uma entrevista a João Lins de Albuquerque, respondeu:
E qual o maior desafio que tem diante de si? O desafio que eu quero realizar ou o desafio que vem ao meu encontro?
O desafio de um cineasta e de um escritor de seu calibre. O desafio maior, como sempre, é o código. O desafio do código é igual, tanto para o cineasta como para o escritor. A coisa mais difícil deste mundo é a luta contra o código, contra os hábitos, contra as convenções – linguísticas, estilísticas… Penso que tanto a vida quanto a obra de arte devem ser orientadas pela infração ao código. De certa forma, esse é o problema básico que tenho enfrentado nos meus filmes com a representação sexual. O desafio foi, portanto, tentar romper todos os códigos que regulavam essa representação.
A rigor, a arte deve ser completamente livre? Sim. Mas não existe um mundo onde tudo é livre. O mundo está fundado sobre o código.
Em Conversações – entrevistas essenciais para entender o mundo, de João Lins Albuquerque, p. 44-45.
Para as pessoas que adoram documentários, estão disponíveis, para assinantes da Netflix Últimas conversas (2015, Jogo de cena (2007), Santo forte (1999) e As canções (2011), de Eduardo Coutinho: que notícia boa, pois um grupo maior de pessoas poderá conhecer um pouco mais da obra de um dos mais representativos documentaristas brasileiros.
Lembrando ao leitor que ainda estão disponíveis na plataforma do Itaú Play os documentários Cabra marcado para morrer (1984), O fio da memória (1991), Santo forte (1999), Edifício Master (2002), Peões (2004), Jogo de cena (2007), também de Eduardo Coutinho. A diferença é que no Itaú Play o acesso é livre de pagamentos de alguma taxa, o que torna possível uma gama bem maior de pessoas acessar a obra desse cineasta singular de nossa cultura. Aproveitei para assistir a As canções e Últimas conversas e ressignificar as impressões dessas obras sobre mim. As canções trazem à minha memória uma diversidade de canções, a maioria de origem brasileira, que estiveram comigo em momentos significativos da vida. Já Últimas conversas consegue fazer eu reviver os momentos da juventude em que eu queria desbravar o mundo e mudar os rumos da vida. O que me impressiona em Coutinho é a maneira como ele consegue se aproximar das pessoas e interagir de tal forma que, em pouco tempo, elas estão se libertando do estranhamento e se abrindo para si e para o mundo. Só o leitor conhecendo a obra de Eduardo Coutinho para compreender melhor o que estou tentando expressar aqui. Últimas canções foi lançado após a morte de Coutinho e teve montagem de Jordana Berg, com organização geral de João Moreira Salles, dois profissionais que conviveram bastante com Eduardo Coutinho. Se você gosta de assistir a uma boa conversa, não deixe de ver os documentários de Eduardo Coutinho, um mestre na arte do diálogo.
Foi lançado em janeiro último o podcast Músicas de Gilberto Gil ajudam a abordar a desigualdade social em sala de aula, no canal na plataforma Spotify. O evento discutiu a utilização…
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Ir ao cinema mais de uma vez para assistir ao mesmo filme, ficar horas na fila para não perder o filme preferido, envolver-se com a narrativa e deixar os humores…
A seção Pensar faz bem! traz para os leitores reflexões de diversas áreas do saber, vinculados à cultura e ao cotidiano. Uma parte significativa dos textos Pensar faz bem! é fruto das leituras que fazemos para construção dos artigos, crônicas e resenhas aqui publicados. O pensamento da quinzena é de Roberto Schwarz. Boas reflexões!
O favor, ponto a ponto, pratica a dependência da pessoa, a exceção à regra, a cultura interessada, remuneração e serviços pessoais.
Por volta dos nove anos de idade, passei por momentos difíceis que afetaram toda a minha vida futura. Ainda na segunda unidade do chamado terceiro ano do antigo primário, recebi o boletim de avaliação e verifiquei que não tinha alcançado as notas mínimas para passar nas duas primeiras unidades e que corria o risco de não ser aprovado no ano letivo.
Duas questões eram impeditivas para eu estudar adequadamente: primeiro, eu adorava jogar figurinhas, e aquele vício me envolvia de tal modo, que não conseguia olhar de forma adequada para os estudos. A rotina era jogar, jogar, jogar… A segunda questão se referia à forma como eu escrevia: as letras eram incompreensíveis e isto impedia que a professora pudesse ler as atividades escolares feitas por mim e fazer de forma efetiva a avaliação. Levei o boletim para casa, e minha mãe ficou alvoroçada. Só falava no assunto. Dias depois ela foi à escola para conversar com a professora e ficou mais preocupada ainda com os comentários da professora, como falta de atenção, atrasos, não cumprimento do horário do intervalo, além da escrita que era incompreensível. Naquele tempo as pessoas achavam que quem tinha letra incompreensível tinha problemas de desenvolvimento cognitivo e, em consequência , dificuldades para estudar. Até hoje a gente ainda encontra pessoas que fazem esse tipo de comentário, considerando as pessoas de letras incompreensíveis como pessoas menos inteligentes. Após a conversa com a professora, minha mãe me matriculou em uma turma de alfabetização de crianças, que estavam atrasadas no desenvolvimento educacional. Fiquei muito chateado com a situação e questionei muito aquela decisão. Eu sabia ler e escrever com fluência, pois ajudava meus pais nos estudos a distância que eles faziam, tinha um desempenho razoável em Matemática e facilidade em estudar assuntos ligados à Geografia e à História. Minha mãe não quis saber: em poucos dias estava eu na escola no meio das crianças e adolescentes que ainda não haviam conseguido se alfabetizar. Como lidar com aquela situação? Após alguns dias nas aulas de reforço, os meninos da turma descobriram que eu já frequentava a terceira séria e começaram a brincar rotineiramente com aquilo me chamando de “burro”. Foram dias de humilhação. Consegui passar de ano, mas tive de estudar com a turma de quarta série considerada a mais fraca em termos de desempenho escolar. Naquele tempo a escola fazia separação entre os estudantes que tinham boas notas dos que tinham notas ruins. Os colegas da quarta série tinham em média 14 anos, e eu acabara de fazer dez. Eles eram muito danados, eram fortes e gostavam de brincar de briga: tempos difíceis aqueles; vivia fugindo de um e de outro o tempo todo. Com o passar das aulas, os colegas perceberam que eu tinha um bom desempenho escolar e diminuíram as ações violentas contra mim. Mas foi um ano muito difícil aquele. No ginásio, voltei para as turmas dos meninos que tinham boas notas e fiquei menos exposto à violência comum que acontecem quando crianças menores ficam com adolescentes que gostam de brincar com coisas violentas, mas desde aquela época já achava que a classificação de estudantes por nível de conhecimento não fosse a saída adequada para a educação de crianças e adolescentes. Os meninos e meninas precisam ficar juntos e misturados, eles precisam ser incentivados a realizarem atividades cooperativas entre si, para que todos possam aprender juntos. Só tive a consciência disto depois que passei um ano longe dos meus colegas porque tinha obtido notas menores. Fui para o segundo grau (ensino médio) e lá passei a escrever em letra de forma, para que a escrita fosse legível e eu não ficasse prejudicado nas notas durante as avaliações. Ao entrar no mundo do trabalho, trabalhei com Contabilidade. Lá fui surpreendido de novo com a questão das letras incompreensíveis (os garranchos). Os colegas de trabalho tinham belas letras cursivas e preenchiam de forma ornamental as fichas de registros contábeis. Quando eu errava um registro, a forma como eu escrevia era muito evidenciada, e eu morria de medo quando chegavam os relatórios contábeis, pois, caso houvesse erro em algum registro, eu ficaria exposto diante de todos. Um dia houve um número expressivo de erros meus por causa da letra incompreensível. O chefe do setor me chamou e conversamos sobre o assunto. Lembro que entre um papo e outro ele disse mais ou menos assim: “você não precisa ter uma letra bonita, basta que ela seja legível”. Aquela sinalização ajudou muito, pois ainda tenho a letra feia, chamada de garrancho, mas procuro escrever de forma legível. Também me ajudou na estima, pois eu me nivelava por baixo diante de outros profissionais por achar as minhas letras fora do padrão. O que aprendi com tudo isto? Quanto aos jogos, aprendi a não me deixar envolver em coisas que me deixam submetido ou dependente em demasia. Ainda jogo, mas só quando é para produzir prazer; quanto às letras, elas continuam as mesmas, rs, com algumas melhorias, é claro. As letras que produzimos expressam um pouco do que somos, e a gente precisa cuidar para pensar em mudar sempre, mas com cuidado para que as referidas mudanças não diminuam a nossa estima. Foi preciso passar por tudo o que aqui foi descrito para me entender melhor, sabendo das minhas fraquezas e reconhecendo as minhas potencialidades. Até a próxima!
Portanto, rejeitamos a hipótese de que IAs são simplesmente ferramentas, a exemplo de calculadoras ou softwares de pesquisa. Vieses dos desenvolvedores e das bases de treinamentos, possibilidades de alucinação, falta de transparência de algoritmos, impossibilidade de replicação de certas respostas e outros critérios envolvidos em tais tecnologias as afastam da possibilidade de serem consideradas apenas instrumentos de pouco impacto sobre as pesquisas.
Chegamos à postagem número 500 e isto é fruto de uma longa jornada de escrita iniciada em 2006. De 2006 a 2017 publicamos pouco mais de 60 postagens. Naquele período o EPraxe se chamava Senso Comum e estava localizado em uma plataforma de hospedagem gratuita. As publicações eram muito distantes umas das outras, e houve ano de não haver publicações.
A partir de 2017, o Senso Comum passou a se chamar EPraxe e mudou a forma de publicar. A periodicidade de publicações passou a ser semanal, com três textos autorais e um texto de reflexão, fruto das leituras realizadas a fundamentação da escrita no blog. Em 2020 com a entrada de Cleonilton Souza no doutorado em educação, O EPraxe passou a ter dois registros de reflexão e dois registros autorais, pois era um momento difícil de conciliar escrita para blog e escrita para pesquisa. Aos poucos estamos voltando a ter mais publicações autorais. Não que os textos de reflexão prejudiquem a linha editorial do blog, mas a necessidade de construção de escrita própria fala mais alto em relação aos propósitos de criação do EPraxe. O propósito do EPraxe é discutir questões ligadas à educação, cultura, linguagens, tecnologias e artes, por meio da publicação semanal de artigos, resenhas e crônicas do cotidiano. A vida continua e vamos nos organizar em busca de mais 500 publicações: haja trabalho para o futuro!
Para comemorar os 500 registros, escolhemos algumas postagens, para que o leitor conheça um pouco mais a história de escrita do EPraxe. Aproveitem!
O doutorado foi um prazeroso processo de formação como pesquisador e é preciso compartilhar com os internautas as leituras que considerei fundamentais para o processo de formação.
Listo abaixo alguns dos textos que contribuíram para a construção da pesquisa e que serviram, e muito, para a minha vida na totalidade.
A importância do ato de ler, em A importância do ato de ler em três artigos que se completam, p. 19-31 - Paulo Freire Se temos pouca proximidade com a leitura, o processo da pesquisa se torna um martírio. É bom lembrar que leitura não é aquele ato de memorização que às vezes a gente se acostuma a fazer durante a educação básica, é preciso ir além, e Freire discute muito bem o assunto.
O ato de estudar, em A importância do ato de ler em três artigos que se completam, p. 72-76 - Paulo Freire No mesmo livro, é possível ler um texto curto e grandioso: pequeno no tamanho, mas grandioso na reflexão sobre como o ato de estudar pode nos ajudar a construir nossa identidade como pesquisadores.
Dialogicidade, em À sombra desta mangueira, p. 74-82, Paulo Freire Freire aqui não só discute a questão da dialogicidade na educação, como também aborda o tema da curiosidade epistemológica, uma forma mais organizada de a gente atuar tanto em educação quanto em atos de pesquisa.
Um objeto geográfico?, em A natureza do espaço, p. 72-79, Milton Santos Aqui, Milton Santos discute de maneira sistemática e dialética o que seja pesquisar em Geografia. Fique tranquilo, leitor, a discussão é aberta e ajudará aprendizes de pesquisadores de outras áreas também.
Abordagem Multirreferencial (plural) das situações formativas, Jacques Ardoino, em Multirreferencialidade nas ciências da educação, p. 24-41, org. Joaquim Gonçalves Barbosa Conheci os fundamentos da Multirreferencialidade por volta de 1999 e ainda hoje sou um aprendiz da ação de leitura plural no ambiente da pesquisa. O texto é um tesouro.
Sobre o artesanato intelectual, p. 21-58, Charles Wright Mills. De forma bem simples, aborda o construto da pesquisa por meio de ilustrações do dia a dia: um bom início de caminhada para quem deseja ser pesquisador.
Conceitos, em Segredos e truques da pesquisa, p. 145-187, Howard Becker Becker tem um estilo muito leve de discutir coisas complexas, e um dos assuntos mais controvertidos na práxis científica é o da construção de conceitos, e o autor trata do assunto de forma lapidar.
A cultura é algo comum, em Recursos da Esperança, p. 3-28, Raymond Williams Não imagine o leitor que pesquisadores são essa gente que fica em torres de marfim. Pesquisadores precisam estar no lugar onde os objetos, pessoas, sistemas e ações da pesquisa estão. Então, quando adentrar na Academia, descubra o valor de perceber a cultura como algo comum, como algo que deveria ser de direito de todos.
A ideia de uma cultura comum, em Recursos da Esperança, p. 49-58, Raymond Williams Este texto complementa o anterior. Não deixe de ler se quiser ampliar os conhecimentos sobre a cultura.
Por que me manifesto?, p. 87-96, em Recursos da Esperança, p. 87-96, Raymond Williams Aqui Williams discute questões relacionadas ao posicionamento político do intelectual. Serve para nós iniciantes na pesquisa.
O escritor: engajamento e alinhamento, em Recursos da Esperança, p. 115-130, Raymond Williams Este texto conversa com o anterior: para quem você pesquisa? Com quem você pesquisa? Você é engajado?
A prática da possibilidade, em Recursos da Esperança, p. 463-476, Raymond Williams Se você decidiu ser pesquisador precisa refletir sobre para que tipo de mundo você imagina o presente e o futuro, e é o que faz Williams neste artigo seminal
Enfrentar a incerteza, em A cabeça bem-feita - repensar a reforma - reformar o pensamento, p. 55-64, Edgar Morin Ora, ora, somos sempre aprendizes, pois o mundo é incerto, inconcluso e inacabado, e Morin sabe muito sobre isto e pode nos ajudar nesse longo processo de formação.
Inter-poli-transdisciplinaridade, em A cabeça bem-feita - repensar a reforma - reformar o pensamento, p. 105-116, Edgar Morin Depois de ler o texto de Jacques Ardoino sobre a Multirreferencialidade, leia este ensaio de Morin. Os dois textos, de certa forma, traçam um pequeno diálogo.
Introdução, em A dúvida, p. 21-34, Vilém Flusser Se você leu o texto de Morin sobre enfrentar as incertezas, algumas coisas ficarão menos complicadas com a leitura de Flusser. A dúvida é um pequeno tratado filosófico.
Sobre a natureza da educação, em Pedagogia Histórico-crítica - primeiras aproximações, p. 15-28, Dermeval Saviani Como a pesquisa teve como um dos eixos a questão da educação, resolvi trazer esta sugestão de texto de Saviani, um dos mais reconhecidos estudiosos das ciências educacionais no Brasil. Nestes tempos de transversalidades é preciso saber de onde se pesquisa e por qual motivo se pesquisa. São sugestões, caro leitor. Isto como um estímulo inicial para que os desejantes de atos de pesquisa mergulhem em uma discussão profícua com cada um desses autores e construam a própria formação como pesquisadores.
Boas leituras e até a próxima!
Assim uso cotidianamente um smartphone, para a mobilidade e consultas rápidas, e um tablet para criar rascunhos sobre as coisas que percebo no mundo. Quando desejo criar algo mais elaborado, recorro a um notebook que me ajuda bastante na formalização dos diversos tipos de documentos.
Gilberto Gil soube utilizar com maestria a régua e o compasso na construção de uma jornada artística, política e intelectual de tirar o fôlego. Ele produziu célebres canções para o…
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É sublime ver Bela Gil dançando em um dos shows do documentário Viajando com os Gil. É sublime porque é ancestral. É sublime porque são movimentos que até hoje vivem…
A dependência excessiva das IAs para a leitura, análise e redação de trabalhos acadêmicos também pode resultar em uma falta de desenvolvimento de habilidades críticas e criativas por parte dos pesquisadores. Isto pode tornar a situação ainda mais prejudicial para estudantes universitários ou de início de carreira. O processo de construção e desenvolvimento da maturidade intelectual inclui a capacidade de elencar e concatenar ideias para a construção de artigos, trabalhos de conclusão de cursos e outros. A automação dessas tarefas pode levar à estagnação intelectual e à perda da diversidade de pensamento .
A TVE Bahia tem mudado a forma de transmissão das partidas de futebol na Bahia, e isto é muito bom para o telespectador baiano.
O futebol baiano há muito foi esquecido pelas emissoras privadas da TV baiana. Presas a contratos de transmissões vinculados a redes de TV localizadas no Sudeste do Brasil, as emissoras de TV baianas amargam uma submissão de décadas e são obrigadas a transmitir somente o que interessa à economia e à comunicação das redes de TV. Isto é um problema que interfere sobremaneira na cultura do futebol da região Nordeste.
Por exemplo, muitos cidadãos do interior do estado da Bahia torcem para times do Sudeste do país, pois, até pouco tempo, o acesso a rádio e TV estava atrelado à hegemonia de grupos de comunicação, com forte poder econômico, que se preocupavam mais em transmitir partidas de futebol de times do Sudeste do país. Resultado: a preferência da população é por times como Vasco da Gama, Flamengo, Botafogo, Corinthians e Palmeiras: uma invasão cultural severa.
Mas a história tem mudado e, aos poucos, a população baiana tem tido acesso a partidas de futebol com times baianos, e a tendência é a formação da torcida baiana ir se modificando, ficando mais plural, com torcidas por times do exterior do estado, como também com torcidas por times nativos.
Um exemplo interessante foi a iniciativa da TVE Bahia de transmitir todos os jogos do campeonato baiano do certame de 2024. O que aconteceu? Houve finais de semana em que a TV pública foi a que teve mais audiência durante a transmissão dos jogos do campeonato local. Isto pode ajudar as emissoras comerciais começarem a refletir sobre o que é importante para o espectador local.
Sou diversa e plural. Sou do esporte e da saúde, da cultura e educação. Eu sou a TV pública da Bahia.
TVE Bahia (Instagram)
E acontecimentos assim têm contribuído para essa transição cultural. No ano de 2024, a TVE transmitiu 51 jogos da competição, com retransmissão das pelejas pela TV Brasil, um feito significativo para uma competição que estava à margem no quadro de transmissão das emissoras comerciais.
As transmissões também ocorreram pelo Youtube, e na partida final do campeonato, a emissora alcançou 3,186 milhões de visualizações durante as 3 horas e 50 minutos de transmissão da partida, alcançando 61 mil marcações como “gostei”. Ainda no YouTube, ocorreram 26 milhões de visualizações no total e 700 mil visualizações simultâneas por jogo. Que notícia boa!
Quer mais? No mês de abril de 2024 a TVE tem 589 mil seguidores no Youtube, 275 mil no Facebook e 199 mil no Instagram. Nas mídias digitais, a emissora opera com a Hashtag #BaianãoNaTVE, o que gera uma interação bem dinâmica.
Para finalizar com chave de ouro, a TVE transmitiu o evento de premiação para reconhecimento dos profissionais do futebol baiano, no dia 8 de abril de 2024, um momento de celebração da cultura do esporte local.
O slogan da TVE é “A TVE é a casa do futebol baiano!”. E assim a emissora vai cada vez mais se consolidando como o doce lar do futebol dos baianos.
Pensar faz bem traz quinzenalmente para os leitores pensamentos de diversas áreas do saber, vinculados à cultura e ao cotidiano. Uma parte significativa dos textos Pensar faz bem é fruto das leituras que fazemos para construção dos artigos, crônicas e resenhas para o EPraxe. O pensamento da quinzena é de Oscar Jara Holliday Boas reflexões!
Essa visão de realidade como totalidade histórica, contraditória e mutante, produto da prática transformadora da humanidade, que exige um esforço teórico-prático de conhecimento e transformação, coloca-nos ante os processos sociais com uma atitude fundamental: ter disposição criadora, ter a convicção de que o que hoje existe não é a única realidade possível e que não tem sentido se propor a conhecer a realidade só para “constatar como é”. É necessário chegar a propor como queremos que seja, que realidade poderia existir.
Oscar Jara Holliday, em Para sistematizar experiências, p. 49-50.